Concilene Pereira Lima; Islen Maciel Porto; Yasmim Teixera dos Santos; Elaine Pinheiro Silva; Tharcysio dos Santos Cantanhede Viana.
INTRODUÇÃO: A mortalidade materna é, atualmente, um dos indicadores mais utilizados para avaliar a saúde da mulher. Ela é definida de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS CID, 2008, p. 10), como “a morte de uma mulher durante a gestação ou dentro de um período de 42 dias após o término da gestação, independentemente da duração ou localização da gravidez, devida a qualquer causa relacionada com ou agravada pela gestação ou por medidas tomadas em relação a ela, porém não devidas às causas acidentais ou incidentais”. Esta, no entanto, proporciona apenas a “ponta do iceberg”, uma vez que, para cada mulher que morre por complicações da gravidez, aproximadamente 30 sofrem pelo descaso de danos à saúde que são constantemente ignorados. Desta forma, fazse necessário analisar além da mortalidade, a morbidade, tendo como finalidade revelar a “prevalência oculta” dessas ocorrências que determinam limitações físicas e/ou psicológicas, permanentes ou temporárias, porém evitáveis em quase sua totalidade. Acerca desse impasse foi desenvolvido o critério de morbidade materna grave ou “near miss materno”, definido pela OMS como uma mulher que quase morreu, mas sobreviveu a uma complicação ocorrida durante a gravidez, parto ou puerpério. OBJETIVO: Identificar na literatura características acerca da morbimortalidade materna, visando encontrar respostas que facilitam ou dificultam o processo de gravíssima urgência de saúde pública. METODOLOGIA: Trata‐se de uma revisão bibliográfica, temporal de caráter qualitativo referente à morbimortalidade materna em seu contexto geral. O levantamento dos dados foi realizado em livros, sites do Ministério da Saúde e artigos da base de dados SCIELO. A pesquisa foi realizada inicialmente pela base de dados Scielo, em que foi feito um levantamento com um corte atemporal entre os anos de 2010 a 2018, com o objetivo de trazer uma abordagem atualizada sobre o assunto. Por fim, obtiveram‐se como base final, estudos que continham aspectos pré‐definidos, de interesse à proposta do estudo. RESULTADOS: A morte materna reflete a qualidade de vida de uma região ou país, estando diretamente relacionada ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Fatores como idade, raça, nacionalidade, escolaridade, padrão socioeconômico e estado civil estão presentes em vários estudos, fazendo‐se perceber a existência de uma determinada população com maior risco de complicações e vulnerabilidade. Características culturais e demográficas também devem ser consideradas ao observar que a disponibilidade dos serviços não presume que a mulher terá acesso a eles. Autores apontam que existe uma barreira entre a informação e a acessibilidade aos serviços que podem estar relacionadas à desinformação. Nos países desenvolvidos as mulheres têm, em média, um menor número de gestações se comparado as mulheres nos países em desenvolvimento, por esse motivo, a probabilidade de acontecer o óbito por causa materna é de aproximadamente 1 em cada 4,9 mil mulheres nesses países. Há também, alguns indicadores importantes que são ignorados no preenchimento da Declaração de Óbito, um exemplo disso é que há poucos dados relacionados a raça/etnia. Na DO consta o quesito “cor”, entretanto muitas vezes não é preenchido ou a informação não condiz com a realidade. Desse modo, a subnotificação da variável dificulta uma análise com total coerência sobre a saúde da mulher negra no Brasil. Ademais, um estudo do Ministério da Saúde observou, em um conjunto das capitais brasileiras, que 56,5% dos óbitos por causas maternas foram por causas obstétricas diretas
relacionadas ao parto e ao trabalho de parto, e as hemorragias, foram responsáveis por 10,4% e 9% do total de óbitos, respectivamente. Nos países desenvolvidos, as causas diretas relacionadas à anestesia e à cesariana são as mais frequentes. Ainda sobre o Ministério da Saúde, o mesmo relatou que vem ampliando a qualificação da atenção a saúde das mulheres por meio do planejamento familiar, da capacitação dos profissionais da saúde, fortalecendo a atenção obstétrica por meios de ações da rede Cegonha e redução das complicações obstétricas. Entre as ações estão os projetos Parto Cuidadoso, para reduzir o número de cesáreas, e o Zero Morte Materna Por Hemorragia. CONCLUSÃO: Diante das medidas de intervenções presentes para reduzir o número de óbitos maternos, além da melhoria da qualidade da assistência nos centros obstétricos e qualificação dos profissionais, o Near Miss Materno é um importante dispositivo no que se refere à obtenção de dados relacionado a morbidade. O recurso permite que a partir dos dados coletados aumente a possibilidade de que novos indicadores de prevenção sejam formulados. Por outro lado, isso só pode ser possível com a colaboração de todos os envolvidos no sistema. Evidenciou‐se no estudo a necessidade de uma mediação política de natureza global com propostas de prevenção, maior efetividade no planejamento familiar, assistência ao pré‐natal adequada, revisão dos conceitos e estudo dos casos de morte por aborto provocado, número de profissionais suficiente além de melhorias nas emergências, sobretudo nas unidades de saúde pública, e o eficaz preenchimento das declarações de óbito materno, medida de precaução que possibilita os dados epidemiológicos, e por consequência corroboram para a melhoria da assistência à saúde da mulher. Palavras‐chave: Mortalidade Materna, Morbidade Materna, Near Miss Materno.
