2. TEORIA GERAL DA PREPARAÇÃO DO DESPORTISTA
2.1. SISTEMA DE PREPARAÇÃO DESPORTIVA
2.1.3. SISTEMA DE FATORES COMPLEMENTARES
2.1.3.2. ASPECTOS PSICOLÓGICOS
Uma das questões que sempre intrigaram técnicos e preparadores em geral referia-se ao modelo pelo qual alguns atletas conseguiam ter uma performance ótima em competições enquanto outros, com a mesma aptidão física e qualidade técnica, não rendiam na mesma intensidade. A tentativa de resposta a essa questão fez com que muitos estudiosos investigassem o papel e o reflexo dos fatores psicológicos na performance esportiva (BRANDÃO, 2005, p.108).
Os fatores psicológicos no desporto são bastante considerados atualmente, justamente por diferenciar muitas vezes atletas de mesmo nível físico e técnico. Além disso, a tolerância às horas de treinamento durante anos e às pressões de técnicos, pais, mídia, amigos e de si mesmo para resultados, fazem com que o tédio e o estresse, muitas vezes, sejam componentes presentes nos treinamentos. Brandão (2005) comenta sobre esse assunto: “o treinamento esportivo significa um trabalho diário, durante várias horas e por longo tempo. É um processo que submete o organismo a cargas físicas e psíquicas elevadas com o objetivo de aumentar a capacidade de trabalho do atleta” (p.111).
O fato da GA ser uma modalidade constituída de habilidades complexas e de precisão, que envolvem a segurança do ginasta, gera também uma ansiedade em relação aos exercícios a serem executados: o medo ou a insegurança. Existem estudos sobre essa questão e, segundo Brandão (2005), os medos mais comuns na GA são: de fracassar, de ter êxito, de cometer erros simples, executar movimentos de risco, de ser rejeitado pelo técnico, de se lesionar, da competição, do desconhecido, de ficar nervoso durante a competição, de não poder conseguir dormir na noite anterior à competição, de falar com o técnico, de não poder cumprir o que se espera dele, de sua pontuação não contribuir para a equipe, de cair e competir mal, de errar um movimento, de ser rejeitado pelo ambiente (familiares, companheiros, etc), de ficar doente, da arbitragem, do futuro (BRANDÃO, 2005).
Arkaev e Suchilin (2004) expõem o trabalho desenvolvido com a seleção russa de GA e relatam que não conduzem uma preparação psicológica desconectada de outras. Alertam que os ginastas precisam aprender a lidar com a preparação psicológica juntamente com a preparação técnica, tática, física, etc. Eles não são adeptos da participação de psicólogos do desporto para trabalhar com as especificidades da modalidade que são desenvolvidas durante os
próprios treinamentos. As situações de competição da GA são bastante previsíveis (ambiente estável) e eles trabalham com essas situações simulando as competições e as situações de estresse durante a própria preparação do atleta. Eles consideram que os técnicos que formaram os ginastas desde crianças, e os levaram até o topo do desporto, conhecem as nuances psicológicas de cada um melhor do que qualquer outro profissional e já sabem como lidar com cada um.
Em alguns momentos do processo os técnicos da seleção russa consideram a importância do psicólogo, como para compor e identificar os perfis psicológicos para a seleção russa. Nestes casos são realizados testes individuais psicológicos sobre a personalidade da ginasta, nível de motivação para prática, velocidade para processar uma informação visual, avaliação da memória motora e da precisão em movimentos já dominados. Consideram também importante o psicólogo para identificar os perfis psicológicos dos grandes campeões do mundo, para que estes sejam utilizados como parâmetros também (ARKAEV; SUCHILIN, 2004).
