Artigo 925.º
Petição
Todo aquele que pretenda pôr termo à indivisão de coisa comum requer, no confronto dos demais consortes, que, fixadas as respetivas quotas, se proceda à divisão em subs-tância da coisa comum ou à adjudicação ou venda desta, com repartição do respetivo valor, quando a considere indivisível, indicando logo as provas.
Artigo 926.º
Citação e oposição
1 — Os requeridos são citados para contestar, no prazo de 30 dias, oferecendo logo as provas de que dispuserem.
2 — Se houver contestação ou a revelia não for ope-rante, o juiz, produzidas as provas necessárias, profere logo decisão sobre as questões suscitadas pelo pedido de divisão, aplicando -se o disposto nos artigos 294.º e 295.º;
da decisão proferida cabe apelação, que sobe imediata-mente, nos próprios autos e com efeito suspensivo.
3 — Se, porém, o juiz verificar que a questão não pode ser sumariamente decidida, conforme o preceituado no número anterior, manda seguir os termos, subsequentes à contestação, do processo comum.
4 — Ainda que as partes não hajam suscitado a questão da indivisibilidade, o juiz conhece dela oficiosamente, determinando a realização das diligências instrutórias que se mostrem necessárias.
5 — Se tiver sido suscitada a questão da indivisibilidade e houver lugar à produção de prova pericial, os peritos pronunciam -se logo sobre a formação dos diversos qui-nhões, quando concluam pela divisibilidade.
Artigo 927.º
Perícia, no caso de divisão em substância
1 — Se não houver contestação, sendo a revelia operante, ou aquela for julgada improcedente e o juiz entender que nada obsta à divisão em substância da coisa comum, são as partes notificadas para, em 10 dias, indicarem os respetivos peritos, sob cominação de, ne-nhuma delas o fazendo, a perícia destinada à formação dos quinhões ser realizada por um único perito, desig-nado pelo juiz.
2 — As partes são notificadas do relatório pericial, po-dendo pedir esclarecimentos ou contra ele reclamar, no prazo de 10 dias.
3 — Seguidamente, o juiz decide segundo o seu pru-dente arbítrio, podendo fazer preceder a decisão da realiza-ção de segunda perícia ou de quaisquer outras diligências que considere necessárias, aplicando -se o disposto nos artigos 294.º e 295.º.
Artigo 928.º
Indivisibilidade suscitada pela perícia
Se não tiver sido suscitada a questão da indivisibilidade, mas a perícia concluir que a coisa não pode ser dividida em substância, seguem -se os termos previstos nos n.os 2 e 3 do artigo anterior, com as necessárias adaptações.
Artigo 929.º
Conferência de interessados
1 — Fixados os quinhões, realiza -se conferência de interessados para se fazer a adjudicação; na falta de acordo entre os interessados presentes, a adjudicação é feita por sorteio.
2 — Sendo a coisa indivisível, a conferência tem em vista o acordo dos interessados na respetiva adjudicação a algum ou a alguns deles, preenchendo -se em dinheiro as quotas dos restantes. Na falta de acordo sobre a adjudi-cação, é a coisa vendida, podendo os consortes concorrer à venda.
3 — Se houver interessados incapazes ou ausentes, o acordo tem de ser autorizado judicialmente, ouvido o Mi-nistério Público.
4 — O acordo dos interessados presentes obriga os que não comparecerem, salvo se não tiverem sido notificados, devendo sê -lo. Na notificação das pessoas convocadas faz -se menção do objeto da conferência
5 — Reclamado o pagamento das tornas, é notificado o interessado que haja de as pagar, para as depositar.
6 — Não sendo efetuado o depósito, pode o reclamante pedir que a coisa lhes seja adjudicada, contanto que de-posite imediatamente a importância das tornas que, por virtude da adjudicação, tenha de pagar.
7 — Sendo o requerimento feito por mais de um interes-sado e não havendo acordo entre eles sobre a adjudicação, aplica -se o disposto na segunda parte do n.º 1.
8 — Pode também o reclamante pedir que, transitada em julgado a sentença, se proceda no mesmo processo à venda da coisa.
9 — Não sendo reclamado o pagamento, as tornas ven-cem os juros legais desde a data da sentença e os credores podem registar hipoteca legal sobre a coisa.
Artigo 930.º
Divisão de águas
O disposto nos artigos anteriores é aplicável, com as necessárias adaptações, à divisão de águas.
