No dia seis de junho de mil oitocentos e cinqüenta e nove no Paço Imperial da Boa Vista, às seis horas da tarde, reuniu-se o Conselho de Estado sob a presidência de Sua Majestade Imperial o Muito Alto e Poderoso Senhor Dom Pedro Segundo Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, estando presentes os Conselheiros de Estado Marquês de Olinda, de Abrantes, e de Monte Alegre, Viscondes de Albuquerque, de Maranguape, de Jequitinhonha, de Sapucaí, do Uruguai, de Itaboraí, Chefe de Esquadra Miguel de Sousa Melo e Alvim, Marechal do Exército João Paulo dos Santos Barreto, e Desembargador Eusébio de Queirós Coutinho Matoso Câmara; e os Ministros e Secretários de Estado, dos Negócios da Marinha, Presidente do Conselho, Visconde de Abaeté; do Império, Sérgio Teixeira de Macedo; da Fazenda, Francisco de Sales Torres Homem; e de Estrangeiros, José Maria da Silva Paranhos.
Foi por Sua Majestade Imperial aberta a Conferência, e lida a ata de seis de fevereiro último foi aprovada.
Era objeto da Conferência o seguinte projeto remetido aos Conselheiros de Estado por intermédio do Secretário do mesmo Conselho com o Aviso de três do corrente. Projeto. “Artigo 1º O Banco do Brasil e suas Caixas filiais, e bem assim os bancos autorizados por Decretos do Poder Executivo, ficam obrigados a realizar suas notas em ouro no prazo de dois anos contados da data desta lei Parágrafo 1º A emissão dos referidos bancos, enquanto suas notas não forem realizadas em ouro à vontade do portador, não poderá exceder o termo médio da dos três últimos meses de fevereiro, março, e abril. Parágrafo 2º Os bancos que tiverem excedido os limites da emissão fixados no parágrafo 1º deste artigo ficam obrigadas a reduzi-la a esse limite no prazo de três meses contados da publicação desta lei na respectiva Província, sob pena de perderem a faculdade de emitir notas à vista e ao portador, e de não poderem continuar a funcionar por mais de um ano, como banco de depósito e de descontos, sem nova autorização do Governo. A mesma pena ficam sujeitos os bancos que não realizarem suas notas em ouro nos termos da 1ª parte deste artigo. Artigo 2º O Governo nomeará um Fiscal para cada banco criado em virtude de autorização administrativa, e lhe marcará honorário pago pelos cofres do mesmo banco. Compete ao Fiscal vigiar as operações do estabelecimento e fazer cumprir religiosamente as disposições dos estatutos e as desta lei. Artigo 3º Enquanto a emissão do Banco do Brasil estiver limitada pela disposição do Artigo 1º desta Lei, fica suspensa a obrigação, que lhe impôs a de 5 de julho de 1853, de resgatar anualmente dois mil contos de réis de papel do Governo. Artigo 4º É permitido às Caixas matriz e filiais do Banco do Brasil receber em pagamento notas dos outros bancos de emissão criados nos lugares em que cada uma delas funcionar. Artigo 5º Só ao Poder Legislativo compete conceder autorização para se incorporarem novos bancos de emissão, ou prorrogar o prazo dos que existem. Artigo 6º O Governo expedirá, por via de Decreto, o regulamento necessário para execução desta Lei”.
