Gabriel de Castro Kato7 Resumo
A crise do Processo de Substituição de Importações e a consequente desaceleração do crescimento industrial brasileiro, aliados às mudanças ideológicas do período, conduziram ao surgimento da Teoria da Dependência, em meados da década de 1960. A Teoria da Dependência pode ser entendida como uma resposta às questões relacionadas ao desenvolvimento econômico em países subdesenvolvidos e industrializados, rompendo com as teorias do desenvolvimento impostas pelas nações desenvolvidas e com as teorias sobre a sucessão dos modos de produção defendidas pelos Partidos Comunistas à época. Sendo assim, a Teoria da Dependência foi uma formulação inovadora e original. No presente artigo analisaremos as correntes desenvolvidas no país com relação ao tema, apresentando suas interpretações e proposições. Para tanto é realizado o resgate das contribuições teóricas nacionais sobre o tema, onde o debate entre as correntes e a construção da hegemonia da abordagem proposta pela Dependência Associada são temas explorados por nossa análise. Por último, procuramos traçar um paralelo entre a atual crise brasileira e as implicações de políticas herdadas da aplicação das proposições da teoria.
Em nossa opinião, a predominância da abordagem oferecida pela Teoria da Dependência Associada conduziu a maior integração nacional às Cadeias Globais de Valor. A efetividade de tal estratégia tem sido tema de intenso debate nos anos recentes. Enquanto o relatório do Banco Mundial para o desenvolvimento brasileiro de 2018 propõe a necessidade de uma maior integração aos mercados internacionais, programas como o Inovar-Auto são defendidos como exemplo de incentivo à inovação tecnológica e adensamento da cadeia produtiva de veículos.
PALAVRAS-CHAVE: Teoria da Dependência, Capitalismo Periférico, Dependência Associada, Cadeias Globais de Valor.
Abstract
The crisis of the Import Substitution Process and the consequent deceleration of Brazilian industrial growth, coupled with the ideological changes of the period, led to the emergence of Dependency Theory in the mid-1960s. The Dependency Theory can be understood as an answer to questions related to economic development in underdeveloped and industrialized countries, breaking with the theories of development imposed by the developed nations and with the theories on the succession of the modes of production defended by the Communist parties to the time. Thus, Dependency Theory was an innovative and original formulation. In this article we will analyze the currents developed in Brazil in relation to the theme, presenting their interpretations and propositions. For this purpose, the national theoretical contributions on the subject are retrieved, where the debate between the strains and the construction of the hegemony
7 Aluno do Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal do ABC (PPGE/UFABC).
Bolsista CAPES. E-mail: [email protected].
of the approach proposed by the Associated Dependency strain are themes explored by our analysis. Finally, we try to draw a parallel between the current Brazilian crisis and the implications of policies inherited from the application of the theory propositions. The predominance of the approach offered by Associated Dependency Theory has led to greater national integration into the Global Value Chains. The effectiveness of such a strategy has been the subject of intense debate in recent years. While the World Bank's report for Brazilian development in 2018 proposes the need for greater integration into the international markets, programs such as Inovar-Auto are defended as an example of encouraging technological innovation and deepening of local productive chain of vehicles.
KEYWORDS: Theory of Dependency, Peripheral Capitalism, Associated Dependence, Global Production Network.
Introdução
O presente trabalho procura compreender as diversas correntes e a atualidade da Teoria da Dependência na compreensão da crise atual brasileira. Esta teoria ganhou relevância no Brasil em meados da década de 1960, representando uma tentativa de responder questões relacionadas ao esgotamento do Processo de Substituição de Importações (PSI) e a dificuldades de manutenção do desenvolvimento industrial do país.
Tendo em vista que o seu surgimento ocorreu em um período de instabilidade política, onde a resposta ao esgotamento do Processo de Substituição de Importações (PSI) foi a supressão das liberdades, inclusive a de expressão, e um retrocesso nas relações trabalhistas, a importância deste trabalho está em analisar, de forma pragmática, as diversas correntes desta teoria tentando, nas palavras de Prado (2010), contribuir para colocar um fim ao “não debate”
relacionado ao tema nos dias atuais.