Segundo Smoleuskiy e Gaverdouskiy [199-] existem estudos que apontam para particularidades psicológicas na GA. Segundo os autores, as características mais marcantes da modalidade são:
⇒ ser “introvertido”, sendo o próprio corpo objeto da consciência e de sua percepção sensorial;
⇒ assimilação e a execução dos exercícios se formam segundo as sensações psicológicas
⇒ capacidades altamente desenvolvidas de concentração e atenção durante os movimentos
⇒ reações bem desenvolvidas de antecipação (capacidade de avaliar a situação e decidir os próximos movimentos a serem feitos60)
⇒ precisão e estabilidade emocional
⇒ alto domínio e capacidades volitivas (característica de alta tensão na modalidade) ⇒ concentrar-se a ponto de “desconectar-se” das situações exteriores indesejáveis ⇒ vontade para os treinamentos
60 Não é comum a ginasta poder escolher seus movimentos no momento da competição, mas podem ser modificados
caso haja necessidade, como um erro em uma seqüência de movimentos importante. A ginasta pode inserir outro movimento com a mesma característica se houver a necessidade e isso muitas vezes já é previsto e treinado durante os treinamentos.
⇒ saber distribuir a energia psíquica do ginasta, que é bastante utilizada na modalidade, principalmente nos exercícios de maior risco, gerando um estresse frequente.
Segundo Mássimo (1996) muitas ginastas sentem que ainda não estão prontas para determinados exercícios, sentem-se desconfortáveis com seus medos e têm medo de falar com seus técnicos sobre isso. Ginastas que não se sentem capazes de falar sobre seus medos são sérias candidatas a lesões e riscos de segurança. O fato de muitos ginastas terem medo de “falar com seus técnicos” é uma cultura na GA, obviamente estimulada pelo comportamento e postura dos técnicos em relação aos atletas jovens. A comunicação aberta entre técnico e ginasta está diretamente relacionada com aspectos psicológicos e com a segurança. As ginastas que têm mais dificuldade em conversar com seus técnicos sobre suas capacidades precisam ser encorajadas a fazerem isso.
Além disso, o mesmo autor ressalta que ginastas que treinam em uma atmosfera negativa, e que constantemente são objeto de observações que os deixam “para baixo”, são mais distraídos e têm mais estresse emocional. Smoleuskiy e Gaverdouskiy [199-] também abordam este assunto, ressaltando a necessidade do técnico ter atitudes educativas, criando motivações positivas para os treinos e um ambiente psicológico favorável para o grupo, sem desconsiderar a personalidade de cada ginasta. Benk (2006) destaca ainda que um trabalho numa direção educativa apropriada pode, indiscutivelmente, contribuir para que o atleta valorize seu próprio esforço, sua perseverança e o desenvolvimento de suas próprias habilidades, garantindo que alcance o melhor rendimento possível.
Gervis e Dunn (2004) realizaram um estudo no Reino Unido sobre o abuso emocional de crianças atletas de elite por seus técnicos e confirmaram a falta de conhecimento e/ou de atitudes adequadas dos técnicos no trato com crianças no desporto. Os resultados deste estudo objetivaram evidenciar o comportamento de alguns técnicos como uma ameaça ao bem estar psicológicos de atletas jovens de elite. Os autores estudaram ex-atletas de várias modalidades que foram atletas de elite entre oito e 16 anos de idade e com seis a 10 anos de carreira, sendo a GA uma delas. Foram considerados no estudo oito tipos de comportamentos abusivos: desdenhar, humilhar, gritar, servir de “bode expiatório”, rejeitar, isolar, ameaçar e ignorar. Todos os atletas do estudo falaram sobre alguma forma de deixá-los “para baixo” ou gritos de seus técnicos, 75% dos sujeitos reportaram comportamentos de ameaça e humilhação e
metade de “bode expiatório”, sentindo-se rejeitados e sendo ignorados quando atletas jovens de elite. Todos reportaram também que o comportamento dos técnicos piorou quando os atletas foram identificados como sendo de elite. Como resultado deste comportamento dos técnicos, os sujeitos sentiam-se estúpidos, imprestáveis, menos confiantes, perdidos, depressivos, humilhados, temerosos e zangados.
Segundo Gervis e Dunn (2004), há uma grande divulgação dos resultados no desporto, mas não dos métodos para se alcançar o sucesso. “O treinamento é sempre chato, repetitivo e longo. É uma demanda física e psicológica, que requer que os atletas forcem-se a limites extremos. O esporte domina a vida deles e estes com freqüência são isolados socialmente.” (GERVIS; DUNN, 2004, p.216).
