No dia quatorze de outubro de mil oitocentos e cinqüenta e oito, no Paço Imperial da Quinta da Boa Vista, às onze horas da manhã, reuniu-se o Conselho de Estado sob a Augusta Presidência do Muito Alto e Muito Poderoso Senhor Dom Pedro de Alcântara. Segundo Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, estando presentes os Conselheiros de Estado Marqueses de Abrantes e de Monte Alegre, Viscondes de Albuquerque, de Abaeté, de Sapucai, de Jequitinhonha, de Uruguai, Miguel de Sousa Melo e Alvim, João Paulo dos Santos Barreto, e Eusébio de Queirós Coutinho Matoso Câmara, e os Ministros e Secretários de Estado – do Império e Presidente do Conselho de Ministros, Marquês de Olinda; da Justiça, Francisco Diogo Pereira de Vasconcelos; da Fazenda, Bernardo de Sousa Franco; de Estrangeiros, Visconde de Maranguape; e da Marinha, José Antônio Saraiva.
Aberta a Conferência foi lida e aprovada a ata antecedente de vinte e oito de agosto de mil oitocentos e cinqüenta e sete.
O Marquês de Olinda participou que o Conselheiro de Estado Visconde de Itaborai não comparecia por incomodado.
Passando-se ao objeto da conferência o Marquês de Monte Alegre, como relator da Seção dos Negócios do Império na matéria sujeita, leu o seguinte Parecer: – Senhor. A Seção dos Negócios do Império do Conselho de Estado tem a honra de apresentar a Vossa Majestade Imperial o resultado do exame que por ordem de Vossa Majestade Imperial fez nos papéis relativos à eleição de um senador pela Província de Sergipe. Em quatro distritos eleitorais se divide a Província de Sergipe, e cada distrito tem um só Colégio. 1º Distrito – Colégio de Aracaju. Freguesias oito – Aracaju, Laranjeiras, Maruim, Rosário, Divina Pastora, Pé de Banco, Capela, e Santo Amaro. Na eleição da Freguesia do Aracaju falta a ata da primeira e da segunda chamadas, mas na da terceira se declara que as duas primeiras chamadas haviam sido feitas no dia antecedente, cinco de maio, e que, concluída a segunda, o Presidente da Mesa marcara o dia seguinte, seis, às nove horas da manhã, para dar começo à terceira. É irregularidade que não vicia a eleição, que em
tudo o mais foi regular. Uma violenta representação diz que se deram em Pé de Banco violências praticadas pelo Presidente da Província e pelos partidários do Barão de Maruim, e afirma que não houve eleição. As provas que produz são: 1º um atentado do Capelão das Dores, primeiro coadjutor da Freguesia de Pé de Banco, no qual afirma que por aquela Povoação (Dores) passaram no dia sete de setembro várias pessoas armadas de bacamartes, que lhe disseram iam para a eleição de Pé de Banco, e estiveram em casas de pessoas influentes partidistas do Barão de Maruim; 2º outro atestado de três indivíduos que atestam e juram ter ouvido ao eleitor e 2º Juiz de Paz José Gomes da Cunha que não houve eleição em Pé de Banco. Em Santo Amaro fizeram duas eleições, uma na Igreja Matriz presidida pelo 4º Juiz de Paz Antônio Ramos Maia, e outra presidida pelo 1º Juiz de Paz José da Silva Travassos na casa de sua residência. Da ata da primeira dessas eleições consta que nem o primeiro Juiz de Paz nem seus dois imediatos compareceram na Matriz até muito depois da hora marcada para eleição, não havendo preparo algum na dita igreja para tal ato se praticar; que sendo chamado por ofício do 4º Juiz de Paz respondera o primeiro que iria quando quisesse; mas que não comparecendo, tomou o dito 4º Juiz de Paz a providência, e fizera a eleição, servindo de Escrivão o do Juiz de Paz, que se achava suspenso pelo 1º Juiz de Paz. A chamada foi feita pela lista da qualificação impressa na Folha Oficial e as atas foram escritas em um livro aberto, numerado, e rubricado ali pelo 4º Juiz de Paz, por isso que nem lista de qualificação, nem livro para as atas se achavam na Matriz. Da ata da 2ª eleição presidida pelo 1º Juiz de Paz Travassos, e feita na casa deste, consta que a eleição fora celebrada nesse lugar, porque não lhe fora