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QUESTIONÁRIO:

3- AUTOETNOGRAFIA DA MATERNAGEM

O capítulo que se segue é uma autoetnografia da maternagem. Diante do tema proposto para a pesquisa a possibilidade de se utilizar a metodologia neste trabalho foi discutida inúmeras vezes, nas reuniões de orientação, apresentações dos Seminários de Orientações e também na qualificação. Afinal, foi a partir da minha primeira experiência da gestação, parto e maternagem que surgiram os questionamentos que justificaram o ingresso no programa de mestrado do Programa de Pós-graduação em Estudos da Mídia.

Se, por um lado, o etnógrafo observa com certo distanciamento a comunidade a ser estudada, por outro, eu vivia a maternagem enquanto estudava, lia, pesquisava e escrevia a dissertação. Vivia os desafios de coordenar os cuidados com minha filha mais velha e a minha vida profissional como pesquisadora, quando me descobri grávida novamente durante o período do mestrado. Além das mulheres selecionadas para participar da pesquisa, convivia com outras mães, na escola da minha filha, nos círculos de amizades e no meu ambiente de trabalho como professora de yoga para gestantes, mães e crianças.

Com uma trajetória de vida, para além do trabalho acadêmico, voltada para o mundo da maternagem, parecia o caminho mais lógico aproveitar este universo para observar melhor, manter o olhar atento e investigar questões pertinentes acerca do processo de busca de informações e redes de apoio no mundo da maternagem. Ainda que nem todas as observações entrem de maneira formal nesta dissertação, elas levam a reflexões que vão permeando a minha vida cotidiana e a condução dos caminhos na criação das minhas filhas e na minha trajetória profissional.

Apesar de todos estes fatores se apresentarem como um terreno fértil, alguns questionamentos se fizeram relevantes para que as observações pudessem entrar em um trabalho acadêmico, de forma que as experiências pessoais fossem mais do que reflexões individuais, que caberiam apenas em um diário ou em uma página pessoal em uma mídia social digital. Como refletir e relatar a minha própria experiência em um texto acadêmico? Qual valor para a pesquisa de expor a minha experiência em uma dissertação?

Com um trabalho que já inseria a Antropologia no universo da Comunicação, recorrendo a Angrosino (2009), Geertz (1989) & Maia (2006 e 2019) para tratar, respectivamente, sobre etnografia, observação participante e história de vida, a autoetnografia (WALL, 2006) também parecia ser um conceito que se aplicava perfeitamente ao arcabouço teórico-metodológico escolhido para se investigar sobre o objeto de estudo proposto, porque permite que você se coloque na ambiência da pesquisa e observe com reconhecimento atento a

cultura em que estamos inseridos. O desafio é de realizar uma revisão do método, ver o outro e se ver dentro do cenário proposto.

Apesar da abordagem ainda ser vista como “nova” por alguns autores, esta perspectiva mais “pessoal” já vem sendo usada há cerca de 40 anos, desde a década de 1980, em estudos de sociologia, comunicação e de gênero. Os textos autobiográficos vêm se tornando, desde a década de 1980, uma corrente teórico-metodológica pós-moderna que vem desafiar os preceitos tradicionais e já consolidados da etnografia (PEREIRA, 2019). O enfoque é oferecer aos leitores uma narrativa com experiências pessoais no próprio processo de investigação, ao invés procurar alcançar uma objetividade ideal.

Com este propósito, portanto, relato minha experiência pessoal com a maternagem, em um processo que aproxima, relatando sentimentos, sensações e impressões individuais, e, ao mesmo tempo criando um distanciamento, como se olhasse de fora o meu próprio relato, analisando quem eu sou, de onde vêm as minhas convicções e crenças e a forma de encarar o que eu vivi, sendo parte de um todo, de uma cultura, da qual faço parte e que me conforma e me direciona.

Em consonância com os questionamentos, Pereira (2019) destaca que a experiência pessoal subjetiva é um dos caminhos mais promissores para, em casos como este, mesclar a teoria e a empiria com propriedade. Temas específicos, que tratam sobre grupos silenciados encontram na autoetnografia um “novo” sentido epistemológico para a produção de saberes, dedicados a problemas e situações específicas, sem o risco de se apresentar o Outro de maneira equivocada.

