Aprender a Ser Professora: caminhos a percorrer
Relatório de Estágio Profissional
Relatório de Estágio Profissional apresentado com vista à obtenção do 2º ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário ao abrigo do Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de março e do Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de fevereiro.
Orientador: Dr. Tiago Manuel Tavares de Sousa
Joana Rafaela Gomes Almeida Porto, setembro de 2015
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Ficha de Catalogação
Almeida J. (2015). Aprender a Ser Professora: caminhos a percorrer. Porto: J, Almeida. Relatório de Estágio Profissional para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensino Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO FÍSICA, ESTÁGIO PROFISSIONAL, SER
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DEDICATÓRIA
Quero agradecer, aos meus Pais, pelos valores que me transmitiram e me fizeram ser a pessoa que sou hoje, por ter lutado sempre pelos meus sonhos e não me deixando desistir. Aos Irmãos e ao Namorado pela força e vontade que me transmitiram
a seguir o melhor caminho.
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AGRADECIMENTOS
Aos meus Pais, que me apoiaram em todas as decisões de seguir este sonho, e sem conhecerem bem o que era, encorajaram-me a seguir em frente sem medo do que o futuro me possa trazer. Pelos valores que me transmitiram e me fizeram ser esta pessoa lutadora e trabalhadora.
Aos meus Irmãos, que apesar de algumas desavenças, também me apoiaram neste percurso.
A ti André, que foste a base elementar de todo o processo, aquele que ouviu as minhas angústias e alegrias e que esteve sempre presente para me apoiar e dizer as palavras certas. Um obrigado por me teres sempre acompanhado ao longo deste longo caminho e por acreditares em mim e me lembrares sempre do meu valor e por me ajudares sempre que precisei.
Aos Amigos, que me acompanharam no meu sonho e que me deram os conselhos certos para vingar neste caminho.
Aos meus colegas de estágio, Cátia Rodrigues, André Canedo e Pedro Costa, pela partilha proporcionada ao longo desta jornada.
Aos meus alunos, pelos obstáculos que me estabeleceram e me fizeram crescer com eles, aprendendo a ser melhor para mim e para eles.
Ao Professor Orientador da Faculdade, Tiago Sousa, pela disponibilidade, apoio e orientação que contribuiu assertivamente para este processo de formação.
Ao Professor Cooperante, Carlos Miragaia, por todas as críticas e conhecimentos transmitidos, que me fez crescer de igual modo.
Ao Agrupamento de Escolas Oliveira Júnior e a toda a comunidade educativa por me terem acolhido com simpatia.
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Índice
DEDICATÓRIA ... III AGRADECIMENTOS ... V 1. Introdução ... 3 2. Dimensão Pessoal ... 72.1. Um presente marcado de histórias passadas... 7
2.2. Expetativas iniciais e realidade: as duas faces da moeda ... 8
3. Enquadramento da Prática Profissional ... 15
3.1. Estágio Profissional ... 15
3.2. Contexto Legal e Institucional do Estágio Profissional ... 16
3.3. A Escola como Instituição ... 17
3.4. Caraterização do Meio e da Escola ... 19
3.4.1. Agrupamento de Escolas Oliveira Júnior ... 21
3.4.2. Escola Básica e Secundária Oliveira Júnior ... 21
3.5. Do Departamento de Expressões ao Departamento de Educação Física ... 23
3.6. A Turma Mais-Que-(Im)Perfeita ... 24
3.7. Núcleo de Estágio... 27
3.8. Os coadjuvantes ... 28
3.8.1. O Professor Orientador ... 28
3.8.2. O Professor Cooperante ... 29
4. Realização da Prática Profissional ... 33
4.1. Área I – Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem ... 33
4.1.1. Estado antecedente ... 33
4.1.2. Ato de conceber o processo de ensino aprendizagem – O Planeamento ... 35
4.1.3. Modalidades a ensinar ao longo do ano letivo ... 38
4.1.4. Áreas de intervenção ... 39
4.1.5. Os Modelos de ensino ... 47
4.1.6. O lúdico nas aulas de EF ... 51
4.1.7. O ato de ensinar a outras turmas ... 53
4.1.8. Avaliação ... 54
4.1.9. Autoavaliação como processo individual de reconhecimento do desempenho ... 56
4.1.10. Reflexões como meio de autoconstrução ... 57
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4.2. Área II – Participação na Escola e Relação com a Comunidade ... 61
4.2.1. Grupo de Educação Física ... 62
4.2.2. O Diretor de Turma ... 62
4.2.3. Desporto Escolar (DE) ... 65
4.2.4. Atividades Extra Curriculares ... 68
4.2.5. Mantém-te Ativo ... 76
4.2.6. Reuniões na escola ... 77
4.2.7. Reuniões na FADEUP (grupo e individuais) ... 78
4.3. Área III – Desenvolvimento Profissional ... 78
4.3.1. Projeto de Formação Individual (PFI) ... 79
4.3.2. Formação contínua ... 79
4.3.3. Autoavaliação como processo de construção do professor ... 80
4.3.4. Portfolio Digital ... 80
4.3.5. Seminários na FADEUP ... 81
4.3.6. O desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade dos alunos nas aulas de Educação Física: estratégias e implicações. ... 82
Resumo ... 82
Introdução ... 83
Objetivos ... 87
Metodologia ... 88
Apresentação e discussão dos resultados ... 89
Conclusões ... 96
5. Conclusão ... 107
IX Índice de Figuras
Ilustração 1 - Escola Básica e Secundária Oliveira Júnior ("Vista satélite da Escola Básica e
Secundária Oliveira Júnior ", 2015) ... 22
Ilustração 2- Escola Oliveira Júnior remodelada ... 22
Ilustração 3 - Campo exterior ... 23
Ilustração 4 - Sala de atividades rítmicas ... 23
XI Resumo
Este relatório tem por objetivo refletir sobre o meu processo de Estágio Profissional, integrado no Mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário. O Estágio Profissional decorreu na Escola Básica e Secundária Oliveira Júnior, sendo o núcleo de estágio constituído por quatro elementos, coordenado por um Professor Cooperante e por um Professor Orientador. O objetivo principal do relatório de estágio é retratar o percurso estabelecido no ano letivo 2014/2015, através de episódios marcantes, sustentando concetualmente as opções tomadas e refletindo sobre os desenlaces que confluíram para o desenvolvimento profissional. Assim, este documento é dividido em cinco capítulos: (1) Introdução - breve sinopse acerca do estágio profissional e do relatório de estágio; (2) Dimensão Pessoal - identificação e registo do meu percurso de vida em torno do desporto e dos acontecimentos durante a formação inicial e, levantamento das expectativas relativamente à unidade curricular; (3) Enquadramento da Prática Profissional - apresentação do contexto na qual a prática profissional se desenrolou, bem como os agentes envolvidos; (4) Realização da Prática Profissional - retrospeção da prática pedagógica do estudante-estagiário, respeitando todas as áreas de desempenho, nomeadamente, organização e gestão do ensino e da aprendizagem, participação na escola e relações com a comunidade e desenvolvimento profissional, incluindo neste último o trabalho de investigação cujo título é “O desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade dos alunos nas aulas de Educação Física: estratégias e implicações”; (5) Conclusão - sintetização da etapa de formação correspondente ao ano de estágio. Este relatório visa ainda abordar uma revisão da literatura relativamente ao lúdico no processo de ensino/aprendizagem nas aulas de Educação Física.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO FÍSICA, ESTÁGIO PROFISSIONAL, SER PROFESSOR, AUTONOMIA, RESPONSABILIDADE
XIII Abstract
This report aims to reflect on my Practicum Training, part of the Master in Teaching Physical Education in Primary and Secondary Education. The Practicum took place in the Primary and Secondary School Oliveira Junior, and the pre-service teachers group consists of four elements, supervised by a Cooperating Teacher and a Teacher Advisor. The main objective of this report is to portray the route established in the academic year 2014/2015, by outanding episodes, conceptually supporte the choices made and reflecting on the outcomes which would lead to professional development. Thus, this document is divided into five chapters: (1) Introduction - brief synopsis about the report; (2) Personal Dimension - identification and registration of my life path around the sports and events during my initial training and raising expectations regarding the course; (3) Professional Practice Framework - presentation of the context in which the teacher education took place, as well as involved agents; (4) Professional Practice Achievement - retrospection of the pre-service teacher practice, respecting all performance areas, including organization and management of teaching and learning, participation in school and community relations and professional development, including, in the latter, the research work "The development of students' autonomy and responsability in Physical Education classes: strategies and implication."; (5) Conclusion - synthesis of the corresponding education stage during this academic year. This report also aims to approach a review of the literature in relation to the playful teaching / learning in physical education classes.
