1 O CONTEXTO INVESTIGADO: A CPE/OSESP
1.2 Atividades e materiais desenvolvidos em 2001 e 2002
As duas primeiras figuras adiante apresentam as atividades e materiais propostos para 2001 e 2002. Na primeira (Figura 333), os quadros de atividades de cada Programa são separados e, visualmente, as linhas de contorno são mais densas – o que denota a especificidade das atividades em cada Programa. Por exemplo, foi realizado um único
workshop para atender aos professores que haviam inscrito suas escolas em todos os onze eventos didáticos, enquanto os cursos eram desvinculados destes eventos. Nesta época a CPE/Osesp não vinculava a vinda das escolas nos eventos com a participação de um professor nos cursos – isto é, ele não necessariamente representava sua escola. Por isso, ocorriam três formas de participação: professores participavam nos cursos e escolas nos eventos didáticos; os professores participavam apenas nos cursos; e as escolas participavam dos eventos didáticos sem enviar um dos seus professores aos cursos – neste caso, os professores participavam apenas dos workshops.
Figura 3: Atividades da CPE/Osesp (2001-2002) (versão 1)
Na Figura 444, que representa as mesmas atividades e materiais, há uma pequena modificação no sentido de detalhar o conteúdo de cada Programa – como a subdivisão observada no Programa Formação de Público em atividades diferenciadas: palestras nas escolas e concertos didáticos. Começam a ser mencionadas atividades complementares e as
Programa Editorial Programa Formação de Professores: Cursos de Educação Musical Continuada
A Orquestra é a minha Cara
Programa Formação de Público: Crianças na Osesp
Programa Tecnológico: Portal Educativo-musical Publicações CPE & Editora Moderna - Cursos Anuais (Módulos) - Módulos Avulsos - Cursos Intensivos a) Primeira Infância b) 1ª a 4ª séries c) Prof. de Artes Software Composição Software Apreciação Ensaio Geral da Osesp
Publicações avulsas e relatórios Workshop para os professores Músicos da Osesp nas
Escolas Projeto Desenvolvi- mento e Avaliação de um Portal Educativo-Musical – DAPEM. Apoio: CNPq;equipes: CPE, LSI/EPUSP e II- IA/UFRGS)
parcerias e apoios alcançados no período, como as do Laboratório de Sistemas Integráveis da Escola Politécnica da USP, do Instituto de Informática da UFRGS, do Instituto de Artes e do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ed. Musical) do Programa de Pós- graduação em Música da UFRGS, da Editora Moderna e do CNPq. Mas não há indícios visuais e práticos sobre a desejada interligação entre os Programas.
Figura 4: Atividades da CPE/Osesp (2001-2002) (versão 2)
Como parte do Programa Formação de Professores foi implantado, em 2001, o primeiro curso, em caráter de estudo piloto. Foram estabelecidos alguns princípios norteadores visando uma identidade comum a todos os módulos em termos pedagógicos, filosóficos e socioculturais. Estes princípios eram repassados aos docentes após o aceite.
Os professores participantes devem ser instrumentalizados para atuarem como mediadores e facilitadores do processo de ensino e aprendizagem musical de seus alunos, o qual tem origens em espaços não escolares. Os Cursos de Formação Musical Continuada para Professores do Ensino Básico da Osesp têm como princípio a ampliação da consciência do professor sobre a própria prática, através dos processos de reflexão na ação e reflexão sobre a ação (SCHÖN, 2000).
A formação musical estará centrada no princípio da ampliação do universo musical do aluno, pelo envolvimento direto com música por meio da composição/improvisação, execução e apreciação, a partir de um repertório diversificado.
