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Ato de conceber o processo de ensino aprendizagem – O Planeamento

4. Realização da Prática Profissional

4.1. Área I – Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem

4.1.2. Ato de conceber o processo de ensino aprendizagem – O Planeamento

“O ensino é criado duas vezes: primeiro na conceção e depois na realidade.” (Bento, 2003, p. 16)

Depois de conhecermos a nossa realidade, chegou a altura de realizarmos um planeamento pormenorizado e detalhado, contudo possível de ser ajustado a qualquer momento devido a condições externas que possam surgir.

Para um bom planeamento temos de ter em atenção o currículo específico da EF, para ter em conta todos os pressupostos a desenvolver e trabalhar com os alunos. Partindo do princípio que os objetivos gerais e específicos são transversais a todas as escolas, estas podem segui-lo integralmente ou não, tendo em conta as suas próprias características. Ou seja, é ajustado à realidade da escola, da turma e do próprio aluno.

4.1.2.1. Planeamento anual

Este planeamento anual serviu para estruturar e organizar o processo de ensino e aprendizagem das nossas turmas e das modalidades a lecionar ao longo do ano letivo. As modalidades são definidas consoante o roulement, sendo este planificado no início do ano letivo para posterior entrega aos professores e deste modo se organizarem, para não haver sobreposição de ocupação de espaços. Os espaços a atribuir são 5, sendo eles o P1, P2, P3, P4 (sala de dança) e o exterior (Ext). A sua distribuição pelas modalidades são P1 - Atletismo, P2 – Tag Rugby, P3 – Voleibol, P4 Ginástica – e o Ext - Andebol. Assim este processo funciona de forma rotativa, dando a oportunidade de experimentar os diferentes espaços por todos os professores. É de referir ainda que, apesar de definido o espaço pela modalidade, este pode ser ajustado por vários professores, consoante a modalidade que pretendem lecionar, não sendo obrigatório seguir a ordem atrás apresentada.

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Quanto ao planeamento anual, tive algumas dificuldades no início para perceber como o iria fazer, mas depois de iniciar correu tudo bem. No final, percebi a facilidade que foi realizá-lo uma vez que as atividades letivas e não-letivas já estavam programadas e assim foi só necessário transpor para a tabela, sendo um documento de fácil consulta.

4.1.2.2. Unidades didáticas

Este documento é essencial para delinear/conduzir o processo de ensino e aprendizagem dos alunos da minha turma. É constituído por 8 módulos pertencentes ao Modelo de Estrutura do Conhecimento (MEC), modelo proposto por Vickers (1990).

Encontra-se dividido em 3 fases, sendo estas: Fase de Análise; Fase das Decisões e Fase de Aplicação. Este encontra-se estruturado por 8 módulos estando inseridos nas diferentes fases: Fase de Análise (Módulos 1, 2 e 3); Fase das Decisões (Módulos 4, 5, 6 e 7) e Fase de Aplicação (Módulo 8).

Desta forma, os módulos representam funções e finalidades: O professor tem que ser conhecedor da atividade que ensina, através das categorias transdisciplinares do conhecimento, nomeadamente, habilidades motoras, condição física e fisiologia, conceitos psicossociais e cultura desportiva (Módulo 1); O professor tem que ter o conhecimento do envolvimento em que ensina (Módulo 2); O professor tem que conhecer os estudantes/atletas com quem vai trabalhar (Módulo 3); O professor tem que saber como organizar: os alunos numa extensão e sequência de habilidades, estratégias, conceitos e capacidades (Módulo 4); Na sequência do 4º modelo, o professor tem de definir/selecionar objetivos apropriados aos alunos e à situação (Módulo 5); O professor tem de tomar decisões sobre o tipo de avaliação a adotar e de que forma avaliar (Módulo 6); O professor tem de selecionar ou conceber as atividades de aprendizagem (progressões pedagógicas) que melhor se adaptem à sua realidade (Módulo 7); Corresponde à aplicação prática de todos os conhecimentos adquiridos nos restantes módulos (Módulo 8).

A primeira UD realizada tive imensas dificuldades principalmente para definir alguns módulos como a avaliação, os objetivos e a definição das componentes críticas para o módulo 1. Para mim tudo era importante, daí haver a necessidade de colocar tudo. À medida que ia realizando as outras UD, deparava-me que havia muita coisa para descrever e então comecei a resumir mais os conteúdos de cada matéria de ensino, colocando só o essencial e tornando-se mais fácil para posterior consulta.

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Apesar de ser o primeiro documento a elaborar para planificar a modalidade, este não é mutável, ou seja, é possível alterá-lo consoante as condicionantes da realidade ou de alguns imprevistos.

4.1.2.3. Planos de aula

Os planos de aula integram o planeamento a nível micro. É o instrumento que orienta a nossa prática pedagógica. É uma tarefa mais específica e minuciosa, dando-nos outro tipo de preocupações ao nível do planeamento pois todos os exercícios devem ir ao encontro da especificidade e características do aluno.

Este foi o nível de planeamento onde demorei mais tempo a concretizar, ou seja, era onde dedicava mais horas para a sua realização pois era necessário definir bem os objetivos, cujos os quais tinha alguma dificuldade em fazê-los e posteriormente a preocupação incidia-se sobre as componentes críticas. Inicialmente utilizava muitas componentes críticas porque achava que tudo era importante, depois comecei a ter o cuidado de ir reduzindo as mesmas de modo a centrar-me num aspeto específico e também para me orientar melhor durante a intervenção.

O plano de aula tinha uma estrutura vertical, sendo dividido em 6 colunas que para mim são as mais essenciais: parte da aula, objetivos específicos, situações de aprendizagem, organização do professor/aluno, componentes críticas e o tempo do exercício. Já o cabeçalho era constituído pelo tempo útil da aula, o espaço e o local da aula, o material e ainda os objetivos da aula.

Inicialmente os objetivos da aula eram confundidos com os objetivos específicos de cada exercício e depois de falar com o meu professor cooperante, incluímos a coluna dos objetivos específicos no corpo do plano de aula e definimos os objetivos gerais da aula pelas 4 transdisciplinares do MEC.

“Quanto à planificação, devo melhorar os objetivos da aula porque não foram suficientemente objetivos para a aula em questão, foi muito generalizado. Quanto aos objetivos específicos também não precisam de estar definidos por exercício”. (Reflexão nº 4 de Voleibol)

Tal como a UD, o plano de aula também pode ser alterado no momento de aula devido a condições atmosféricas, falta de espaço, faltar alunos. Assim, devemos estar preparados para eventuais adaptações e isso aconteceu-me algumas vezes, principalmente

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no início do ano letivo quando não havia caldeira e tivemos de dar aulas teóricas ou quando dava aulas no exterior e as condições não o permitiam.

“Devido aos imprevistos ocorridos nesta segunda semana de aulas (caldeira avariada e consequência de não haver água quente), a aula passou a ser teórica. Portando abordaram-se os temas da importância do exercício físico e do sarau”. (Reflexão nº 2 de Voleibol)

“Na continuação dos imprevistos ocorridos na segunda semana de aulas a aula foi livre e realizamos um passeio no parque do Rio Ul”. (Reflexão nº 3 de Voleibol)

Também durante o segundo período tive alguns constrangimentos, o que me impossibilitou de lecionar a aula como planeado.

“Esta aula foi planeada para o exterior, de acordo com o roulement. Devido às condições climatéricas desfavoráveis e ao facto de não haver espaço disponível dento do pavilhão e para não voltar a ser aula teórica novamente, resolveu-se realizar aula prática no corredor da sala de dança”. (Reflexão nº 3 de Andebol)