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A tradução para a palavra maker é fazedor e ela nos remete a ideia de que ser um maker é ser uma pessoa capaz de criar ou consertar coisas. De imediato lembramos da figura do ilustre personagem de Walt Disney, criado em 1952 por Carl Barks: o Professor Pardal (Figura 2).

Figura 2 - Professor Pardal, criado em 1952 por Carl Barks

Desde o início dos tempos o homem cria e inova como forma de resolver problemas e de satisfazer suas necessidades. Dougherty (2016) ao fazer uma análise histórica sobre a importância do homem como ser capaz de criar e de, a partir disso, mudar a sua realidade, afirma: “o termo Homo Faber nos faz lembrar que os humanos transformam materiais em ferramentas e transformam o mundo usando estas ferramentas. Isso faz de nós o que somos: makers”. (tradução nossa)

Foi com os avanços dos meios de comunicação que a figura do maker se popularizou. Em 1902, H.H. Windsor lançou a revista Popular Mechanics dedicada a popularizar a ciência, a tecnologia e o “faça você mesmo”. A Figura 3 mostra, da

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esquerda para a direita, a 1ª edição americana, a edição brasileira de 1962 e a edição americana de 2016.

Figura 3 - Capas da revista Popular Mechanics

Se antes os projetos criados na garagem de casa ficavam restritos aos amigos e vizinhos do inventor, hoje eles podem ser divulgados e compartilhados com o resto do mundo, graças aos inúmeros meios de informação e comunicação disponíveis. A própria revista Popular Mechanics se adequou ao formato eletrônico, oferecendo acesso ao seu conteúdo também através da internet ou de dispositivos móveis. Inspirados na Popular Mechanics, os editores da O’Reilly Media lançaram em 2005 a revista Make: impulsionando o surgimento de diversas comunidades de makers, tais como Maker Share, Instructables e MakerEd. A Figura 4 mostra, da esquerda para a direita, a capa dos números 1, 21 e 7.

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Logo, além de inventar coisas, um maker compartilha o conhecimento adquirido com a invenção. O processo de criação não é mais solitário e sim colaborativo, contando, muitas vezes, com o apoio de uma comunidade, a qual tem como habitat os makerspaces (espaços para criação de qualquer tipo de objeto, tecnológico ou não) e os hackerspaces (com foco mais voltado para tecnologia). As pessoas frequentam esses espaços de forma voluntária; aderem a comunidades de aprendizagem, oficinas, palestras ou cursos, conforme seus interesses, sem a necessidade de obtenção de créditos ou certificados; e desenvolvem estudos individualizados conforme o ritmo de aprendizagem de cada um (SEFTON-GREEN, 2013 p.17).

Nesses espaços é possível encontrar desde ferramentas de busca de informações, passando por softwares para modelagem de objetos ou circuitos eletrônicos, até impressoras 3D, cortadoras laser, placas de processamento de hardware aberto, sensores, atuadores, dispositivos móveis, entre outros.

Com base no conceito dos makerspaces surgiram os Fab Labs. Em 2002, no laboratório interdisciplinar chamado Center for Bits and Atoms do MIT (Massachusetts Institute of Technology), foi criado o conceito de Fab Labs como espaços de empoderamento, ou seja, espaços onde as pessoas pudessem "se

tornar protagonistas tecnológicos e não apenas espectadores" (tradução nossa) (GERSHENFELD, 2005, p.77). Os Fab Labs constituem uma rede mundial de espaços maker, organizados através da FabFoundation4, que comportam, além das atividades de criatividade, prototipação e fabricação, uma comunidade de pesquisa e habilidades.

Os FabLabs foram criados para ser uma rede de compartilhamento de conhecimento, formada por pesquisadores, professores, estudantes, técnicos, fabricantes e inovadores. Atualmente estas pessoas fazem uso de laboratórios espalhados por 30 países em quase 300 laboratórios, extrapolando o conceito de DIY e atingindo o "DIWO (do it with others)" (NEVES; RAGUSA, 2014).

A partir de Neves e Ragusa (2014) e FabFoundation, relacionamos a seguir os objetivos de um FabLab:

4 http://www.fabfoundation.org/fab-labs/

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• Compartilhar e concretizar projetos: por serem espaços de experimentação, os FabLabs permitem idealizar, prototipar e testar projetos, sejam eles pessoais ou de grupos.

• Oferecer espaço para aprendizagem e formação: nos FabLabs funcionam pelo princípio "mão na massa" (hands-on), oferecendo oportunidades de aprendizado através da prática e da experimentação. Não se espera que o usuário de um FabLab tenha formação em engenharia para poder utilizar o espaço, mas sim que, ao final do seu projeto, ele tenha aprendido várias coisas sobre engenharia, design, computação, entre outros. Além disso, o FabCharter5 determina que projetos e processos desenvolvidos em um FabLab devem permanecer disponível para uso e aprendizagem pelos outros.

• Servir como espaço de inovação e empreendedorismo: produtos e processos desenvolvidos dentro de um FabLab podem ser patenteados e vendidos. Os projetos "devem evoluir para além do FabLab, em vez permanecerem dentro do laboratório e espera-se que beneficiem os inventores, labs e redes que contribuem para o seu sucesso" (FabCharter)

• Fabricar "quase qualquer coisa": devido a quantidade e variedade de ferramentas disponibilizadas pelos FabLabs, é possível fabricar uma grande diversidade de coisas. Os recursos disponibilizados nesses espaços seguem um padrão mínimo, determinado pela FabFoundation. São eles: cortadora laser, impressora 3D, fresa de precisão, cortadora de vinil, kit de eletrônica, sistema de vídeo conferência e computadores com acesso a internet.

Apesar das máquinas por comando numérico serem o grande atrativo dos FabLabs, o espaço é o grande diferencial do projeto. Por ser aberto ao público, o espaço possibilita o encontro de pessoas com os mais diversos tipos de formação e experiência, com interesses diferentes, mas com um objetivo em comum, que é o de criar.

Esta abertura, chave do sucesso e da popularidade dos Fab Labs, facilita os encontros, o acaso e o desenvolvimento de métodos inovadores para o cruzamento de competências. Ainda, por ser aberto e accessível, favorece a

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redução de barreiras à inovação e à constituição de um terreno fértil para a inovação. (NEVES; RAGUSA, 2014, p.20)