4. A CIDADE DE ALCÂNTARA - MA
4.4 A atividade turística em Alcântara-Ma
As obras literárias referentes à história de Alcântara não mostra o exato momento em que a atividade turística começou a ser explorada no município, mas alguns autores relatam que já no início do século XIX algumas famílias ilustres da província escolhiam a cidade no verão para descansar.
O Maranhão possui atualmente 10 pólos turísticos, entre eles estão: Polo São Luís, Polo Parque dos Lençóis, Polo Chapada das Mesas, Polo Delta das Américas, Polo Floresta dos Guarás, Polo Cocais, Polo Amazônia Maranhense, Polo Lagos e Campos Floridos, Polo Munim, Polo Serras, Guajajara, Timbira e Canela. Cada um desses pólos possui características marcantes que atraem turistas do mundo todo.
O município de Alcântara faz parte do Polo São Luís, e possui uma expressiva potencialidade turística no Estado, pelo seu conjunto arquitetônico, pelas suas manifestações culturais, pelas suas belezas naturais, e também por abrigar em seu espaço geográfico a mais moderna base de lançamento de foguetes da América Latina, o Centro de Lançamento de Alcântara que desenvolve projetos de alta tecnologia, e se constitui como boa alternativa para o desenvolvimento do turismo na localidade.
Figura 3-Centro de Lançamento de Alcântara
Fonte: Própria (2013)
A análise do potencial turístico do município de Alcântara demonstra que existe uma série de aspectos extremamente positivos capazes de atrair e satisfazer uma
ampla demanda de turistas que tenham interesse em visitar a região. Os aspectos mais relevantes que podem auxiliar a geração de maior competitividade ao município estão ligados à:
• A proximidade da capital São Luís;
Figura 4- Vista panorâmica do cais da Praia Figura 5- Catamarã: embarcação utilizada na travessia
Fonte: Google Fonte: Google
O município de Alcântara possui uma localização privilegiada dentro do Estado do Maranhão. Fica próximo à capital São Luís e de diversas outras cidades da baixada, além de possuir acesso tanto por via marítima quanto terrestre.
• Seus atrativos naturais;
Figura 6 - Guará: ave de plumagem vermelha Figura7 - Passeio de canoa pelos igarapés.
Típica da região
Fonte: Cedida pelo Sr.Peó. Fonte: Cedida pelo Sr.Peó.
A oferta do município foi identificada como rica no que diz respeito aos atrativos naturais, mostrando-se como boas alternativas para a prática do turismo de
natureza e de aventura. A maior parte dos turistas tem procurado contato com a natureza agreste, pouco afetada pelo ritmo acelerado das grandes cidades.
O município tem cerca de 70 quilômetros de praias desertas cercadas de pedras e trilhas, uma das mais conhecidas é a da Baronesa, onde se localizam bares e pousadas. Ainda é possível conhecer outras praias e ilhas utilizando canoas e barcos para fazer a travessia. Como exemplo a ilha do Livramento, um recanto deserto, que ainda preserva uma natureza intocada pelo homem, e a ilha do Cajual, um importante sítio arqueológico do Maranhão.
Figura 8-Praia de Itatinga
Fonte: Própria (2013).
• Produção Cultural Associada ao Turismo, principalmente o artesanato que é produzido pelos autóctones;
Figura 9- Artesanato produzido na Figura 10- Produção de farinha Quilombola Itamatatiua. para subsistência
Fonte: Google. Fonte: Google
Alcântara se destaca ainda pelas diversas comunidades quilombolas, que
vivem no interior, como é o caso do Cajueiro, Ponta D’Areia, Itamatatiua, entre outras, que preservam a riqueza de suas tradições através dos tempos. As comunidades quilombolas se estabeleceram no interior de Alcântara vindas das fazendas de cana-de-açúcar. Hoje são pontos turísticos da cidade e sobrevivem da agricultura, pecuária, extrativismo e do turismo.
• Patrimônio Histórico e Cultural representados pelas edificações e saberes populares. Figura 11-A Praça da Matriz Figura 12-A imponência dos casarões coloniais
Fonte: Google. Fonte: Google.