KEYWORDS: PHYSICAL EDUCATION, PRCTICUM TRAINING, BE A TEACHER, AUTONOMY, RESPONSIBILITY
XV Lista de abreviaturas
AC – Avaliação Contínua AD – Avaliação Diagnóstica
ADS – Associação Desportiva Sanjoanense AEOJ – Agrupamento de Escolas Oliveira Júnior AS – Avaliação Sumativa
DE – Desporto Escolar DT – Diretor de Turma
EBSOJ – Escola Básica e Secundária Oliveira Júnior EE’s – Estudantes Estagiários
EF – Educação Física EP – Estágio Profissional
FADEUP – Faculdade de Desporto da Universidade do Porto PFI – Projeto de Formação Individual
MAC – Modelo Aprendizagem Cooperativa MD - Modelo Desenvolvimental
MEC – Modelo de Estrutura do Conhecimento MID - Modelo de Instrução Direta
NE – Núcleo de Estágio
NEE – Necessidades Educativas Especiais PC – Professor Cooperante
PO – Professor Orientador RE – Relatório de Estágio UD – Unidade Didática
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1. Introdução
O presente documento foi elaborado no âmbito da unidade curricular de Estágio Profissional (EP) decorrente nos terceiro e quarto semestres do segundo ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP).
Assim, o EP visa integrar o estudante – estagiário (EE) no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada, nas sinuosidades de um contexto real, desenvolvendo competências profissionais que promovam um desempenho crítico e reflexivo, capaz de responder aos desafios e exigências da profissão1, e este relatório de estágio (RE), tem como objetivo principal apresentar os meus pensamentos, sentimentos e vivências ao longo de um ano letivo.
Ao longo deste documento será possível aceder a diversas problemáticas. Destaco a grande preocupação ao nível da minha capacidade comunicativa. Assente em crenças fortes, o meu estilo maioritariamente autoritário marcou, decisivamente, a forma como comunicava com a turma, conduzindo a problemas relacionais. A elaboração do estudo intitulado “O desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade dos alunos nas aulas de Educação Física: estratégias e implicações”, teve como principal objetivo compreender os processos de desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade dos alunos durante a aula de Educação Física. O facto de ter realizado também a minha caracterização, enquanto professora, contribuiu para a evolução das formas de comunicação com a minha turma.
Outro dos temas que me merece destacar é sobre a descoberta do que é ser professora de Educação Física, pois houve um envolvimento e um comprometimento com a profissão. O facto de acompanhar o Desporto Escolar (DE) e ainda o Diretor de Turma (DT) fez com que me envolvesse mais na comunidade, compreendendo aspetos importantes na minha turma e fora dela, contribuindo para uma melhor resolução de problemas.
1 Documento interno da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, designado “Normas Orientadoras
do Estágio Profissional”, elaborado pela Doutora Zélia Matos para a unidade curricular Estágio Profissional no ano letivo 2014-2015.
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As questões relacionadas com o jogo e o aquecimento lúdico na aula, também foi um aspeto fulcral a ter em contas nas minhas aulas, na medida, em que pretendia que os meus alunos aprendessem de forma divertida e com conteúdo.
A prática de ensino supervisionada teve lugar na Escola Básica e Secundária Oliveira Júnior (EBSOJ), situada no concelho de S. João da Madeira, distrito de Aveiro.
Foi na turma do 7º ano de escolaridade que se concretizou a minha prática pedagógica e, sob a orientação do professor orientador e a supervisão do professor cooperante que construí progressivamente a minha identidade profissional.
O RE está organizado segundo cinco capítulos, designadamente: (1) Introdução - breve sinopse acerca do EP e do RE; (2) Dimensão Pessoal - identificação e registo do meu percurso de vida em torno do desporto e dos acontecimentos durante a minha formação inicial e, levantamento das expectativas relativamente à unidade curricular; (3) Enquadramento da Prática Profissional - apresentação do contexto na qual a minha prática profissional se desenrolou, bem como os agentes primordialmente envolvidos; (4) Realização da Prática Profissional - retrospeção da prática pedagógica do EE, respeitando todas as áreas de desempenho, nomeadamente, organização e gestão do ensino e da aprendizagem, participação na escola e relações com a comunidade e desenvolvimento profissional; (5) Conclusão - sintetização da etapa de formação correspondente ao ano de estágio.
Concluindo, o EP foi um momento importante para alcançar o sonho desejado, que me proporcionou aprendizagens ricas, me ajudou a ultrapassar obstáculos profissionais e pessoais de modo a crescer enquanto pessoa e profissional.
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2. Dimensão Pessoal
Ser professor é uma caminhada enorme e para preparar os nossos homens e mulheres do futuro temos de passar por muitas barreiras e obstáculos, saber ultrapassá-los da melhor forma e é com a nossa experiência pessoal, social e académica que conseguimos obter as ferramentas para sermos cada vez melhores.
2.1. Um presente marcado de histórias passadas
Sou a Joana Almeida, nasci a 12 de Março de 1992 e sou natural de Romariz, concelho de Santa Maria da Feira, vivo com os meus pais e os meus 3 irmãos.
Lembro-me, como se fosse hoje, de adorar o desporto, ser uma maria-rapaz, fugir à “norma” do típico comportamento de menina. Desde o 1º ciclo do ensino básico até ao 2º/3º ciclos era a menina que esperava pelos intervalos para ir a correr com os rapazes para o campo de jogos, com uma bola na mão para jogarmos futebol. Era a menina que andava sempre atrás dos rapazes porque era mais divertido estar com eles, fazíamos mais jogos e brincadeiras e gostava mais destes comportamentos. Hoje, acredito que são estes pequenos momentos que partilhámos mais experiências e criámos mais amizades, apesar de na vida adulta cada um seguir o seu caminho, uma situação natural da vida.
Assim, o Desporto sempre esteve ligado à minha vida e desde criança que sonhava ser professora de Educação Física, apesar de nunca ter sido atleta de alto rendimento, sempre segui o Desporto Escolar, integrando a equipa de Basquetebol e de Futsal feminino no ensino básico.
Quem me conhece desde essa altura sabe que quando me perguntavam “O que queres ser quando fores grande?” eu simplesmente respondia “Quero ser professora de Educação Física”, muitas vezes sem saber muito bem como esta profissão era nem o que exigia. Depois crescemos e começamos a mudar de opiniões e ideias acerca de vários temas, contudo, este sonho de “ser professora de Educação Física” permaneceu até aos dias de hoje.
A partilha e as trocas de conhecimento com os meus professores de Educação Física (EF) foram excelentes referenciais para que este sonho permanecesse ativo. Os conhecimentos que transmitiam das matérias de ensino, a forma como explicavam os exercícios e a dinâmica que nos impunha e a relação que tinham com os seus alunos, a proximidade e a disponibilidade em ajudar fizeram-me querer ser igual a eles. Com eles,
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havia maior proximidade que não havia com os outros professores, havia uma maior preocupação e interesse pelos alunos e faziam-nos sentir seguros. Não se limitavam apenas a transmitir os conhecimentos, preocupavam-se em saber que aprendíamos bem e incutiam-nos valores importantes para saber lidar com o mundo exterior, dentro e fora da escola.