Dignando-se Sua Majestade Imperial de exigir os votos dos Conselheiros de Estado sobre o referido projeto: o Marquês de Olinda disse – Que o Artigo primeiro do projeto ofende os Estatutos, os quais são fundados na lei que autoriza a realização das Notas do Banco em moeda corrente, isto é, como declara a mesma lei, em ouro, ou em papel do Governo; e que por isso ofende a mesma lei. Que é verdade que uma lei pode ser alterada por outra. Mas que uma lei não pode desfazer contratos feitos em virtude de outra, nem concessões que já formam condições desses contratos. Que o primeiro efeito desta lei será fazer baixar as ações de todos os bancos, o que trará um prejuízo imenso a milhares de pessoas, que contavam com essas quantias para satisfação de suas obrigações: que este efeito há de ser imediato à publicação da lei, porque todos hão de recear a quebra dos bancos, e por isso quererão pôr-se a coberto desta terrível eventualidade, e que essa quebra, segundo pensa o mesmo Conselheiro, há de ser infalível. Que os bancos, para se prevenirem para a época marcada, hão de recolher seus capitais, e diminuir os descontos; o que causará enorme dano ao comércio, e privará de recursos a indústria, a qual necessita de crédito para seu desenvolvimento. Que a circulação metálica, que se pretende, não se há de realizar como se quer: que isso depende de milhares de circunstâncias que não estão no poder de ninguém fazer realizar. Que o Banco do Brasil já tem tentado realizar suas Notas em ouro, e tem-se visto obrigado a voltar ao papel. Que por mais sacrifícios que tenha feito, não tem podido conservar metal em quantidade de fazer, aliás, de
satisfazer este modo de realizar suas Notas. Que devendo todos as bancos sujeitar-se a esta dura necessidade que agora se lhes impõe, eles serão forçados a declarar-se em estado de liquidação. Que os Bancos do Rio de Janeiro e das Províncias já têm relações extensas com o comércio e com a agricultura; e que a cessação desses Bancos, ou as restrições em suas emissões irão perturbar estas relações e danar a confiança que reina entre estas corporações e aqueles que com elas têm transações. Que o resultado de tudo isto será uma bancarrota geral. Que pela mesma razão de se ofender a fé pública não aprova o parágrafo 1º do Artigo 1º Que no Artigo 3º como se dá uma esperança de para o futuro se relaxar o rigor da lei em favor do Banco do Brasil; mas que, quanto ao mesmo Banco, ou o remédio será tardio, porque ele não poderá resistir por muito tempo ao troco em metal, ou se acudirá logo com este remédio, e então a medida será só danosa aos outros bancos, e neste último caso aí ficará só em pé o Banco do Brasil com suas Caixas filiais, as quais a experiência mostrou não serem suficientes para as necessidades do comércio, e da indústria, e por outro lado exercerão um monopólio terrível na taxa do juro. Que não aprova a última disposição do projeto, a qual tira ao Governo uma faculdade de que ele está de posse, não havendo inconveniente nenhum que a conserve. Que se o Governo entende não se devam criar bancos, nas suas mãos tem o remédio, que é não os criar; e para se tirar de dificuldades, fará uma declaração nesse sentido, e assim fechará a porta a pretensões. E, finalmente, que a ocasião é a mais imprópria para esta legislação restritiva, porque estando ameaçada a Europa de uma guerra geral, nós não sabemos a influência que ela poderá exercer nas nossas relações comerciais. Que por todas estas razões vota contra o projeto com a única exceção do Artigo em que se manda criar um Fiscal.