A autora acredita que a etnografia tem um “caráter de resistência, no sentido gramsciano, ao dar voz a quem, por ser quem é, como é, legitima a experiência subjetiva e autobiográfica” (PEREIRA, 2019, p. 27). Ela mesma desenvolve um trabalho deste tipo, pois narra a experiência subjetiva e autobiográfica de uma antropóloga, mulher, mãe, que decide partir para um outro país, para fazer um pós-doutorado, com suas três filhas, a fim de investigar as dinâmicas sociais que decorrem na adolescência confrontada com uma condição de migração.

Em alguns casos, dentro de casa, na experiência pessoal, se dá um universo de possibilidades de observação, reflexão e crítica de forma a contribuir com uma pesquisa que tenha o mesmo campo de estudo que se vive no cotidiano. No meu caso, ser mãe, ficar grávida, ter um bebê e ser uma jornalista e pesquisadora interessada em investigar o percurso pessoal de mulheres acerca dos temas da gestação, parto e maternagem na internet e mídias sociais digitais

parece dizer que as fronteiras entre o pessoal e profissional se misturam e entrelaçam de maneira que não se poderia desfazer a linha que une os dois universos.

Para apresentar a autoetnografia usarei a mesma metodologia utilizada com minhas entrevistadas, fazendo comigo mesma a entrevista e repetindo as categorias de análise (gestar, parir e maternar) contextualizando com a história de vida – para tratar sobre o lugar social que ocupo -, a gestação – para dizer sobre as condições clínicas da gravidez e as expectativas com relação ao parto. Descrever a midiatização da gestação/parto/maternidade, para entender como se deu a relação das informações acessadas durante as fases da vida que culminam com o nascimento e criação de filhos.

Procurei analisar como se organizam as minhas redes de afeto buscando na memória e na vida atual as estruturas com as quais contei e que me apoiaram nas tomadas de decisão com relação à maternidade. Tudo relacionado ao conteúdo pesquisado durante a gestação, o que ocorreu efetivamente durante o parto e como se deu a influência durante este rito de passagem. O relato pessoal será permeado com a bibliografia e videografia, pois farei comentários e citações de livros, filmes, séries de televisão, que me auxiliaram no meu percurso e trazem reflexões pertinentes ao tema tratado pela pesquisa.

Como diria Geertz (1989) os textos antropológicos, que unem Antropologia e Comunicação, devem ser entendidos como interpretações de segunda ou terceira mão. Como tais, podem ser encarados como ficção, na medida em que são algo construído ou modelado. O que é relatado por mim, e por qualquer pessoa, se torna a sua história. Não é o fato ocorrido de fato, mas racionalizações sobre o que aconteceu, com projeções e criações. Nem por isso deixa de se relacionar com a realidade.

Kofes (2015) faz uma reflexão sobre o lugar que a biografia e a autobiografia ocupam na Contemporaneidade. A autora acredita que os dois estilos narrativos ainda não estão tão consolidados como a etnografia, mas propõe um modelo que possa mesclar mais de um desses métodos nas pesquisas das ciências humanas.

É o que propus para este trabalho. O conteúdo que foi apresentado no segundo capítulo pode ser encarado como a biografia das mulheres, que a partir da história oral e histórias de vida, vão tecendo os seus relatos sobre a maternidade. No presente capítulo, portanto, trago autobiografia da pesquisadora, mãe e autora da dissertação.

Mesclar estes métodos é um caminho pertinente a um estudo de Comunicação, pois é possível fazer generalizações sobre como se dá esta relação com a mídia a partir das histórias de vida das minhas entrevistadas e a minha própria. Dentro deste mundo conectado precisamos ouvir quem faz uso da internet e mídias sociais digitais e de que maneira para organizar sua

vida. Como diz Martín-Barbero (1997, p.142) "fazer-se comunicável, sua memória e sua experiência" diante da cultura.