A relação entre técnico e atleta, pode ser o mais significativo relacionamento que a criança tem com um adulto. De fato, o atleta pode perceber o técnico como sendo mais importante que os próprios pais. As crianças que treinam seis vezes por semana, ficam mais tempo com os técnicos do que com seus pais, gerando considerável influência sobre as crianças e deixando-as vulneráveis aos seus abusos. E muitas vezes a carreira dos próprios técnicos depende do resultado com alguns atletas (GERVIS; DUNN, 2004).
Esta pesquisa demonstra que o mais freqüente abuso dos técnicos é o grito, assim como relata um dos sujeitos: “Ele era sempre muito agressivo, isso me apavorava demais, eu tinha medo de fazer qualquer coisa porque tudo que eu fazia era errado, ou tudo que eu fazia ele gritava” (p.220).
Colocar alguém para baixo e humilhá-lo é um tipo de abuso que pode ser sentido muito tempo depois do final da vida desportiva, como é relatado por uma atleta: “Eu penso que ser humilhada é tão horrível e a dor disso eu sempre lembrarei” (GERVIS; DUNN, 2004, p.221).
Cathy McCoy, a ginasta citada anteriormente por Williams e Warkov (1995, p.134) expõe sobre sua experiência:
A lição que eu mais aprendi no esporte – ao lado do prazer e da motivação – é que se você trabalhar duro, você se tornará cada vez melhor. E esta constatação, grande estimulador da auto-confiança, especialmente para as meninas, é o lado positivo da ginástica. Mas eu sei que tem o lado negativo também. Eu vi meninas perderem a auto- confiança por causa das pressões e expectativas. Isto acontece quando elas fazem o esporte por alguém mais do que por si mesmas. Elas têm medo de desapontar seu técnico
e seus pais, e sentem culpa e fracasso se o fazem. E, quase sempre, como as garotas estão nestas situações de pressão quando muito jovens, não sabem como lidar com elas. Gervis e Dunn (2004) ressaltam que ninguém parece questionar o comportamento dos técnicos, isso é aceito como sendo parte do desporto e muitas vezes realizado com as “portas fechadas”. Outros estudos são necessários para enfatizar e revelar este tipo de situação, alertando e esclarecendo os pais dos atletas sobre esses acontecimentos, bem como os próprios técnicos sobre os prejuízos deste tipo de comportamento com os atletas, principalmente na infância.
Cientes de tantas pressões e abusos emocionais na carreira de atletas jovens, mais especificamente de ginastas, Lopes e Nunomura (2007) estudaram a motivação para a prática e permanência na ginástica artística de alto nível com 20 ginastas de equipes competitivas de São Paulo, com idades entre 11 e 14 anos, com duração de treinamento de no mínimo 15 horas semanais, por pelo menos dois anos no nível competitivo e que tivessem participado de duas ou mais competições oficiais.
Roberts e Mckelvain (1987, apud LOPES; NUNOMURA, 2007) identificaram em seu estudo que ginastas masculinos entre 16 e 18 anos de idade têm como principal fator motivacional a intenção de melhorar o desempenho e aperfeiçoar os movimentos. Entre ginastas de 10 a 12 anos e de 13 a 15 anos, a motivação em demonstrar capacidade para competir, a comparação com outros e a aprovação social são prioritários sobre o desejo de melhorar o desempenho.
Os fatores motivacionais extrínsecos considerados no estudo de Lopes e Nunomura (2007) foram quatro: família, técnico, mídia e o círculo de amizades. O técnico talvez seja o principal fator de permanência do ginasta no desporto. Ele é responsável em manter aceso o prazer pelo desporto. “Associado ao pai, o técnico é um dos adultos mais próximos e se configura em modelo para os futuros atletas e, se for carismático ou foi um atleta expressivo, pode gerar admiração por parte da criança-atleta” (p.180).