Para a análise do surgimento da Teoria da Dependência, procuramos identificar seus antecedentes. Além disso, apresentamos suas três correntes brasileiras de forma mais específica, discutindo suas ideias, sugestões e desdobramentos práticos – como tem sido a associação minoritária do capital nacional frente ao capital estrangeiro como chave para o desenvolvimento do país. Para a análise das correntes da Teoria da Dependência no Brasil toma-se como base, entre diversas outras divisões, a divisão entre correntes e autores proposta por Bresser Pereira (2010).
Assim, o trabalho se divide em três partes. Na primeira, analisamos brevemente o Processo de Substituição de Importações em si e os fatores que levaram ao esgotamento deste modelo de desenvolvimento industrial. A segunda parte será destinada ao estudo do surgimento, dos antecedentes e das diversas correntes da Teoria da Dependência no Brasil. Finalmente, na terceira, analisamos a atualidade de tal Teoria e suas influências sobre a escolha do modelo de
desenvolvimento que foi adotado como resposta à crise da estratégia de industrialização por substituições de importações (MARQUETTI & PORSSE, 2014).
Neste percurso enfatizamos as obras e ideias mais relevantes de cada corrente: a
“Dialética da Dependência” de Ruy Mauro Marini que representa a Corrente Marxista da Dependência; o “Desenvolvimento e Dependência” de Fernando Henrique Cardoso representando o expoente da corrente Dependência Associada; e a “Crítica à Razão Dualista”
escrita por Francisco de Oliveira na representação da corrente da Crítica a Cepal. Ao longo do trabalho, estabelecemos também um paralelo com relação ao debate entre Marini e Serra &
Cardoso – publicado pela primeira vez na Revista Mexicana de Sociologia, 1978.
O Processo de Substituição de Importações (PSI)
Na historiografia corrente já é consenso que não foi em 1930 que nasceu a indústria brasileira. Ela já existia em fins do século XIX, porém esta era tida como um subsetor da economia agroexportadora, fornecendo-lhe os insumos – como os tecidos que ensacavam o café –, as estradas e manutenção destas, entre outros produtos industrializados necessários às exportações do café. Porém, foi apenas em 1930 que a indústria se tornou o centro dinâmico da economia, num processo chamado por Celso Furtado de “Deslocamento do Centro Dinâmico da economia brasileira”, em seu livro “Formação Econômica do Brasil” (FURTADO, 1977).
Apesar da controvérsia com relação às taxas de inversões superiores em períodos antecedentes (SUZINGAN, 2000), podemos assumir como marco da industrialização brasileira o período posterior à crise de 1930 e à crise da economia cafeeira (FURTADO, 1977).
Assim como em outros países da América Latina que se empenhavam nas exportações de matérias-primas, no Brasil a indústria surgiu como complemento deste setor que era responsável pela geração da riqueza nacional. Implementaram-se primeiramente indústrias de bens de consumo não-duráveis e que visavam atender às necessidades das importações. Foram estas, segundo Haber, cervejarias, indústrias têxteis e de couro, chapelarias, fábricas de celulose, vidrarias (HABER, 2008). Os investimentos industriais foram proibidos no Brasil de 1795 a 1808, só voltando a serem permitidos com a vinda da Corte para a Colônia. Mesmo após a liberação dos investimentos, as condições ainda eram muito desfavoráveis em razão dos acordos de comércio firmados com a Grã-Bretanha que desfavoreceram os investimentos industriais até 1844. Foi só em 1860 que o desenvolvimento industrial tomou forma no Brasil.
A expansão monetária resultante das despesas com guerra do Paraguai, além de incentivar o
investimento industrial, exigiu do governo a adoção de medidas anti-inflacionárias que resultaram na criação de barreiras aduaneiras (SUZIGAN, 2000).
Estas indústrias se desenvolveram lentamente e em função do setor exportador, só atingindo maior autonomia nas últimas duas décadas do século XIX, após a consolidação da malha ferroviária que escoaria a produção do café nacional, evidenciando sua dependência do setor exportador. Apesar deste desenvolvimento, Haber (2008) alerta para o relativo atraso no desenvolvimento de indústrias chave como a de aço e de cimento, que só viriam a se desenvolver a partir de finais da década de 1910. Ainda assim, já se desenvolviam indústrias de bens intermediários (como a juta nacionalmente produzida que embalava as exportações de café), além, também, da produção de bens de capital como navios e maquinarias, ainda em pequena escala.