possível fazê-la na Matriz, que se achava cercada de tropa em número de mais de 60 praças, tendo à sua frente as autoridades policiais, que deram buscas, fizeram prisões e violências, tornando a Vila de Santo Amaro numa verdadeira praça de armas. O parecer da Comissão do Colégio de Aracaju, que examinou os diplomas dos eleitores do 1º Distrito, tratando dessa eleição, assim se exprime: = Dizem seus diplomas que a eleição que os fez eleitores foi celebrada na própria casa do Juiz de Paz, e então para contestar a irregularidade de não ter sido feita na Matriz, apareceu na ata da formação da Mesa a circunstância de que a Paróquia de Santo Amaro no dia da eleição primária tornou-se um acampamento bélico, apresentando-se uma força de 60 praças, dando além disso a entender a mesma ata que para outros pontos da Província marchara também da Capital força armada. Ora isto dito (continua o parecer) como prova entre nós, e para nós mesmos conhecermos, é o mesmo que nada dizer, porque sabemos muito bem que uma Companhia fixa e duas Companhias de Polícia, única força existente na Província, e que se conserva dispersa por trinta e tantos pontos, onde a Justiça e a Polícia a reclama, não permitiam que só para Santo Amaro marchasse o fabuloso número de 60 praças. E de mais é notório que na Capital, desde tempos remotos, ocasiões há que nem para o serviço da guarnição há força disponível. = No mesmo parecer ainda se alega outra razão contra essa eleição presidida por Travassos, e é que figuram como eleitores ou para esse cargo tiveram votos, onze cidadãos que não residem nessa Paróquia, mas sim na Capital, aonde como empregados públicos têm residência, sendo excluídos da qualificação de Santo Amaro pelo Conselho de Recurso em vista de reclamação. O Colégio de Aracaju apurou em separado os votos dessas duas turmas de eleitores das duas eleições de Santo Amaro. A Seção entende que procedeu bem o Colégio de Aracaju, e que ambas essas eleições da Paróquia de Santo Amaro são nulas. A eleição celebrada na Matriz não pode vigorar porque as chamadas foram feitas por uma lista de qualificação sem autoridade legal, por cuja exatidão ninguém era responsável. A outra que se celebrou na essa da residência do 1º Juiz de Paz Travassos não pode ser válida porque o lugar da reunião não é o competente, e é mesmo suspeito, por não ser aquele para aonde foram os votantes convocados. Parece falso à Seção o motivo que obrigou o dito Juiz de Paz a não comparecer na Igreja Matriz, porque não seria mais difícil a essa grande força armada que o forçou a não exercer suas funções na Matriz, impedir o mesmo ato na casa de sua residência. O atual Presidente da Província, estranho a toda a eleição da Província de Sergipe, em uma carta confidencial ao Sr. Ministro do Império, emite sua opinião acerca das eleições de Santo Amaro nos seguintes termos: = Entendo que ambas as eleições de Santo Amaro estão eivadas de nulidades: nesta parte me conformo plenamente com o parecer e informação do Vice- Presidente. = 2º Distrito. Colégio-Estância. Freguesia nove: Estância, Santa Luzia, Espírito Santo, Lagarto, Campos do Rio Real, Itabaianinha, Geru, Lagoa Vermelha, Riachão – A Mesa do Colégio da Estância no seu parecer sobre os diplomas dos eleitores do seu círculo diz que achou os diplomas conformes, com as restrições seguintes: = Os desta Freguesia (Estância) estão válidos no número de trinta, devendo ser tomados em separado os votos dos dois últimos, que perfazem trinta e dois, por não parecer à Comissão que fossem bem acrescentadas. Os de Santa Luzia. Geru, Itabaianinha, Campos, e Lagarto, estão válidos. Acerca da Freguesia de Riachão, que se apresentou em duplicata, julga inválida e de dezenove eleitores presidida pelo Juiz de Paz da Lagoa Vermelha, terceiro votado, Antônio José de Menezes Fraga, por incompetência do Juiz de Paz, presidente dela, assim como julga defeituosa a presidida pelo Juiz de Paz Paulo Freire de Mesquita contendo cinqüenta e nove eleitores, devendo ser tomada em separado toda a votação; assim como separar-se igualmente a votação do vigésimo votado em diante por parecer provável ser esse número legítimo. A respeito da eleição da Lagoa Vermelha, julga a Comissão inválida a de oito eleitores pela incompetência do presidente dela. Julga defeituosa a eleição de cinqüenta e nove eleitores,