Se analisarmos narrativas de histórias de vida de pessoas de uma mesma comunidade, é possível que o resultado obtido seja a repetição de valores culturalmente compartilhados. Isso se relaciona a como os conjuntos normativos são interpretados e diferentemente acionados, tendo em vista as experiências de pessoas-indivíduos. (KOFES, 2015).

Para esta etapa da pesquisa optei por seguir a cronologia e sequência de eventos, tendo como referência as pessoas e, no nosso caso, a ordem com que páginas na internet e em mídias sociais digitais, livros, filmes, séries, entre outros conteúdos midiáticos foram acessados para compor a trajetória da maternagem.

3.1- Gestar

Comecei a pensar que mãe eu queria ser e como vivenciaria o meu parto quando iniciei uma turma de yoga pré-natal, em Belo Horizonte. Tive acesso, então ao manual para professores para se trabalhar com grávidas intitulado “Conscious pregnancy: a Kundalini Yoga guide to conception, pregnancy and birth” (1983). Ler o livro me forneceu ensinamentos importantes sobre o que significa se ter um filho, desde a concepção, até questões sobre educação.

Estudar, me preparar para as aulas, me capacitou para que eu entendesse o que era ser mãe como eu gostaria de viver este momento. Como o livro é um manual para ser utilizado nas aulas ele continha desde posturas, movimentos, meditações e respirações, que auxiliam as mulheres a lidarem com os desafios da gestação, parto e maternidade.

Ao mesmo tempo, o manual trazia informações relevantes para entender as mudanças pelas quais o corpo passa, a alteração das emoções devido aos hormônios e inauguração de uma nova perspectiva diante da vida, a partir da noção de que a gestação marca a entrada para uma identidade nova na vida da mulher: a mãe. Foi com este livro que formulei como gostaria de vivenciar o meu parto: da forma mais natural possível. Acreditava que essa era a maneira que seria mais benéfica para a saúde de nós dois.

Lembro de trocar ideias com amigas e conversar sobre o assunto. Me deixava curiosa ouvir coisas sobre como elas tinham medo da dor do parto ou não tinham confiança de que teriam a capacidade de parir. Observando a sociedade brasileira, é possível perceber que este é um sentimento dominante. Não há confiança sobre o conhecimento do corpo de que ele sabe o que fazer na hora do parto, muito menos na mulher, o que faz com que haja um consenso na

nossa cultura de que só é possível parir no hospital, com a ajuda de e as intervenções de um médico.

Diante disso, para que as mulheres consigam parir na rede privada de saúde é preciso muita informação sobre o funcionamento do corpo, dos processos esperados para um nascimento, das condições necessárias para a mãe e o bebê para que seja possível um parto normal. Conforme foi contextualizado no primeiro capítulo, como as instituições e médicos brasileiros não são, de uma forma geral, capacitados ou engajados no propósito de trazer bebês ao mundo por parto normal, caso a mulher não se “empodere” tendo consciência de que se ela quiser ter um parto normal, terá que lutar por ele, e é pouco provável que isso ocorra.

O termo empoderamento tem sido usado associado a lutas de minorias na contemporaneidade, inclusive, em discursos feministas. Berth (2019) explica que ele significa dar poder a alguém, uma condução articulada de indivíduos e grupos que precisam se sentir valorizados, afirmados e reconhecidos dentro das suas habilidades humanas, história e posição social que ocupam. Somente assim conseguem atingir um autoconhecimento de si para perceber o que se passa no seu entorno.

O prefixo “auto” cabe aqui como indicativo de que os processos de empoderamento, embora possam receber estímulos externos diversos da academia, das artes, da política, da psicologia, das vivências cotidianas etc., é uma movimentação interna de tomada de consciência ou do despertar de diversas potencialidades que definirão estratégias de enfrentamento das práticas do sistema de dominação machista e racista (BERTH, 2019, p. 25).

