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4. ESTUDO DE CASO

4.3. ESTUDO QUANTITATIVO

4.3.3. AVA - ACIDENTE COM VEÍCULO AUTOMOTOR

73 de segurança, alinhada a todos os investimentos de tecnologia foram eficientes ou ineficientes na empresa.

É importante salientar que para o nosso estudo, só serão considerados os acidentes controláveis, visto que não faz sentido fazer o cálculo de acidentes que são de responsabilidade de terceiros, ou seja, que o motorista da empresa não teve culpa, e não teria planos de ação para o mesmo. Além disso, o estudo será feito em cima de acidentes de alto potencial, visto que também não iremos entrar em análise aprofundada de acidentes mais simples, que não tem nenhum impacto significativo para a empresa nem para o motorista.

Para fazer um comparativo de quando foram implementadas as tecnologias e os programas de reconhecimento, têm-se o resumo abaixo:

Tabela 2: Anos de implementação das tecnologias.

Fonte: Própria autora.

Tabela 3: Anos de implementação dos programas.

Fonte: Própria autora.

4.3.3. AVA - ACIDENTE COM VEÍCULO AUTOMOTOR

Os Acidentes com Veículos Automotores (AVAs) são os mais comuns na Empresa X, de acordo com os dados apresentados e armazenados por eles. AVA é qualquer acidente que acontece com o veículo no sentido de colisão. Por exemplo, se um veículo bate em outro e tomba, é um AVA, e se ele só esbarra em um poste, também é um AVA. Qualquer colisão pode ser considerada um AVA, e classificada dentro dos parâmetros já apresentados

Implementada em: 100% da frota em:

74 (controlável ou não controlável e baixo, médio ou alto potencial) de acordo com o Manual de Práticas do Sigo da Empresa X (2019).

Analisando ao longo dos anos os acidentes de Alto Potencial Controlável pela Empresa X em números absolutos, temos o seguinte gráfico:

Gráfico 32: Acidentes de Alto Potencial ao longo dos anos na Empresa X em número absoluto.

Fonte: Criado pela própria autora da monografia.

A partir desse gráfico, nota-se que a estabilidade do número de acidentes começou em 2017’18, mantendo-se até hoje.

Entretanto, se fizermos um cálculo proporcional à exposição da Empresa X para servir de comparativo, utilizando os índices comentados anteriormente, teremos os valores de AVAs de Alto Potencial de cada ano, que é o valor que levaremos em conta para análise. Pelo Manual de Práticas do Sigo da Empresa X (2019), o cálculo é dado da seguinte forma:

Índice = (n/k)*1.000.000

n = Número de eventos de Alto Potencial k = Quilometragem Percorrida no ano

Assim, teremos o seguinte gráfico de AVAs ao longo dos anos:

75

Gráfico 33: Acidentes de Alto Potencial ao longo dos anos na Empresa X em índices.

Fonte: Criado pela própria autora da monografia.

Com isso, analisando os AVAs, chegamos à conclusão que os dois últimos anos da Empresa X foram os melhores no quesito segurança, relacionado aos acidentes de veículo automotor.

Por fim, para ficar mais visual a comparação, o gráfico abaixo consegue comparar os AVAs ao longo dos anos com a exposição rodoviária, ou seja, com a quilometragem percorrida.

Gráfico 34: Km percorrido X índice de AVAs.

Fonte: Criado pela própria autora da monografia.

76 4.3.4. LTI - LOST TIME INCIDENT E TRC - TOTAL REPORTABLE

CASES

O segundo tipo de acidente são os LTIs, que significa Lost Time Incident, são os acidentes mais graves na operação, são com afastamento ou fatalidade.

E TRC é o principal KPI (indicador-chave de performance) da área de SSMA Logística, ou seja, é um valor muito importante para a empresa, e que sempre buscamos diminuí-lo. Em português, significa total de casos reportados, similar ao LTI, mas engloba acidente menos graves também. Além de fatalidades e afastamento, qualquer acidente com afastamento médico ou restrição funcional é considerado um TRC.

Os LTIs não são calculados os índices, não está nos KPIs, mas são analisados de forma individual com uma investigação intensa dos acidentes.

