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Atuais dados da extensão no IFNMG campus Januária

Além dos projetos apontados, são inúmeras as ações que a instituição registra dentro dos eixos, social, cultural, artístico, esportivo, tecnológico e de empreendedorismo. Somente no ano de 2018, a tabela abaixo nos apresen- ta 56 projetos cadastrados, sendo que entre estes, 46 foram custeados com fomento interno e 11 são projetos voluntários. Ainda conforme a tabela, os projetos de extensão em 2018, contam com 58 bolsistas, 126, discentes volun- tários envolvidos e total de 124.320, 20 em recursos financeiros investidos.

Considerações finais

Se a história dos 10 anos dos Institutos Federais é recente para a con- solidação das ações de extensão em cada campus, no Campus Januária esta história caminha para os seus 58 anos, desde a criação da Escola Agrotécnica de Januária, em 1960.

Evidente que as configurações legais nas primeiras décadas de existên- cia da instituição não favoreciam as atividades de extensão, nem de forma or- ganizacional, muito menos financeira. No entanto, a assistência técnica agrí- cola, vocação primeira da instituição, estava sempre presente, somando-se ao apoio de parcerias como, a Emater, o Cimi, a Cáritas entre outros.

As demandas apresentadas pelas parceiras e comunidades da área de abran- gência foram mola propulsora importante para alavancar as ações de extensão, bem como a busca pela inserção dos educandos na realidade local, como bem des- crito no projeto Pé na caminhada. O progressivo aumento das atividades de exten- são apresentado no transcorrer deste artigo também foi alavancado pela condição da carga horária docente, pelo investimento financeiro, e pela estrutura organiza- cional que valorizasse a extensão dentro da fomentasse a instituição.

O Regulamento para Gestão das Atividades Docentes do IFNMG, apro- vado pela Resolução CS nº 35/2013, de 29 de novembro de 2013, esclarece as atividades de ensino, pesquisa, extensão e gestão como atividades inerentes às atribuições dos docentes e mais: quando define o máximo de 16 horas para carga horária voltada para o ensino, abre espaço para carga horária disponível às outras atividades, dentre elas a extensão. Esta medida contrasta com situações, até então de alta carga horária em sala de aula, impedindo o envolvimento dos docentes com as demais atividades.

Como Instituto Federal, o antigo Cefet Januária pôde transformar a Ciec, Coordenação Instituição Empresa-Comunidade em Departamento de Extensão e, posteriormente em Diretoria de Extensão. Como Ciec, as ações visavam à inte- gração com o mercado de trabalho, prioritariamente na oferta de estágio. A me- lhoria na estrutura organizacional da extensão permitiu o olhar prioritário sobre as ações de extensão, delegando ao estágio uma coordenação, subordinada à Di- retoria. A estruturação organizacional, de infraestrutura e de pessoal, permitiu e

exigiu a estruturação financeira, com repassasse de recurso para gestão direta pela extensão, regido por editais, incentivando a participação dos servidores.

O registro de outras atribuições dos docentes, que não somente o ensino, permitiu que a execução dessas ações fossem pontuadas nos processos institucio- nais, tais como progressão funcional e afastamento para qualificação, o que forta- lece a busca dos servidores por tais ações.

Como se vê, o percurso das ações de extensão do campus Januária é ex- tenso, mas não se pode negar que adquiriu outras configurações, a partir de dois marcos importantes: a transformação em Cefet, no ano de 2002, que com a oferta de cursos superiores, coloca ênfase nas ações de extensão a partir do art. 207 da Constituição Federal: “As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”. Evidente que a instituição não havia se transformado em universidade, mas a permissão para ofertar cursos superiores exigia que todas as prerrogativas das universidades fossem implanta- das, inclusive a extensão.

O projeto Mulheres em Ação coloca-se como um marco deste momento institucional. Outro marco foi à transformação do Cefet Januária em IFNMG, a partir da Lei nº 11.892/2008, que trouxe um investimento organizacional e de re- curso para a extensão, como descrito acima. No entanto, faz-se também necessário refletir, a partir de que momento as ações de extensão do campus Januária abando- naram o caráter de cunho assistencialista, pautado no levar, depositar, transferir, cuja concepção reflete, historicamente, os primórdios de um fazer extensionista, a nível mundial, transformando-se em proposta de desenvolvimento do protago- nismo social.

A pesquisa demonstrou que mesmo antes do Cefet Januária e da oferta da educação superior, o projeto “Pé na Caminhada” já trazia um cunho protagonista, colocando-se como um divisor de águas a partir de uma ação que passa por um processo de reflexão, ainda durante a sua implementação, mesmo que os propó- sitos não estivessem bem definidos. Apesar das falhas em ouvir inicialmente as comunidades, as ações voltaram-se para o seu fortalecimento por meio da melhoria da produção.

Atualmente, o desafio da extensão passa pela discussão da sua curricula- rização. Apesar de ser uma medida que ainda está se estruturando, tanto docu- mental quanto no envolvimento dos servidores, a proposta vem com o objetivo de estreitar ainda mais a relação entre o saber produzido e as comunidades, em um processo de fortalecimento mútuo, embasado em uma educação para a solução das demandas sociais.

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