3. NORMALIZAÇÃO
3.5. ASTM C 42
A ASTM C 42, outra norma de referência para a extração de testemunhos, fornece procedimentos padronizados para a obtenção e teste de testemunhos extraídos a fim de determinar a resistência à compressão do concreto no local.
A norma explica que a resistência à compressão de testemunhos de concreto é afetada pela localização do concreto em um elemento estrutural. O concreto na parte
inferior da peça tende a ser mais forte do que o concreto no topo. A resistência do núcleo também é afetada pela orientação em relação ao plano horizontal do concreto colocado, com resistência tendendo a ser menor quando medido paralelamente ao plano horizontal.
Estes fatores devem ser considerados no planejamento dos locais para a obtenção de amostras de concreto e na comparação dos resultados dos ensaios de resistência.
Outro ponto abordado na norma é que a resistência do concreto medido em testemunhos é afetada pela quantidade e distribuição de umidade na amostra no momento do ensaio. Não existe um procedimento padrão para condicionar um testemunho que assegure que, no momento do ensaio, este se encontre na condição de umidade idêntica ao concreto na estrutura. Os procedimentos de condicionamento da umidade neste método de teste destinam-se a proporcionar condições de umidade reprodutíveis que minimizem as variações dentro do laboratório e entre laboratórios e para reduzir os efeitos da umidade introduzida durante a preparação da amostra.
A resistência à compressão medida de um testemunho será geralmente inferior à de um corpo de prova padrão devidamente moldado e curado, testado na mesma idade. A relação entre o testemunho extraído e o corpo de prova moldado é afetada por muitos fatores, como o nível de força do concreto, a temperatura e histórico de umidade do local, o grau de consolidação, a variabilidade de lote a lote, as características de ganho de força do concreto, a condição do aparelho de ancoragem e os cuidados utilizados na remoção dos testemunhos.
A norma orienta que a extração de testemunhos para ensaio de resistência não deve ser realizada antes que o concreto atinja resistência suficiente para permitir a extração de testemunhos sem danificar a ligação entre a argamassa e o agregado graúdo. Ao preparar testemunhos para o ensaio de resistência, as amostras que foram danificadas durante a remoção, não devem ser utilizadas a menos que a parte danificada seja removida e os comprimentos das amostras de teste resultantes satisfaçam ao requisito de relação comprimento / diâmetro mínimo. As amostras de concreto defeituosas ou danificadas que não podem ser testadas devem ser relatadas juntamente com o motivo que proíbe o uso das mesmas para a preparação de espécimes de teste de resistência.
O testemunho deve ser extraído perpendicularmente à superfície e, pelo menos, 150 mm distante de juntas. O texto explica que a relação entre estes dois tipos de
amostras é afetada por uma série de fatores como a resistência do concreto, variação de mistura para mistura, o grau de adensamento, a temperatura ambiente à qual a estrutura está submetida, ao ganho da resistência do concreto com o tempo, a condição do aparelho de extração e o cuidado ao realizar-se o ensaio de extração
Sobre à presença de barras de aço no interior do testemunho, a norma afirma que caso não seja possível extrair um testemunho sem a presença de barras de aço, o engenheiro responsável pelo ensaio pode optar por aceitar testemunhos na dita situação. No entanto, ressalva-se que é necessário documentar no relatório que a amostra ensaiada possui fragmento de barra de aço em seu interior, o seu tamanho, forma e localização. A norma explica ainda que com a presença de barras de aço no interior do testemunho, não existem informações suficientes que possibilitem adotar fatores de correção para minoração do efeito deletério deste parâmetro. Entretanto, a norma afirma que não se deve aceitar qualquer testemunho que contenha barra de aço na direção paralela aos topos da amostra, passível de distorção do ensaio de resistência axial.
Outro parâmetro considerado nesta norma tange o diâmetro de extrações a serem utilizadas, onde recomenda-se um mínimo de diâmetro de 94 mm, salvo casos onde não for possível atingir uma relação h/d mínima de 1,0, sendo possível então o uso de diâmetros menores. A ASTM traz a informação de que a resistência à compressão de testemunhos com diâmetro de 50 mm e menor es geram maior variação do que os de 100 mm e ainda que testemunhos de diâmetros menores são mais sensíveis à variação do fator h/d. No que tange o fator h/d, devem ser utilizados fatores de correção, conforme tabela 6, no cálculo da resistência dos testemunhos. Quando a relação h/d for superior a 1,75, não se faz necessário a utilização do coeficiente de correção. A resistência à compressão do testemunho, dada em MPa, é obtida multiplicando-se o resultado do ensaio pelo fator de correção h/d da tabela 6.
Tabela 6: Fator de correção h/d
Relação h/d Fator de correção
1,75 0,98
1,50 0,96
1,25 0,93
1,00 0,87
Fonte: ASTM C 42 2013, adaptado.
São fornecidas diretrizes para acondicionamento e sazonamento dos testemunhos antes do rompimento à compressão axial, conforme descrito a seguir:
Após os testemunhos serem extraídos, secar a superfície do testemunho e aguardar até que o excedente de água superficial evapore, porém por não mais que uma hora. Após este processo, alocar os testemunhos em sacos plásticos e vedar, evitando a perda da água de mistura. É necessário tomar cuidado para manter os testemunhos em temperatura ambiente e evitar contato direto com a luz solar. Em seguida, deve-se fazer o translado das amostras até o laboratório de análise e mantê-los nos sacos plásticos até o momento da preparação das superfícies; Se água for utilizada na regularização das superfícies dos testemunhos, devem ser
adiantados os processos de preparo da superfície de modo a não ultrapassar dois dias desde o momento da extração. Após a preparação dos testemunhos, secar a superfície, aguardar até que o excedente de água evapore e alocar os testemunhos em sacos plásticos;
Deve-se garantir que os testemunhos permaneçam nos sacos plásticos selados por no mínimo cinco dias após a última vez que foram molhados.
Por fim, a norma explica que o período de espera de cinco dias, tem a intenção de reduzir gradientes de umidade introduzidos quando o testemunho é extraído ou molhado durante as operações de regularização da superfície.