O Marquês de Abrantes vota em geral a favor do projeto, não porque o considere eficaz para o mal que sofremos, que há de agravar-se de dia em dia, e tornar-se fatal, se durar por longo tempo; mas como medida que há de atenuar o mesmo mal, e prevenir alguns dos seus funestos efeitos. Quanto à disposição que obriga os bancos de emissão do troco das suas notas em ouro, julga-a necessária e conveniente. Ainda os mais afoitos sustentadores da liberdade bancária não têm deixado de reconhecer que a pluralidade de bancos só é vantajosa quando cada um seja obrigado a pagar em ouro as suas notas. Nem se pode admitir que, sem grande perigo da fortuna particular e pública, existam bancos de emissão não sujeitos a essa obrigação; nem tampouco contestar ao Estado o direito de impô-la. Diverge da opinião do ilustre Conselheiro, que o precedeu, e que julgou esta disposição ofensiva do privilégio do Banco do Brasil Acredita que não há ofensa, porque fica o Banco no gozo do privilégio de serem suas notas recebidas nas Estações fiscais, e não se lhe impõe, quanto ao troco em ouro, obrigação que ele não tivesse. A lei da sua criação obrigou-o a ter um fundo em moeda ou barras de ouro e prata para o troco de suas notas; e se os seus Estatutos lhe permitem também trocá-las em papel-moeda, cujo resgate lhe foi encarregado, é certo que essa permissão não o exonerou do troco em ouro. Quanto à restrição das emissões dos Bancos a certo limite, enquanto não puderem realizar o troco em ouro, julga-a também necessária e conveniente; e entende que o Poder Legislativo é o competente para ordená-la. Quando já não houvesse na circulação desta Corte super-abundância de notas dos diversos bancos, e até de suas Caixas filiais, a prudência exigirá que em tempo se evitasse essa super-abundância, e a progressiva depreciação do meio circulante, porque é certo que o povo aceita sem exame todas essas notas que correm como moeda. Não desconhece que esta restrição parecerá prejudicial aos bancos. Não crê que o seja; mas quando algum prejuízo quisesse dar- lhes, pensa que o projeto lhes oferece alguma compensação, aliviando o Banco do Brasil do resgate de dois mil contos por ano do papel moeda, durante a mesma restrição; e permitindo que as notas dos outros bancos sejam admitidas naquele e suas filiais. Vota também a favor da nomeação de Fiscais, porque julga indispensável que o Governo tenha conhecimento de qualquer abuso ou desmando da parte dos bancos de emissão, e possa reprimi-lo. Vota igualmente a favor da disposição que faz dependente do Poder Legislativo a incorporação de bancos de emissão, porque mesmo no interesse do Poder Executivo entende que sobre objeto tão grave convém que a responsabilidade não pese sobre o Governo somente. Declara porém que votando a favor dessas disposições, não se atreve a aprovar com segurança os prazos estabelecidos no projeto. Se estivéssemos na Europa talvez fosse longo o prazo de dois anos para que os bancos se preparassem a trocar em ouro; mas na distância em que nos achamos do principal mercado do ouro talvez o mesmo prazo seja demasiado curto. Não pôde obter dantes-de-ontem para hoje os esclarecimento necessários para formar um juízo seguro a respeito deste prazo, nem do outro de três meses, para que os bancos restrinjam as suas emissões ao limite marcado. Sendo de presumir que alguns desses bancos tenham feito vastas operações, e se achem nelas implicados muitos interesses particulares, receia que eles não possam, sem perigo, restringir em curto prazo as suas emissões, quando estas se achem além do dito limite. Deixa portanto à prudência do Governo a conveniente fixação dos referidos prazos, e a apreciação das considerações que tem feito”. É do mesmo voto o Marquês de Monte Alegre.
O Visconde de Albuquerque leu o seguinte voto que trazia escrito: “Senhor. Não sendo motivadas as disposições dos Artigos, de que tive notícia por uma cópia que me foi ministrada pelo Senhor Visconde de Sapucaí na Senado no dia quatro do corrente, previnindo-me vocalmente o mesmo Senhor Visconde de que