TÍTULO VII
Do divórcio e separação sem consentimento do outro cônjuge
Artigo 931.º
Tentativa de conciliação
1 — Apresentada a petição, se a ação estiver em condi-ções de prosseguir, o juiz designa dia para uma tentativa de conciliação, sendo o autor notificado e o réu citado para comparecerem pessoalmente ou, no caso de estarem ausentes do continente ou da ilha onde correr o processo, se fazerem representar por mandatário com poderes especiais, sob pena de multa.
2 — Estando presentes ambas as partes e não sendo possível a sua conciliação, e não tendo resultado a tentativa do juiz no sentido de obter o acordo dos cônjuges para o divórcio ou a separação por mútuo consentimento, o juiz procura obter o acordo dos cônjuges quanto aos alimentos e quanto à regulação do exercício das responsabilidades parentais dos filhos. Procura ainda obter o acordo dos cônjuges quanto à utilização da casa de morada de família durante o período de pendência do processo, se for caso disso.
3 — Na tentativa de conciliação, ou em qualquer outra altura do processo, as partes podem acordar no divórcio ou separação de pessoas e bens por mútuo consentimento, quando se verifiquem os necessários pressupostos.
4 — Estabelecido o acordo referido no número ante-rior, seguem -se no próprio processo, com as necessárias adaptações, os termos dos artigos 994.º e seguintes; sendo decretado o divórcio ou a separação definitivos por mú-tuo consentimento, as custas em dívida são pagas, em partes iguais, por ambos os cônjuges, salvo convenção em contrário.
5 — Faltando alguma ou ambas as partes, ou não sendo possível a sua conciliação nem a hipótese a que aludem os n.os 3 e 4, o juiz ordena a notificação do réu para contestar no prazo de 30 dias; no ato da notificação, a fazer imedia-tamente, entrega -se ao réu o duplicado da petição inicial.
6 — No caso de o réu se encontrar ausente em parte incerta, uma vez cumprido o disposto no artigo 236.º, a designação de dia para a tentativa de conciliação fica sem efeito, sendo ordenada a citação edital daquele para con-testar.
7 — Em qualquer altura do processo, o juiz, por inicia-tiva própria ou a requerimento de alguma das partes, e se o considerar conveniente, pode fixar um regime provisório quanto a alimentos, quanto à regulação do exercício das responsabilidades parentais dos filhos e quanto à utili-zação da casa de morada da família; para tanto, o juiz pode, previamente, ordenar a realização das diligências que considerar necessárias.
Artigo 932.º
Julgamento
Decorrido o prazo para a apresentação da contestação, seguem -se os termos do processo comum.
TÍTULO VIII
Da execução especial por alimentos Artigo 933.º
Termos que segue
1 — Na execução por prestação de alimentos, o exe-quente pode requerer a adjudicação de parte das quantias, vencimentos ou pensões que o executado esteja perce-bendo, ou a consignação de rendimentos pertencentes a este, para pagamento das prestações vencidas e vincendas, fazendo -se a adjudicação ou a consignação independen-temente de penhora.
2 — Quando o exequente requeira a adjudicação das quantias, vencimentos ou pensões a que se refere o número anterior, é notificada a entidade encarregada de os pagar ou de processar as respetivas folhas para entregar diretamente ao exequente a parte adjudicada.
3 — Quando requeira a consignação de rendimentos, o exequente indica logo os bens sobre que há de recair e o agente de execução efetua -a relativamente aos que con-sidere bastantes para satisfazer as prestações vencidas e vincendas, podendo para o efeito ouvir o executado.
4 — A consignação mencionada nos números anteriores processa -se nos termos dos artigos 803.º e seguintes, com as necessárias adaptações.
5 — O executado é sempre citado depois de efetuada a penhora e a sua oposição à execução ou à penhora não suspende a execução.
Artigo 934.º
Insuficiência ou excesso dos rendimentos consignados
1 — Quando, efetuada a consignação, se mostre que os rendimentos consignados são insuficientes, o exequente pode indicar outros bens e volta -se a proceder nos termos do n.º 3 do artigo anterior.
2 — Se, ao contrário, vier a mostrar -se que os rendi-mentos são excessivos, o exequente é obrigado a entregar
o excesso ao executado, à medida que o receba, podendo também o executado requerer que a consignação seja li-mitada a parte dos bens ou se transfira para outros.
3 — O disposto nos números anteriores é igualmente aplicável, consoante as circunstâncias, ao caso de a pensão alimentícia vir a ser alterada no processo de execução.
Artigo 935.º
Cessação da execução por alimentos provisórios
A execução por alimentos provisórios cessa sempre que a fixação deles fique sem efeito, por caducidade da providência, nos termos gerais.
Artigo 936.º
Processo para a cessação ou alteração dos alimentos
1 — Havendo execução, o pedido de cessação ou de alteração da prestação alimentícia deve ser deduzido por apenso àquele processo.
