TÓPICO 2 – PCA – PROGRAMA DE CONSERVAÇÃO AUDITIVA
2.1 DANOS PROVOCADOS PELO RUÍDO
As perdas auditivas são decorrentes da exposição em níveis elevados de pressão sonora e são caracterizadas por lesões irreversíveis. E podem ser no sistema auditivo:
• Trauma acústico: lesões decorrentes de exposição única a níveis muito elevados de pressão sonora, como uma explosão. Trata-se de uma lesão permanente e imediata, uni ou bilateral.
• Mudança temporária de limiar auditivo (MTLA): dificuldade auditiva que surge após exposição a ruído intenso por intervalo curto de tempo, acompanhado ou não de zumbido, a audição retorna aos limiares anteriores à exposição após repouso acústico.
• Perda auditiva induzida por ruído (PAIR): lesão permanente na audição após exposição repetida e prolongada a ruído intenso, acompanhada ou não de zumbido, podendo ser devido ao ruído ocupacional ou social (lazer, hábitos sonoros etc.). (GONÇALVES, 2009, p. 49).
Para analisar se a perda auditiva foi ocupacional é preciso considerar o histórico laboral do trabalhador juntamente com os resultados laboratoriais e de avaliação audiométrica. Os indivíduos possuem susceptibilidade diferente mesmo que expostos às mesmas condições de ambiente de trabalho. A idade também provoca um rebaixamento do limiar auditivo.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu em 1980 as alterações causadas por ruído intenso:
• No sistema neurológico: alterações nas funções fisiológicas e sobre o psiquismo, podendo surgir tremores nas mãos, diminuição da reação a estímulos visuais, desencadeamento de crises epiléticas e mudanças na percepção visual das cores.
• No aparelho circulatório: alterações na pressão arterial e no funcionamento do coração.
• No aparelho digestivo: alterações dos movimentos peristálticos e aumento da produção de ácido clorídrico.
• No sistema endócrino: alteração no funcionamento das glândulas endócrinas e dos hormônios que têm sua produção aumentada pelo estresse (adrenalina e cortisol, hormônio do crescimento, prolactina).
• No sistema imunológico: alterações nos elementos que atuam na defesa imunológica.
• No psiquismo: sentimento de irritação, falta de vontade, desconforto, indisposição, ansiedade, depressão, diminuição da eficiência e da produtividade.
Assim, no PCA é preciso abranger medidas de prevenção para evitar o ruído acima do nível de pressão sonora para evitar danos ao indivíduo e consequências para a empresa, com a baixa produtividade, absenteísmo e aumentos de afastamentos. O objetivo do Programa que visa à preservação auditiva do trabalhador “[...] é a manutenção dos limiares auditivos dos trabalhadores, evitando o desencadeamento ou agravamento de alterações auditivas de origem ocupacional.” (GONÇALVES, 2009, p. 50).
3 ETAPAS DO PCA
Ao iniciar a elaboração de um PCA é feita uma avaliação levando em conta a presença do ruído nos diversos ambientes de trabalho e se há trabalhadores expostos. E assim procura-se criar medidas corretivas que visem à redução do nível de ruído no ambiente e a redução do tempo de exposição. Conforme Vieira (2005), um PCA segue os seguintes procedimentos:
a) Medição do ruído.
b) Avaliação do risco.
c) Redução do Ruído.
d) Monitoramento audiométrico.
Para Saliba (2004) o reconhecimento do ruído é o primeiro passo, é quando se identificam os postos de trabalho e funções onde há exposição ao ruído. O segundo passo é identificar a dose e o LEQ através de avaliação sistemática.
Assim, quando as ações são definidas conforme a dose a seguir:
• Dose > 0,5 > 1,0: é o nível de ação, que representa o valor em que devem ser iniciadas as ações preventivas.
Ação: monitoramento periódico da exposição, informação aos trabalhadores e controle médico.
• Dose > 1,0: acima do Limite de Tolerância (LT).
Ação: as medidas devem ser na fonte e na trajetória em caráter de prioridade.
E também as medidas de controle devem ser adotadas no trabalhador quanto à limitação da exposição e no acompanhamento do uso de EPI, após a determinação da atenuação para garantir níveis de pressão sonora abaixo do nível de ação.
Além das medidas na trajetória, na fonte e no trabalhador, deve haver o controle médico através da audiometria de maneira a verificar a eficácia das medidas consideradas e implantadas. Conforme a NR 7, a audiometria deve ser realizada na admissão, demissão e nas mudanças de função.
O terceiro passo consiste na criação de medidas corretivas que visem reduzir os níveis de pressão sonora para abaixo do nível de ação e elaboração do documento PCA com a devida divulgação dos procedimentos a todos os trabalhadores, medidas estas que sejam de ordem técnica ou administrativa.
Elaborar cronograma prevendo prazos para a execução e responsáveis e o quarto passo é a auditoria, ou controle da eficácia do PCA, para tanto a audiometria é essencial como acompanhamento.
4 DETERMINAÇÃO DA EXPOSIÇÃO AO RUÍDO
Segundo Brevigliero, Possebon e Spinelli (2006, p. 250), “A determinação da dose de exposição do ruído deve ser feita, preferencialmente, por meio de medidores integradores de uso pessoal (dosímetros de ruído), ajustados de forma a atender às especificações contidas no item 6.2.1 da NHO 01 (equipamentos de medição).”
A NHO 01 faz parte do conjunto de normas de higiene ocupacional elaboradas pela FUNDACENTRO para direcionar a metodologia de avaliação dos agentes ambientais.
A NHO01 refere-se à avaliação de exposição ao ruído.
DICAS
Lembre que:
a) O limite de exposição ocupacional diário ao ruído contínuo ou intermitente corresponde à dose diária igual a 100%.
b) O nível de ação para a exposição ocupacional ao ruído é de dose diária igual a c) O valor-teto para ruído contínuo ou intermitente é de 115 dB (A).50%.
d) O limite de tolerância para ruído de impacto corresponde a um valor-teto de 140 dB.
FIGURA 17 – ORGANIZAÇÃO DE UM PCA
FONTE: Vieira (2005, p. 119)
Logo, conforme se observa na figura anterior, a redução do nível de ruído pode ser realizada considerando as seguintes medidas, segundo Vieira (2005):
a) A redução do ruído na fonte.
b) A trajetória de transmissão interrompida.
c) Isolamento de pessoas.
d) Proteção da audição.
e) Refúgios protegidos do ruído.
f) Rotação de ocupação.
Estas medidas irão originar especificações do ruído para as novas instalações e educação, supervisão e monitoramento audiométrico. Este assunto veremos mais à frente.