5 ANÁLISE DOS RESULTADOS
5.1 Caracterização das indústrias brasileiras exportadoras de calçados
5.1.1 Atividades exercidas no mercado internacional
As principais atividades exercidas no mercado internacional são: exportação, importação, contrato de produção, subsidiárias no exterior e outros. A Tabela 11 mostra as atividades exercidas no mercado internacional nos três momentos analisados: momento de entrada, situação atual (2005) e futuro (2010). Como as empresas podem realizar duas ou mais atividades no mercado internacional ao mesmo tempo, o somatório das respostas não corresponde ao total de 15 empresas.
Tabela 11. Atividades exercidas no exterior pelas empresas brasileiras do setor calçadista no momento de entrada no mercado internacional, na situação atual (2005) e no futuro(2010).
Momento de Entrada Situação Atual (2005) Futuro (2010) Atividades exercidas no
exterior Quant. % Quant. % Quant. %
1- exportação 14 100,0 15 100,0 14 93,3
2- importação 3 21,4 7 46,7 7 46,7
3- contrato de produção 0 0,0 0 0,0 2 13,3 4- subsidiária no exterior 1 7,1 3 20,0 4 26,7
5- outras 0 0,0 0 0,0 1 6,7
Fonte: Pesquisa de Campo.
No momento de entrada, as principais atividades exercidas no mercado internacional pelas empresas do setor calçadista brasileiro são: exportação e importação, representando 100% e 21,4% das atividades, respectivamente. Nenhuma empresa entrou no mercado internacional desenvolvendo atividades por meio de contrato de produção, contudo, uma empresa já iniciou suas atividades com uma subsidiária no exterior.
Na situação atual as exportações também são realizadas por 100% das empresas. As importações tiveram um aumento em relação à entrada das empresas no mercado internacional, passando a ser utilizadas por 46,7% das empresas. Também houve um aumento em relação às subsidiárias no exterior, passando a ser utilizadas por 20% das empresas.
Nenhuma empresa desenvolveu atividades no exterior por meio de contratos de produção.
No futuro pretende-se reduzir um pouco as exportações, passando a ser utilizadas por 93,3% das empresas. As importações mantiveram o mesmo percentual da situação atual, 46,7%, contudo, 13,3% das empresas pretendem iniciar a desenvolver contratos de produção.
Além disso, houve um aumento em relação às subsidiárias no exterior e outros, passando a ser utilizadas por 26,7% e 6,7% das empresas.
5.1.2 Estratégias de internacionalização
As estratégias de internacionalização utilizadas no estudo, seguiram classificação de Sharma e Erramilli (2004) e foram divididas em: (1) exportação indireta, (2) exportação direta via intermediários do país hospedeiro, (3) exportação direta via canais próprios da empresa, (4) modo contratual (franchising, licenciamento ou contrato de produção), (5) joint venture de comercialização, (6) joint venture de produção, (7) subsidiária própria no exterior por meio de aquisição e (8) subsidiária própria no exterior começando do zero (Greenfield). A Tabela 12 apresenta o perfil das empresas do setor calçadista brasileiro em relação à utilização das estratégias de internacionalização nos três momentos analisados: momento de entrada, situação atual (2005) e futuro (2010).
Tabela 12. Estratégias de internacionalização utilizadas pelas empresas brasileiras do setor calçadista no momento de entrada no mercado internacional, na situação atual (2005) e no futuro(2010).
Momento de Entrada Situação Atual
(2005) Futuro (2010) Estratégia de Internacionalização Quant. % Quant. % Quant. % 1- Exportação indireta 7 50,0 6 40,0 5 33,3 2- Exportação direta via
intermediários do país hospedeiro 6 42,9 7 46,7 6 40,0 3- Exportação direta via canais
próprios da empresa 1 7,1 8 53,3 9 60,0
4-Modo contratual (franchising, licenciamento ou contrato de
produção) 0 0,0 1 6,7 3 20,0
5- Joint venture de produção 1 7,1 0 0,0 0 0,0
6- Joint venture de comercialização 0 0,0 0 0,0 0 0,0
7- Subsidiária própria no exterior
por meio de aquisição 0 0,0 1 6,7 1 6,7 8- Subsidiária própria no exterior
começando do zero (Greenfield) 1 7,1 3 20,0 4 26,7 Fonte: Pesquisa de Campo.
No momento de entrada no mercado internacional, as estratégias mais utilizadas foram:
exportação indireta e exportação direta via intermediários do país hospedeiro, correspondendo
a 50% e 42,9%, respectivamente. Entretanto, também foram citadas as estratégias exportação direta via canais próprios da empresa, joint venture de produção e subsidiária própria no exterior começando do zero (Greenfield). Como as empresas podem utilizar duas ou mais estratégias de internacionalização ao mesmo tempo, o somatório das respostas não corresponde ao total de 15 empresas.