presidida pelo Juiz de Paz Antônio de Matos Freire primeiro votado, em virtude do excesso de número devendo ser tomada em separado toda a eleição, separando-se ainda a votação do vigésimo em diante, por parecer legítimo o número dezenove. Julga válida a eleição do Espírito Santo até o número de dezoito, com a diferença que deve ser recebida em separado a votação do décimo nono eleitor até o trigésimo, por julgar- se excessivo o aumento. = Este parecer foi aprovado por unanimidade. O Vice-Presidente da Província de Sergipe assim se exprime em seu ofício nº 55 de vinte e cinco de julho: = 2º Distrito. Estância. Compõe-se este distrito eleitoral das nove paróquias que abaixo vão relacionadas – E regulando-me pela eleição de eleitores de 2 de novembro de 1856, que teve por base as eleições dos quatriênios anteriores, deviam as mesmas paróquias dar na eleição de que me ocupo os eleitores seguintes: Estância, trinta eleitores – Santa Luzia, quatorze – Espírito Santo, dezoito – Lagarto, vinte – Campo do Rio Real, doze – Itabaianinha, dezoito – Geru, dois – Lagoa Vermelha, oito – Riachão, dezenove: Cento e quarenta e um eleitores. Assim porém não aconteceu, e algumas das ditas paróquias elegeram para funcionar na indicada eleição de Senador os eleitores seguintes, à margem das quais não será fora de propósito mencionar o número dos cidadãos qualificados votantes no corrente ano. Estância 32 eleitores, qualificou 1.246 votantes – Espírito Santo 30, qualificou 1.205 votantes – Lagoa Vermelha 59 –, qualificou 1.408 votantes. Riachão 59, qualificou 2.364 votantes. Além de ser fabuloso o aumento de eleitores e o número dos cidadãos qualificados nas duas últimas paróquias – Lagoa Vermelha e Riachão –. Não menos fabulosas são as duas duplicatas que nelas clandestinamente se forjaram, uma das quais consta da cópia número treze, não remetendo as atas da outra, porque não me foram até hoje endereçadas. Foi isto um plano concertado por um dos lados políticos que pleiteava a eleição para o fim de ter no Colégio a maioria com que não contava, plano que o outro lado seguiu também para se não deixar vencer por uma minoria convertida em maioria por esse meio torpe e fraudulento. As duas paróquias de que trato, rivais por serem de políticas diversas, vendo suas eleições perdidas pelo acréscimo indébito de eleitores a que recorreram, trataram de figurar uma duplicata, como celebrada na paróquia rival, contendo o número de eleitores que esta devia justamente dar, apresentando como eleitos pessoas suas aliadas, embora de paróquia ou paróquias diversas, e deste modo viu-se a galante farsa de apresentarem os influentes da Lagoa Vermelha uma duplicata de 19 eleitores seus pelo Riachão, e os do Riachão uma outra de oito eleitores igualmente seus pela Lagoa Vermelha. Comparando- se porém os eleitores dados na eleição de 1856 com o resultado da última eleição nas paróquias supracitadas, não se tendo em vista as estratégicas duplicatas, que nenhuma sombra tem de regularidade, vê-se que Estância aumentou dois eleitores, Espírito Santo doze, Lagoa Vermelha cinqüenta e um, e Riachão quarenta, sendo ao todo cento e cinco os eleitores acrescidos. O aumento de tais eleitores em qualquer dessas Paróquias. com exceção da do Espírito Santo, que deu 25 na eleição de 1844, primeira que celebrou nesta Província depois de desligada da Bahia, e ao meu ver manifestamente ilegal, parecendo-me por isto que bem procedeu o respectivo Colégio mandando tomar em separado todos os votos dos eleitores provenientes das duplicatas, e dos acréscimos, até mesmo