era este o objeto, que seria, submetido ao parecer do Conselho de Estado, que Vossa Majestade Imperial se dignava convocar para hoje; peça permissão a Vossa Majestade Imperial para fazer conjunturas acerca do fim a que se propõem as disposições destes Artigos, sobre os iguais se digna Vossa Majestade Imperial ouvir o seu Conselho de Estado. Presumo que se pretende com estas disposições dar estabilidade à circulação monetária, e melhor regular as associações bancárias, que por contrato, ou permissão do Governo de Vossa Majestade Imperial gozam de favores, e que porventura comprometem, ou podem comprometer, a mesma circulação monetária. É fato público e incontestável, que há dezoito meses a esta parte, a circulação monetária tem sido depreciada e flutuante, com grave prejuízo da boa fé dos contratos, do desenvolvimento da indústria, dos alimentos dos Servidores do Estado, e da moralidade pública. Sempre entendi que uma operação de crédito mui simples e mui pouco onerosa ao Tesouro Público, se não de grande vantagem para o mesmo Tesouro, poderia firmar a estabilidade da circulação monetária no Brasil, Esta operação de crédito, Senhor, pode ainda hoje ser tentada; e será ela tanto mais vantajosa, quanto a maior boa fé, e bem entendida, economia presidir a gerência do mesmo Tesouro Público. Quanto à regularização das associações bancárias existentes, não conheço melhor meio de a tornar efetiva, se não o de compeli-las ao desempenho de seus contratos, procedendo-se como for de justiça, quando a eles faltarem: e ouso asseverar a Vossa Majestade Imperial que com este procedimento muito devem lucrar as mesmas associações bancárias; pois reputo eminentemente favoráveis a elas os favores que se lhes prodigalizaram. E se essas associações tem dificuldades no cumprimento de seus contratos, por que não suplicam elas a Vossa Majestade Imperial, ou ao Poder Legislativo, qualquer graça, que porventura seja, compatível com os interesses das mesmas associações e do Estado? Não desconheço a necessidade de medidas que tenham de proteger a indústria comercial e agrícola, digo, a indústria fabril e agrícola, atualmente tão perseguidas pela indústria comercial; mas presumo que nenhuma das disposições dos artigos, que Vossa Majestade Imperial se digna de submeter ao seu Conselho de Estado, a isso se refira. Entendo pois que a disposição do artigo 1º e seus parágrafos não pode ser vantajosa pelos motivos aqui ponderados; e por estarem marcados em Lei as penas, em que incorrem tais associações, nos casos e falta de cumprimento de seus deveres. Nem assim o artigo 2º, pois entendo que o verdadeiro fiscal é o público, que deve ser ilustrado nos riscos a que está exposto com a emissão de bilhetes dessas associações; e a autoridade pública, que não deve ser omissa no cumprimento dos seus deveres. O artigo 3º não deverá ser atendido sem que a Associação do Banco do Brasil o solicite, e sem compensação da parte do público (a restrição da sua emissão e do máximo do juro do Banco por exemplo); pois foi com essa condição que se lhe permitiu a sua emissão, com entrada nas Estações públicas, isenção do selo de seus bilhetes, e outras. O artigo 4º me parece desnecessário, pois o Banco do Brasil pode usar da faculdade, que se lhe quer conceder independentemente de permissão qualquer: e quando fosse essa faculdade dependente de permissão dos Poderes Políticos não julgaria eu conveniente dá-la. O artigo 5º também não parece justo, pois iria dar novos privilégios aos bancos existentes, em detrimento dos direitos de outros, que porventura se propusessem a estabelecer, talvez com garantias mais sólidas: pois a restrição da autorização concedida ao Governo a isso equivaleria. Tal é, Senhor, o meu humilde parecer, que submeto à Sabedoria de Vossa Majestade Imperial, Paço em 8 de junho de 1859. Visconde de Albuquerque".