O meu percurso académico foi um pouco ao encontro desta área desportiva, contudo no ensino secundário queria seguir o curso profissional de Animação Desportiva ou o curso tecnológico de Desporto mas como tinham terminado estes cursos ingressei pelo curso profissional de Animação Sociocultural. Sinto que o meu percurso desviou de sentido durante 3 anos e, como tal, não me sentia realizada, iniciei a licenciatura em Desporto e Atividade Física no Instituto Politécnico de Viseu concluindo o curso ao fim de 3 anos. Por me sentir insatisfeita e sentir que faltava algo mais - o tal sonho desejado - em 2013 ingressei no Mestrado em Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Depois de um primeiro ano intensivo neste curso acredito plenamente que estou no processo de formação certo, solidificando a minha convicção de ser professora de Educação Física.
Atualmente encontro-me a trabalhar na área da restauração e a lecionar aulas de hip hop num ginásio. Também já lecionei aulas de dança/hip hop a crianças entre os 3 e os 9 anos e entre os 10 e os 12 anos. Esta oportunidade de trabalho na área do desporto foi a melhor experiência que poderia ter em conjunto com o estágio. Além da experiência, deu-me outras virtudes como mais paciência, saber resolver situações imprevistas com mais atenção e pormenor, ter mais atenção ao processo. Desta forma, sinto que me tornei melhor profissional com os meus alunos na escola, a forma de comunicar com eles, a resolução de problemas em conjunto com os mesmos quando é necessário, o que aumentou a relação professor-aluno. Os alunos começaram a ver-me noutra perspetiva. Apesar disso, o caminho ainda é longo e há muito a percorrer e mais batalhas para combater.
2.2. Expetativas iniciais e realidade: as duas faces da moeda
Neste novo ano letivo mais uma etapa importante no nosso percurso académico chegou, o estágio profissional. Esta fase é importante para aprendermos mais e podermos mobilizar e reconfigurar conhecimentos teóricos aprendidos até então, uma vez que
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estamos num contexto real, com estudantes em permanente renovação. Como define Matos (2014, p. 3) “O Estágio Profissional entende-se como um projeto de formação do estudante com a integração do conhecimento proposicional e prático necessário ao professor, numa interpretação atual da relação teoria prática e contextualizando o conhecimento no espaço escolar”.
O “negócio de ser normal”, é aplicar no nosso contexto as vivências que tivemos outrora nas aulas de Educação Física, é ser reprodutor de uma ideologia ultrapassada, centrada em nós próprios do que nos alunos, sem margem para erros e autonomia. Dando a ideia que a Educação Física é um mero reprodutor de habilidades motoras sem prestar atenção a outros aspetos igualmente importantes como é o caso da componente sócio afetiva, do jogo, o papel do aluno no processo evidenciando-se níveis de autonomia e de satisfação maiores.
Este sim era o meu problema principal, o que me preocupava constantemente. Que atitude iria eu tomar? Será que iria continuar a ser apenas uma professora “normal”? Como seria a minha identidade profissional? Seria autoritária ou benevolente?
As minhas expectativas desaguavam numa professora inovadora, cheia de energia e motivação para lecionar algo que adoro, transmitir aos meus alunos aquilo que me foi incutido de bom e não ser uma mera reprodutora do processo de ensinar que desmotiva e dificulta as aprendizagens aos alunos nas aulas de Educação Física. Contudo, foi-me apresentado um contexto mais complicado do que estava à espera: uma turma difícil, de maus relacionamentos e maus comportamentos, onde o desrespeito é a palavra de ordem; crianças com problemas para além do imaginável e que necessitam de uma atenção acrescida.
E assim, ao longo do tempo, a minha postura passou pela outra face da moeda, aquela que não queria mostrar, tive de ser a professora autoritária, impor demasiadas regras, adotar uma postura demasiado rígida para manter o controlo e o respeito da turma. Apesar disso, conquistei a turma a nível profissional e pessoal, e ao longo dos períodos, à medida que me tornei mais flexível com os estudantes, fui conquistando-os cada vez mais a nível pessoal, ou seja, os alunos começam a confiar mais em mim, a aproximarem-se mais, a criar uma ligação mais forte que outrora não era possível.
Este meu pensamento é sustentado no que afirma Pacheco & Flores (1999, p. 45) “Tornar-se professor constitui um processo complexo, dinâmico e evolutivo que
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compreende um conjunto variado de aprendizagens e de experiências ao longo de diferentes etapas formativas. Não se trata de um ato mecânico de aplicação de destrezas e habilidades pedagógicas, mas envolve um processo de transformação e (re)construção permanente de estruturas complexas, resultante de um leque diversificado de variáveis.” Outra das expetativas passou pela integração na comunidade escolar, por poder haver alguma dificuldade na minha aceitação e integração na mesma, devido à minha aparência jovem e por ser pequena e, também como seria encarada pelos restantes professores e ainda pelos estudantes. No entanto, desde cedo a minha integração ficou facilitada, muito por culpa do professor cooperante que desde o primeiro momento de entrada na escola nos apresentou à comunidade docente e não docente. Por ser a mais pequena do grupo e ter havido alguns momentos caricatos em relação à minha fisionomia, como por exemplo alguns professores e funcionários confundirem-me como aluna e ficarem constrangidos com essas situações, permitiram que houvesse maior empatia entre ambas as partes.
Se por um lado é bom e positivo ter este aspeto jovem, por outro, é um entrave para o mundo do trabalho/profissional. Apesar disso, sinto na maioria dos professores uma abertura excelente para os estagiários: conversavam connosco, mostravam-se disponíveis para ajudar apesar de muitos não serem da área do Desporto.
Assim, relativamente ao grupo de Educação Física, também notei uma grande abertura pela maioria dos elementos constituintes, contudo alguns têm ideias divergentes o que provoca alguns choques entre estes, mas creio que isso é um problema que afeta qualquer área e qualquer organização. Na sua maioria, todos estiveram disponíveis para nos ajudar sempre que necessário, deixando-nos à-vontade para colocar qualquer questão que possamos ter e incentivando-nos a pedir ajuda, fazendo-me sentir assim parte integrante do grupo. Notei estas características principalmente em contextos fora do edifício da escola, em atividades extracurriculares e nos intervalos, onde os mesmos se mostram disponíveis para falarem de alguns problemas que acontecem nas suas aulas (que também são nossos problemas) e como resolveram esse problema, ajudando-nos também na nossa intervenção da prática pedagógica.
Por já ter tido algumas experiências de estágio, tanto no secundário como na licenciatura, já tinha uma vaga ideia de que não seria tudo perfeito e que poderia haver algumas desavenças ou diferenças de opiniões entre pessoas da mesma instituição. Apesar
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de estarem a trabalhar nessa instituição, há certos valores e/ou normas que não concordam mas que devem fazer cumprir porque são de ordens superiores. E o nosso não era exceção, apesar da diferença de opiniões em determinadas matérias, estas eram expostas e esclarecidas em grupo de modo a mantermos o bom relacionamento e adotar estratégias igualitárias, de modo a não haver muitas divergências quanto aos planeamentos ou avaliações.
Quanto ao núcleo de estágio, tinha como preocupação querer ficar com alguém que conhecesse por haver maior afinidade, visto que, assim, poderíamos apoiar-nos melhor. Pretendia um NE dotado de conhecimentos os podermos partilhar de modo e assim evoluir. Deste modo teríamos um estágio de qualidade, mas que também fosse dotado de uma boa capacidade de relacionamento, a fim de mantermos uma boa relação entre todos e, por conseguinte, um estágio com colaboração, empatia e união. Quando saíram os resultados, verifiquei que apenas conhecia pessoalmente um dos elementos e os restantes apenas os conhecia de vista da faculdade. No entanto, o elemento que conhecia melhor não era uma pessoa que me relaciona-se muito bem, isto é, falávamos e dávamo-nos bem mas não era uma pessoa muito chegada a mim.
