Introdução
A proposta das instituições de ensino profissional é muito mais do que apenas o serviço de formação técnica para suprir as demandas de mão de obra da sociedade.
Ela tem também um comprometimento com a comunidade, em socializar parte do conhecimento adquirido nas salas de aula para o bem comum da sociedade e, para isso, precisa estar comprometida com a extensão e a pesquisa, uma vez que não é só o ensino que faz parte da formação acadêmica dos discentes, a pesquisa e extensão também o fazem. O iFPA atua dentro desse contexto, trabalhando não só o ensino, como também se dedicando às atividades de pesquisa e extensão, buscando um
maior crescimento institucional através da criação e produção de conhecimento, a fim de beneficiar o instituto e a Comunidade. Nesse sentido, buscou-se analisar de que forma os projetos de extensão estão contribuindo para o bem social da comunidade.
A extensão engloba ações que a instituição de ensino realiza junto à sociedade que permite compartilhar com esse público externo, o conhecimento que é adqui-rido dentro das salas de aula por meio do ensino e da pesquisa desenvolvidos den-tro da instituição, ou seja, é a interação entre o conhecimento científico vindo da unidade educacional com as necessidades advindas da comunidade, gerando assim uma transformação na realidade social local. O setor de extensão exerce uma das funções sociais dentro de uma instituição acadêmica, buscando sempre promover o desenvolvimento social, através de projetos que levam em conta a junção entre os saberes populares e o conhecimento científico, a viabilidade econômica, a susten-tabilidade ambiental e social, respeitando sempre a diversidade cultural, de acordo com a UFRB, (2017).
A extensão é uma via de mão-dupla, com trânsito assegurado à co-munidade acadêmica, que encontrará, na sociedade, a oportunidade da elaboração da práxis de um conhecimento acadêmico. No retor-no à universidade, docentes e discentes trarão um aprendizado que, submetido à reflexão teórica, será acrescido àquele conhecimento.
Este fluxo, que estabelece a troca de saberes sistematizados/acadê-mico e popular, terá como consequência: a produção de conhecimen-to resultante do confronconhecimen-to com a realidade brasileira e regional; e a democratização do conhecimento acadêmico e a participação efetiva da comunidade na atuação da universidade. Além de instrumentali-zadora deste processo dialético de teoria/prática, a extensão é um trabalho interdisciplinar que favorece a visão integrada do social.
[...] A institucionalização da prática extensionista, na medida em que reduz a distância que atualmente separa a atividade acadêmica dos interesses concretos da população, deve ser visualizada como um instrumento básico da recuperação da função social da universidade e restauração de sua credibilidade. (FORPROEX, 1987 p.2).
O instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará - iFPA, durante seus 109 anos de história representa o sucesso de uma instituição de educação profissional pública, gratuita e de qualidade, que está consolidada na comunidade paraense, brasileira e internacional.
O instituto Federal de Educação do Pará, criado pela Lei 11.892/2008, trata-se de uma autarquia federal. É uma instituição que oferece educação superior, básica e profissional, pluricurricular e Multicampi. Possui 18 campi localizados no inte-rior do estado do Pará, sendo o foco deste trabalho o iFPA Campus Santarém. É especializado na oferta de educação profissional e tecnológica nas diferentes mo-dalidades de ensino, buscando reunir conhecimentos técnicos e tecnológicos e as suas práticas pedagógicas, onde se propõe a integração da formação acadêmica à preparação para o mercado de trabalho (iFPA/PDi,2014). Em seu Plano de De-senvolvimento institucional, o iFPA estipula como missão.
“Promover a educação profissional e tecnológica em todos os níveis e modalidades por meio do ensino, pesquisa, extensão e inovação para o desenvolvimento regional sustentável, valorizando a diversidade e a integração dos saberes” (iFPA/PDi, 2014, p.19).
De acordo com Pacheco (2010), os institutos federais de educação, assim como as universidades, estão pautados no princípio constitucional da indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão e devem ofertar e fomentar essas atividades dentro de um processo interdisciplinar, educacional e científico, buscando o desenvolvi-mento local na expectativa da construção da cidadania e consequentemente uma melhoria da qualidade de vida dessa população onde a instituição acadêmica está inserida.
E o iFPA através da pró-reitoria de extensão, setor responsável pela extensão desenvolvida no instituto, que é o nosso foco de estudo, tem como objetivo planejar, executar e acompanhar as políticas de extensão.Assim, a pró-reitoria de extensão
do iFPA define a importância da extensão como:
Extensão é a interface entre o instituto Federal e a comunidade.