O Visconde de Maranguape reconhece com o Marquês de Abrantes a conveniência do estabelecimento dos bancos públicos com fundos metálicos; mas observa que no Brasil não se podia, nem ainda se pode atender a esta conveniência. Consistindo o nosso meio circulante em bilhetes do Tesouro, consistindo neles por conseqüência necessária o produto de todas as economias particulares, e sendo Cestas que se compõem os bancos, forçoso era que, a querer-se criá-los no Brasil, fossem eles formados com a moeda criada pelo Governo e acreditada no país. Nem de outra modo se pode justificar a criação do Banco do Brasil com o seu fundo nessa moeda; criação a que recusei o meu voto no Senado por estar convencido que só a liberdade do crédito pode produzir todos os bens e evitar os males de uma instituição tão necessária como é a instituição bancária. Fundaram-se depois outros bancos com capitais na mesma natureza, e por esta forma restringiu-se já muito naturalmente a emissão de cada um deles. É por esta forma que se deve corrigir o abuso que se pode dela fazer. Mas quer-se na proposta que todos os bancos já criados convertam em ouro dentro de dois anos a moeda papel que os seus acionistas receberam do Governo, e que há muito tempo constitui o único meio circulante neste país. As dificuldades inerentes a esta conversão são tão invencíveis, qualquer que seja o prazo imposto, os sacrifícios tão grandes e inúteis, que o próprio Governo a quem cumpria retirar o seu papel da circulação nunca julgou possível tentar essa operação financeira dentro de um prazo previsto. Suponhamos porém que ela seja possível a particulares unidos em sociedade para fornecer capitais às diversas indústrias do país; suponhamos que eles realizam em dois anos a pretendida conversão: poder-se-á impedir que o ouro assim obtido saia do país quando o câmbio baixar? Creio que não. Se os bancos trocarem as suas notas por ouro, este será necessariamente a mercadoria que completará o valor de uma exportação menor, do que o da importação. Se não se realizar esse troco, o câmbio abaixará, e se a par de qualquer destas medidas se restringir a emissão dos bancos, não haverá somente o abalo de todas as fortunas, haverá também o entorpecimento de todas as indústrias,
sempre dependentes de capitais, e seguir-se-á a diminuição da produção. Cuide o Governo em promovê-la por todos os meios ao seu alcance que o ouro abundará no país, se a sua prosperidade não for contrariada por alguma calamidade. Declarando-me assim contra as disposições que servem de base à proposta, voto contra todas as outras que nelas se fundam.
O Visconde de Jequitinhonha baldo das informações necessárias, que não achou no Relatório do Ministro da Fazenda, vota contra o projeto em todas as suas partes, que miudamente analisa. Expõe com largueza as razões em que se funda, e acrescenta que procedendo assim não contradiz a sua opinião manifestada em 1853, quando se tratou da criação do Banco da Brasil, porque eram mui diferentes as circunstâncias.
O Visconde de Sapucaí também se declara contra o projeto. No pouco tempo que teve para estudá-lo não pôde adquirir os dados que lhe parecem indispensáveis para decretar-se medida tão importante, não bastando para isso reconhecer a verdade dos princípios econômicos em que se baseia o mesmo projeto. Duvida principalmente da oportunidade dele.
O Visconde de Itaboraí sustenta toda a doutrina do projeto, discorrendo, amplamente sobre cada um de seus artigos, e combatendo os argumentos produzidos em contrário. Passa em resenha os males provenientes do papel dos bancos que inundam o país, e conclui – que aprova este projeto como aprovaria outro qualquer que nos tirasse do estado em que nos achamos –.
O Conselheiro de Estado Miguel de Sousa Melo e Alvim leu o seguinte voto: “O fim a que se pretende chegar mediante o projeto de lei de que se trata, isto é, fazer com que os bancos de emissão realizem suas notas em ouro à vontade do portador, é tão útil, tão grandioso, que absurdo seria negá-lo; é isso uma daquelas verdades tão evidentes que não admitem demonstração; mas terão os meios propostos o poder, a força eficiente para alcançar-se esse desejado fim? Seja-me permitido duvidá-lo. Senhor: eu, talvez por velho, estou inteiramente convencido de que enquanto o valor da nossa exportação não for superior, ou ao menos igual ao valor da importação ; enquanto as praças comerciais do Império tiverem de pagar em ouro às praças comerciais do mundo com quem negociam o saldo de suas transações, impossível será conservar-se o ouro ou metais preciosos no país, e muito menos nos cofres dos bancos, tendo estes o dever de realizar suas notas em ouro à vontade do portador, conforme quer o projeto: ora, não estabelecendo as medidas propostas nada tendente a aumentar a quantidade e o valor dos objetos que forma a nossa exportação, deverá necessariamente continuar esse desequilíbrio fatal, causa única da fugida do ouro para fora do país. Considero pois o projeto insuficiente, ou antes, inútil por inexeqüivel, ao menos enquanto não melhorarem nossa." circunstâncias agrícolas e comerciais. A única utilidade que diviso neste projeto de lei é ser ele um meio eficaz, apesar de indireto, de extinguir todos os bancos de emissão