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Outro conjunto de variáveis importantes na investigação da sensibilidade às

mudanças de contingências envolve os esquemas de reforçamento. Nessa linha de

raciocínio, Newman, Hemmes, Buffington & Andreopoulos (1994) chamam atenção

para o fato de que boa parte dos estudos empíricos sobre insensibilidade geralmente

fazem uso de esquemas de reforçamento intermitentes (e. g., Matthews e cols., 1985;

Shimoff e cols., 1981; Shimoff e cols., 1986; Hayes e cols., 1986a; Hayes e cols.,

1986b).

Fazendo uma análise crítica do experimento anteriormente citado de

DeGrandpre e Buskist (1991), Newman e cols. (1995) hipotetizam que a variável

crítica que possibilitou os resultados obtidos nesse experimento foi a natureza

contínua do esquema de reforçamento utilizado e não a precisão ou imprecisão das

instruções fornecidas. Essa hipótese é baseada na concepção de que a insensibilidade

pode ser causada por uma falha em contactar de forma efetiva as contingências

(Baron & Galizio, 1983). Sendo assim, é mais provável que alguém falhe em

responder a uma mudança no reforçamento para um comportamento sendo reforçado

em esquema intermitente do que em um esquema contínuo, visto que o esquema

intermitente pode não permitir ao participante determinar a melhor estratégia de se

ganhar os reforçadores disponíveis, em função da baixa freqüência relativa de

reforçamento. De acordo com Newman e cols. (1995), DeGrandpre e Buskist (1991)

falharam ao negligenciar em seu experimento os efeitos dos esquemas de

reforçamento. Esses autores propõem, então, uma tentativa de se seguir os métodos

descritos por DeGrandpre e Buskist (1991), mas com um foco de análise

diferenciado. Para tanto, desenvolveram um estudo que examinou o seguir

instruções, com a acurácia dessas instruções variando através das fases para cada um

dos dezoito participantes e os esquemas de reforçamento variando através dos seis

grupos formados. Através das fases, a acurácia das instruções foi de 0-50-100-50-0%

ou de 100-50-0-50-100%. Na fase de 100% de precisão, os participantes só

ganhavam pontos quando seguiam as instruções em todas as ocasiões em que eram

apresentadas. Na condição 50%, os participantes ganhavam pontos se seguissem as

instruções somente metade das vezes em que eram apresentadas. Na condição 0%, os

participantes só ganhavam pontos se fizessem o oposto do que a instrução

especificava. Os participantes foram distribuídos em seis grupos de acordo com as

duas ordens de apresentação das instruções e com os esquemas de reforçamento

contínuo, FR 2 ou FR 3.

Os resultados demonstraram que os participantes que foram submetidos ao

esquema contínuo de reforçamento, independente da ordem de apresentação da

acurácia das instruções, tiveram seus desempenhos controlados pelas conseqüências

colaterais, isto é, demonstraram padrões de comportamento sensíveis à maximização

na obtenção de reforçadores em todas as fases. Já em relação aos participantes

submetidos aos esquemas intermitentes (FR 2 e FR 3) um padrão generalizado de

insensibilidade foi observado, através de uma perda do controle pelas conseqüências

colaterais e do seguimento indiscriminado de instruções precisas e imprecisas.

Esses achados sugerem que o comportamento de participantes, em

experimentos onde as instruções são contrastadas com os esquemas utilizados, é uma

função não somente da instrução, mas também do tipo de esquema de reforçamento

utilizado. Os autores concluem afirmando que o fenômeno da insensibilidade pode

ser considerado como o resultado de falhas nos esquemas intermitentes

tradicionalmente utilizados nos estudos sobre o controle do comportamento por

regras, e não o resultado de quaisquer propriedades inerentes das instruções (Ver

também Newman e cols., 1994, para uma análise da interação entre tipos de

esquemas de reforçamento – contínuo e intermitente – e tipos de estímulos

discriminativos – verbais e não verbais – sob o responder humano).

Na mesma linha de investigação, Cerutti (1991) procurou verificar a

concordância com instruções em esquemas independentes da resposta, a fim de

analisar se a insensibilidade ao esquema seria determinada por reforçamento do

responder inapropriado ou por características discriminativas dos esquemas. Para

tanto, o autor hipotetizou que esquemas mistos ocasionariam maior insensibilidade

no responder que esquemas simples, em virtude da dificuldade de discriminação das

contingências envolvida nos primeiros em comparação aos últimos.

Estudantes universitários foram instruídos a pressionar duas chaves para

evitar a ocorrência de tons que, no entanto, eram inevitáveis, isto é, independentes

dos desempenhos dos participantes. Os estudantes foram distribuídos em três grupos

de acordo com o esquema que vigorava para apresentação dos tons. Para o primeiro

grupo, os tons foram apresentados de acordo com um esquema misto tempo

randômico – tempo randômico (MIX RT RT). Para o segundo grupo, os tons foram

programados de acordo com um esquema misto tempo fixo – tempo fixo (MIX FT

FT). O último grupo foi submetido à apresentação de tons de acordo com um

esquema simples de tempo fixo (FT). Após um ciclo completo de reforçamento, os

participantes deveriam responder à questão “A melhor forma de se pressionar a

chave da esquerda/direita é...” escolhendo uma dentre as seis seguintes opções

apresentadas: “lentamente”, “muito lentamente”, “moderadamente lentamente”,

“rapidamente”, “muito rapidamente” e “moderadamente rapidamente”. Tais relatos

eram modelados, podendo produzir pontos que variavam de 0 a 3. Para uma chave, o

relato “lentamente” foi selecionado e para a outra, o relato “rapidamente” foi

escolhido como o correto. Após a sessão, os participantes completavam um

questionário de múltipla-escolha com três opções de respostas (“nunca”, “às vezes”,

“sempre”) para questões que verificavam se o pressionar prevenia os tons e se as

respostas sob a forma de pressionar influenciavam o comportamento não verbal de

pressão.

Os resultados mostraram que os participantes dos grupos de esquemas mistos

(MIX RT RT e MIX FT FT) apresentaram taxas de respostas mais elevadas que os

participantes do grupo FT, demonstrando assim maior concordância com a instrução

de esquiva fornecida e agindo como se houvesse uma relação de contingência entre

as taxas de respostas e a freqüência de apresentação dos tons. Estes participantes

também demonstraram significativa correlação entre suas respostas verbais (relatos

modelados) e não verbais (pressões às chaves). Quanto às respostas aos

questionários, os participantes dos grupos mistos relataram com maior freqüência

que os participantes do grupo FT que os tons poderiam ser prevenidos por suas

respostas.

De acordo com Cerutti (1991), o esquema FT foi o único a permitir que a

relação de independência entre as respostas de pressionar as chaves e a eliminação

dos tons exercesse controle discriminativo. Dessa forma o autor afirma que o

controle exercido por contingências verbais só é possível quando as contingências

programadas para o comportamento não verbal não exercem controle discriminativo

adequado, concordando assim com Torgrud e Holborn (1990) (Ver também Cerutti,

1989, para uma análise da proposta de que o seguimento de regras discrepantes de

contingências é mais provável de ocorrer quando as contingências são “fracas”, isto

é, quando há falta de controle pelas conseqüências colaterais do comportamento).

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