1 O CONTEXTO INVESTIGADO: A CPE/OSESP
1.5 Atividades e materiais desenvolvidos em 2005
Em 2005, os Programas Formação de Professores e Formação de Público foram agrupados no Programa Descubra a Orquestra (Figura 6), apesar de ser mantido o nome “Programa” em cada um dos componentes ou vertentes. O Descubra a Orquestra também incluiu o recém-criado Programa Atividades na Osesp, derivado da extinta vertente
Músicos da Osesp nas Escolas que, por sua vez, fez parte do Programa Formação de
Público em 2001-2002. A ampliação da parceria com as orquestras incluiu a Orquestra Filarmônica de São Caetano do Sul e a TUCCA – Associação para Crianças e Adolescentes com Tumor Cerebral, que também realiza concertos didáticos para crianças.
A partir deste momento, todas as atividades e materiais foram realmente integrados em termos organizacionais e de conteúdo. Como exemplo, as normas organizacionais
Programa Editorial
Negociação e preparação técnica da 2a
edição dos livros para professores lançados em 2003 (parceria Ed.
Moderna):
Avaliação em música: reflexões e práticas
Ensino de música: propostas para pensar e agir em sala de aula Ensinando música musicalmente Preparativos para edição de livros infanto-juvenis sobre música orquestral
Programa Formação de Professores
2 Cursos sobre o trabalho com música orquestral em sala de aula
Atividades Complementares
Apresentações dos trabalhos realizados, com publicações, em eventos científicos (na área de educação musical) e culturais de âmbito nacional e latino-americano;
Ações de sensibilização junto a órgãos governamentais e instituições de apoio.
Programa Formação de Público
10 Ensaios Gerais Abertos (EGAs) da Osesp
12 Concertos Didáticos (DIDs) de orquestras convidadas (Orq. Sinf. da USP - OSUSP e Orq. Sinf. de Santo André - OSSA)
18 Programas de ensaio/concerto para o público 3 Workshops sobre música orquestral para professores Material didático-pedagógico para professores (apostilas para preparação e
continuidade dos trabalhos nas escolas)
Públicos: alunos e professores do ensino básico e de música, adultos, terceira idade e famílias
ressaltavam que a relação da CPE/Osesp não seria mais pessoal ou individual (com o professor), porém institucional (com a escola): “ao inscrever-se em um evento didático, a escola automaticamente inscreverá um professor em um workshop ou em um curso” (normas organizacionais, CPE/Osesp 2005).
Figura 6: Programa Descubra a Orquestra (2005)26
Os Cursos foram destinados apenas às escolas estaduais, devido à parceria firmada entre a Fundação Osesp e a Secretaria de Estado da Educação e também à intenção de realizar um estudo-piloto para inclusão da EaD aos cursos, o que requereria um número menor de participantes e de atividades para acompanhamento e avaliação visando ampliação no ano seguinte. Os professores das demais instituições (escolas municipais e particulares, instituições socioculturais ou beneficentes) participavam dos workshops tendo, portanto, carga horária mais reduzida e sem atividades a distância. As apostilas para os professores participantes procuravam demonstrar alguma diferenciação para atender ao nível de conhecimento musical (leigos ou com alguma formação musical formal), porém, tal diferenciação não foi possível na íntegra devido aos critérios gerais de seleção acima mencionados. O público dos eventos didáticos recebia os “folders” ou, como também chamados, programas de concerto, organizados segundo a faixa etária dos alunos e o repertório dos eventos, bem como a partir do material dos cursos e outros.
26 EGAs: Ensaios Gerais Abertos, DIDs: Concertos Didáticos; OSESP: Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo;
OSSA: Orquestra Sinfônica de Santo André; OSUSP: Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo; OFSCS:
Orquestra Filarmônica de São Caetano do Sul.
