3 RELATÓRIO DE ESTAGIO
3.3 Atividade Especifica
3.3.1 Produção de silagem de grão úmido de milho utilizando minisilos experimentais
Para o processo da ensilagem de grão úmido em minisilos utilizou-se como matéria prima principal milho em grão, quebrado em três ou quatro partes em moinho martelo utilizando peneira de 1,5 mm, conforme NUMMER FILHO (2001). Foram pesadas três amostras do material (milho) com aproximadamente 1 kg e levadas a estufa de ventilação forçada, a temperatura de 60ºC por 72 horas, para determinação da primeira porcentagem de matéria seca (%MS) antes da
hidratação. Após este período de secagem os materiais foram novamente pesados e foi calculada a %MS, pela fórmula:
%ASA = (AS x 100) / AU
Onde:
ASA = amostra seca ao ar (%);
AS = amostra seca, depois de retirada da estufa (g); AU = amostra úmida, antes de colocar na estufa (g).
O teor de médio de matéria seca do cereal foi de 96,64%.
Para a realização da SGUM foram utilizados 30 minisilos, com cinco repetições para cada tratamento. Os minisilos são constituídos de cano PVC de 30 cm de altura e 10 cm de diâmetro interno, com tampas e fundos móveis, fixados por braçadeiras, com capacidade de 2,5kg.
Os tubos e as tampas foram pesados, identificados com etiquetas de cada tratamento. No fundo dos minisilos, foram colocados 350 g de areia número 01 ou fina, além de tecido de algodão cortados de forma circular com mesmo diâmetro do fundo do minisilo, juntamente com filtro constituído por tela, ilustração representativa, através da figura 1. Após a montagem do aparato, os minisilos foram novamente pesados, tendo assim o peso exato do conjunto.
Fonte: Arquivo pessoal, (2014).
Figura 1. Aparatos para coleta de efluente. Areia fina, tecido de algodão cortados de forma circular com mesmo diâmetro do fundo do minisilo e clarite, respectivamente.
As tampas dos minisilos possuem uma pequena perfuração por onde se introduziu o bico de Bunsen, com finalidade de liberação de gases da fermentação.
Quando os minisilos já estavam todos prontos com os aparatos, foram pesados, identificados com etiqueta e pesados sem a tampa, entretanto a tampa foi pesada separadamente dos minisilos e também identificadas de acordo com cada um, ilustração representativa, através da figura 2.
Fonte: Arquivo pessoal, (2014).
Figura 2. Tampas dos minisilos. (A) Perfuração na tampa. (B) Bico de Bunsen. (C) Tampa com o bico de Bunsen. (D) Tampas dos minisilos com os
aparatos e identificadas individualmente.
Utilizou-se cinco tratamentos para a confecção da SGUM: T1: silagem de grão úmido de milho (SGUM), T2: silagem de grão úmido acrescido com 1% de uréia (SGU1%), T3: silagem de grão úmido acrescido com 2% de uréia (SGU2%), T4: silagem de grão úmido com inoculante bacteriano a base de Lactobacillus
plantarum (SGULP), T5: silagem de grão úmido com inoculante bacteriano a base
de Lactobacillus buchneri (SGULB) e T6: silagem de grão úmido com ração completa (SGURC), com 5 repetições para cada tratamento, correspondendo a 30 minisilos.
Após moagem grosseira em três partes, o material foi reidratado na proporção de 30% de água para cada 100 kg de milho moído, o período de hidratação foi de 2 horas, realizado em todos os tratamentos, com amostragem para determinação da MS, conforme é exposto na tabela 1.
Tabela 1. Porcentagem de matéria seca de cada tratamentos, antes processo de ensilagem. Tratamento % MS SGU 73,13 SGU1% 72,57 SGU2% 74,18 SGULP 76,17 SGULB 73,84 SGURC 81,21
Fonte: Arquivo pessoal, (2014).
Após a hidratação do grão, iniciou o processo de ensilagem a partir do tratamento 1 sendo denominado de controle, onde foi ensilado apenas o grão de milho hidratado, introduzindo o grão dentro do minisilos e compactando com um objeto de PVC, tipo pilão, realizando este processo de compactação até que o minisilo estivesse completamente cheio e conciso.
Para o preparo da T2: SGU1% misturou-se a uréia com o grão úmido utilizando caixa plástica que obtenção de material homogêneo, em seguida realizou o mesmo processo de ensilagem, o preparo das demais ensilagens com seus respectivos tratamentos. Nos tratamentos que continham inoculantes bacterianos, fez-se a diluição dos mesmos de acordo com as recomendações do fabricante, diluído na água de hidratação. Visto que a inoculação pode ser feita em água de reidratarão ou diluída em água pulverizada sob a massa ensilada a cada 10 cm na camada do grão moído, e quanto melhor a distribuição do inoculante, melhor será também a qualidade da silagem (SOUZA, 2001).