Constitui-se como processo educativo, cultural, científico e político que, articulado de forma indissociável com o ensino e a pesquisa, viabiliza e media a relação dialógica e transformadora entre o iFPA e a Sociedade. Tal processo apoia-se na valorização e troca de sabe-res para a solução de problemas, e no diálogo entre a função social dos institutos e as políticas públicas, buscando a efetivação de direi-tos sociais e o exercício pleno da cidadania, articulada ao combate a discriminações, preconceitos e desigualdades em acordo com as políticas de ações afirmativas e de inclusão social. Assim, a extensão é estratégia para a criação de redes de conhecimento, para a inclusão de atores sociais nas políticas institucionais, bem como para a pró-pria inserção e o acompanhamento dos estudantes na comunidade de forma articulada com o mundo do trabalho (iFPA/PDi, 2014 p.53).
O iFPA através da resolução 174/2017 do CONSUP vem estabelecer os fun-damentos, os princípios e as diretrizes para as atividades de extensão do instituto com a necessidade de regulamentar as atividades e o desenvolvimento das ati-vidades de extensão do iFPA. Através da resolução 174/2017, as atiati-vidades de extensão devem:
“[...] devem ter relação com a comunidade interna e externa do iFPA;
§ 2° A extensão deve beneficiar a consolidação e o fortalecimento dos arranjos produtivos, sociais e culturais locais, identificados com base no mapeamento das potencialidades de desenvolvimento so-cioeconômico e cultural no âmbito de atuação do iFPA”. (CONSUP, 174/2017, p.2).
Material e métodos
Em relação à metodologia, a pesquisa foi descritiva com o objetivo de descrever as características de certo fenômeno, estabelecendo relações entre variáveis, de maneira a envolver coleta de dados sob a forma de levantamento documental.
Essa pesquisa foi realizada, de início, através de pesquisa bibliográfica e docu-mental visando fundamentar o processo de pesquisa. A pesquisa docudocu-mental foi realizada com o levantamento de dados colhidos nas consultas a documentos do iFPA - Campus Santarém, que levou em consideração a relação de projetos subme-tidos em 2016 e 2017, aqueles que foram executados e que tiveram impactos sociais na comunidade.
Desde seu surgimento, o Campus de Santarém tem atuado em parceria com o Município sede, desenvolvendo ações que beneficiam a comunidade. Neste sentido, a instituição tem exercido sua responsabilidade social com a sociedade Santarena, através de atos efetivos como projetos de ensino, pesquisa e extensão.
A respeito da técnica de coleta de dados, utilizou-se como instrumento de coleta de dados os documentos relacionados abaixo, fornecidos pela coordenação de ex-tensão do iFPA Campus Santarém, referente aos projetos de exex-tensão realizados no ano de 2016 e 2017 e documentos a respeito da coordenação de extensão.
• Resolução N° 174/2017-CONSUP DE 25 DE ABRIL DE 2017 - Os funda-mentos, os princípios e as diretrizes para as atividades de extensão.
• PDI - Plano de Desenvolvimento Institucional 2014 – 2018
• Relatório dos projetos de extensão de 2016
• Relatório dos projetos de extensão de 2017
Foi utilizada a análise de documentos com os dados referentes ao objeto da pesquisa, na qual se identificou que no ano de 2016 foram submetidos 25 projetos de extensão na coordenação, em que 04 tiveram fomento do PROEXT e 38 pro-jetos em 2017 e até o momento de finalização deste estudo, nenhum projeto havia
recebido fomento em 2017. A falta de recursos obstava o desenvolvimento de ações previstas nos projetos, e muitos deles tiveram dificuldades para executá-las, sejam pelas burocracias, setor de compras ou financeiro.
Assim sendo, após análise dos projetos submetidos à Coordenação de Exten-são do Campus e dos dados colhidos nas consultas a documentos do iFPA Campus Santarém, encontramos quatro projetos de extensão que se destacaram por terem mais evidências que comprovaram o compromisso social dos projetos de extensão:
Projeto de Extensão PENSO - Pré Enem Solidário, Projeto de Extensão Engenha-ria Social e Sustentável, Projeto Trote Cidadão, o Projeto Mestres Mirins. Após obtenção desse resultado, foi aplicada uma entrevista com questões abertas para os coordenadores desses projetos com a finalidade de obter mais informações a respeito da importância e dificuldades dos respectivos projetos.