Atividades na Osesp Formação de Público 7 EGAs Osesp 8 DIDs Osusp 4 DIDs Ossa 4 DIDs Ofscs 4 DIDs SF/Tucca
7 EGAs Osesp 3 Gincanas musicais 6 Fazendo música na
Osesp Ensino Básico e público
em geral Ensino Médio 5ª a 8ª séries do Ens. Fundamental 8 Apostilas 1ª a 4ª séries do Ens. Fundamental Jardim e Pré-escolas e 1ª a 3ª séries do Ens. Fundamental Cursos e Workshops
(1 Curso e 1 Workshop por faixa etária) 4 Programas/folders de concerto Materiais de apoio audiovisual Formação de Professores Ensino Básico e de Música Música e público em geral
Os workshops foram novamente agregados ao Programa Formação de Professores, como pode ser visto na figura anterior, onde a interligação de toda a programação para os professores participantes com o Programa Formação de Público aparece no elo entre cada título de vertente. Naquele ano, houve também uma tentativa de oferecer eventos específicos (Ensaios gerais abertos da Osesp) para alunos de cursos superiores e básicos de música e o público interessado em geral. Como as parcerias com as universidades não foram concretizadas, as propostas foram suspensas voltando-se ao formato dos eventos didáticos para o ensino básico. Os materiais de apoio (apostilas, programas/folders didáticos e materiais de apoio audiovisual) também aparecem interligados entre si e com as atividades. Isto porque primeiramente eram confeccionadas as apostilas dos cursos, que compilavam as informações teórico-práticas para os professores e também informações sobre as obras de cada evento. Depois (ou concomitantemente), o material subsidiava a elaboração dos programas/folders didáticos para os alunos (Programa Formação de
Público) e algumas vezes também as Gincanas e os Fazendo Música na Osesp do
Programa Atividades na Osesp.
Além da integração de cursos e workshops, em 2005 o público-alvo foi atendido de acordo com seu vínculo de trabalho: os cursos foram destinados aos professores da rede estadual de ensino e workshops para os demais (rede municipal, escolas particulares, instituições socioculturais, etc.). Esta organização visou contemplar a parceria efetivada com a Secretaria de Estado da Educação. Assim como os eventos didáticos para os alunos, os cursos e workshops foram organizados em quatro faixas etárias tanto para os alunos quanto para os professores: (a) pré-escola, jardins de infância e de 1ª a 3ª séries, (b) 1ª a 4ª séries, (c) 5ª a 8ª séries e (d) ensino médio. Cada curso ou workshop atendeu professores de seis a oito eventos didáticos, de acordo com o repertório destes e também as faixas etárias.
Cabe ressaltar que a integração entre os eventos didáticos, cursos e workshops sempre implicou em alguns cuidados adicionais na organização e distribuição das atividades para os professores participantes: o primeiro Módulo deveria ser no mínimo uma ou duas semanas antes do primeiro evento didático e o segundo Módulo (ou a reunião de encerramento) no mínimo uma ou duas semanas depois do último. Isto porque se considerou necessário que os professores preparassem seus alunos para os eventos didáticos antes de comparecerem aos cursos, e também que, ao final do semestre, tivessem tempo hábil para incluir o relato da vinda dos alunos aos eventos no trabalho de aplicação. Na prática, tal organização foi extremamente difícil, pois dependia da compatibilidade de
diversos fatores, como datas das orquestras, calendário escolar, disponibilidade do Salão Nobre e das salas de ensaio na Osesp para a realização dos cursos ou workshops e da Sala São Paulo para os eventos didáticos. Além de observar a compatibilidade das agendas da Osesp (ensaios e apresentações da orquestra, coro, grupos de câmara; eventos de patrocinadores ou colaboradores e outros), também deveriam ser observados os repertórios executados em cada um dos eventos didáticos, buscando, dentro das possibilidades, oferecer os eventos de acordo com o repertório que pudesse ser mais adequado para cada faixa etária. Também era observada a disponibilidade de agenda e a proposta de repertório das orquestras parceiras.
Como nos anos anteriores, tanto nos cursos quanto nos workshops inscreviam-se professores com e sem formação musical. A CPE/Osesp entendia estes últimos como aqueles que não possuíam conhecimento formal de música obtido em conservatórios ou faculdades, ou que haviam cursado licenciaturas em educação artística e não trabalhavam habitualmente com música, tendo pouco conhecimento específico. Foi prevista uma oficina preparatória específica para professores sem formação musical (vide figura adiante), sendo o conteúdo voltado às atividades educativo-musicais – uma vez que os conhecimentos e conceitos musicais poderiam ser desenvolvidos, se houvesse interesse, em escolas de música. Além disso, queria-se demonstrar e difundir o referencial pedagógico adotado.