do Espírito Santo. = A Seção verificou que a Freguesia da Estância teve 32 eleitores na eleição de 1842, mas não lhe foi possível colher o número que deu em 1844; e tem certeza, porque viu as atas da eleição de Deputados Gerais do fim do ano passado, que então não excedeu a trinta. É provável que o território da Freguesia da Estância tenha desde 1842 sofrido muitas alterações com a criação de novas Freguesias, por isso entende a Seção que o número de 30 eleitores, que dera em 1856, é o que deve prevalecer em 1857, e que bem eliminados foram os votos dos dois eleitores excedentes. As eleições das Freguesias da Estância; Santa Luzia, Espírito Santo, Itabaianinha, Geru, Campos, e Lagarto correram regulares e tranqüilas. Na Estância e no Espírito Santo julgou o Colégio haver excesso no número de eleitores, e por isso tomou em separado os dois últimos dos 32 da Estância, e os 12 últimos dos trinta do Espírito Santo. A Freguesia do Riachão apresenta duas eleições segundo se vê da ata do Colégio eleitoral da Estância, e do Ofício do Vice-Presidente; mas não chegou ao conhecimento da Seção senão a ata de uma dessas eleições, a presidida pelo 1º Juiz de Paz Paulo Freire de Mesquita, que deu 59 eleitores a essa Freguesia. Esta eleição correu muito regularmente em seu processo, mas o número de 59 eleitores, que dela resultou, a torna evidentemente inadmissível. O Riachão havia concorrido na eleição precedente, seis meses antes desta, com o número de 19 eleitores. A outra eleição que a Seção conhece pelo parecer da Mesa do Colégio Eleitoral que transcreveu, lhe parece nula, por que foi presidida por juiz incompetente. A confidencial do atual Presidente diz o seguinte. = Riachão deu 19 eleitores na eleição de Deputados do ano passado, e agora 59; artifício empregado pelo partido oposto do Barão de Maroin, estando esta Paróquia em rivalidade com a da Lagoa Vermelha, aumentando cada uma o número de eleitores na proporção da outra. Deu-se mais nesta Paróquia uma. duplicata, que consta ter sido promovida por Antônio Manuel da Fraga, mas são todos concordes em que tal duplicata importa uma maquinação clandestina = Estão em poder da Seção as atas das duas eleições da Lagoa Vermelha. É evidentemente nula a eleição de oito eleitores, porque o Juiz de Paz que a presidiu Alexandre de Souza Vieira é o 2º Juiz de Paz do Riachão, que compareceu na Matriz da
Lagoa Vermelha às 3 horas da tarde do dia 5 de maio a chamado oficial (diz a ata dessa eleição) do cidadão João Pereira de Carvalho, suplente do Juiz de Paz da Lagoa Vermelha, e fez a eleição de oito eleitores, por que Ihe foi apresentado (continua a ata) um atestado do Reverendíssimo Vigário Encomendado João de Campos Silveira, e um ofício do primeiro Juiz de Paz desta Vila (Lagoa Vermelha) Antônio de Matos Freire, pelos quais não obstante provar-se claramente que nenhum processo de qualificação se fizera no presente ano na dita Vila, todavia o referido Juiz de Paz Matos Freire pretendia fazer uma eleição por uma qualificação fantástica e conseqüentemente criminosa, só para o fim de elevar o número dos eleitores a trinta e cinco. quando pela verdadeira e legítima qualificação, de que o dito suplente Pereira de Carvalho apresentara uma lista, podia só dar o número de oito, correspondente ao dos eleitores dados na próxima passada eleição de Deputados, por que tanto o Juiz de Paz Matos Freire, como os três que lhe são imediatos tinham-se coligado para falsear o sistema eleitoral pela fraude de uma qualificação suposta. A outra eleição de 35 eleitores presidida pelo primeiro Juiz de Paz da Paróquia foi feita muito regularmente, tendo-se recebido nas três chamadas 952 cédulas, e deixando de votar, por não haverem comparecido, 455 cidadãos. Cumpre notar que compareceram no Colégio da Estância 59 eleitores da Lagoa Vermelha, posto que os votos da eleição recaíssem, apenas, em trinta e cinco, e que só a estes mandasse a ata da eleição primária expedir