TÓPICO 1 – PPR – PROGRAMA DE PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA
4.5 AUDITORIA
O coordenador do PPR deve prever um tempo para verificação se as medidas e indicações do PPR estão sendo cumpridas, para tanto se devem indicar uma ou mais pessoas responsáveis para realizar a auditoria, ou seja, o cumprimento das medidas do PPR. Uma periodicidade deve ser recomendada.
5 CRITÉRIOS PARA SELEÇÃO DO RESPIRADOR
Neste item devem ser definidos os critérios para seleção do respirador como, por exemplo, quanto:
a) a pelos faciais;
b) à necessidade de comunicação;
c) à visão;
d) a problemas de vedação dos respiradores;
e) ao trabalho em altas e baixas temperaturas.
FIGURA 16 – PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA
FONTE: Disponível em: <http://qualilog.com.br/s/seguranca-do-trabalho/programas-de-seguranca/ppr/> Acesso em: 20 out. 2012.
Se houver presença de pelos faciais que possam interferir no funcionamento das válvulas ou prejudicar a vedação na área de contato com o rosto não se indica o uso do respirador com cobertura das vias respiratórias de qualquer tipo, tanto de pressão positiva ou negativa.
Neste momento, você deve estar curioso para saber do que se trata a pressão positiva e a pressão negativa dos respiradores, vamos entendê-las?
Segundo Torloni (2002, p. 59), respirador de pressão positiva é “o respirador no qual a pressão, dentro da cobertura das vias respiratórias, é normalmente positiva em relação ao ambiente externo, durante a inalação.” Ou seja, mantém a pressão dentro da cobertura facial, dentro da área da máscara maior do que a do ambiente. O fluxo de ar é de dentro para fora o que é favorável em alguma ocorrência de falha de vedação.
E o respirador de pressão negativa é o “respirador no qual a pressão, dentro da cobertura das vias respiratórias fica negativa, em relação ao ambiente externo durante a inalação.” (TORLONI, 2002, p. 59). Voltando ao nosso assunto, independente do tipo de respirador, barba, bigode, costeleta, barbicha não são permitidos para o usuário de respiradores de proteção respiratória.
Outro item a considerar nos critérios para a seleção do respirador é se o usuário do respirador terá a necessidade de comunicação. Segundo Torloni (2002), o ato de falar em voz alta pode provocar deslocamento de algumas peças faciais e prejudicar a vedação do rosto. É preciso considerar também o nível de ruído do ambiente. Para poder se comunicar melhor o usuário tende a retirar temporariamente a máscara de proteção respiratória, portanto, sugere-se uso de alternativas para esta comunicação, porém que também requerem cuidados especiais de manuseio, que podem ser:
a) Diafragma de voz: é uma superfície ressonante que vibra durante a fala do usuário do respirador, ampliando sua voz.
b) Microfones internos.
c) Sinais com a mão ou uso de códigos.
d) Microfones no crânio, ouvido e garganta.
e) Monofone: tipo de aparelho que reúne o transmissor e o receptor em uma só peça. Como a pessoa exala enquanto fala, a válvula de exalação fica parcialmente aberta nesses momentos.
Quando se tratar da visão não se deve utilizar lentes corretivas, óculos de segurança, protetor facial ou outros tipos de proteção ocular ou facial que possam prejudicar a vedação do respirador. Procurar utilizar óculos sem tiras ou hastes e as lentes de contato devem ser evitadas se houver o risco de contaminação dos olhos ou lentes pelo ambiente agressivo.
Segundo Torloni (2002), qualquer item que possa interferir na vedação da peça facial no rosto não deve ser utilizado, como por exemplo, gorros, bonés com abas. Quando for obrigatório o uso de capacetes de segurança junto com o respirador os tirantes não devem passar sobre partes duras do capacete.
Em ambientes com altas temperaturas, o calor provoca o que chamamos de estresse térmico, que pode ser agravado com o uso de respiradores. Indica-se o uso de respirador leve, de baixa resistência á respiração e com menor espaço morto possível. Já em baixas temperaturas o grande problema é o embaçamento das lentes
No mercado há vários fornecedores de respiradores com catálogos específicos.
Convém ao profissional ao elaborar o PPR, identificar os riscos presentes no ambiente para que possa selecionar o respirador que de fato ofereça proteção ao trabalhador, evitando fatalidades. Uma dica é baixar a indicação de respiradores conforme o produto presente no ambiente. Veja em: <http://www.911emergencia.com.br/produto.php?cod_
produto=667619> o guia de seleção de respiradores para download.
DICAS
6 TREINAMENTO
O objetivo do treinamento é garantir o uso de respiradores e em perfeitas condições de vedação evitando possíveis inconformidades. O treinamento deve ser aplicado por pessoa qualificada e devem participar todos os envolvidos no PPR para garantir a sua eficácia, sendo realizado periodicamente conforme planejamento. Deve ser aplicado pelo menos aos supervisores do PPR, ao que é usuário do respirador, ao que distribui o respirador e à equipe de salvamento e emergência.
Segundo a FUNDACENTRO (2010) quanto à peridiocidade deve haver treinamento inicial e periódico de pelo menos uma vez ao ano, podendo ser realizados outros conforme o cronograma. O registro do treinamento deve ser elaborado para cada usuário individualmente com no mínimo as seguintes informações:
a) data;
b) tipo de treinamento recebido;
c) avaliação do resultado obtido;
d) nome do Instrutor.
7 ENSAIOS DE VEDAÇÃO
Os ensaios de vedação são para a verificação se o respirador foi ajustado ao rosto do trabalhador, sem sobras que possam permitir a entrada do produto e a respiração. Segundo a FUNDACENTRO (2010), para selecionar o respirador deve se considerar o resultado do ensaio de vedação e este deve ser repetido no mínimo uma vez a cada doze meses. Com este resultado seleciona-se o modelo, tipo e tamanho do respirador para cada usuário. Existem dois tipos de ensaio de vedação:
a) Ensaio de vedação qualitativo: de acordo com a resposta sensorial à substância utilizada no ensaio, se aprova ou reprova o respirador.
b) Ensaio de vedação quantitativo: realizado com equipamento adequado para medir a concentração da substância de ensaio fora e dentro do respirador.
Os respiradores utilizados para fuga ou emergência também devem ser submetidos a ensaio de vedação. E no ensaio de vedação considera-se o número de respiradores, onde deve haver uma quantidade de números e tamanhos disponíveis e a aceitação pelo usuário, onde deve haver conforto na utilização.
Neste sentido, alguns fatores são levados em conta também pelo usuário:
possibilidade de comunicação, o peso do respirador, a interferência no campo visual e resistência à respiração.
Nos casos em que não seja possível a vedação satisfatória com um respirador de vedação facial, deve ser fornecido ao trabalhador respirador que não exija vedação perfeita na face, que pode ser um tipo capacete ou capuz, mas que garanta a proteção adequada ao risco. E se mesmo assim não for possível a proteção, a pessoa deve ser transferida a outro posto de trabalho que não faça o uso de respirador.
8 EXPOSIÇÃO A AGENTES QUÍMICOS
Há de se avaliar o posto de trabalho em relação ao produto que possa estar disperso no ar e a concentração deste produto durante a execução da tarefa.