PACIENTES VÍTIMAS DE QUEIMADURAS: ASPECTOS DO CUIDAR PELA ENFERMAGEM Ana Leticia Santos Pinheiro; Márcia Bruna Damasceno Santos; Silvana Costa Souza; Damarys Karynne Barros Nunes; Cristina Alves de Araújo Soares; Martha Christina Rosa Lima; Daniel Aser Veloso Costa. INTRODUÇÃO: A lesão tecidual por queimadura é provocada pela ação direta ou indireta do calor sobre o organismo humano, resultante de diferentes fontes térmicas. O agravo causado pode acarretar ao indivíduo um extenso sofrimento físico que, dependendo da gravidade, necessita de um longo processo terapêutico, levando‐o a sequelas físicas, psicológicas e emocionas. OBJETIVOS: O presente estudo buscar descrever o cuidar da enfermagem diante dos pacientes queimados, identificando suas principais intervenções. METODOLOGIA: Trata‐se de um estudo de revisão sistemática, a partir da busca ativa de artigos científicos dos últimos 10 anos nas plataformas Google Acadêmico, Scielo e LILACS, com uso das palavras‐ chave: “queimaduras”, “cuidado” e “enfermagem”. Utilizou‐se 15 artigos que atendiam ao objetivo da pesquisa e em português ou espanhol. RESULTADOS: Diante do paciente queimado, necessitase da atenção especializada e atendimento humanizado. Para isso, é preciso o planejamento da assistência para identificar inferências, levantando diagnósticos de enfermagem, e determinar intervenções necessárias para cada tipo de paciente, pequeno, leve ou grande queimado. Os cuidados durante a fase emergencial envolvem controle dos sinais vitais; elevação das extremidades queimadas; inserção de cateteres venosos; sondagem vesical; monitoração do balanço hídrico; avalição da temperatura corporal, peso corporal, doenças atuais e uso de medicamentos; realização do exame físico completo; sondagem nasogástrica; higiene; elaboração do histórico completo do paciente, descrevendo o mecanismo de queimaduras. O plano de cuidados da deve estabelecer prioridades diárias, realizando mudanças necessárias conforme as alterações no quadro. O enfermeiro deve possuir alto nível de embasamento científico, possibilitando assim, identificar e prevenir complicações. O controle de infecção inclui a avaliação da ferida, sendo importante a intervenção de forma eficaz diante da dor, depressão, perturbação no sono, mobilidade física prejudicada, além de estar atento aos sinais de choque Hipovolêmico, e intervir de forma imediata com reposição de líquidos e eletrólitos, conforme indicação terapêutica. CONCLUSÃO: O Enfermeiro deve dispor de um pensamento crítico que favorece a tomada de decisão clínica e ajuda na detecção e suprimento das necessidades do paciente, o cuidado não deve ser somente um mecanismo ou um assunto unicamente íntegro, e sim um método atribuído de intersubjetividade e sensações divididas entre o enfermo e o profissional de enfermagem. Palavras‐chave: Atenção à Saúde. Cuidados de Enfermagem. Queimaduras.