Para calcular o índice de TRC é da mesma forma que foram calculados os índices de AVAs, de acordo com o Manual de Práticas do Sigo da Empresa X (2019).

Índice = (n/k)*1.000.000

n = Número de eventos com TRC k = Quilometragem Percorrida no ano

Assim, teremos o seguinte gráfico de TRCs ao longo dos anos:

Gráfico 35: Acidentes TRC ao longo dos anos na Empresa X em índices.

Fonte: Criado pela própria autora da monografia.

77 E foi realizado o gráfico abaixo para comparar com a exposição rodoviária ao longo dos anos:

Gráfico 36: Km percorrido X índice de TRCs.

Fonte: Criado pela própria autora da monografia.

Diferente do que aconteceu com os AVAs, o índice de TRC não diminuiu proporcionalmente ao longo dos anos, devido a 2 acidentes que tiveram ao longo do ano Safra 2019’20.

Um caso foi afastamento de menos de 1 semana, no qual o motorista escorregou do caminhão e quebrou o fêmur. De acordo com a investigação do acidente (documento de sigilo da Empresa X), o motorista entendeu que teria autorização para subir no caminhão, mas não tinha. A ação que a Empresa X tomou foi criar um treinamento para todos os motoristas da operação Empresa X identificando quando eles podem e quando não podem subir no caminhão.

Além disso, a Empresa X criou diversos meios de comunicação para que o caso não ocorresse novamente.

O segundo caso, foi a única fatalidade que a Empresa X teve, dentre mais de 4.000 motoristas, que operam 250 milhões de quilômetros em um ano.

Após toda a investigação de acidente, foi constatado que a causa do acidente foi fadiga do motorista.

Como lição aprendida e ações para os erros não serem cometidos novamente, a primeira ação da Empresa X foi a desomologação do transportador, ele parou de operar para a Empresa X desde o acidente. Além

78 disso, houveram inúmeras webmeetings com os motoristas, relatando o acidente e abrindo a oportunidade de os motoristas fazerem suas observações de forma anônima. A Empresa X deu voz aos motoristas.

Ao analisar e investigar cada acidente de tombamento ou alto potencial dos anos anteriores, que estão no gráfico também de TRC, 80% deles foram relacionados à fadiga.

Além das ações que já foram comentadas em relação à tecnologia e pausas para descanso e jornada de trabalho, estudos foram feitos durante esse trabalho para surgirem algumas possíveis novas ações relacionadas ao tema.

Polsin (2012) trata muito da importância da proximidade da empresa com a família do funcionário e com o próprio funcionário. Alinhado a isso, na teleconferência do dia 25/06/2020, a empresa transportadora Transmasut apresentou um caso de sucesso, em reunião nacional, sobre ter psicólogos e membros dos Recursos Humanos para apoiar os motoristas em quaisquer questões. Eles criaram esse projeto chamado “Anjo da Guarda” para acompanharem diariamente, junto com as famílias dos motoristas, como está a saúde física e mental deles, criando uma maior flexibilidade de horários para os mesmos e um canal de comunicação.

Essa é uma medida que pode dar mais liberdade aos motoristas e fazer com que eles sintam que podem, e devem falar quando não se sentirem aptos para dirigir. Cabe à empresa adaptar à mudança e entender como essa medida pode evitar um grande acidente.

Além disso, deve-se continuar os estudos relacionados à pulseira de fadiga, que é uma proposta de pulseira tecnológica que consegue medir o sono, pressão, batimento, cansaço e outras informações do motorista que pode tirar conclusões em relação à fadiga, e assim, evitar que ele dirija em um dia que não estiver 100%. Entretanto, um ponto que foi percebido durante esse trabalho com leituras sobre o tema e que a Empresa X deve se atentar, é em relação à privacidade e ao controle do motorista. Não é viável controlar o motorista fora do trabalho, mas é necessário que ele esteja bem fora do trabalho, para trabalhar com segurança. Então, o grande desafio que fica dessa questão para futuro trabalhos e estudos é: “até que ponto devemos

79 cuidar do motorista fora do ambiente de trabalho, mas sem controlá-lo e tirar sua liberdade? ”.

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