Essa indústria local que se instalava se provou dependente do setor exportador e foi favorecida amplamente pelo bom desempenho deste no período, resultando em uma rápida evolução da indústria nacional. O México tinha, em 1890, uma indústria têxtil pequena, se comparada à da Argentina, e ainda assim representava duas vezes a indústria têxtil brasileira.
Em 1905, a indústria têxtil brasileira já era a maior da América Latina. Já em 1914, produtos têxteis estrangeiros tinham sido varridos do mercado pelos produtores nacionais de tecidos, só restando importações de tecidos finos (HABER, 2008).
A industrialização substitutiva de importações intensificou-se devido à grande depressão da economia norte-americana de 1929 aliada à política de manutenção da renda do café – por meio das desvalorizações reais do câmbio adotadas durante o Governo Vargas. Tais condições, juntas, geravam uma demanda insatisfeita e um forte incentivo à industrialização. A indústria que se iniciara no Encilhamento ganhara forças. Antes mesmo dos incentivos governamentais diretamente ligados ao PSI – os quais foram essenciais para a sobrevivência deste – ele contou com benefícios como a desvalorização real do câmbio do primeiro governo Vargas em resposta à crise cambial da década de 1930. Apesar de ajudar a indústria, esse não era esse o principal objetivo da desvalorização que visava a manutenção do emprego e das rendas geradas pelo café. Num primeiro momento, essa política representava um ágio para o produto industrial nacional com relação aos seus concorrentes internacionais, além de manter a renda a nível nacional reforçando assim a demanda pelos produtos industriais. Porém, na contramão, ela acaba por dificultar o acesso a insumos e bens de capital que até então eram importados e necessários ao crescimento da produção industrial nacional.
A industrialização substitutiva de importações iniciou-se pela substituição das importações dos bens de consumo não-duráveis, suprindo a demanda mais imediata como os
tecidos, alimentos e bebidas. Dado essas características, o processo de industrialização por substituição de importações brasileiro configurou-se como uma industrialização por etapas, ou seja, o motor dinâmico dessa industrialização eram os relativos e recorrentes estrangulamentos externos, onde o cumprimento de uma etapa da industrialização levava a outros estrangulamentos no processo produtivo. Além de se configurar como uma industrialização por etapas, uma das principais características da industrialização substitutiva de importações é se caracterizar como uma industrialização fechada, ou seja, uma industrialização voltada ao atendimento da demanda interna, e com dependência de medidas que a protejam de seus concorrentes estrangeiros (TAVARES, 1972; GREMAUD, 2008).
Passada essa primeira fase, como em um efeito em cadeia, surgiram outros pontos de estrangulamentos na economia nacional, agravados inclusive pela “escassez de dólares” – fenômeno que ocorreu durante o Governo Dutra e foi parcialmente responsável pelo abandono dos ideais liberais deste governo (VIANNA & VILLELA, 2005). Agora os estrangulamentos se concentravam nos setores produtores de insumos, de bens intermediários e de capital. Como resultado da desvalorização real do câmbio que tentava proteger a renda do café, a falta de divisas tornava cada vez mais difícil o atendimento às demandas relacionadas a esses setores.
Os desequilíbrios no Balanço de Pagamentos brasileiro exigiam a ação governamental para minimização de seus impactos e a viabilização da industrialização nacional, processo evidenciado pela adoção das medidas econômicas como o controle de câmbio, que estabeleceu
“um sistema de licenças para importar, controlando o acesso dos demandantes de divisas à moeda estrangeira” (GREMAUD, 2008, p. 358). Logicamente eram beneficiados por estas medidas aqueles setores e importações considerados estratégicos para industrialização nacional.
Posteriormente, outras medidas foram adotadas, como as Taxas Múltiplas de Câmbio, reposta adotada por Vargas à Crise cambial de 1952, e a elevação das tarifas aduaneiras que ocorreu durante o governo de Juscelino Kubitschek (GREMAUD, 2008).