Ao longo do tempo fomo-nos conhecendo melhor, contudo sempre me senti um pouco à parte do resto do grupo, devido às afinidades já criadas e que foram mantidas. Todavia, durante o período final de estágio fomos criando mais relações entre todos e mais afinidade, dando-nos melhor com o passar do tempo, fomos um núcleo unido e que trabalhou bem em grupo, ajudámo-nos sempre que possível e, o mais importante, sabemos criticar construtivamente cada um de nós de modo a aumentar as nossas competências da prática pedagógica, corrigindo alguns erros cometidos.
Nesta sequência pretendia que o professor orientador e o professor cooperante me orientassem pelo melhor caminho, que despertassem em mim ainda mais vontade, mais ambição e conhecimentos para atingir com sucesso e positivismo este propósito. Esperava que me auxiliassem na construção da minha identidade enquanto professora que me criticassem para que seja sempre melhor para dar resposta a diferentes situações e problemas que me possam surgir, contando também com as suas experiências que são uma mais-valia para o meu processo de formação.
Analogamente ao professor cooperante e ao professor orientador, destaco as suas vertentes profissionais e o conhecimento que têm e nos transmitem, sendo essencial para
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corrigir muitos dos problemas que um professor iniciante possui. Também é de louvar a vertente pessoal, criando uma ligação e um à-vontade presente em todos os momentos, mesmo em alturas mais críticas como é o caso das avaliações. E, por isso, destaco a presença assídua dos mesmos em todas as situações, no sentido de potenciar a melhor resposta no processo de ensino e aprendizagem.
Por último e não menos importante, outra das expectativas que tinha era a de poder dar resposta a todos os obstáculos da prática, ou seja, resolver os meus problemas e/ou inseguranças da prática através de uma pesquisa de modo a obter as soluções para os mesmos. As tarefas propostas ao longo do ano na unidade curricular de estágio muitas vezes contribuíram para resolver alguns desses problemas, não necessitando de uma pesquisa tão elaborada, mas mais partilhada entre todos de modo a garantir uma diversidade de caminhos que poderia percorrer.
3. Enquadramento da Prática
Profissional
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3. Enquadramento da Prática Profissional
3.1. Estágio Profissional
O Estágio Profissional visa a integração no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada, através da prática de ensino supervisionada em contexto real, desenvolvendo as competências profissionais que promovam nos futuros docentes um desempenho crítico e reflexivo, capaz de responder aos desafios e exigências da profissão. Estas competências profissionais, associadas a um ensino da Educação Física e Desporto de qualidade, reportam-se ao Perfil Geral de Desempenho do Educador e do Professor (Ministério das Finanças e da Administração Pública (2001).
É uma etapa fundamental na formação docente, pois trata-se de um “projeto de formação do estudante com a integração do conhecimento proposicional e prático necessário ao professor, numa interpretação atual da relação teoria prática e contextualizando o conhecimento no espaço escolar. O projeto de formação tem como objetivo a formação do professor profissional, promotor de um ensino de qualidade. Um professor reflexivo que analisa, reflete e sabe justificar o que faz em consonância com os critérios do profissionalismo docente e o conjunto das funções docentes entre as quais sobressaem funções letivas, de organização e gestão, investigativas e de cooperação.”2
Corroborando esta ideia, Paixão e Jorge (2013, p. 43) afirmam que o EP “ocupa um tempo privilegiado na formação dos professores. É nele, de modo mais intenso, que se desenvolvem as competências associadas à profissão docente, ou seja, aquelas que serão indispensáveis para os docentes potenciarem a formação de cidadãos responsáveis, ativos e implicados na construção da almejada sociedade sustentável e democrática.”
O EP é o momento de mobilizar e reconfigurar conhecimentos teóricos aprendidos até então, com o objetivo de transporem para a prática um conjunto de conhecimentos pouco vivenciados, sendo esta prática em contexto real a sua mais-valia, oferecendo aos futuros professores, segundo Batista e Queirós (2013), a oportunidade de emergirem na cultura escolar nas suas diversas componentes, desde as suas normas e valores aos seus hábitos, costumes e práticas, que comprometem o sentir, o pensar e o agir dos estagiários.
2 Documento interno da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, designado “Normas Orientadoras
do Estágio Profissional”, elaborado pela Doutora Zélia Matos para a unidade curricular Estágio Profissional no ano letivo 2014-2015.
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É assim, um período repleto de experiências significativas, indispensáveis para o aumento das mais variadas competências profissionais, pessoais e sociais do professor, fomentando a criação da sua identidade pessoal mas também profissional. “A iniciação à Prática Profissional ao ocorrer em contexto real de ensino, durante um ano letivo completo, permite aos estudantes-estagiários aceder à natureza complexa, unitária e integral do processo ensino-aprendizagem, bem como as características gerais da atividade do professor, as quais se materializam nas várias tarefas consideradas nos conteúdos (áreas desempenho)”. (Batista, 2013). É também uma fase de final de um ciclo (formação inicial) e início de outro (exercício da profissão).
O EP tem a capacidade de integrar o professor iniciante no contexto real da prática, onde desempenha o seu exercício profissional de forma progressiva e direcionada, imergindo na cultura escolar nas suas mais diversas componentes, desenvolvendo as competências profissionais essenciais para um desempenho crítico e reflexivo, nomeadamente as normas, valores, hábitos, costumes e práticas, tornando este hábil nos desafios e nas exigências da profissão (Batista & Queirós, 2013).
É “um ano a todos os níveis inesquecível”, sendo um “grande potencial na promoção das aprendizagens daqueles, nos diversos âmbitos (científico-pedagógico-didático, pessoal, ético profissional, reflexivo).” (Ribeiro, 2012)
3.2. Contexto Legal e Institucional do Estágio Profissional
Em termos legais, o EP rege-se pelos princípios presentes na legislação constante do Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de fevereiro, que tem como premissas a obtenção de habilitação profissional para a docência e para o grau de Mestre (Batista & Queirós, 2013, p. 37).
Em termos institucionais, é uma unidade curricular superiormente enquadrada pela Comissão Científica do Curso de Segundo Ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, presidida pelo Diretor do Curso (Artigo 4º, Regulamento da unidade curricular estágio profissional, p. 3), nos terceiro e quarto semestres do presente curso, correspondendo a um total de 48 unidades de crédito ECTS (European Credit Transfer and Accumulation System).
De acordo com Batista e Queirós (2013) esta unidade curricular incorpora duas componentes, sendo elas, a prática de ensino supervisionada, realizada numa escola
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cooperante com protocolo com a FADEUP constituindo-se como um momento privilegiado e insubstituível de aprendizagem, em contexto real, de práticas profissionais adequadas a situações concretas na sala de aula, na escola e na articulação desta com a comunidade (Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de fevereiro) e o Relatório de Estágio (RE), orientado por um professor da Faculdade, o responsável da instituição de ensino superior pela supervisão do estudante-estagiário (EE) no contexto da prática de ensino supervisionada. Assim, a FADEUP estabelece protocolos com diversas instituições escolares, onde se deve apresentar um Professor Cooperante (PC), sendo este um professor de Educação Física (EF) experiente acolhendo um grupo de 3 a 4 EE.