Já o tratamento SGURC, tem a finalidade de simular a ração total, pois se constitui em mistura de 57,5% grão úmido de milho hidratado; 36,0% de soja grão moída; 2,0% de uréia, 1,5% de sal branco e 3,0% de núcleo mineral para vacas em lactação, visto que todos os ingredientes foram devidamente misturados para obtenção de mistura homogênea e ensilados como os demais.
Após a ensilagem os minisilos foram pesados, vedados e pesados novamente, posicionados aleatoriamente de forma casualizada, sobre uma mesa
de laboratório em ambiente com temperatura média ±26ºC até o momento da abertura dos minis silos, ilustração representativa, através da figura 3.
Fonte: Arquivo pessoal, (2014).
Figura 3. Posicionamento aleatório dos minisilos sobre a mesa de forma casualizada até o momento da abertura.
Com o restante do milho de cada tratamento, retirou-se 3 amostras de aproximadamente de 400 g cada e foram colocadas em sacos de papel, onde uma amostra de cada repetição dos tratamentos foi utilizada para análise de matéria seca a 65ºC, as outras duas amostras que foram coletas permaneceram guardas para demais análises bromatológicas. Apos às 72 horas em estufa de ventilação forçada, retirou-se as amostras de cada tratamento com as 5 repetições por tratamento, totalizando 30 amostras que foram pesadas, obtendo a matéria seca de todos os tratamentos ensilados com suas respectivas repetições.
Após o tempo de fermentação de 25 dias, os minisilos foram pesados para estimar as perdas gasosas em relação a matéria natural, como demonstrado através da Tabela 6, estimado de acordo com a formula:
PG = (PSI – PSF) / MNI x 100 Onde:
PG = perdas por gases em % da MN;
PSI = peso do silo inicial, após vedação, ao fechar (kg); PSF = peso do silo final, após fermentação, na abertura (kg); MNI = quantidade de forragem ou matéria natural ensilada (kg).
Os minisilos foram pesados fechados e pesado novamente após a abertura, observou-se se havia algum tipo de perda na parte superior da tampa, sendo descartados 2 cm da camada superficial, e aferida a temperatura interna, ilustração demonstrativa através da figura 4, e só então retirou-se o material ensilado até o aparato inferior, pesando-os para verificar a perda por efluentes, como demonstrado através da tabela 2, conforme formula:
PE = (PSAF – PSAI) / MNI x 100 Onde:
PG = produção de efluentes (kg de efluente em % da MN); PSAF = peso do conjunto minisilo e aparato após abertura (kg);
PSAI = peso do conjunto minisilo e aparato antes da ensilagem do material (kg); MNI = quantidade de forragem ou matéria natural ensilada (kg)
Fonte: Arquivo pessoal, (2014).
Figura 4. (A) Pesagem dos minisilos de cada tratamento antes da abertura. (B) Perda na parte superior dos minisilos. (C) aferição da temperatura interna. (D) Descarte de 2 cm da camada superficial dos minisilos.
Tabela 2. Estimativas de perdas gasosas por diferença de peso, por efluentes e totais em silagem de grão úmido de milho.
Tratamento % Perdas Gasosa % Perdas por Efluente % Perdas Totais SGU 1,38 0,26 1,64 SGU1% 1,60 0,27 1,87 SGU2% 0,62 0,35 0,96 SGULP 0,31 0,26 0,57 SGULB 0,98 0,20 1,18 SGURC 0,00 0,22 0,22
Fonte: Arquivo pessoal, (2014).
Para aferição da temperatura ambiente e temperatura interna dos minisilos foram utilizados um termômetro digital THERMOMETER. E na pesagem dos materiais como minisilos e suas tampas, volume de uréia e inoculentes usou balança analítica digital TECNAL.
Na ocasião de abertura dos minisilos e homogeneização da silagem de três repetições, foram retiradas amostras de cada um, para análise do pH e avaliação bromatológica do alimento. As amostras foram devidamente identificadas, sendo a primeira parte colocada em sacos de plásticos transparentes e lacrados então congeladas para futuras análise e a segunda parte acondicionada em saco de papel e pesadas para realizar a matéria seca em estufa de ventilação forçada a temperatura de 60 ºC por 72 horas, como identifica-se através da tabela 3, com destaque na pequena elevação na avaliação de matéria seca da SGUM1% e SGUM2% em comparação com os mesmos tratamentos da tabela 1.
Tabela 3. Porcentagem de matéria seca conforme os tratamentos após 25 dias de fermentação. Tratamento % MS SGU 75,79 SGU1% 77,75 SGU2% 75,37 SGULP 75,19 SGULB 75,61 SGURC 77,70
Fonte: Arquivo pessoal, (2014).
Através da tabela 4, pode-se observar a diferença de pesos dos minisilos quando ensilados e após o processo fermentativo.
Tabela 4. Peso dos minisilos no momento do fechamento dos minisilos e após o 25 dias de fermentação.