Com 5.000 habitantes, ¼ do total do município, a sede de Alcântara possui área de 19,7km² e perímetro urbano aproximado de 5,5km, está implantada em terreno de grandes desníveis que, em sua cota mais alta, no platô da Praça da Matriz, alcança 32 metros sobre o nível do mar. Graças à estagnação econômica, ao abandono e isolamento geográfico, a cidade conserva, há mais de 200 anos, a integridade do seu traçado colonial, tendo como principal destaque seu conjunto arquitetônico com inúmeras edificações e ruínas de valor histórico-cultural, considerado o maior conjunto homogêneo de prédios existentes no país datado do século XVII e XVIII (ALMEIDA, 2006).
• As manifestações culturais;
Figura 13-O Altar na Casa do Divino Figura 14-Cortejo tradicional na Festa do Divino
Fonte: Google Fonte: Google
A cidade de Alcântara possui um vasto calendário festivo, tanto na área urbana como nas diversas comunidades quilombolas as atrações são as festas tradicionais, entre elas se destacando a Festa do Divino, onde toda riqueza dos tempos do império é relembrada na figura do Imperador, vassalos, e mordomos. Durante o
festejo são realizadas ladainha, procissões e distribuição de comida nas casas de festa. As comemorações acontecem durante 11 dias, com o auge no chamado Domingo de Pentecostes, 50 dias depois da Páscoa. Há também danças folclóricas como o Tambor de Crioula, que trazem, sazonalmente, milhares de turistas à sede do município.
Outras festas religiosas que ocorrem em Alcântara são a Festa de Nossa Senhora do Livramento e a festa de São Benedito, que é realizada no mês de agosto na igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (RELATÓRIO DE IMPACTO AMBIENTAL DO COMPLEXO TERRESTRE CYCLONE-4).
• A gastronomia local.
Figura 15-Culinária: doce de espécie Figura 16 - Culinária: camarões fritos
Fonte: Google Fonte: Google
Alcântara é uma cidade que preserva uma culinária rica e diversificada a base de frutos do mar e mariscos, seus pratos são preparados com temperos típicos e regionais que completam a arte da cozinha alcantarense. Vale ressaltar outra iguaria local, o delicioso doce de espécie produzido pelos autóctones, uma peculiaridade da comunidade.
Embora o ramo de turismo seja considerado prioritário pela administração municipal como instrumento de geração de empregos, renda e desenvolvimento da região, a infraestrutura existente para o desenvolvimento dessa atividade não é satisfatória.
O serviço de transporte por via marítima (feito por barcos, lanchas e catamarãs) ainda é feito de forma precária, boa parte das embarcações ainda são bem arcaicas e desconfortáveis, o que acaba transmitindo insegurança aos passageiros. Por via terrestre, apesar de a estrada oferecer boas condições de tráfego, o serviço de transporte ainda é feito de forma bastante tímida por ônibus e vans que se limitam a fazer poucas viagens ao dia.
O setor de hospedagem também apresenta algumas fragilidades, tanto pela quantidade de estabelecimentos (pouco mais de uma dezena de pequenas pousadas), o que é considerado insuficiente principalmente nos períodos de alta estação, como na
qualidade dos serviços ofertados, onde problemas relacionados a estrutura física das instalações, precificação, ausência de mão de obra qualificada, entre outros, que acabam se constituindo grandes entraves ao desenvolvimento da atividade turística no município.
Outra questão bem relevante é a ausência de espaços culturais para realizações de eventos, frequentemente seminários, palestras, convenções etc., são realizados no salão paroquial, no antigo cinema da cidade, em salas reservadas dos museus ou até mesmo em pequenas associações, todos eles com pouca capacidade para receber eventos de grande porte, esse tipo de limitação acaba levando a cidade a perder espaço para a concorrência.
Sem falar das opções de lazer e entretenimento, é certo de que a cidade por si só já é um convite ao lazer e descanso, mas mesmo visitantes mais ecléticos depois de conhecer o centro histórico, museus igrejas, fontes, praias e restaurantes, buscam conhecer um pouco mais da cultura local, e anseiam por ver a apresentação de grupos folclóricos e danças tradicionais, mas infelizmente isso acaba gerando um tipo de frustração porque a maioria desses grupos só se apresentam em festas periódicas, contribuindo significativamente para o chamado turismo de “bate e volta”, porque a falta de opção de entretenimento, leva o visitante a antecipar a sua volta imediata para a capital onde as opções são mais vastas.