Por fim, atentando ao Decreto-lei nº 240/2001 de 17 de agosto existem três áreas de desempenho que o EE deverá dominar para exercer a profissão docente no âmbito da disciplina de EF. A área 1 – Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem – que engloba as tarefas de conceção, planeamento, realização e avaliação, e onde o professor iniciante “tem que conduzir um processo de ensino/aprendizagem promotor da formação e educação do aluno no âmbito da Educação Física” (Batista & Queirós, 2013, p. 38); a área 2 – Participação na Escola e Relações com a Comunidade – que abrange “atividades não letivas, assumindo como objetivo a integração do estudante-estagiário na comunidade educativa e na comunidade envolvente” (Batista & Queirós, 2013, p. 38), devendo portanto o estagiário ultrapassar o contexto da turma que acompanha e ser originador de sinergias entre a escola e o meio; e a área 3 – Desenvolvimento Profissional - que pretende que seja desenvolvida a “competência profissional, numa lógica de procura permanente do saber, através da reflexão, investigação e ação” (Batista & Queirós, 2013, p. 39)
3.3. A Escola como Instituição
Segundo o Decreto de Lei nº85/2009 da Lei de Bases do Sistema Educativo, este estabelece o regime da escolaridade obrigatória para as crianças e jovens que se encontram em idade escolar e consagra a universalidade da educação pré-escolar para as crianças a partir dos 5 anos de idade. Assim, a escolaridade obrigatória implica, para o encarregado de educação, o dever de proceder à matrícula do seu educando em escolas da rede pública, da rede particular ou em instituições de educação e ou formação. Pretende-se que a escola seja universal e gratuita, apoiando as famílias com necessidades,
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de modo a garantir que haja a formação do indivíduo. Prova disso, temos a Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948), que nos refere:
“1. Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional deve ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito.” (Artº 26)
A Escola de hoje também é aberta e inclusiva, promovendo que todos os alunos, sem exceção tenham as mesmas igualdades de aprendizagem e que os alunos com NEE sejam integrados na escola como uma pessoa normal, apesar das suas dificuldades. Esta integração teve dois momentos: um centrado no aluno e um outro, posterior, a partir de 1981, com o Ano Internacional das Pessoas com Deficiência, centrado na escola. Ou seja, na primeira situação, a responsabilidade pelo atendimento das crianças e dos jovens com NEE era da responsabilidade dos professores de educação especial, que trabalhavam com eles individualmente ou em pequenos grupos, fora do contexto da turma. Quando a integração passou a ser entendida como sendo da responsabilidade da escola, a forma de atendimento a estes alunos mudou. Assim, os professores de educação especial devem, agora, trabalhar com o aluno na sua turma de pertença. No entanto, a intervenção continua a ser individual ou em pequeno grupo, que assentava nas dificuldades dos alunos, tendo em vista a sua normalização. É uma escola aberta porque dá oportunidade a toda a comunidade educativa de intervir no processo de formação de todos os estudantes e professores da escola agrupada ou escola não agrupada, tendo o Conselho Geral uma importante fatia deste processo albergando entidades e associações locais, a alunos e encarregados de educação de modo a serem discutidos os mais diversos assuntos de melhoria da escola e promoção da saúde e da educação (Silva, 2011). Pretende-se também que para ser uma escola aberta, os pais e encarregados de educação sejam mais ativos e interventivos com os seus educandos dentro e fora da escola, seja nas atividades promovidas pela mesma, seja nas reuniões com os diretores de turma, bem como no apoio pessoal e escolar dos seus educandos em casa. (Rodrigues, 2012)
Assim a escola é entendida como uma organização que reflete a cultura em que está inserida. O seu objetivo final é a educação que se guia por um conjunto de valores, linhas orientadoras, currículo de acordo com essa mesma cultura. E uma das principais
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alterações é que, hoje, as escolas, os professores e os sistemas educativos são considerados tanto melhores quanto menor for o insucesso escolar e quanto melhores forem os resultados escolares obtidos pelos alunos. A qualidade do ensino é avaliada através do ranking da escola em vez do trabalho que desenvolvem ao longo do ano na promoção do desenvolvimento da formação. Um fator que vai delimitando a definição da escola aberta e inclusiva, pois com a importância do ranking, a escola só se vai preocupar com os melhores e manter a excelência desta forma.
A Escola deve ser o espaço-residência que alberga a Educação e que lhe dá todo o sentido, deste modo, a “Escola do século XXI, deverá manter-se aberta, disponível a conceitos de projetos educativos originais. Sendo assim, uma escola dinâmica, atenta às novas tendências pedagógicas, necessita de ter criatividade e irreverência para a concretização de projetos inovadores e aliciantes direcionados à comunidade escolar”. (Nogueira 2013, p.167-168)
3.4. Caraterização do Meio e da Escola
A cidade de S. João da Madeira tem uma área de cerca de 8 quilómetros quadrados e situa-se no extremo Norte da Beira Litoral e do distrito de Aveiro, estando integrada na Área Metropolitana do Porto. Caracteriza-se por ser uma cidade com uma grande diversidade empresarial, exportando produtos de qualidade para os quatro cantos do mundo, fruto do dinamismo e capacidade inovadora de todos quantos vivem e trabalham na única freguesia do concelho.
Entre as prioridades da ação da Câmara de S. João da Madeira estão sempre as escolas, colocadas ao nível das melhores do País. A implementação de uma política social, a despoluição do rio Ul, a criação de novos espaços desportivos e culturais, assim como a aposta no empreendedorismo têm sido outros passos dados no sentido de levar o progresso da cidade ainda mais além.
No desporto, há a destacar o Centro de Formação Desportiva, que nasceu junto ao Estádio Conde Dias Garcia. Este moderno equipamento inclui três campos de relva sintética, sendo prioritariamente destinada às camadas mais jovens do desporto sanjoanense.
O Pavilhão das Travessas é um dos maiores recintos desportivos cobertos do País, podendo funcionar simultaneamente no seu interior quatro áreas de jogo. Este
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equipamento – com várias salas de apoio – tem sido um dos “palcos” principais da vasta atividade desportiva que vem acontecendo em S. João da Madeira.
O Pavilhão da Associação Desportiva Sanjoanense foi um edifício criado inicialmente para albergar vários desportos mas rapidamente se tornou na “casa” da Associação Desportiva Sanjoanense (ADS), aqui albergam vários treinos das equipas da casa, tanto no hóquei em patins, como andebol ou basquetebol. Também recebeu e recebe várias competições dentro destas modalidades, aumentando assim, a associatividade nesta cidade.
Entretanto, encontra-se em construção um novo campo de futebol na zona desportiva das Travessas, que dá início à nova Academia dos Campeões Sanjoanenses.
No Complexo Desportivo Paulo Pinto funcionam três piscinas ao ar livre: a Olímpica, com as dimensões de 50x25; a de saltos, com diversas pranchas de diferentes alturas, e a infantil. Esta oferta é complementada com uma piscina interior, estando a ser projetada uma nova pelo arquiteto Souto Moura. Este espaço desportivo é ainda composto por quatro campos de ténis, pavilhão coberto para a prática de várias modalidades como o basquetebol, andebol, desportos de combate, ginástica e futsal.
O Parque Urbano do Rio Ul, um dos maiores do género existente entre o Porto e Lisboa, localiza-se no vale do Rio Ul, em S. João da Madeira, tendo aberto ao público em Maio de 2008. Foi projetado pelo arquiteto sanjoanense Sidónio Pardal (autor do Parque da Cidade do Porto), também autor do Jardim Municipal, situado junto ao edifício da Câmara.
Noutro ponto da cidade, o Parque Ferreira de Castro foi requalificado e devolvido à fruição dos munícipes e de quem se desloca a S. João da Madeira, sendo hoje um dos pontos de encontro de eleição dos sanjoanenses de todas as idades.
Outro espaço verde de grandes dimensões é o Parque de Nossa Senhora dos Milagres, no qual se situa o santuário do mesmo nome, que se reporta ao período Neo-Românico. Um pouco por toda a cidade há diversos espaços verdes de menores dimensões, assim como áreas de lazer e ginásios de ar livre, devidamente equipados.3
21 3.4.1. Agrupamento de Escolas Oliveira Júnior
O Agrupamento de Escolas Oliveira Júnior localiza-se no concelho de S. João da Madeira, distrito de Aveiro, sendo constituído pelos seguintes estabelecimentos de educação/ensino: Jardim de Infância das Travessas, Jardim de Infância da Devesa Velha, Escola Básica do Espadanal, Escola Básica com Jardim de Infância dos Ribeiros e Escola Básica e Secundária Oliveira Júnior. A sede de agrupamento é a Escola Básica e Secundária Oliveira Júnior (EBSOJ).