O desincentivo ao setor agrário, neste contexto, acaba por gerar entraves ao desenvolvimento industrial do país, como o crescimento da oferta de alimentos não condizente ao crescimento na demanda urbana por estes, que acabou por gerar um processo inflacionário.
Além dos problemas inflacionários, que foram muitos e recorrentes ao longo deste processo, ele passou por dificuldades que só puderam ser superadas com o apoio institucional e o aumento da participação do governo na economia. A tendência ao desequilíbrio externo e a escassez de fontes de financiamento (fruto da quase inexistência de um sistema financeiro na época, devido a lei da Usura) eram as principais limitações do processo substitutivo de importações (GREMAUD, 2008).
Em meados da década de 1950, o processo de substituição de importações começa a passar por algumas mudanças. As principais foram a passagem de um processo de industrialização fechada para uma industrialização mais aberta, ou seja, no final do período democrático populista, sob o comando de JK, a indústria passava a se integrar com a economia internacional. Além disso, podemos destacar também a mudança do motor dinâmico deste processo de industrialização, não mais sendo os estrangulamentos externos, mas a busca por estabelecer bases industriais maduras no país (GREMAUD, 2008). Essas mudanças no perfil da industrialização são de suma importância para a compreensão de seu avanço. Com certeza foi sob a tutela de Juscelino que o PSI viveu seu auge: a economia apresentava taxas elevadas de crescimento tanto do PIB quanto da participação da indústria no produto nacional (VILLELA apud GIAMBIAGI et al., 2005).
Assim como a aceleração do PSI, o governo de JK foi responsável pelo agravamento de suas contradições, o que acabou por tornar claros os limites deste modelo de industrialização (GREMAUD, 2008). Os investimentos necessários à realização do Plano de Metas do Governo de JK arrancavam forçosamente uma poupança da população, por meio da emissão de moedas e do processo inflacionário, além de contarem, em grande medida, com o crescente endividamento externo.
De fato, o principal mecanismo de financiamento do Plano de Metas foi a inflação, resultante da expansão monetária que financiava o gasto público e do aumento do crédito, que viabilizaria os investimentos privados. Trata-se, portanto, de um mecanismo clássico de extração de “poupança forçada” da sociedade como um todo, via inflação, e seu redirecionamento aos agentes (públicos e privados) encarregados de realizarem as inversões previstas no Plano de Metas (VILLELA, 2005, p. 57).
Além das dificuldades macroeconômicas, o período seguinte é marcado pela instabilidade política, evidenciada pela eleição de Jânio Quadros para a presidência da República e de João Goulart (Jango), da coligação rival, para vice, em 1960. Oito meses após sua eleição, com sua base de atuação política limitada, Jânio renuncia numa tentativa de manobra política. Jango é impedido de assumir e tem de prolongar sua viagem à China comunista. Quando finalmente volta ao país, Jango assume seu cargo sob regime parlamentarista, somente retornando à presidência por meio do plebiscito de 1961.
Mais do que isso, é neste período que os compromissos básicos assumidos pelos governos populistas pós-revolução de 1930 estavam em cheque (MARINI, 1992). Para Marini,
à cisão vertical que opunha a burguesia industrial ao setor agroexportador e aos grupos estrangeiros, em 1954, somava-se, agora, horizontalmente, à oposição entre as classes dominantes como um todo e as massas trabalhadoras da cidade e do campo. (…) De janeiro de 1961 a abril de 1964, o país presenciou três tentativas de implementar um governo forte, tentativas que se basearam em diferentes coalizões de classes e que
refletiam, em última instância, a correlação real de forças na sociedade brasileira (MARINI, 2000, p. 29).
É neste contexto que se desenvolveram as abordagens da teoria da dependência no Brasil. Uma indústria moderna e integrada, porém dependente das proteções institucionais.
Uma agitação política nunca antes presenciada no país, agravada pela oposição entre indústria e agricultura entre si e unidas contra a classe trabalhadora. E uma constante depreciação dos indicadores macroeconômicos, como a inflação, o crescimento da dívida externa, e a deterioração das contas do Balanço de Pagamentos brasileiro.
