Artigo 157.º
Função e deveres das secretarias judiciais
1 — As secretarias judiciais asseguram o expe-diente, autuação e regular tramitação dos processos pendentes, nos termos estabelecidos na respetiva lei de organização judiciária, em conformidade com a lei de processo e na dependência funcional do magistrado competente.
2 — Incumbe à secretaria a execução dos despachos ju-diciais e o cumprimento das orientações de serviço emitidas pelo juiz, bem como a prática dos atos que lhe sejam por este delegados, no âmbito dos processos de que é titular e nos termos da lei, cumprindo -lhe realizar oficiosamente
as diligências necessárias para que o fim daqueles possa ser prontamente alcançado.
3 — Nas relações com os mandatários judiciais, devem os funcionários agir com especial correção e urbanidade.
4 — As pessoas que prestem serviços forenses junto das secretarias, no interesse e por conta dos mandatários judiciais, devem ser identificadas por cartão de modelo emitido pela respetiva associação pública profissional, com expressa identificação do advogado ou solicitador, número de cédula profissional, bem como, se for o caso, da respetiva sociedade, devendo a assinatura daquele ser reconhecida pela associação pública profissional corres-pondente.
5 — Dos atos dos funcionários da secretaria judicial é sempre admissível reclamação para o juiz de que aquela depende funcionalmente.
6 — Os erros e omissões dos atos praticados pela se-cretaria judicial não podem, em qualquer caso, prejudicar as partes.
Artigo 158.º
Âmbito territorial para a prática de atos de secretaria
1 — Os funcionários das secretarias do Supremo Tribu-nal de Justiça, das Relações e de quaisquer outros tribunais podem praticar diretamente os atos que lhes incumbam em toda a área de jurisdição do respetivo tribunal ou juízo, quando a área de jurisdição deste for superior à do tribunal em que está inserido.
2 — Nos casos previstos nas leis de organização judiciá-ria, a competência para a prática dos atos pelos funcionários da secretaria pode abranger a área de outras circunscrições judiciais.
Artigo 159.º
Composição de autos e termos
1 — Os autos e termos lavrados na secretaria devem conter a menção dos elementos essenciais e da data e lugar da prática do ato a que respeitem.
2 — Os atos de secretaria que não sejam praticados por meios eletrónicos, nos termos definidos na portaria prevista no n.º 1 do artigo 132.º, não devem conter espaços em branco que não sejam inutilizados, nem entrelinhas, rasuras ou emendas que não sejam devidamente ressalvadas.
3 — O processo será autuado de modo a facilitar a in-clusão das peças que nele são sucessivamente incorporadas e a impedir o seu extravio, observando -se o disposto nos diplomas regulamentares.
Artigo 160.º
Assinatura dos autos e dos termos
1 — Os autos e termos são válidos desde que estejam assinados pelo juiz e respetivo funcionário; se no ato não intervier o juiz, basta a assinatura do funcionário, salvo se o ato exprimir a manifestação de vontade de alguma das partes ou importar para ela qualquer responsabilidade, porque nestes casos é necessária também a assinatura da parte ou do seu representante.
2 — Quando seja necessária a assinatura da parte e esta não possa, não queira ou não saiba assinar, o auto ou termo é assinado por duas testemunhas que a reconheçam.
3 — Quando os atos sejam praticados por meios ele-trónicos, o disposto no n.º 1 não se aplica aos atos dos
funcionários que se limitem a proceder a uma comunicação interna ou a remeter o processo para o juiz, o Ministério Público ou outra secretaria ou secção do mesmo tribunal.
Artigo 161.º
Rubrica das folhas do processo
1 — O funcionário da secretaria encarregado do pro-cesso é obrigado a rubricar as folhas em que não haja a sua assinatura; e os juízes rubricam também as folhas relativas aos atos em que intervenham, excetuadas aquelas em que assinarem.
2 — As partes e seus mandatários têm o direito de ru-bricar quaisquer folhas do processo.
3 — O disposto nos números anteriores não se aplica aos atos praticados por meios eletrónicos, nos termos definidos na portaria prevista no n.º 1 do artigo 132.º.