diplomas. Está provado por certidões autênticas passadas, pelo Secretário da Câmara da Vila de Lagarto, de cujo Município fora desmembrada a Freguesia da Lagoa, ereta há pouco em Vila, e a vista de livros e documentos a que ele se refere, que a Paróquia da Lagoa Vermelha dera na eleição para Deputados Gerais, feita nos último meses do ano passado. oito eleitores, sendo o número dos cidadãos qualificados, que lhe pertenceram na desmembração de outras freguesias de que fazia parte, trezentos e vinte. Está também provado autenticamente que no corrente ano de 1857 não se fez qualificação naquela Freguesia. Esta eleição também parece à Seção que é nula. Está persuadida que não só é excessivo o número de 35 eleitores, mas que não foram as chamadas feitas por verdadeira lista de qualificação, mas por uma arranjada para aquele fim, falsa e fraudulenta. O Presidente da Província em sua já citada confidencial diz em referência à eleição da Lagoa Vermelha o que se segue: – Deu oito eleitores na eleição de Deputados do ano passado; agora deu 59, com a circunstância de ter a Mesa Paroquial expedido diplomas só a 35, sendo os outros convidados por editais depois que foi sabido que a Freguesia de Riachão dera 59. Houve também aqui uma duplicata forjada, fantasiando-se uma eleição de oito eleitores. – Há várias representações contra as eleições destas duas paróquias, mas as acusações que têm alguma verdade e algum peso se reduzem aos defeitos de que a Seção já tem tratado. Tais representações são declamações vãs destituídas de provas. O mesmo Presidente na dita carta confidencial de 12 de agosto próximo passado, assim se exprime acerca da eleição secundária do 2º Distrito: – Pelas informações que tenho obtido, a apuração feita pelo Colégio indica exatamente os votos dos eleitores legítimos, e o temerário aumento de eleitores, e escandalosos artifícios no fabrico de duplicatas não viciam a eleição tal qual foi apurado pelo Colégio. – A Seção concorda com o juízo do Presidente da Província. 3º Distrito. Colégio Itabaiana, Freguesias cinco: – Itabaiana – Itaporanga – São Cristóvão – Simão Dias – Campo de Brito. Foram presentes à Câmara Municipal da Capital da Província de Sergipe duas atas de dois Colégios do 3º Distrito. A Câmara da Capital apurou em separado a votação de ambos os Colégios. A Seção entende que bem fez nisso a dita Câmara; e na exposição que segue demonstrará que os fundamentos de sua opinião são valiosos. Reuniram-se na Vila de Itabaiana no dia marcado para a eleição secundária os eleitores do 3º Distrito, e quando o Juiz de Paz, Presidente do Colégio, nomeou para servirem de secretário e de escrutinadores os eleitores que lhe pareceram mais moços, um eleitor reclamou contra a nomeação de um deles, e por este motivo travou-se uma discussão tão violenta que acabou em grande tumulto, e vias de fato entre os eleitores. Compareceu a Delegado de Polícia que deu a voz de prisão a dois eleitores. Os outros eleitores dividiram-se, e foram fazer dois Colégios separados. Cada um fez sua eleição, sua apuração, e sua ata, e ambos as enviaram à Câmara apuradora da Capital. Um dos Colégios foi presidido por Antônio Joaquim da Silva Gomes, o outro por Antônio Carneiro de Menezes Da ata do primeiro consta que, serenados os ânimos dos eleitores da paróquia desta Vila (Itabaiana) reunidos aos de uma das duas turmas que se apresentaram de Simão Dias, e aos de duas das três turmas que se apresentaram do Campo do Brito, separaram-se do Colégio declarando que iam formar outro. – O parecer da Mesa sobre os diplomas de tais eleitores de diversas turmas da mesma paróquia é este: – A Mesa examinando os diplomas dos outros eleitores (os que faziam parte da Mesa estavam já aprovados) e os comparando com as respectivas atas, e em vista dos documentos que lhe foram presentes, e que têm de ser submetidos ao Poder competente (não chegaram ao conhecimento da Seção) foi de parecer que se julguem válidos os