Serão preconizadas as tendências pedagógico-musicais, psicológicas, sociais e filosóficas mais recentes, que sejam fundamentadas em pesquisas nestas áreas. Desta forma, pretende-se oferecer o contato com as principais perspectivas na Educação Musical brasileira e estrangeira. (documentação interna CPE/Osesp, 2001)
Os docentes também receberam algumas orientações adicionais aos princípios P Prrooggrraammaa E Eddiittoorriiaall Séries de livros para: - professores - crianças e adolescentes P PrrooggrraammaaFFoorrmmaaççããooddee P Prrooffeessssoorreess
Cursos de Educação Musical Continuada
- Cursos Anuais (8 Módulos) - Módulos Avulsos
- Seminários de Educação Musical
Focos dos Cursos: a) Primeira Infância b) 1ª a 4ª séries c) Prof. de Artes
A
Attiivviiddaaddeessccoommpplleemmeennttaarreess
- Produção de publicações avulsas, como artigos e relatórios para revistas, periódicos e outros meios científicos;
- Participação em eventos (científicos ou não) nacionais e internacionais, nas áreas de música, educação, educação musical, tecnologia, entre outros; - Ações de sensibilização junto a órgãos governamentais e instituições de apoio;
- Elaboração de material de divulgação nacional e internacional dos Programas (pôsteres, artigos como base para publicações em jornais e revistas, etc.) Concertos Didáticos para
Escolas:
A Orquestra é a minha Cara
Públicos atendidos: - crianças de 7 a 10 anos - adolescentes acima de 11 anos (elaboração e disponibilização de material de apoio para preparação e continuidade) P PrrooggrraammaaFFoorrmmaaççããooddeePPúúbblliiccoo Palestras dos Músicos da Osesp nas Escolas Público atendido: - turmas dos professores inscritos nos Cursos P Prrooggrraammaa T Teeccnnoollóóggiiccoo - Portal EduMusical - Software para Composição Musical - Software para Apreciação Musical Projeto DAPEM: - apoio: CNPq - parcerias: LSI/EPUSP e II-IA/PPGMus-UFRGS Parcerias: NEPEM (PPGMúsica- UFRGS) & Editora Moderna
pedagógicos que deveriam ser considerados no planejamento:
Escolher os temas para o trabalho não somente pela sua importância no âmbito educativo-musical, mas também pelo seu grau de compreensão intelectual, social, política e cultural.
Oportunizar a participação de todos os alunos do Curso nas atividades planejadas.
Procurar articular a teoria e prática pedagógico-musical durante a execução dos Cursos.
Visar, em primeiro lugar, a integração das atividades de execução, composição e apreciação musical e, quando necessário, complementá-las com aspectos literários e técnicos relacionados ao tema abordado.
Demonstrar a importância de trabalhar com um repertório amplo que vá desde as músicas vivenciadas pelas crianças nos ambientes não escolares até, se possível, as músicas de outras sociedades e/ou culturas.
Utilizar, preferencialmente, alguns trechos de músicas orquestrais executadas pela Osesp na semana de seu Módulo, e obras de outros grupos musicais brasileiros e estrangeiros. Em 2001, esta experiência demonstrou que os professores sentem-se mais motivados e musicalmente conscientes ao assistir, após as aulas, o concerto da Osesp (isto porque, para muitos, esta é sua primeira experiência de apreciação ao vivo deste gênero musical).
Procurar construir pontes entre a música da Osesp e os diferentes estilos e gêneros musicais encontrados no país (música erudita com música popular, folclórica, regionalista, etc.). (documentação CPE/Osesp, 2001)
Em termos práticos, para viabilização e organização do trabalho, a CPE/Osesp solicitava que os docentes observassem, entre outras, as seguintes orientações:
O repertório dos Concertos da Osesp estaria disponível em CD e partituras (no seu Centro de Documentação Musical ou, em alguns casos, em livrarias), por isso poderiam ser enviados trechos gravados e cópias parciais das obras aos docentes para o preparo das atividades. Poderiam ser agendados grupos de crianças para participar em determinados horários, visando a exemplificação de atividades práticas.
A CPE/Osesp deveria receber cópia das transparências e textos utilizados em aula, referências do material de apoio utilizado (CDs, vídeos, etc.) e o plano de aula. Os materiais poderiam ser solicitados pelos docentes dos Módulos seguintes objetivando certa unidade pedagógica/temática e evitada a repetição de atividades. Também seriam disponibilizados para acesso e documentação do Curso. Poderiam ser trazidos ou indicados CDs e publicações próprias ou relacionadas para venda aos alunos do Curso (aos cuidados do docente).