Em estudo citado pelas mesmas autoras, Relvas (2005) concluiu que a forma como o treinador pensa e percebe a motivação de suas atletas não está de acordo com aquilo que os jovens consideram para permanecerem no desporto. Os principais motivos identificados que levam os jovens à prática desportiva foram: a vontade de realizar atividades desportivas e de
evoluir, técnica e fisicamente, e de trabalhar em equipe. Para os treinadores, o único motivo que coincidiu com os mais citados pelos jovens, foi o de trabalhar em equipe, não expondo no artigo os outros motivos apontados por eles.
Em relação aos fatores motivacionais intrínsecos (prazer interno), três foram os expostos pelos ginastas: o desafio da prática e da competição, a sensação de domínio do próprio corpo e a auto-realização, como explicam as autoras: “A auto-realização que direciona e motiva o atleta a novas metas através da conquista diária, seja no treinamento ou na competição. O alto grau de complexidade dos exercícios também traz satisfação quando estes são desafiadores e executados com o máximo de perfeição” (p.180).
Sobre o desafio da prática e da competição Lopes e Nunomura comentam: “Na GA não há confronto direto com oponentes. Por outro lado, os ginastas enfrentam o medo de errar e quando o superam conseguem ser bem sucedidos. Ainda que não obtenham medalhas, esta sensação de superação é suficiente para elevar seus níveis motivacionais (p.180).
O estudo revelou, também, que o início da prática esportiva é motivado pelas características da modalidade, o que nos leva a entender que a GA, por si só, seria capaz de manter o interesse dos praticantes. Ou seja, conforme a literatura, é justamente esta natureza desafiadora e a excitação provocada pela altura, vôo, inversão, e demais características da modalidade que atrai os praticantes. (LOPES; NUNOMORA, 2007, p.185)
Essas características da modalidade, além de proporcionarem prazer aos praticantes, requerem um alto grau de concentração dos ginastas para conseguirem desempenhar com precisão suas complexas habilidades no momento certo, ou seja, a competição. Segundo Brandão (2005):
Uma combinação de fatores contribui para o sucesso esportivo: a predisposição genética, o treinamento intensivo e as qualidades psicológicas. Dentre essas se destaca, primeiramente uma ‘figura mental’ clara que o ginasta tem sobre o que está buscando. Paga-se um preço muito alto para alcançar o rendimento máximo e vencer as competições. As expectativas são, em geral, muito altas. Há muita pressão, não se tolera a falta de esforço e de intensidade e, diariamente, há uma dose alta de cansaço. [...] Podemos dizer que o ginasta que efetivamente utiliza a sua força mental desenvolve grande controle sobre suas emoções e tem maiores possibilidades de competir em estado de flow (fluência). Esse estado está relacionado a um sentimento especial de confiança em suas próprias possibilidades e o faz acreditar que tudo dará certo. O ginasta está focado, absorvido e envolvido com a tarefa que não percebe mais nada ao seu redor, nada pode afetá-lo (p.111).
A mesma autora ainda ressalta que “o uso do treinamento mental parece essencial para minimizar ou, até mesmo, eliminar a interferência dos fatores psicológicos negativos em busca de uma excelência de performance” (2005, p.113).
O atleta, durante sua carreira esportiva, passará por diferentes fases, com exigências específicas, que necessitarão de modificações em diversos aspectos de sua vida. Essas fases podem ser positivas, quando existem condições para essas adaptações, ou negativas, “quando há muito esforço para se adaptar com sucesso às novas exigências ou até mesmo uma falta de habilidade de ajustamento, gerando sintomas e configurando uma situação de declínio ou estagnação no esporte” (BRANDÃO, 2000, p.49).
Muitas vezes, nestes momentos de declínio das condições física e psíquica, é que o atleta resolve encerrar sua carreira desportiva. Esse momento é uma fase de transição que também necessitará de muitas adaptações em sua vida, talvez as mais extremas, após anos e anos de treinamento. Alguns dos fatores que podem contribuir para esse encerramento são: “a idade, novos interesses emergentes, fadiga psicológica, dificuldades com a equipe técnica, resultados esportivos em declínio, problemas de contusão e saúde, o não ser selecionado para os jogos, dentre outros” (BRANDÃO, 2000, p.50).