Tratamento Repetição P. Original P. Seco
Controle 1 1450,46 1119,77 2 1351,12 1030,48 3 1312,23 969,73 Ureia 1% 1 1343,45 1023,68 2 1254,53 989,96 3 1346,73 1052,33 Uréia 2% 1 1280,35 962,08 2 1351,61 1027,70 3 1339,79 1004,04 Lactobacillus plantarum 1 1353,16 961,34 2 1508,36 1148,82 3 1350,17 1058,04 Lactobacillus buchneri 1 1382,67 1032,39 2 1400,62 1052,29 3 1464,51 1128,03
Ração Completa
1 1143,02 865,52
2 1567,51 1242,37
3 1522,71 1189,54
Fonte: Arquivo Pessoal, (2014).
As repetições 4 e 5 de cada tratamento, forma destinadas a aferição das perdas por estabilidade aeróbica no minisilo aberto e deste material colocado no cocho para os animais. Primeiramente pesou-se os minisilos fechados e ao abrir foram descartados 2 cm da camada superficial, pesados novamente. E só então, foram acondicionados sobre a mesa permanecendo abertos, posicionados aleatoriamente de forma casualizado, sob temperatura ambiente de ±25ºC. Em seguida foi aferida a temperatura da massa ensilada em quatro horários por dia (8, 11, 13 e 16 horas), durante 10 dias, como se identifica através da tabela 5.
Tabela 5. Acompanhamento das temperaturas internas dos minisilos de grão úmido de milho do 1º que corresponde o dia da abertura até o 10º dia.
Dias Tratamento 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Ambiente 26,5 27,6 28,1 28,1 27,8 28,8 28,1 28,1 28,7 29,0 Controle 26,8 26,6 27,5 28,4 27,0 28,9 29,1 28,6 29,7 30,5 Uréia 1% 26,8 26,8 27,8 29,2 26,9 28,2 28,2 28,1 29,4 30,5 Uréia 2% 26,8 27,0 28,5 28,7 28,7 29,3 28,6 28,3 29,0 30,1 L. plantarum 26,5 26,8 29,5 27,6 30,0 31,2 31,1 30,3 31,1 32,1 L. buchneri 26,8 26,9 27,8 27,6 26,7 27,8 27,7 27,4 28,1 28,9 R. Completa 26,7 26,7 27,7 27,6 26,9 27,9 27,6 27,3 27,9 28,8 Fonte: Arquivo pessoal, (2014).
De acordo com os dados da tabela 09, pode – se verificar a pouca estabilidade aeróbica da ensilagem de grão úmido de milho com a adição do inoculante L. plantarum. Os dados indicam que a massa ensilada apresenta pouca estabilidade, devido possivelmente a continuidade das atividades bacteriana, elevando a temperatura da massa ensilada acima de 2ºC em relação a temperatura ambiente.
Após 10 dias de abertura dos minisilo, este material foi colocado em sacos plásticos, simulando a retirada do material ensilado e a colocação em cochos de volumosos, manejo de fornecimento aos animais. Nesta avaliação objetivou-se verificar a estabilidade deste material em contato com o oxigênio atmosférico. Foi então mensurado a temperatura do material revolvido, em quatro horários do dia as 8, 11, 13 e 16 horas, durante o período de até 48 horas após revolvimento. Iniciou-se as avaliações no tempo 0 (momento de fornecimento no cocho), tempo de 24 horas e de 48 horas cocho . De acordo com os dados da tabela 6 pode –se verificar que o material inoculado com L. plantarum não teve efeito de controlar a fermentação das bactérias aeróbicas e com isso o aumento da temperatura da massa ensilada, pode ser um indicativo de deterioração do material.
Tabela 6. Temperatura media da massa ensilada de grão úmido de milho após revolvimento.
Fonte: Arquivo pessoal, (2014).
Tempo/horas
Tratamento 0 24 48
Ambiente 29,1aA 30,3cA 27,6cA
Controle 28,8aA 28,5cA 31,3bA
L.plantarum 31,0aC 47,8aA 39,1aB
L. buchneri 28,2aA 28,3aA 27,1cA
Uréia 1% 29,2aB 35,3bA 33,7bA
Uréia 2% 29,0aA 29,8cA 30,5bA
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerou-se a partir deste trabalho sobre a elaboração e processamentos da silagem de grão úmido de milho e seus múltiplos usos na alimentação animal, é uma tecnologia que pode contribuir de forma significativa a fim de melhorar os índices de produtividade dos animais, além de reduzir custos na produção, resultando em aumento expressivo de rentabilidade, sobretudo, a tecnologia de produção só é considerada viável, se permitir o aumento dos lucros. Entretanto seu uso ainda e considerado incipiente no pais, com necessidade de novos estudos em sua utilização em relação as dificuldades de processamento e fornecimento aos animais.
Considerando também que as outras atividades em desenvolvimento do Núcleo Avançado de Apoio à Transferência de Tecnologia são mais voltadas ao interesse da agricultura familiar como o uso da parte área da mandioca na alimentação animal e a compostagem de carcaça, a fim de atender a demanda de informações de pequenos produtores como de assentamentos, devido a pequena extensão de terra e recurso limitados, com produção de alimento assegurando a sustentabilidade dessas famílias.
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