Artigo 162.º
Prazos para o expediente da secretaria
1 — No prazo de cinco dias, salvos os casos de urgência, deve a secretaria fazer os processos conclusos, continuá -los com vista ou facultá -los para exame, passar os mandados e praticar os outros atos de expediente.
2 — No próprio dia, sendo possível, deve a secretaria submeter a despacho, avulsamente, os requerimentos que não respeitem ao andamento de processos pendentes, juntar a estes os requerimentos, respostas, articulados e alegações que lhes digam respeito ou, se forem apresentados fora do prazo ou houver dúvidas sobre a legalidade da junção, submetê -los a despacho do juiz, para este a ordenar ou recusar.
3 — O prazo para conclusão do processo a que se junte qualquer requerimento conta -se da apresentação deste ou da ordem de junção.
4 — Decorridos 10 dias sobre o termo do prazo fixado para a prática de ato próprio da secretaria sem que o mesmo tenha sido praticado, deve ser aberta conclusão com a indicação da concreta razão da inobservância do prazo.
5 — A secretaria remete, mensalmente, ao presidente do tribunal informação discriminada dos casos em que se mostrem decorridos 10 dias sobre o termo do prazo fixado para a prática de ato próprio da secretaria, ainda que o ato tenha sido entretanto praticado, incumbindo ao presidente do tribunal, no prazo de 10 dias contado da data de receção, remeter o expediente à entidade com competência disciplinar.
SECÇÃO V
Publicidade e acesso ao processo Artigo 163.º
Publicidade do processo
1 — O processo civil é público, salvas as restrições previstas na lei.
2 — A publicidade do processo implica o direito de exame e consulta dos autos na secretaria e de obtenção de cópias ou certidões de quaisquer peças nele incorpo-radas, pelas partes, por qualquer pessoa capaz de exercer o mandato judicial ou por quem nisso revele interesse atendível.
3 — O exame e a consulta dos processos têm também lugar por meio de página informática de acesso público do Ministério da Justiça, nos termos definidos na portaria prevista no n.º 1 do artigo 132.º.
4 — Incumbe às secretarias judiciais prestar informa-ção precisa às partes, seus representantes ou mandatários judiciais, ou aos funcionários destes, devidamente creden-ciados, acerca do estado dos processos pendentes em que sejam interessados.
5 — Os mandatários judiciais podem ainda obter infor-mação sobre o estado dos processos em que intervenham através de acesso aos ficheiros informáticos existentes nas secretarias, nos termos previstos no respetivo diploma regulamentar.
Artigo 164.º
Limitações à publicidade do processo
1 — O acesso aos autos é limitado nos casos em que a divulgação do seu conteúdo possa causar dano à dignidade das pessoas, à intimidade da vida privada ou familiar ou à moral pública, ou pôr em causa a eficácia da decisão a proferir.
2 — Preenchem, designadamente, as restrições à publi-cidade previstas no número anterior:
a) Os processos de anulação de casamento, divórcio, separação de pessoas e bens e os que respeitem ao esta-belecimento ou impugnação de paternidade, a que apenas podem ter acesso as partes e os seus mandatários;
b) Os procedimentos cautelares pendentes, que só po-dem ser facultados aos requerentes e seus mandatários e aos requeridos e respetivos mandatários, quando devam ser ouvidos antes de ordenada a providência;
c) Os processos de execução só podem ser facultados aos executados e respetivos mandatários após a citação ou, nos casos previstos no artigo 626.º, após a notifica-ção; independentemente da citação ou da notificação, é vedado aos executados e respetivos mandatários o acesso à informação relativa aos bens indicados pelo exequente para penhora e aos atos instrutórios da mesma.
Artigo 165.º
Confiança do processo
1 — Os mandatários judiciais constituídos pelas partes, os magistrados do Ministério Público e os que exerçam o patrocínio por nomeação oficiosa podem solicitar, por escrito ou verbalmente, que os processos pendentes lhes sejam confiados para exame fora da secretaria do tribunal.