A Teoria da Dependência
Mais importante do que a primeira crise da indústria nacional, ocorrida em 1963, para se entender o surgimento da Teoria da Dependência no Brasil, é a compreensão do movimento ideológico que ocorria na época (MARINI, 1992). Podemos destacar alguns antecedentes ideológicos imediatos do surgimento da Teoria da Dependência. Um deles foi o rompimento com as teorias do desenvolvimento que eram “impostas” pelas comissões da ONU, e viam o desenvolvimento e o subdesenvolvimento como etapas de um continuum (teorias estas que influenciaram em grande medida as análises Cepalinas e a teoria do Desenvolvimentismo).
Ademais, cabe destaque também às disputas que ocorriam no interior da esquerda, que levaram ao rompimento da “esquerda revolucionária” com a posição dos Partidos Comunistas (PC’s) e o pensamento marxista-estalinista ou etapista da época (MARINI, 1992).
Com relação às teorias do desenvolvimento, constatações da persistência da condição de subdesenvolvimento, e da consequente falácia na composição do termo “países em desenvolvimento” estavam sendo realizadas por estudiosos da temática do desenvolvimento (MYRDAL, 1972). No plano teórico, a Teoria da Dependência pode ser tida como fruto do debate latino-americano sobre o subdesenvolvimento, tendo como primeiro antecedente o debate entre marxismo-clássico e neo-marxismo, no qual se destacam as figuras de Paul Baran e Paul Sweezy.
Em 1958, Paul Baran demostrara que a gestão socialista do excedente econômico das economias subdesenvolvidas assegurava não somente uma melhor distribuição da renda como também um crescimento econômico mais rápido e mais equilibrado. O modelo soviético, o modelo iugoslavo que não aceitou vários aspectos do primeiro, o modelo chinês, que partia de condições históricas novas, e posteriormente o modelo cubano e mesmo o Argelino, além das mudanças que resultavam da desestalinização da Europa Oriental, tornaram-se objeto de estudo e converteram-se em novas propostas de gestão socialista do desenvolvimento econômico (SANTOS, 2000, p. 7).
Seguindo essa linha, André Gunder Frank, em seu livro “Desenvolvimento do Subdesenvolvimento” (1966), deixa claro esse movimento de distinção entre os dois fenômenos (desenvolvimento e subdesenvolvimento). Seu argumento central é que a economia dependente, subdesenvolvida, poderia crescer economicamente, porém, ao fazê-lo sob as estruturas da dependência, certamente tal crescimento implicará em maior dependência. A superação da condição de dependência dos países subdesenvolvidos, para Frank (1966), não ocorreria nos moldes propostos do capitalismo. Este livro é para muitos o marco do surgimento da teoria da dependência, já que é com base nos estudos de André Gunder Frank que vieram a se desenvolver as posteriores teorias brasileiras sobre a dependência.
De maneira geral, a Teoria da Dependência que se desenvolveu no Brasil pode ser dividida, segundo a proposta de Bresser-Pereira (2010), em três grandes correntes. A Teoria da Dependência Marxista, que seria herdeira direta dos trabalhos de Frank e na qual ele se enquadraria; a Dependência Associada, que é uma resposta à Teoria da Dependência Marxista;
e a corrente da Crítica Cepalina que busca revisar os conceitos postulados pela Cepal no período imediatamente anterior. Existem diversas divisões entre as correntes e autores que viriam a compor a Teoria da Dependência, a mais relevante e completa é a de Frank (1991) na qual ele divide a Teoria da Dependência em quatro correntes, os reformistas, os não-marxistas, os marxistas e os neo-marxistas. A divisão utilizada para análise aqui, proposta por Bresser-Pereira, foi escolhida por estar relacionada especificamente ao desenvolvimento teórico brasileiro.
A Teoria da Dependência Marxista tem como principal expoente Rui Mauro Marini, sendo que nela estão presentes outros teóricos nacionais importantes como Theotônio dos Santos e Vania Bambirra. Sua obra de maior destaque e que carrega seus ideais fundamentais é a Dialética da Dependência, de Rui Mauro Marini (2000).
Marini (2000) usa como ponto de partida para sua análise o intercâmbio desigual, fruto da integração brasileira ao mercado mundial somado à deterioração dos termos de troca. Tal
Marini (2000) usa como ponto de partida para sua análise o intercâmbio desigual, fruto da integração brasileira ao mercado mundial somado à deterioração dos termos de troca. Tal