Figura 7: Proposta inicial de cursos e workshops (2005)
Cursos Workshops
Módulo 1
Aulas presenciais 16 h/a (inclui concerto)
Módulo 2
Acompanhamento da prática em sala de aula via EaD - 4 h/a
Evento didático
Alunos e professores na Sala São Paulo - 4 h/a
Módulo 4
Aulas presenciais - 16 h/a
Módulo 3
Acompanhamento via EaD - 4 h/a
Reunião de encerramento
4 h/a
Módulo 5
Acompanhamento via EaD - 4h/a
Workshop sobre música orquestral
Aulas presenciais - 8 h/a
Oficina preparatória
(apenas para professores leigos em música) Aulas presenciais - 10 h/a
Escolas municipais, particulares e instituições
Escolas estaduais (e outras caso haja vagas)
Evento didático
Alunos e professores na Sala São Paulo - 4 h/a
Reunião de encerramento
4 h/a
No entanto, a realização do Programa Descubra a Orquestra estava condicionada à celebração da parceria entre a Fundação Osesp e a Secretaria de Estado da Educação (via FDE – Fundação para o Desenvolvimento da Educação – e CENP), o que ocorreu um pouco depois do previsto devido aos trâmites legais. Assim, o início da programação foi postergado, levando ao cancelamento da oficina e adiamento do primeiro evento didático. Como se pode observar, algumas questões políticas e de gestão também interferiram na elaboração, realização e condução das atividades.
Para cada Módulo presencial dos cursos, foi convidado um educador musical (docente) especialista na área de atuação. Os workshops foram ministrados pela equipe da CPE/Osesp. A última etapa foi uma “reunião de encerramento”, conduzida apenas pela equipe da CPE/Osesp visando uma avaliação global das atividades e trabalhos dos professores em suas escolas e do Programa. No entanto, infelizmente é possível que esta caracterização tenha diminuído a importância deste momento e, por isso, muitos participantes não compareceram. Além disso, também as “reuniões de encerramento” do primeiro semestre haviam sido inicialmente programadas para o final do ano. Mas, no início dos cursos, optou-se por realizar as “reuniões de encerramento” do primeiro semestre no mesmo período. Apesar da intensa divulgação da mudança, muitos professores ausentes também alegaram desconhecimento ou impossibilidade de comparecer devido a compromissos na nova data.
Em 2005, os cursos foram progressivamente modificados para promover maior interação entre os professores participantes e entre eles e os docentes – por isso da inclusão da EaD (KRÜGER & HENTSCHKE, 2003; KRÜGER & MARTINEZ, 2004; e KRÜGER & NARITA, 2007). A inclusão da EaD veio ao encontro da solicitação dos próprios professores participantes, que se sentiam isolados em suas práticas nas escolas e queriam trocar ideias com seus colegas, para conhecer o que outros realizavam e os respectivos resultados. Ao mesmo tempo, eles consideravam importante que os docentes acompanhassem o seu trabalho, fazendo observações e dando encaminhamentos e sugestões, e não apenas emitindo um parecer após a entrega do trabalho de aplicação quando todo o trabalho já havia sido realizado. Da parte da CPE, tal acompanhamento seria um incentivo para a realização de atividades musicais propriamente ditas, principalmente pelo fato de que a maioria dos professores participantes era leiga em música e as atividades presenciais eram muito reduzidas se comparadas às necessidades.
destinadas aos professores da rede estadual. Devido à carga horária presencial ser muito maior do que a carga horária a distância (40 e 8 horas, respectivamente), os cursos foram caracterizados como “cursos presenciais com suporte na tecnologia digital”, ou seja, na EaD (KRUGER, 2006, p.81). Estes cursos foram considerados como piloto para a implementação da EaD nos demais a partir de 2006.
A carga horária entre workshops e cursos também foi significativamente diferente, não apenas devido ao fato dos cursos já incluírem atividades a distância, mas também pelo número reduzido de Módulos presenciais nos workshops. Em ambas as atividades, também fizeram parte da carga horária os eventos didáticos para os alunos e os concertos na Sala São Paulo, tendo em vista o fortalecimento da experiência com música orquestral dos professores e a integração de todas as atividades da CPE/Osesp.
No Curso 1 de 2005 (primeiro semestre), os professores participantes apenas foram brevemente orientados sobre as possibilidades de interações a distância pelo TelEduc durante o primeiro Módulo, visto que não foi possível disponibilizar um computador para acesso presencial, mas suspeitava-se que eles teriam uma certa “facilidade” para as atividades a distância. Como tal hipótese não se confirmou, tendo sido percebidos vários problemas nesta área, a partir do Curso 2 (e inclusive nos Cursos 3 e 4) os professores foram conduzidos à sala da CPE/Osesp e supervisionados em seu primeiro acesso e configurações iniciais do TelEduc. Esta conduta mostrou-se um pouco mais efetiva, pois levou a um número proporcionalmente bem menor de problemas técnicos individuais e um número geral de acessos maior à ferramenta.