Na situação atual, com o início da crise no setor, a partir do segundo semestre de 2005, as estratégias de internacionalização mais utilizadas pelas empresas foram: exportação direta via canais próprios da empresa, exportação direta via intermediários do país hospedeiro e exportação indireta, correspondendo a 53,3%, 43,7% e 40%, respectivamente, contudo, também foram utilizados os modos contratuais (franchising, licenciamento ou contrato de produção), subsidiária própria no exterior por meio de aquisição e subsidiária própria no exterior começando do zero (Greenfield).
No futuro, as empresas pretendem utilizar as seguintes estratégias: exportação direta via canais próprios da empresa, exportação direta via intermediários do país hospedeiro, exportação indireta e subsidiária própria no exterior começando do zero (Greenfield).
Também foi citada a estratégia subsidiária própria no exterior por meio de aquisição, entretanto, as empresas pretendem utilizar mais exportação direta por canais próprios, que corresponde a um total de 60% das respostas.
No momento de entrada, não foram utilizadas as estratégias: modo contratual (franchising, licenciamento ou contrato de produção), joint venture de comercialização, subsidiária própria no exterior por meio de aquisição e outras. Na situação atual, as empresas não estão utilizando as estratégias joint venture de produção e joint venture de comercialização e também não pretendem utilizá-las no futuro.
As empresas brasileiras do setor calçadista, ao entrarem no mercado internacional, optaram principalmente pelas estratégias de exportação indireta e exportação direta via intermediários do país hospedeiro. Na situação atual, houve uma redução na exportação indireta, sendo mais utilizadas, nesse momento, a exportação direta via intermediários do país hospedeiro e exportação direta via canais próprios da empresa, contudo, com um aumento na utilização de subsidiária própria no exterior começando do zero (Greenfield).
No futuro, pretende-se utilizar mais exportação direta via canais próprios da empresa, também havendo um aumento na utilização de subsidiária própria no exterior começando do zero (Greenfield).
5.1.3 Grau de internacionalização
O grau de internacionalização foi calculado para mensurar o desempenho das empresas brasileiras exportadoras de calçados no mercado internacional. A Tabela 13 apresenta a evolução do grau de internacionalização ao longo dos três períodos: momento de entrada, situação atual (2005) e futuro (2010).
Tabela 13. Grau de internacionalização das empresas brasileiras exportadoras de calçados no momento de entrada no mercado internacional, na situação atual (2005) e no futuro(2010).
Grau de Internacionalização Empresa 10 1,68 1,87 1,89 crescente Empresa 8 * 1,86 1,86 estável Empresa 3 0,45 1,84 2,27 crescente Empresa 9 1,92 1,81 1,79 decrescente Empresa 11 1,85 1,71 1,68 decrescente Empresa 13 1,13 1,49 1,28 decrescente Empresa 1 2,11 1,48 1,45 decrescente Empresa 7 1,24 1,35 1,47 crescente Empresa 2 0,71 1,26 1,86 crescente Empresa 15 1,78 1,14 1,48 decrescente Empresa 5 1,62 1,02 1,02 decrescente Empresa 4 0,44 0,64 0,95 crescente
* - não foi informado, pois o atual gerente de exportação não tem acesso a essas informações.
Fonte: Pesquisa de Campo.
Quatro empresas não puderam dar informações sobre o momento de entrada no mercado internacional, pois os gerentes de exportação atuais não faziam parte das empresas nesse período. Desse modo, foi calculado o grau de internacionalização para todas as empresas apenas na situação atual e no futuro.
No Gráfico 5 está demonstrada a evolução do grau de internacionalização das empresas do setor calçadista no momento de entrada, na situação atual e no futuro. Algumas empresas apresentaram uma redução do grau de internacionalização ao longo dos três períodos, outras mostraram um crescimento e outras se mantiveram estáveis, indicando pequenas variações.
0,00
Momento de Entrada Situação Atual (2005) Futuro (2010)
Gráfico 5. Grau de internacionalização das empresas brasileiras exportadoras de calçados no momento de entrada, na situação atual e no futuro. Fonte: Pesquisa de Campo.
O Gráfico 6 apresenta os percentuais da evolução do grau de internacionalização das maiores empresas do setor calçadista brasileiro. Em relação aos três momentos analisados, seis empresas apresentaram redução do grau de internacionalização ao longo do tempo representando 40% do total de 15 empresas, cinco empresas mostraram crescimento no grau de internacionalização, representando 33% do total e quatro mantiveram-se estáveis, apresentando apenas uma pequena variação, representando 27% da amostra.
33%
40%
27%
Crescente Decrescente Estável
Gráfico 6. Situação do grau de internacionalização das empresas brasileiras exportadoras de calçados no momento de entrada, na situação atual e no futuro. Fonte: Pesquisa de Campo.
Das 15 empresas analisadas, apenas 33% das empresas apresentaram aumento no grau de internacionalização, enquanto que 67% mantiveram-se estáveis ou apresentaram redução nesse índice.
Isso se justifica pela crise que o setor está enfrentando desde o segundo semestre de 2005. As empresas estão reduzindo um pouco a atuação no mercado internacional e não têm perspectivas de melhoras para o futuro.