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Atribuições, saberes e condições de trabalho

A função do agente pedagógico no âmbito da educação brasileira passou histo-ricamente por muitas mudanças. Ao consultar a legislação referente ao papel do coordenador pedagógico, ressalta-se que suas atribuições são amplas e diversifica-das, envolvendo desde a sua liderança diante do Projeto Político Pedagógico (PPP) até funções de natureza administrativa, de apoio e assessoria à direção escolar e à formação continuada de professores que, segundo a maioria dos estudiosos da área, constituindo a atribuição central de uma coordenação pedagógica.

Em países como a França, por exemplo, há uma definição bastante específica quanto ao papel do coordenador pedagógico, o qual gira em torno de três eixos, quais sejam: formador, articulador e transformador, configurando uma espécie de conselheiro pedagógico que deve possuir um conjunto de conhecimentos pedagó-gicos, didáticos e relacionais, auxiliando os professores no gerenciamento do seu tempo e na otimização quanto à organização e o funcionamento dos ciclos pedagó-gicos (PLACCO; ALMEiDA; SOUZA, 2011).

Na realidade brasileira, a amplitude de leis muitas vezes contribui para uma confusão em relação às funções do coordenador pedagógico. Na prática, os profis-sionais não têm clareza do seu papel, ou têm dificuldade de realizar o seu trabalho tendo como prioridade o eixo da formação docente em função do acúmulo de ou-tras funções que lhe são atribuídas.

No espaço em que atuamos, em um Campus do instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará - iFPA, a equipe pedagógica é composta por pe-dagogos e técnicos em assuntos educacionais (formação em Licenciatura em Le-tras). Trabalhamos com adolescentes de cursos técnicos integrados que recebem a formação de nível médio integrado à formação profissionalizante e adultos de cursos de nível médio, superior e da pós-graduação. Além do trabalho relacionado às questões administrativas e didático-pedagógicas, a atuação se estende a toda a comunidade escolar: docentes, discentes, técnicos, família, incluindo o público interno e externo.

Nos institutos Federais, os pedagogos e técnicos em assuntos educacionais as-sumem tarefas complexas que requerem conhecimentos e habilidades especializa-dos. Precisa conhecer e compreender sobre os processos educativos de forma bas-tante ampla, pois interage com diferentes profissionais que nem sempre tiveram acesso à formação pedagógica, ainda que estejam exercendo a docência.

Pinto (2011) descreve muito bem as atividades que realizamos no nosso espaço de trabalho, que são: o trabalho de acompanhamento, assessoramento, coordena-ção e viabilizacoordena-ção das atividades docentes e discentes no interior das escolas. isto requer de nós sólida formação pedagógica que supere as expectativas cristalizadas pelo cotidiano escolar. Atuamos no cotidiano escolar fazendo o planejamento, or-ganização e execução de atividades didático-pedagógicas, assessoria às direções e coordenações ligadas ao ensino, realizamos acompanhamentos pedagógicos, plane-jamos e realizamos projetos juntamente com os docentes, atuamos na elaboração de Projetos Pedagógicos de Cursos e orientamos os professores quanto aos planos

de ensino.

Um estudo foi realizado por Souza, Cruz e Silva (2015) por meio de um levan-tamento de publicações de artigos sobre a atuação do pedagogo nos iF em revistas dos próprios institutos no período de 2008 a 2014. As autoras destacam, em suas conclusões que o pedagogo atua no espaço do iF com os papéis de supervisor esco-lar, articulador de toda a comunidade escoesco-lar, profissional que acompanha alunos e professores, que cuida de aspectos administrativos como o de preenchimento de diários e pagamento de bolsa dos alunos, como mediador e organizador do espaço e tempo escolar. Por conta do excesso de atribuições, muitas vezes, deixa de lado um dos focos principais de sua atuação que é a formação docente continuada.