A autora destaca, ainda que definir estes parâmetros é importante para que não se caia na armadilha de sair do polo de oprimido para o de opressor, mantendo o sistema de dominação e reproduzindo sistemas hierárquicos. A ideia é que este despertar da consciência se coloque a serviço da emancipação coletiva. Tinha uma ideia muito clara na minha cabeça sobre o meu desejo, pois sabia que seria melhor para mim e meu bebê.

Então, nada que me falassem poderia mudar a minha convicção. Porém, percebia que nem todas as mulheres se sentem desta forma. Talvez por não saberem que elas podem sim escolher como querem viver os seus partos ou por não quererem lutar contra um sistema social que é maior, mais forte e mais poderoso do que elas.

Alguns meses depois, descobri que estava grávida da minha primeira filha. Estava de mudança para Natal e comecei a praticar em casa as posturas que já sabia que me beneficiaria e a meditar. A prática me ajudou com os enjoos do primeiro trimestre, me acalmou com relação aos medos que tinha com a chegada de um novo ser na nossa vida. Segui praticando ao longo de toda a gestação e durante este período meditei bastante para ter o parto que desejava. “é

preciso instrumentalizar certos grupos de oprimidos para que pudessem ter autonomia (BERTH, 2019, p. 29).

Quando me sentava no chão com as pernas cruzadas, orava, pedia inspiração para a minha avó paterna, que eu pouco conheci, mas que teve seus 12 filhos, em casa, com a ajuda de uma parteira e para mim era um exemplo de forca e amor. Como não havia encontrado em Natal um médico que fosse assumidamente a favor da Humanização do Parto, busquei na página do Facebook Parto normal em Natal /RN (2020) informações sobre doulas e encontrei uma profissional para me acompanhar durante a gestação e o parto.

Pereira (2019) trata sobre a difícil tarefa de se fazer um mergulho emocional em torno das suas experiências e ao mesmo tempo se olhar de fora e encontrar neste caminho o que é social, compartilhado, cultural. Para empreender neste movimento é necessário grande empenho pessoal e encontrar no caminho um método para se amparar. Sei que este caminho trilhado por mim só foi possível por ser uma mulher casada, pós-graduada, de classe média, que tem plano de saúde, com uma gravidez de risco habitual, que foi planejada e muito desejada por mim e meu marido. Se algum destes fatores fosse diferente, talvez não tivesse acesso à informação, ou não me sentiria segura em traçar um caminho para o parto que foge do padrão no Brasil e não conseguiria colocar em prática o que desejava.

Como foi tratado mais detalhadamente no primeiro capítulo, quando detalho sobre o cenário do parto no país, sabe-se que no Brasil, quase 70% das mulheres inicia o pré-natal desejando um parto normal, mas a cesariana é realizada em 52% dos nascimentos, sendo que, no setor privado, a porcentagem cresce para 88%. Os dados são da pesquisa “Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento”, realizado pela Fundação Oswaldo Cruz. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que somente 15% dos partos sejam realizados por meio desse procedimento cirúrgico. No meu caso, posso dizer que sou privilegiada, pois os meus planos permitiam lutar para estar entre estas 12% das mulheres que conseguem ter um parto normal dentro do sistema privado de saúde.

Dizer que sou privilegiada não me faz melhor ou pior do que ninguém. Apenas destaca que ocupo um lugar social que me permite que eu faça escolhas e tenha condições de sustentá- las por diversos fatores. A minha condição socioeconômica e escolaridade, pelo fato de eu contar com uma rede de apoio (marido e doula) que me apoiam nas minhas decisões são alguns deles.

Além disso, sou mulher e tenho consciência de que vivo em um mundo majoritariamente patriarcal e, por este motivo, sei que minhas escolhas só são respeitadas se eu lutar por elas, se me colocar abertamente e enfrentar as consequências das minhas opções. Ter consciência de

que querer ter um parto normal pressupõe ir contra a maioria também é um fator importante em se tratando da realidade brasileira.

Isto significa que, enquanto gestante, posso enfrentar situações estruturalmente opressoras, seja diante de um homem (pelo fator sexo) ou diante de um médico (pelo poder do conhecimento). Desta maneira, preciso saber que a ordem de prioridade de outras pessoas pode ser diferente da minha, mas a gestação e a geração do meu filho em meu corpo, portanto, deve ocorrer respeitando as minhas regras. Devo estar ciente disso para conduzir a minha ação.

