7 DIRETIVAS: CAMINHOS PEDAGÓGICO-METODOLÓGICOS
7.3 Aula expositiva e Aula expositivo-dialogada
Experiência não é o que acontece com um homem; é o que o homem faz com o que lhe acontece. Aldous Leonard Huxley (1894 – 1963)
Século XXI, vive-se na era da tecnologia, da informatização, onde a cada dia surgem novas máquinas e/ou equipamentos que vêm contribuir para a diminuição da necessidade do emprego de esforços físicos. Porém, aumenta a exigência de valer- se do esforço mental. Outrora não foi assim. Doravante será. Não tem como evitar. As idéias passaram a ser as principais ferramentas a intervir no mundo moderno.
Entretanto, estímulos e condições para o desenvolvimento das mesmas são quase que insignificantes, quer seja num contexto familiar, social ou escolar, dentre tantos outros.
Mas o aspecto em foco nesse texto é o escolar, ligado diretamente à sala de aula, em especial, às aulas de Matemática.
O leitor pode estar questionando qual a relação entre a tríade: evolução tecnológica – idéias – aula de Matemática. A relação é evidente: avanço ou utilização tecnológica requer trabalho mental, idéias, inovações e, pressupõem-se ser a sala de aula um lugar de desenvolvimento dos mesmos, principalmente do ato de pensar criticamente, logo também requer inovações.
No entanto, na vivência da prática metodológica o que se observa, ainda, em muitas aulas de Matemática é a predominância da aula expositiva, aplicada de forma mecânica, acrítica e inibidora da participação do aluno.
Isto significa dizer que se privilegia o papel verbalístico do professor, estabelece-se uma relação unidirecional professor-aluno. O professor passa a teoria ou definições no quadro, explica, faz exercícios modelo, o aluno copia e segue esta práxis nada evolutiva. Assim desenrola-se a aula expositiva. Essa prática metodológica é considerada tradicional, verbalista e autoritária, não contribuindo para o desenvolvimento do pensar do aluno, quando assim desenvolvida. Contudo, é uma prática metodológica de relativa importância para o ensino-aprendizagem da Matemática, logo requer uma atualização, um aperfeiçoamento.
Pressupõe-se que o transcorrer histórico desta metodologia contribui para a sua repetição ao longo dos anos, tendo como fator mais forte de sua perpetuação a aplicação, os cursos de licenciatura, ou seja, o professor tenta ensinar ou ensina como lhe foi ensinado.
Talvez Freire (1982) tenha razão quando afirma que o mal não está na aula expositiva, mas sim, no professor que a utiliza. Concordo com ele em parte, visto que, em minha jornada como docente, em especial nas 1as séries do Ensino Médio, o que tenho observado são alunos adeptos e simpatizantes de aulas expositivas tradicionais, o que faz o professor pensar que está no caminho perfeitamente certo, quando desenvolve suas aulas baseadas nela. O professor inovador utiliza a aula expositiva como ponto de partida para sua metodologia. Este aspecto é vivenciado por mim ao longo de quinze anos de atuação nesse nível de ensino. Os primeiros meses de aula me são muito difíceis, devido à prática de aulas expositivas dialógicas adotadas e não a tradicional. Somente após alguns meses de aula ou até mesmo um ano inteiro, para alguns alunos, é que essa dinâmica passa a ser entendida, a qual em seguida será mais bem detalhada. Também se percebem alunos que não entendem e nem aceitam a dinâmica dialógica, preferem continuar a ser ‘robotizados’.
Nos primeiros anos atuando nessa série, sentia-me triste por não ser entendida, hoje sei que a recompensa está em ver que meu aluno aprendeu, nem que seja um pouquinho, a pensar e que isso leve um ano inteiro.
Espera-se que o breve depoimento seja um estímulo ao professor que deseja inovar.
Quanto à aula expositiva dialogada, é uma aula expositiva transformada, à qual se concebe uma dimensão dialógica. O diálogo entre professor e aluno é utilizado para estabelecer uma relação entre conhecimentos e experiências, onde a vivência do aluno e seu conhecimento do concreto (real) são valorizados, funcionando como saberes prévios, podendo ser relacionados com o assunto a ser estudado. A construção da compreensão e do saber acerca de um determinado conteúdo é feita conjuntamente entre professor/aluno, de modo que através da fala do aluno “o professor caminha com ele na busca de uma compreensão crítica, e ao mesmo tempo científica, da realidade global.” (LOPES, 1991, p.43).
Certamente conquistar a fala do aluno não é uma tarefa fácil, porém não impossível. A partir do momento em que o professor valoriza a pergunta do aluno, este perde o medo de questionar, sente-se estimulado a expor suas experiências sobre o assunto em foco, chegando à formação do diálogo. Daí para o pensar, compreender e ter idéias não falta muito.
Vê-se, assim, que o diálogo estimula a reelaboração dos conhecimentos como também à produção de novos, a partir dos conteúdos aprendidos, uma vez que a aprendizagem do novo necessita estruturar-se em aprendizagens anteriores. Logo, partir do conhecido pelo aluno facilita o processo.
Uma aula dialógica possibilita a formulação de perguntas, sendo estas a princípio, mal formuladas, mas com o auxílio do professor são reconstruídas. É muito mais difícil perguntar do que responder, visto que, ao questionar, o processo de compreensão está ocorrendo, o aluno está pensando, assim novos conhecimentos estão sendo concretizados, ao passo que apenas responder, e geralmente são respostas evasivas, não denota uma participação ativa. Portanto, questionar é crucial à construção do saber e ao desenvolvimento do pensar.
Sob essa perspectiva de construção do saber, a aula expositiva dialogada é uma opção sábia por parte do professor com coragem de inovar, para tanto faz-se necessário um professor com capacidade de renovar seus conhecimentos e principalmente ser conhecedor do conteúdo a ser trabalhado.
Ademais, aulas expositivas foram e continuarão sendo uma prática metodológica da qual a Matemática não abrirá mão. Portanto, é necessário que essas aulas adquiram o caráter dialógico, o qual atua ativamente no pensar, corroborando para a construção de idéias. Conclui-se então que a aula expositiva dialogada é uma aula expositiva inovada.
O Ensino da Matemática requer inovações.