O agrupamento está inserido num meio urbano sobretudo industrial e comercial, rodeado por quatro concelhos com características mais rurais: Arouca, Vale de Cambra, Santa Maria da Feira e Oliveira de Azeméis. Assim, o agrupamento recebe e acolhe alunos das mais diversas áreas, procurando adequar a oferta educativa às características e necessidades do meio e da população escolar.
Todas as escolas que integram a agrupamento foram recentemente requalificadas e dispõem de boas condições físicas, oferecendo espaços desportivos e de lazer, biblioteca, refeitório e salas com meios audiovisuais. A EBSOJ está preparada com instalações e equipamentos de elevada qualidade: laboratórios de Química, Física, Biologia, Geologia, Ciências Naturais, Informática, Multimédia, Fotografia, Eletricidade; Biblioteca Escolar; salas de Teatro, Dança, Música, Educação Visual, Educação Tecnológica; uma sala multiuso, pavilhão desportivo, reprografia/papelaria e bar.
O agrupamento disponibiliza vários serviços, nomeadamente, uma unidade de apoio especializada para a educação de alunos com multideficiência, apoio a alunos com necessidades educativas especiais, serviço de apoio psicopedagógico, bem como um gabinete de informação e apoio ao aluno. (Projeto Educativo, 2013/2016)
3.4.2. Escola Básica e Secundária Oliveira Júnior
A Escola Básica e Secundária Oliveira Júnior (EBSOJ) situa-se na freguesia de S. João da Madeira, que se caracteriza por pertencer ao único concelho a nível nacional que contempla apenas uma freguesia no seu mapa territorial. Atualmente cidade, S. João da Madeira destaca-se pela sua atividade industrial, tendo sido apelidada de “Cidade do Trabalho”, devido à sua produção e fabrico de chapéus e calçado.
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A escola iniciou o seu funcionamento em 1983/1984, apenas com a lecionação do terceiro ciclo e assim se manteve até 1990/1991, passando, então, a incluir o ensino secundário. Com o novo modelo de autonomia e gestão das escolas, em 2007/2008, criou-se o Agrupamento de Escolas Oliveira Júnior, o qual sofreu alteração na sua constituição em 2012/2013 com a saída da Escola Básica do Parrinho e a inclusão do Jardim de Infância da Devesa Velha.
Recentemente remodelada, a escola sede do agrupamento proporciona agora maior conforto a docentes, alunos e funcionários. Novas instalações foram edificadas, acompanhando os bons resultados a todos os níveis que a escola tem obtido em avaliações externas.
O pavilhão, também ele remodelado, passível de ser dividido em três campos transversais em aulas que decorram simultaneamente, tal como no espaço exterior, que engloba ainda um campo de Voleibol/Ténis, e uma pista de Atletismo com caixa de areia. Ademais, este recinto desportivo contempla uma sala de atividades rítmicas, onde, por exemplo é possível lecionar as modalidades de Ginástica e Dança. Todos estes espaços são apoiados por arrecadações que albergam o extenso e diverso material existente neste estabelecimento escolar. A maioria do material encontra-se em bom estado pelo cuidado tido pelos professores e pelos alunos na manutenção da arrecadação, sendo
Ilustração 1 - Escola Básica e Secundária Oliveira Júnior ("Vista satélite da Escola Básica e Secundária Oliveira Júnior ", 2015)
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Ilustração 5- Pavilhão Interior remodelado
Ilustração 4 - Sala de atividades rítmicas
Ilustração 3 - Campo exterior
esta sempre arrumada semanalmente pelo pessoal não docente do pavilhão e pela arrumação do material no final das aulas. Dá oportunidade de lecionar diferentes modalidades como o ténis e ao desenvolvimento da condição física pois também temos um conjunto diversificado de material disponível para a prática da condição física, usando diferentes materiais de modo a motivar mais os alunos.
Face à variedade e diversidade de desportos, espaços e atividades nesta região, o Agrupamento de Escolas Oliveira Júnior, principalmente na disciplina de Educação Física, apresenta um papel fundamental e determinante no encaminhamento de jovens para qualquer uma destas ofertas desportivas.
3.5. Do Departamento de Expressões ao Departamento de Educação Física
O departamento de expressões da Escola Básica e Secundária Oliveira Júnior é constituído pela totalidade de docentes dos diferentes grupos de recrutamento (Artes Visuais, Educação Tecnológica, Educação Musical e Educação Física), ou seja, das áreas disciplinares de Artes e Tecnologias, Educação Musical e Educação Física.
Segundo o artigo 49º do Regulamento Interno do Agrupamento, compete ao departamento: a) colaborar com o departamento curricular, Conselho Pedagógico e Diretor na elaboração, implementação e avaliação do Projeto Educativo e do Plano Anual de Atividades do AEOJ; b) dar parecer no que se refere a programas, metodologias, organização curricular, medidas de apoio educativo, processos e critérios de avaliação; c) planificar as atividades letivas e não letivas; d) definir critérios específicos de avaliação; e) delinear estratégias conducentes à melhoria das aprendizagens; f) elaborar materiais de apoio às atividades letivas e instrumentos de avaliação diferenciados; g) organizar o inventário do material existente e zelar pela sua conservação; h) planificar o modo de utilização das instalações e propor a aquisição de novo material didático e equipamento;
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i) apreciar e propor a adoção de manuais escolares; j) promover a atualização científica e pedagógica dos docentes; k) Elaborar o seu regimento interno.
O departamento, no seu conjunto e ao longo do ano letivo, planeou e executou diversas atividades no âmbito cultural e desportivo promovendo o desenvolvimento criativo das competências dos alunos para a resolução de problemas, assim como de comunicação de ideias. Colmatando, desta forma, com a monotonia e a rotina escolar presentes.
O grupo disciplinar de EF é constituído por 10 professores e 5 EE’s, distribuídos por 2 núcleos de estágio (FADEUP e UTAD). A sua distribuição está definida: 4 estagiários da FADEUP e 1 estagiário da Universidade de Trás os Montes e Alto Douro (UTAD).
De uma forma geral e na maioria dos casos, todos os professores se relacionam bem e colaboram uns com os outros, são participativos e demonstram um grande à-vontade e pré-disposição para ajudar os EE’s e a fazê-los sentirem-se integrados, reduzindo o choque com a realidade. Apesar de alguma diferença de opiniões em certos aspetos, todos são livres de opinar e dar o seu parecer, desde que vá ao encontro da melhoria das práticas pedagógicas. Como sequência, nas reuniões há sempre alguma discussão derivada desta divergência, mas uma discussão saudável, onde prisma o respeito uns pelos outros.
Por último, referir que apresentam também uma grande flexibilidade, disponibilizando o seu espaço quando as condições atmosféricas ou outras que impediam ambos de lecionar, conjugando o seu trabalho e o do estagiário no sentido de melhorar as condições de prática para ambos.
3.6. A Turma Mais-Que-(Im)Perfeita
A atribuição da turma foi um momento marcante e preocupante nesta fase do EP, pois todos imaginamos e queremos uma turma perfeita, que não nos dê muitas preocupações e onde a responsabilidade é nossa sobre tudo o que lhes ensinamos e para onde os encaminhamos. É nossa missão promovermos valores, objetivos, conhecimentos aos nossos estudantes de modo a torná-los em cidadãos conscientes e ativos, de fazerem e promoverem a diferença.
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Após ter-me sido delegada a turma, a preocupação surgiu no facto da relação e proximidade que iria ter com os meus alunos, primeiro porque são alunos novos e segundo porque em termos de estatura são da minha altura ou maiores, o que podia haver alguns conflitos. Também tive algum receio de como os iria encarar uma vez que são alunos que já frequentaram a escola em anos anteriores e como tal, já são conhecidos da mesma e dos funcionários. Estes, por sua vez, já têm opiniões formadas sobre os alunos, que nos transmitem, e no meu caso, essas opiniões não eram as mais favoráveis. Assim, numa fase inicial, a preocupação prendeu-se por conhecer cada um deles, caracterizando os mesmos para saber como lidar com eles. Como sabemos, cada pessoa é um ser único e deve ser tratado como tal, tendo em conta as suas individualidades. Assim, esta caracterização serviu para identificar/acautelar o desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem de cada aluno porque cada um tem o seu ritmo de ensino-aprendizagem.