2 — Tratando -se de alimentos provisórios, observam -se termos iguais aos dos artigos 384.º e seguintes.
3 — Tratando -se de alimentos definitivos, são os inte-ressados convocados para uma conferência, que se realiza dentro de 10 dias; se chegarem a acordo, é este logo homo-logado por sentença; no caso contrário, deve o pedido ser contestado no prazo de 10 dias, seguindo -se à contestação os termos do processo comum declarativo.
4 — O processo estabelecido no número anterior é apli-cável à cessação ou alteração dos alimentos definitivos judicialmente fixados, quando não haja execução; neste caso, o pedido é deduzido por dependência da ação con-denatória.
Artigo 937.º
Garantia das prestações vincendas
Vendidos bens para pagamento de um débito de ali-mentos, não deve ordenar -se a restituição das sobras da execução ao executado sem que se mostre assegurado o pagamento das prestações vincendas até ao montante que o juiz, em termos de equidade, considerar adequado, salvo se for prestada caução ou outra garantia idónea.
TÍTULO IX
Da liquidação da herança vaga em benefício do Estado
Artigo 938.º
Citação dos interessados incertos no caso de herança jacente
1 — No caso de herança jacente, por não serem conhe-cidos os sucessores, por o Ministério Público pretender contestar a legitimidade dos que se apresentarem, ou por os sucessores conhecidos haverem repudiado a herança, tomam -se as providências necessárias para assegurar a conservação dos bens e em seguida são citados, por éditos, quaisquer interessados incertos para deduzir a sua habili-tação como sucessores dentro de 30 dias depois de findar o prazo dos éditos.
2 — Qualquer habilitação pode ser contestada não só pelo Ministério Público, mas também pelos outros
habi-litandos nos 15 dias seguintes ao prazo marcado para o oferecimento dos artigos de habilitação.
3 — À contestação seguem -se os termos do processo comum declarativo.
Artigo 939.º
Liquidação no caso de herança vaga
1 — A herança é declarada vaga para o Estado se nin-guém aparecer a habilitar -se ou se decaírem todos os que se apresentem como sucessores.
2 — Feita a declaração do direito do Estado, procede--se à liquidação da herança, cobrando procede--se as dívidas ativas, vendendo -se judicialmente os bens, satisfazendo--se o passivo e adjudicando satisfazendo--se ao Estado o remanes-cente.
3 — O Ministério Público propõe, no tribunal compe-tente, as ações necessárias à cobrança coerciva de dívidas ativas da herança.
4 — Os fundos públicos e os bens imóveis só são ven-didos quando o produto dos outros bens não chegue para pagamento das dívidas; pode ainda o Ministério Público, relativamente a quaisquer outros bens, cujo valor não seja necessário para pagar dívidas da herança, requerer que sejam adjudicados em espécie ao Estado.
Artigo 940.º
Processo para a reclamação e verificação dos créditos
1 — Os credores da herança, que sejam conhecidos, são citados pessoalmente para reclamar os seus créditos, no prazo de 15 dias, procedendo -se ainda à citação edital dos credores desconhecidos.
2 — As reclamações formam um apenso, observando -se depois o disposto nos artigos 789.º a 791.º; podem também ser impugnadas pelo Ministério Público, que é notificado do despacho que as receber.
3 — Se, porém, o tribunal for incompetente, em razão da matéria, para conhecer de algum crédito, é este exigido, pelos meios próprios, no tribunal competente.
4 — Se algum credor tiver pendente ação declara-tiva contra a herança ou contra os herdeiros incertos da pessoa falecida, esta prossegue no tribunal competente, habilitando -se o Ministério Público para com ele seguirem os termos da causa, mas suspendendo -se a graduação global dos créditos no processo principal até haver de-cisão final.
5 — Se estiver pendente ação executiva, suspendem--se as diligências destinadas à realização do pagamento, relativamente aos bens que o Ministério Público haja relacionado, sendo a execução apensada ao processo de liquidação, se não houver outros executados e logo que se mostrem julgados os embargos eventualmente deduzidos, aos quais se aplica o disposto no número anterior.
6 — O requerimento executivo vale, no caso da apen-sação prevista no número anterior, como reclamação do crédito exigido.
7 — É admitido a reclamar o seu crédito, mesmo depois de findo o prazo das reclamações, qualquer credor que não tenha sido notificado pessoalmente, uma vez que ainda esteja pendente a liquidação; se esta já estiver finda, o credor só tem ação contra o Estado até à importância do remanescente que lhe tenha sido adjudicado.