Todos precisariam realizar a auto-avaliação e avaliação do Curso conforme Ficha específica entregue no final das suas aulas. (baseado na documentação CPE/Osesp, 2001)
Para o conhecimento do perfil dos participantes dos cursos, foram criados múltiplos instrumentos de coleta de dados. Conforme mencionado, foi realizado um mapeamento sobre a situação da educação musical nas escolas públicas estaduais para subsidiar a criação dos Programas. Depois, foi criado outro questionário a ser preenchido na inscrição dos cursos. Porém, a redundância de algumas solicitações levou à inclusão de um
questionário semiestruturado na ficha de inscrição a ser preenchida pelo interessado. Para a avaliação dos cursos foram criados dois instrumentos: (a) questionário semi- estruturado para os professores participantes: autoavaliação, avaliação do Módulo, do professor e da organização do Curso; e (b) questionário semiestruturado para os docentes: avaliação do Módulo ministrado, da organização e logística do Curso e dos professores participantes. As análises eram quantitativas e qualitativas.
O questionário para os professores participantes tinha cunho quantitativo e qualitativo, composto por “categorias com opções de respostas” (NEWMAN e BENZ, 1998, p.193). O mesmo foi dividido em três categorias: Corpo docente e discente; Dinâmica do Módulo (avaliação da equipe organizadora) e Avaliação aplicada. As questões investigadas na categoria “I – Corpo Docente e Discente” eram: adequação do conteúdo aos objetivos do Módulo; nível de aprofundamento dos conteúdos; adequação das atividades práticas aos objetivos do Módulo; material didático utilizado pelo docente e disponibilizado aos alunos; relacionamento entre o docente e os alunos; e nível de participação e interesse dos alunos. Na categoria II, “Organização e infraestrutura”, eram investigadas: organização geral; infraestrutura de apoio; e atendimento aos participantes.
O questionário semiestruturado para os docentes dos Módulos (adaptado de SANTOMÉ, 1998), de cunho qualitativo, investigava: percepção do público envolvido; grau de participação e reações dos participantes – comentários sobre as atividades realizadas; ações empreendidas para motivar e manter o interesse dos participantes; avaliação do desempenho como professor do Módulo; procedimentos e conteúdos trabalhados; interações com os participantes; elementos que apresentaram melhores resultados; dificuldades encontradas; sugestões para o professor do Módulo subseqüente; e análise das metas e expectativas quanto ao Módulo e ao Curso. Ele foi aplicado apenas nos dois primeiros anos, e o próprio questionário para os professores participantes também sofreu alterações nos anos subsequentes visando maior concisão na coleta e otimização do tempo de análise dos dados.
A partir dos dados coletados, eram aprimorados alguns aspectos nos Cursos em andamento. Alguns fatores (como questões de infraestrutura ou logística) eram encaminhados a outros setores da Osesp, para que pudessem verificar a viabilidade das modificações apontadas pelos professores participantes. Estes dados também eram incluídos nos relatórios para a homologação dos cursos junto a CENP/SEE, e eventualmente, consistiam em solicitações dos professores participantes relacionadas ao
seu trabalho escolar, à carga horária dos cursos, entre outros aspectos.
É interessante notar que os programas foram concebidos de forma integrada, porém, na prática, havia pouca integração entre os cursos do Programa Formação de
Professores e os eventos didáticos do Programa Formação de Público, principalmente devido ao repertório trabalhado com os professores e a visão, na época, de uma formação educativo-musical mais abrangente, não voltada apenas ao escopo da orquestral. Por isso, no primeiro ano em que foram realizados concertos didáticos (2002), foi marcada apenas uma reunião onde foram apresentados alguns pontos de um material teórico-prático sobre o repertório dos eventos, bem como alguns aspectos organizacionais.