A turma pertence ao 3º Ciclo do Ensino Básico, 7º ano. Numa fase inicial a turma era constituída por 20 alunos, contudo, com o decorrer de alguns processos, a turma foi-se alterando. Assim, é constituída por 18 alunos, 9 dos quais do foi-sexo feminino e 9 do foi-sexo masculino, com idades compreendidas entre os 12 e os 15 anos.
Esta turma é muito distraída e barulhenta, não se respeitam uns aos outros e estão constantemente em conflito. Por isso, a diretora de turma elaborou uma planta de sala de aula (flexível para as outras disciplinas) de forma a minimizar as perturbações, que na aula de Educação Física não se aplica, tendo o professor da disciplina que se orientar e resolver problemas de indisciplina ou de relacionamento autonomamente, seja na organização da aula ou da elaboração das equipas.
É também unânime entre os professores da turma a falta de interesse demonstrado pelos alunos em todas as disciplinas, a pouca ou nenhuma participação e aproveitamento nas atividades, que se traduz num baixo nível de rendimento escolar.
Na disciplina de EF os alunos demonstram também este padrão comportamental, revelando pouca condição física e um nível qualitativo médio no domínio psico-motor, o que pode ser justificado com o facto de apenas 9 dos 18 alunos não praticarem qualquer tipo de desporto fora da escola, o que quer dizer que metade da turma não tem nenhuma atividade física ou desporto federado fora da escola, tendo apenas a aula de EF para se manterem ativos.
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Dos 18 alunos, 10 não manifestaram quaisquer problemas de saúde e 8 deles possuem uma ou várias doenças (3 alunos – problemas visuais e 1 deles também com problemas na linguagem (sendo o aluno com NEE) e outro com tímpano furado; 1 com problemas de crescimento, 1 com epilepsia, 1 doente celíaca e tiroide, 1 com escoliose lombar e, por fim 1 com hiperatividade).
O estudante com problemas de crescimento em esforços prolongados não conseguia fazer aula devido às dores nos joelhos e nos pés e prova disso é o facto de a partir do 2º período não ter realizado nenhuma aula de EF; o estudante com o tímpano furado tem o impedimento de realizar apoios invertidos e rolamentos à frente e à retaguarda, conteúdos que neste ano letivo não foram lecionados o que acabou por não ser impedimento para realizar as aulas. No entanto, houve um cuidado acrescido com situações de bola para não bater na cabeça ou perto do ouvido e o mesmo aconteceu com o estudante com epilepsia. Por sua vez, a estudante com escoliose lombar não teve nenhuma restrição à aula de EF, tal como os restantes estudantes com problemas de visão, havendo apenas uma preocupação com os óculos, sendo estes retirados em momentos mais críticos como precaução. O estudante com NEE, tem trissomia 21, tendo também problemas de linguagem e de visão condicionando a sua atividade nas aulas de EF, tanto no relacionamento como na sua prática, necessitando de acompanhamento personalizado e individualizado para atingir níveis de autonomia e desenvolvimento superiores, o que com a turma em questão é impossível haver este acompanhamento ao estudante.
Na escolha das disciplinas favoritas e das disciplinas em que os alunos apresentam mais dificuldades (podendo o aluno escolher 2 opções de cada), a Educação Física aparece como sendo a que mais alunos assumem como favorita (11 alunos) e aparece em último lugar como aquela que os alunos possuem maiores dificuldades (1 aluno). O voleibol foi a modalidade escolhida pelos alunos como sendo a favorita, seguindo-se a ginástica de aparelhos, o andebol, atletismo e Tag Rugby.
Nos tempos livres a maioria dos alunos passa-o a ver televisão ou na internet. Sendo uma grande parte do dia ocupada pelos estudantes a realizar atividades sedentárias (ex.: jogar vídeo jogos, computador, internet), as novas tecnologias substituem a prática desportiva, contribuindo para o aumento do sedentarismo, provável causa de futuros problemas de saúde.
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Em suma, apesar do comportamento evidenciado pelos estudantes na maioria das aulas do presente ano letivo e das dificuldades que me apresentou, sempre me apresentei acessível para os ajudar a ultrapassarem as suas dificuldades, tornando-me próxima destes para que confiassem em mim. Assim, também tive de realizar muito trabalho de pesquisa para melhorar a minha atuação, obrigando-me desta forma a ser melhor professora para os mesmos. Concluindo, apesar da imperfeição apresentada, para mim, são os meus alunos quase perfeitos onde cada um demonstra o seu lado bom e menos bom quando o têm de demonstrar, como qualquer outra pessoa.
3.7. Núcleo de Estágio
O núcleo de estágio foi formado pelo Professor Orientador (PO) que estabelece a ligação entre a faculdade e a instituição cooperante, pelo PC que efetua a ligação entre a instituição cooperante e os estudantes-estagiários (EE) e pelos EE que se constituem como a matéria de observação.
Devido à pluralidade de elementos constituintes, a troca de experiências, conhecimentos, informações é fundamental para um bom desenvolvimento do EP. Desta forma, também ajudamos a criar a nossa identidade profissional, contribuindo para o crescimento de pessoas mais cultas e aventureiras, prontas para aceitar as críticas que nos são colocadas para melhorar o nosso processo de ensino.
Por isso, o sucesso depende deste conjunto de intervenientes. A colaboração evidenciada pelos EE’s foi fundamental para ultrapassarmos dificuldades e ansiedades juntos, onde a reflexão crítica era um elemento sempre presente de modo a colmatar alguns problemas da prática pedagógica de cada um. O facto de estarem contempladas as observações também foi um fator de entreajuda entre todos e de união entre o núcleo, ou neste caso, os 2 núcleos de estágio.
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3.8. Os coadjuvantes
3.8.1. O Professor Orientador
Segundo Vieira (1993, p. 28) a supervisão é “ (…) uma atuação de monitoração sistemática da prática pedagógica, sobretudo através de procedimentos de reflexão e de experimentação.”
De acordo com o artigo 6º do regulamento da unidade curricular de estágio profissional existem alguns deveres que o PO deve corresponder aquando da orientação dos professores iniciantes, nomeadamente: dar cumprimento ao regulamento do EP; apoiar a conceção e a realização do Projeto de Formação Individual (PFI) do EE, num quadro de colaboração com a escola cooperante, PC, numa lógica de equidade e de corresponsabilização; garantir todas as fases do ciclo de supervisão na realização do PFI de cada estagiário; supervisionar a prática educativa dos EE em todas as áreas de desempenho, de acordo com os documentos orientadores do EP; observar as aulas previstas no documento orientador de estágio; reunir com os professores cooperantes, NE e estagiários individualmente; avaliar e aprovar o desempenho da prática de ensino supervisionada e propor a classificação do EE; participar nas reuniões de orientadores da FADEUP, partilhar e discutir as questões inerentes ao processo de estágio com os seus pares; participar nos ciclos de formação dos estagiários, realizados na FADEUP; colaborar na realização do plano de formação dos professores cooperantes; e orientar o RE e integrar o júri das provas públicas.
Fazendo uma retrospetiva, considero que o PO foi um elemento fundamental no meu processo profissional e pessoal, que nos ajuda a crescer e a desenvolvermos métodos de trabalho eficazes à nossa realidade. Porque tal como Alarcão & Tavares (2003) afirmam, não pretendo que o orientador ensine os seus formandos de acordo com o seu modelo, as suas expectativas e conceções sobre o processo ensino-aprendizagem como se de um aluno normal se tratasse, mas antes que estimule a refletir e encontrar, com a sua indispensável ajuda enquanto professor mais experiente, as melhores soluções e, consequentemente, a melhor formação. Este tem sido o trabalho desenvolvido do PO, um trabalho e uma intervenção a caminho de uma autonomia orientada para a independência, que apesar de numa fase inicial ser difícil de atingir, creio que futuramente me irá ajudar ainda mais.