A formação continuada do docente é um dos grandes desafios impostos à Co-ordenação Pedagógica. Para entender a importância da formação continuada de professores dentro da esfera de uma escola de Educação Profissional da Rede Fe-deral de Educação Profissional e Tecnológica, é necessário compreender que este professor emerge em uma organização multicampi que se caracteriza por apresen-tar uma grande quantidade de ofertas em diferentes modalidades e para diferen-tes públicos, dentro de uma diversidade de eixos tecnológicos que compreendem diferentes cursos.

Neste contexto bastante peculiar, temos professores licenciados que não tive-ram, durante sua formação, discussões a respeito da Educação Profissional e pro-fessores bacharéis que, além da questão já mencionada, não possuem formação pedagógica. Tal cenário traz implicações para o trabalho docente na Educação Profissional, uma vez que o professor é o responsável principal pelo processo de ensino e aprendizagem, exigindo, por sua vez, por parte da Coordenação Pedagó-gica, uma atuação que dê conta de promover meios para que a construção do saber pedagógico do professor bacharel e do professor licenciado, apesar de apresenta-rem necessidades formativas diferentes, torne-se efetiva de fato.

Desta forma, a escola se configura como um lugar privilegiado para a formação

de professores e terá como um dos principais sujeitos responsáveis por esta forma-ção docente continuada, o Coordenador Pedagógico. Esta tarefa não é nada fácil.

De acordo com Placco, Almeida e Souza (2015, p.17):

Os coordenadores pedagógicos têm muita dificuldade em enfrentar esse desafio da formação continuada de seus professores, seja por suas dificuldades pessoais para esse enfrentamento, seja por falhas de sua formação para serem promotores dessa formação, seja por suas limitações enquanto líderes coletivos de professores.

A mediação realizada pelo coordenador pedagógico na formação docente, gera em alguns momentos situações conflituosas. Os Serviços de Apoio Pedagógico, en-quanto formadores dos professores, sentem-se inseguros en-quanto à ocupação desse novo lugar. Uma pesquisa realizada por Fávero (2018) com profissionais que atuam no serviço de coordenação e orientação pedagógica em uma instituição de Educa-ção Básica confirma essa constataEduca-ção.

Os dados usados e analisados até aqui permitem verificar a tensão permanente entre a teoria e a prática; nas questões de mediações práticas e nos fundamentos necessários para as intervenções, é per-ceptível a angústia no trato com o professor, o sentimento de pre-paração específica – mas dificuldades na questão de ação coletiva-, a percepção da existência de um projeto de formação do professor (porém a carência de elementos para as mediações dos serviços na vertente da formação do professor); a busca da articulação intencio-nal com o projeto coletivo da escola nas fundamentações e as difi-culdades de transposição para as estratégias de ação, além da valo-rização da experiência, juntamente com a formação continuada da instituição. (FAVERO, 2018, p.162).

Se a relação entre Professor e Coordenação Pedagógica tem apresentado difi-culdades na construção do processo de formação continuada, a relação com o outro eixo da Educação Profissional – o aluno – tem se dado de forma mais prazerosa

e gratificante. O trabalho com os alunos tem se constituído como sendo uma das maiores áreas de atuação desse profissional e onde ele encontra grande reconhe-cimento profissional. Nessa relação, o Coordenador Pedagógico assume também o papel de orientador educacional junto aos alunos objetivando auxiliá-los, através de uma prática pedagógica que os estimulem a ter uma participação mais crítica e fundamentada, bem como ajudando-os a fazer escolhas e assumir a responsabilida-de responsabilida-de suas escolhas.

É interessante destacar que o trabalho com o aluno perpassa pelo trabalho do-cente, uma vez que o aluno figura como um elo de ligação entre a Coordenação Pe-dagógica e o docente, demandando, muitas vezes, trabalho para esta coordenação a fim de promover ações necessárias para a melhoria do cotidiano escolar. Se por um lado, a relação que se estabelece com docentes se dá de forma conflituosa, como podemos confirmar através de nossas vivências e através das leituras feitas sobre o assunto no âmbito dos institutos Federais, a relação que se estabelece entre alunos e Coordenação Pedagógica é permeada de reconhecimento, valorização e afeto.

Contribuições do Coordenador Pedagógico para