Eduardo Souza do Nascimento1, Ivy Daniela Monteiro Matos2,
Izabel Alves Macedo Mendes3, Kleber Carvalho dos Santos4, Suzana Alves Escobar5
Resumo
O trabalho tem como objetivo retomar, historicamente, as atividades de ex- tensão, articuladas ao ensino e à pesquisa, tendo em vista uma reflexão sobre as ações extensionistas, desenvolvidas no âmbito do IFNMG campus Januária, ao longo de sua história, cuja origem remonta a um modelo de educação tecnicista, orientado para o mercado de trabalho. Percebe-se, por meio da pesquisa efetuada, o caráter, inicial- mente, assistencialista da instituição, que, devido a sua proximidade com as demandas regionais, registra-se mesmo que de forma pontual, a sua atuação na comunidade do entorno. Verificou-se que a, princípio, a extensão rural era ofertada por meio da boa vontade de professores e alunos, sem, contudo, haver uma reflexão, sobre esta prática, no debate institucional. Na busca pela democratização de um ensino considerado de qualidade, gradativamente, a instituição passou a ofertar a educação profissional em várias modalidades, desde a adoção de cursos técnicos integrados ao ensino médio, concomitantes e subsequentes, ao ensino de nível superior; fator que contribui para um crescimento, considerável nas ações extensionistas do campus. A criação dos Institutos Federais em todo o Brasil, a partir do reordenamento das escolas técnicas, agrotécni- cas e dos então Cefet’s, emerge um novo modelo de educação profissional, que busca contemplar os até então excluídos do processo educativo. Especialmente no tocante ao campus Januária, a transformação da Escola Agrotécnica em Cefet Januária, apre- senta-se como o primeiro marco legal para a oferta de cursos superiores, habilitando a instituição para uma nova forma de fazer extensão.
Palavras-Chave: Ensino. Pesquisa. Extensão. Educação Profissional. Institutos Fede- rais.
1 Eduardo Souza do Nascimento – Professor da EBTT do Ifnmg-campus Januária com formação em Zootecnia e Ciências Agrícolas, possui Mestrado em Zootecnia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
2 Ivy Daniela Monteiro Matos – Professora da EBTT do Ifnmg- campus Januária com formação em Letras Português/Inglês, possui Mestrado em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina.
3 Izabel Alves Macedo Mendes – Servidora do quadro Técnico-administrativo do Ifnmg-campus Januária com formação em Letras Português/Inglês, possui Mestrado em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina.
4 Kleber Carvalho dos Santos – Professor da EBTT do Ifnmg com formação em Administração e Economia Rural, possui mestrado em Administração pela Universidade Federal de Lavras e doutorado em Desenvolvimento Rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
5 Suzana Alves Escobar – Professora da EBTT do Ifnmg-campus Januária com formação em Pedagogia, possui mestrado em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia e doutorado em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais.
Introdução
O advento dos dez anos do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) nos insere em um contexto de substantivas reflexões, as quais remetem à importância de se compreender o verdadeiro papel das instituições federais de educação profissional na região em que estão inseridas, tendo em vista a magni- tude da educação profissional para a população de abrangência. Nesse contexto, a articulação das atividades de extensão ao ensino e à pesquisa nas universidades contribuem não só com a aplicação do conhecimento adquirido em sala de aula, mas também como um instrumento de confronto entre teoria e prática, permitin- do a concretização de ações que ultrapassam os muros da instituição, com vistas a atingir a dimensão social, em diversos setores da sociedade.
Considerando o princípio legal que trata da indissociabilidade entre o en- sino, a pesquisa e a extensão, no artigo 207 da Constituição Federal, verifica-se que tais funções são também constitucionalmente equiparadas, de forma que as instituições de ensino superior, em todo o país, devem respeitar o princípio da igualdade a cada segmento, do contrário, estariam violando o princípio legal.
Desse modo, a oferta da extensão passa a ser um compromisso das univer- sidades, que também se estende aos Institutos Federais, tendo em vista que tais instituições foram equiparadas às universidades por intermédio da promulgação da lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008, responsável pela criação dos Institu- tos Federais de Educação Ciência e Tecnologia, em todo o país6.
Nesse contexto, ainda considerando a tríade, ensino, pesquisa e extensão e relacionando-a com a sua aplicação no Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG), mais precisamente, no IFNMG campus Januária, lócus do trabalho em pauta, as ações de extensão na instituição estão vinculadas às atividades de cunho científico, tecnológico, artístico, esportivo e cultural e são realizadas por meio de programas, projetos e cursos, tendo como objetivo principal, além da promoção da indissociabilidade dos três eixos temáticos já mencionados, “o fortalecimento do vínculo do IFNMG com a sua área de abrangência”, cuja prerrogativa possui estreita relação com a sua missão institucional7.
Para suscitar este debate, o artigo busca promover uma reflexão sobre as ações extensionistas do IFNMG campus Januária, a partir de uma retomada his- tórica, tendo em vista que a instituição, em vias de seus 58 anos de atuação no 6 Art. 2o § 1o - Para efeito da incidência das disposições que regem a regulação, avaliação e supervisão das instituições e dos
cursos de educação superior, os Institutos Federais são equiparados às universidades federais.
7 Produzir, disseminar e aplicar o conhecimento tecnológico e acadêmico, para a formação cidadã, por meio do ensino,
da pesquisa e da extensão, contribuindo para o progresso socioeconômico local, regional e nacional, na perspectiva do desenvolvimento sustentável e da integração com as demandas da sociedade e do setor produtivo (PDI 2014 a 2018, p.14).
Norte de Minas Gerais, sempre teve na pauta dos seus projetos, a prestação de assistência à comunidade do seu entorno, principalmente na área agrícola.
Sendo assim, busca-se ainda, por meio desta pesquisa, relacionar projetos de grande impacto tanto para a instituição quanto para a comunidade, como também verificar com que concepção de extensão, essas atividades eram ofertadas e ainda se houve alteração em relação à concepção inicial de extensão para a concepção atual.