29 3.8.2. O Professor Cooperante
“Ser professor cooperante, é uma responsabilidade e um desafio e requer ter-se perfil. O professor cooperante tem muita responsabilidade na imagem que dá da educação física aos futuros professores” (Reina, 2013, p. 87).
De acordo com o artigo 7º do regulamento da unidade curricular de EP existem inúmeras obrigações que o PC deve corresponder aquando da orientação dos professores iniciantes, todavia, estas são facilmente sintetizadas em quatro eixos fundamentais, nomeadamente: integrar o EE na comunidade escolar; elaborar o perfil inicial de cada estagiário e efetuar a avaliação de cada um no final do ano letivo; programar as atividades do NE e orientar os estagiários na efetivação das mesmas, através de um trabalho conjunto com o orientador da FADEUP; e supervisionar a prática pedagógica, realizando sessões semanais de cariz pedagógico-didático com todos os estagiários.
A orientação efetuada pelo PC assumiu uma posição de reflexão, aprendizagem e integração de conhecimentos numa prática constante intensiva, isto porque existiu uma interação direta e sistemática, no contexto escolar, uma reflexão crítica permanente que me ajudou a crescer imenso. Transmite conhecimentos de uma forma tão apaixonada, que nos envolve numa melodia encantada, sempre nos fez sentir à-vontade, expondo os nossos problemas e ansiedades, escutando com atenção e ajudando a resolvermos estes problemas em conjunto.
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4. Realização da Prática Profissional
4.1. Área I – Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem
“Esta área engloba a conceção, o planeamento, a realização e a avaliação do ensino. Tem como objetivo construir uma estratégia de intervenção, orientada por objetivos pedagógicos, que respeite o conhecimento válido no ensino da Educação Física e conduza com eficácia pedagógica o processo de educação e formação do aluno na aula de Educação Física”.4
4.1.1. Estado antecedente
Quando chega o momento do EP chega-nos a ansiedade devido à incerteza da colocação na escola pretendida, aquela escola almejada que nos seja mais segura. No meu caso, não conhecia particularmente nenhuma das escolas a concurso, mas já tinha ouvido falar de algumas escolas que são mais perto do meu concelho como S. João da Madeira, Espinho e Carvalhos. A escola de S. João da Madeira era a mais conhecida pois o meu ensino secundário foi passado neste concelho apesar de ter sido num agrupamento diferente e, portanto, já havia uma ideia sobre a mesma. Deste modo, tentei saber opiniões de colegas meus que frequentaram a escola e todos me deram pontos positivos relativamente à mesma e depois da sua renovação, acreditaram que muitos dos serviços também tenham melhorado.
Assim, a minha opção recaiu sobre esta escola, também por ser perto de casa e por não envolver tantos gastos como nos anos anteriores.
A primeira vez que entrei na escola foi para fazermos o registo nos serviços da secretaria e logo me deparei com a grandeza da escola que acolhe alunos desde o 5º ao 12º ano de escolaridade. Os funcionários pareceram-me simpáticos e prestáveis, pelo que suspeitei que seríamos bem integrados.
Depois disso, os primeiros contactos com a escola deram-se com as reuniões do grupo disciplinar onde ficámos a conhecer o grupo de Educação Física e no primeiro dia de aulas fomos apresentados oficialmente à escola, onde nos foi apresentada a mesma e
4 Documento interno da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, designado “Normas Orientadoras
do Estágio Profissional”, elaborado pela Doutora Zélia Matos para a unidade curricular Estágio Profissional no ano letivo 2014-2015.
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fizemos uma visita com o professor cooperante, dando-nos a conhecer também aos outros colegas/professores e ao diretor da escola.
Foi numa das reuniões de grupo de EF, que nos deparamos com a difícil tarefa de escolhermos a nossa turma. A minha escolha recaiu sobre uma turma do 7º ano de escolaridade por saber que estava incluído um aluno do ensino especial, do qual poderia ter imensas aprendizagens tanto para mim como para o mesmo, assim, fiquei feliz pela minha escolha. Essa imagem começou a dissipar-se a partir do momento em que começo a entrar em contacto com diversos funcionários (principalmente do pavilhão) e professores que referiram que os alunos eram muito rebeldes e mal comportados. Confesso que, nesse momento, assustou-me e pensei que teria o meu estágio arruinado. Isto porque, queria que a minha turma fosse perfeita, bem comportada e que não me desse muitos problemas. Depois do contacto com a turma em questão, esta teoria veio a confirmar-se e a desmentir-se ao mesmo tempo. Ou seja, haviam aulas em que os alunos eram mal comportados como noutras até eram bem comportados e realizavam as tarefas sem grandes problemas.
“Durante a apresentação os alunos mostraram-se sempre muito irrequietos, distraídos e faladores, têm muitas dificuldades de concentração.” (Reflexão nº 1 de Voleibol)
“Relativamente ao comportamento dos alunos, identifiquei que estes estavam muito melhores, mais atentos e não houveram tantas distrações nem comportamentos incorretos. Contudo, em certos momentos da aula houve alguns casos de indisciplina, de brincadeira e desatenção que condicionava a aprendizagem dos mesmos. Por outro lado, alguns alunos mostram-se empenhados na realização das tarefas e no consequente êxito, tentam saber mais e são os mais atentos”. (Reflexão nº 5 de Voleibol)
Ainda nesta visita à escola, também ficamos a conhecer o nosso espaço de aula – o pavilhão. Primeiro o pavilhão é enorme, para além de ter um espaço que pode ser dividido em 3 campos podendo estar 3 professores em simultâneo a lecionar, ainda tem a sala de dança e o espaço exterior que tem um campo de futebol, uma pista de atletismo e um campo de voleibol. A arrecadação, por sua vez, é enorme e tem uma panóplia de
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materiais que podemos usar nas nossas aulas, dando outra diversidade aos alunos que noutra escola não teríamos.
As etapas seguintes destinaram-se à analisar os programas de EF bem como as normas de estágio para verificar as tarefas a desempenhar neste ano letivo, de modo também a puder planear de forma mais eficaz o processo de ensino-aprendizagem.
Dados os acontecimentos, estiveram reunidas todas as condições para iniciarmos o processo de ensino-aprendizagem.
4.1.2. Ato de conceber o processo de ensino aprendizagem – O Planeamento
“O ensino é criado duas vezes: primeiro na conceção e depois na realidade.” (Bento, 2003, p. 16)
Depois de conhecermos a nossa realidade, chegou a altura de realizarmos um planeamento pormenorizado e detalhado, contudo possível de ser ajustado a qualquer momento devido a condições externas que possam surgir.
Para um bom planeamento temos de ter em atenção o currículo específico da EF, para ter em conta todos os pressupostos a desenvolver e trabalhar com os alunos. Partindo do princípio que os objetivos gerais e específicos são transversais a todas as escolas, estas podem segui-lo integralmente ou não, tendo em conta as suas próprias características. Ou seja, é ajustado à realidade da escola, da turma e do próprio aluno.
4.1.2.1. Planeamento anual
Este planeamento anual serviu para estruturar e organizar o processo de ensino e aprendizagem das nossas turmas e das modalidades a lecionar ao longo do ano letivo. As modalidades são definidas consoante o roulement, sendo este planificado no início do ano letivo para posterior entrega aos professores e deste modo se organizarem, para não haver sobreposição de ocupação de espaços. Os espaços a atribuir são 5, sendo eles o P1, P2, P3, P4 (sala de dança) e o exterior (Ext). A sua distribuição pelas modalidades são P1 - Atletismo, P2 – Tag Rugby, P3 – Voleibol, P4 Ginástica – e o Ext - Andebol. Assim este processo funciona de forma rotativa, dando a oportunidade de experimentar os diferentes espaços por todos os professores. É de referir ainda que, apesar de definido o espaço pela modalidade, este pode ser ajustado por vários professores, consoante a modalidade que pretendem lecionar, não sendo obrigatório seguir a ordem atrás apresentada.