Os dados do estudo anterior de Catania e cols. (1982) não foram confirmados por Torgrud e Holborn (1990). Segundo esses autores, várias investigações (e.g., Catania e cols., 1982; Hayes e cols., 1986b; Matthews e cols., 1985) têm tentado criar uma interação oposta entre um esquema de reforçamento para uma resposta motora e um estímulo verbal especificador de taxas de respostas. Tipicamente, as taxas de respostas têm se conformado às descrições verbais instruídas ou modeladas e não aos esquemas utilizados, o que sugere que tais descrições poderiam exercer controle mais forte sobre uma resposta motora do que as contingências de reforçamento programadas para tal resposta. Torgrud e Holborn (1990) questionaram os resultados dessas pesquisas ao afirmarem que embora esses estudos prévios demonstrem controle verbal de taxas de respostas, eles o fazem sob condições específicas onde os esquemas utilizados são caracterizados por pobre controle discriminativo. Esses autores desenvolveram então um estudo numa tentativa de estender a literatura sobre as interações entre comportamento verbal e não verbal através da utilização de descrições verbais de taxas de respostas opostas a esquemas com controle discriminativo bem demonstrado. O maior diferencial em termos de procedimento adotado por esses autores foi, portanto, o aumento do controle discriminativo dos esquemas utilizados e a clara demonstração desse controle antes da introdução dos estímulos verbais (Ver também a discussão promovida por Otto e cols., 1999, a qual fornece suporte para uma apreciação do controle instrucional em termos de falhas em discriminar características relevantes dos esquemas). Foram utilizados esquemas de reforçamento (DRL e DRH) que permitiam que quantidades específicas de pontos fossem obtidas dependendo das taxas de respostas emitidas em duas chaves. Taxas de respostas pré-determinadas pelos experimentadores produziam uma quantidade máxima de pontos em cada chave e, à medida que as taxas se distanciavam do valor crítico, a quantidade de pontos diminuía progressivamente. As taxas de respostas foram identificadas a partir de cinco categorias: muito devagar (1 a 5 respostas por intervalo de 5,5 segundos), devagar (6 a 10 respostas), média (11 a 15 respostas), rápida (16 a 20 respostas) e muito rápida (mais de 20 respostas). Após a apresentação de cada chave, os participantes deveriam preencher a sentença “A melhor forma de obter pontos na chave X é...”. Para tanto, cinco possíveis relatos eram disponibilizados para escolha: “pressionar muito devagar”, “pressionar devagar”, “pressionar em taxa média”, “pressionar rápido” ou “pressionar muito rápido”. Assim como ocorria com as taxas de respostas, a cada relato também eram atribuídos pontos que variavam dentro de uma escala de acordo com a precisão destes. Com base nesse delineamento, o Experimento 1 foi desenvolvido com quatro participantes e teve como objetivo verificar se o aumento do controle discriminativo dos esquemas utilizados resultaria em menor controle verbal das taxas de respostas. Os participantes foram modelados a apresentarem uma taxa média de respostas. Somente depois que os esquemas adquiriram controle sobre o desempenho dos participantes, os relatos foram solicitados. Na primeira fase do experimento, as contingências verbais permaneceram inalteradas: para a chave A, descrições de “pressione muito devagar”, e para a chave K, descrições de “pressione muito rápido” receberam o máximo de pontos. Já as contingências não verbais foram gradualmente modificadas até atingirem a condição de pressões muito rápidas para a chave A e pressões muito lentas para a chave K. Na segunda fase, as contingências não verbais permaneceram constantes, ao passo que as contingências verbais foram gradualmente modificadas: para a chave que exigia taxa muito devagar, os relatos eram alterados até que “pressionar muito rápido” produzisse o máximo de pontos; para a chave que exigia taxa muito rápida, os relatos eram modificados até que o máximo de pontos fosse contingente a “pressionar muito devagar”. Os resultados mostraram que a escolha das descrições verbais não teve efeito sobre as taxas de pressão à chave, isto é, as contingências relacionadas às descrições verbais e aquelas relacionadas às pressões nas chaves controlaram suas respectivas classes de comportamentos sem interferência mútua. A partir desses resultados, ficou evidenciado, segundo os autores, as condições nas quais descrições verbais de taxas de respostas não controlam o responder não verbal na presença de esquemas opostos. A relação entre o desempenho não verbal e relatos verbais também foi investigada por Paracampo, Souza, Matos e Albuquerque (2001). Para tanto, expuseram vinte crianças, entre sete e oito anos de idade, a um procedimento de controle contextual de escolha segundo o modelo. As crianças foram distribuídas em três condições, sendo cada condição composta por três fases. Na Condição Reforço Diferencial (RD), os participantes foram expostos a instruções mínimas sobre como se comportar; na Condição Instrução (I) os participantes foram expostos a instruções precisas correspondentes às contingências em vigor na Fase 1, e na Condição Múltiplas Instruções (MI) foram expostos a três conjuntos de instruções diferentes (Passos 1, 2 e 3), de acordo com as contingências em vigor na Fase 1. Durante a Fase 1, os participantes deveriam escolher o estímulo comparação idêntico ao estímulo modelo na presença de uma luz verde e o estímulo de comparação oposto caso a luz vermelha estivesse acesa, nas Condições RD e CI. Essas contingências em vigor durante a Fase 1 eram revertidas na Fase 2 e restabelecidas na Fase 3. Na Fase 1 da Condição MI eram reforçadas as respostas de escolher o estímulo de comparação igual ao modelo na presença da luz verde e o diferente na presença da luz amarela (Passo 1), escolher o igual na presença da luz amarela e o diferente na presença da luz vermelha (Passo 2), e escolher o igual na presença da luz verde e o diferente na presença da luz vermelha (Passo 3). Os Passos 1 e 2 foram compostos por uma única fase cada (Fase 1). As contingências em vigor no Passo 3 eram revertidas na Fase 2 e restabelecidas na Fase 3. As transições de fases não eram instruídas e nem sinalizadas. Perguntas a respeito do que os participantes deveriam fazer para ganhar pontos foram feitas ao longo de todas as fases. Os dados mostraram que os participantes da Condição RD conseguiram contactar a inversão das relações entre cores e o tipo de escolha, isto é demonstraram sensibilidade às mudanças nas contingências, mais eficientemente que os participantes das Condições I e MI, os quais continuaram seguindo a instrução apresentada na fase anterior, a despeito da discrepância entre instrução e contingência. Para os participantes das três condições foi constatada correspondência entre as respostas de escolha e os relatos. No entanto, para os participantes da Condição RD, tal correspondência indica que não somente as respostas de escolha, mas também os relatos estavam sob controle da contingência não verbal. Já para os participantes das Condições I e MI, a correspondência verbal – não verbal indica que os relatos, assim como as respostas de escolha, estavam sob controle das instruções. Os resultados também demonstraram que os participantes da Condição RD emitiram respostas de escolha precisas antes que relatos verbais corretos fossem observados, sugerindo dessa forma que, na ausência de conseqüenciação para o comportamento verbal, a contingência não verbal pode exercer funções controladoras sobre este comportamento. Esses resultados indicam que a correspondência entre os comportamentos não verbal e verbal pode ser controlada por diferentes variáveis (Ver também Ribes & Rodrigues, 2001, para uma análise das possíveis relações entre instruções, relatos e desempenhos não verbais). No documento Efeitos de Arranjos Experimentais sobre a Sensibilidade/Insensibilidade a Esquemas de Reforçamento Sandra de Araújo Álvares (páginas 32-36)