2 — Tratando -se de processos findos, a confiança pode ser requerida por qualquer pessoa capaz de exercer o man-dato judicial, a quem seja lícito examiná -los na secretaria.
3 — Compete à secretaria facultar a confiança do pro-cesso, pelo prazo de cinco dias, que pode ser reduzido se causar embaraço grave ao andamento da causa.
4 — A recusa da confiança deve ser fundamentada e comunicada por escrito, dela cabendo reclamação para o juiz, nos termos do artigo 168.º.
Artigo 166.º
Falta de restituição do processo dentro do prazo
1 — O mandatário judicial que não entregue o processo dentro do prazo que lhe tiver sido fixado é notificado para, em dois dias, justificar o seu procedimento.
2 — Caso o mandatário judicial não apresente justifica-ção ou esta não constitua facto do conhecimento pessoal do juiz ou justo impedimento nos termos do artigo 140.º, é condenado no máximo de multa; esta é elevada ao dobro se, notificado da sua aplicação, não entregar o processo no prazo de cinco dias.
3 — Se, decorrido o prazo previsto na última parte do número anterior, o mandatário judicial ainda não tiver feito a entrega do processo, o Ministério Público, ao qual é dado conhecimento do facto, promove contra ele procedimento pelo crime de desobediência e faz apreender o processo.
4 — Do mesmo facto é dado conhecimento à respetiva associação pública profissional.
Artigo 167.º
Direito ao exame em consequência de disposição legal ou despacho judicial
1 — Nos casos em que, por disposição da lei ou despa-cho do juiz, o mandatário judicial tenha prazo para exame, a secretaria, a simples pedido verbal, confia -lhe o processo pelo prazo marcado.
2 — Considera -se que o mandatário judicial tem prazo para exame do processo sempre que este aguarde o decurso do prazo para a prática de um ato que só à parte por ele patrocinada caiba praticar.
3 — Se deixar de entregar o processo até ao último dia do prazo de exame, o mandatário incorre nas sanções cominadas no artigo anterior.
Artigo 168.º
Dúvidas e reclamações
1 — Em caso de dúvida sobre o direito de acesso ao processo, a secretaria submete, por escrito, a questão à apreciação do juiz.
2 — No caso de recusa do acesso ao processo ou se for requerida a prorrogação do prazo de consulta, a secreta-ria faz o processo concluso imediatamente ao juiz com a informação que tiver por conveniente, para ser proferida decisão.
Artigo 169.º
Registo da entrega dos autos
1 — A entrega dos autos a que se referem os artigos anteriores é registada em livro especial, indicando -se o pro-cesso de que se trata, o dia e hora da entrega e o prazo por que é concedido o exame; a nota é assinada pelo requerente ou por outra pessoa munida de autorização escrita.
2 — Quando o processo for restituído, é dada a respetiva baixa ao lado da nota de entrega.
Artigo 170.º
Dever de passagem de certidões
1 — A secretaria deve, sem precedência de despacho, passar as certidões de todos os termos e atos processuais que lhe sejam requeridas, oralmente ou por escrito, pelas partes no processo, por quem possa exercer o mandato judicial ou por quem revele interesse atendível em as obter.
2 — Tratando -se, porém, dos processos a que alude o artigo 164.º, nenhuma certidão é passada sem prévio despacho sobre a justificação, em requerimento escrito, da sua necessidade, devendo o despacho fixar os limites da certidão.
Artigo 171.º
Prazo para a passagem das certidões
1 — As certidões são passadas dentro do prazo de cinco dias, salvo nos casos de urgência ou de manifesta impos-sibilidade, em que se consigna o dia em que devem ser levantadas.
2 — Se a secretaria recusar a passagem da certidão, aplica -se o disposto no n.º 2 do artigo 168.º, sem prejuízo das providências disciplinares a que a falta dê lugar.
3 — Se a secretaria retardar a passagem de qualquer certidão, a parte pode requerer ao juiz que a mande passar ou fixe prazo para ser passada, sendo o requerimento sub-metido a despacho com informação escrita do funcionário.
SECÇÃO VI