Uma boa qualidade de transição nesta fase conduzirá o atleta a uma saudável transição de carreira esportiva, mas uma baixa qualidade o levará a um “distress”, onde dificuldades de ajustamento, problemas ocupacionais, financeiros e sociais ou problemas ligados ao abuso de drogas e outros de ordem psicopatológica poderão exigir uma intervenção do psicólogo do esporte nos vários aspectos cognitivo, emocional, comportamental, social e organizacional. (p.50)
Mas há também a possibilidade do atleta optar por livre escolha, pelo fim de sua vida desportiva.
Brandão (2000) relata estudo realizado por Stambulova (1991) sobre a carreira desportiva por meio de textos redigidos por 402 atletas–estudantes sobre o tema “Minha Carreira Desportiva”, que resultaram em 101 declarações descrevendo toda a transição da carreira desportiva. Stambulova (1995 apud Brandão, 2000) observou que seis aspectos estavam relacionados com o término da carreira desportiva: 1) fadiga psicológica; 2) problemas emocionais, sentimentos de vazio e de tristeza; 3) problemas com o início de uma nova carreira profissional; 4) formação de novas gamas de comunicação; 5) preocupações familiares;
6) reconhecimento nos desportos.
Muitos estudos confirmam que ex-atletas passam por uma série de problemas e dificuldades no que diz respeito à adaptação para a vida depois do desporto. Brandão relata ainda sobre o estudo de Stambulova (1991) que:
A autora observou que a maioria dos sujeitos já havia encerrado suas carreiras esportivas há pelo menos 10 anos. Para 42% deles o término de carreira foi oportuno; para 36% aconteceu antes do tempo apropriado; para 18 foi muito cedo e apenas 4% considerou a saída tardia. Para 60% dos sujeitos o fim de carreira aconteceu como um processo gradual e para um número semelhante foi uma decisão absolutamente voluntária. Em ordem decrescente de importância, foram as seguintes as razões típicas para o término de carreira: a) ausência de perspectivas dentro da categoria, b) aparecimento de novos interesses, c) fadiga psicológica, d) relacionamento com os técnicos, e) decréscimo dos resultados, f) condições de saúde, g) doenças, contusões e suas conseqüências, h) exaustão física, i) idade, j) inter-relação com os dirigentes, k) inter-relações com familiares e l) inter-relações dentro da equipe. (p.55)
Separando por gênero, a principal razão das mulheres para o encerramento da carreira desportiva foi o aparecimento de novos interesses. A maioria das atletas disseram sentir diferentes emoções nesta fase de transição: tristeza (46%), alívio (35%), tensão interna (24%), ressentimento (20%), alegria e felicidade (18%), ansiedade e medo (16%) e agressão (4%). “O término de carreira para 20% dos sujeitos influenciou positivamente suas condições de saúde, 30% relatou deterioração da saúde e 52% sentiu as conseqüências de lesões e contusões” (BRANDÃO, 2000, p.55).
Alguns países como Austrália, Inglaterra, Estados Unidos, Holanda, Canadá e Bélgica, entre outros, desenvolvem programas para essa transição de carreira para atletas, os quais relatam necessidade de ajuda, tanto financeira como psicológica, durante o período de transição (BRANDÃO, 2000).
Segundo a mesma autora, os atletas tendem a lidar melhor com esse período quando: aposentam-se por escolha pessoal, cumpriram as metas traçadas, continuaram, de alguma forma, envolvidos com o meio esportivo, completaram os estudos e foram capazes de se retirar do desporto logo após terem alcançado o topo.
As lesões durante a carreira desportiva também podem contribuir para o encerramento da vida desportiva, ou podem ainda representar um fator limitante na evolução dos treinamentos de ginastas e atletas em geral. Um dos fatores psicológicos destacados por Smith
(2003) é a capacidade de suportar a dor e esforços durante os treinamentos, aspecto relacionado tanto à parte psicológica do treinamento, assim como às lesões que acontecem na vida de um atleta. Estudos que abordam sobre a incidência de lesões em ginastas, prevenção de lesões e a reabilitação das mesmas serão abordados s seguir.