Ainda assim, outras mulheres, que possuem um perfil parecido com o meu não fazem as mesmas escolhas. Teriam as chances de lutar pelo seu parto e não o fazem. Será que elas se veem como oprimidas?Será que elas já se questionaram sobre o que a sociedade lhes diz sobre o que é ser mulher? Será que o que os outros pensam e esperam delas coincide com o que elas mesmas pensam sobre suas condições femininas? Não cabe neste trabalho julgar o que acontece. Mas investigar estas questões serve para darmos luz a questões envolvidas com a experiência do nascimento de um filho, que não são tratadas socialmente de forma clara, pois socialmente são de âmbito doméstico e íntimo, não devem ser expostas.

O conceito de experiência é visto por Bondia (2002), Kofes (2015), Maia (2006), Martín-Barbero (1997) e como uma das peças-chave para se pensar esta discussão. O termo está sendo amplamente utilizado em diversos estudos nas ciências sociais. Kofes (2015) afirma que muitas críticas ao conceito se devem ao fato de estar sempre relacionada a supostos como visibilidade, transparência, individualidade, autenticidade, a instância pré-discursivas, pré- narrativas, pré-conceituais, ou relacionando à subjetividade e consciência individual.

Os apontamentos partem da ideia de que devemos dar importância às estruturas e processos (socioeconômicos, históricos, linguísticos) nos quais se ancoram as condições para a experiência, o que permite concluir que a experiência resulta dessas estruturas e processos. Ao relacionar a experiência narrada biograficamente e estrutura da experiência é possível retirar a narrativa biográfica da dicotomia entre indivíduo e sociedade, subjetivo e objetivo. “A expressão da experiência conteria relações, conexões, movimentos da vida, experiência social e reflexão dos próprios sujeitos, conteria a expressão da experiência que não prescinde da sua expressão narrativa” (KOFES, 2015, p. 35).

A autora acredita que as biografias podem ser úteis aos estudiosos como “dispositivos para criar pessoas, personalidades, santos, heróis e fracassados ou, ainda, incorporar ideias e valores – ideologias e moralidades – em vidas concretas, considerando-as como passíveis de serem expandidas, supondo a vida como modelo passível de imitação” (KOFES, 2015, p. 36).

Com relação ao parto, pode-se dizer que culturalmente, no Brasil, há uma crença de que que a tecnologia é uma coisa boa e que serve para auxiliar, que é uma evolução, em comparação com a parte natural, animal e instintiva relacionada a um parto. Grande parte da sociedade brasileira considera que o parto é um ato médico e, portanto, quem “faz” é o obstetra, que a mãe é “apenas” um veículo por meio do qual o bebê vem ao mundo. Que ela não precisa, nem deve, trabalhar para que isso aconteça.

O assunto traz à tona o que é tratado no livro “Parto Ativo”, de Balaskas (2008). Ela conta a sua experiência com o nascimento de seus filhos para se tornar uma mestra para mulheres que desejem viver o parto de forma ativa. Ela passou a utilizar o conhecimento do yoga e posições verticalizadas (cócoras, quatro apoios, em pé, entre outras), a partir do parto da sua segunda filha, para dar à luz de maneira natural, intuitiva e utilizando posições verticais, para que pudesse parir ativamente. Assim prosseguiu até o nascimento do seu quarto e último filho.

Balaskas (2008) conta que já em 1970 um grupo de mulheres passou a desejar aplicar os ensinamentos aprendidos nas aulas de yoga ou de preparação para o parto para a vivência deste momento de forma ativa em maternidades de Londres, mas enfrentaram resistências em salas de parto. Desta forma, foi iniciado o Movimento pelo Parto Ativo, com o objetivo de mudar esta realidade. Outros países seguiram o mesmo processo e o movimento se tornou internacional. Em alguns locais recebeu outros nomes, como é o caso do Brasil, que é mais

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