22 fortes investimentos na área, vindo da mais alta liderança da empresa (MTR, 2017).
Os investimentos em tecnologia e pessoas que serão apresentados neste trabalho mostra como a cultura permanece forte na empresa e como ela consegue compartilhar e disseminar entre seus parceiros, que são os transportadores e motoristas. Além disso, torna-se mais forte ainda na empresa, porque tem uma área específica de Segurança, dividida entre membros para cada um cuidar de uma parte (terminais, postos, transporte, etc.). Isso mostra que a preocupação com a segurança é grande, e que cada vez mais a empresa vai investir em medidas preventivas para não ter consequências maiores e ter que trabalhar com medidas corretivas (MTR, 2017).
Um exemplo bem forte na empresa que se tornou parte da cultura é a questão de jornada de trabalho dos motoristas. A empresa X é uma empresa em que as regras para a jornada de trabalho dos motoristas são de menos tempo do que está na lei. O motorista não pode dirigir 4 horas contínuas para não ficar cansado, e nem dirigir mais de 11 horas diárias, a lei 13.103/2015 permite 12. Isso aparentemente gera perdas econômicas, mas a empresa X não abre mão da regra, para que a saúde e segurança do motorista prevaleçam, e caso a transportadora contratada não seguir esses padrões de segurança, ela é convidada a não operar mais para a empresa X, independente do benéfico financeiramente a parceria for para a empresa, isso tudo está registrado no documento oficial de transportes da empresa X com seus parceiros, o MTR (2017). Esse é um exemplo de vários que serão detalhados no capítulo do estudo de caso.
2.4.5. COMO A INDÚSTRIA 4.0 AJUDA A PREVENIR ACIDENTES
Atualmente existem dois pontos de vista muito fortes quando o assunto é a tecnologia: aqueles que acreditam que vem para substituir os empregos, e aqueles que acreditam que a tecnologia por si só consegue deixar a empresa mais produtiva, automatizada e que o trabalho humano não é mais tão necessário. Entretanto, a tecnologia é
23 necessária e traz inúmeros benefícios quando utilizada com consciência e estudo (Arbache, 2019).
Arbache (2019) escreveu um artigo para o Jornal Valor Econômico com o título “De onde virão os empregos? ”, comentando exatamente isso, a preocupação de que as tecnologias como inteligência artificial, robôs e serviços prestados de forma remota poderão destruir empregos. Entretanto, contrário a isso, Arbache (2019) apresenta o outro lado dos efeitos da tecnologia, que seria a criação de empregos relacionados ao desenvolvimento, gestão e distribuição de novas tecnologias e serviços. Mas, como saber quais países vão ganhar e quais vão perder com a tecnologia, visto que tem implicações e influências econômicas, sociais e até políticas?
No artigo The future of work in manufacturing da Deloitte Insights (2019), são apresentados de forma detalhada várias profissões do futuro, que se for para resumir, seriam operários que se especializam para tornarem desenvolvedores. O artigo apresenta também como as responsabilidades dos colaboradores serão no futuro, precisando de menos habilidades técnicas e mais habilidades como criatividade, adaptabilidade, bom relacionamento, agilidade e análise crítica.
3. METODOLOGIA
Para desenvolver o trabalho, inicialmente, foram analisadas as melhores formas para se pesquisar e apresentar as informações levantadas. Em seguida, partiu-se para uma análise teórica do material disponível para consulta relacionado ao assunto trabalhado, analisando todas as ferramentas e dados da empresa que se tratava de segurança do trabalho, verificando dessa maneira, os aspectos mais relevantes diretamente ligados ao tema.
A ideia inicial era falar apenas de tecnologia, como esta pode gerar algum impacto, positivo ou negativo, quando se trata de segurança do trabalho.
Entretanto, ao ser conversado com a professora orientadora do trabalho, ficou alinhado que sem uma forte cultura de segurança, a tecnologia poderia não bastar, poderia ser insuficiente ou até inutilizável. Com essa ideia, foi pensado em alinhar os dois temas, estudar e analisar se um tema complementa o outro.
24 Pensando nisso, seria necessário fazer uma pesquisa quantitativa, analisando os números de acidentes, criando gráficos para comparar todos os anos passados e concluir se realmente houve uma melhoria significativa. Através de números e de forma visual, conseguiremos chegar aos resultados. Entretanto, só os números não bastam, como afirma Silva & Simon, (2005).
De acordo com os mesmos, é preciso entender a teoria e o objeto de estudo para fazer a análise quantitativa, um complementa o outro. É preciso entrevistar funcionários e estudar os programas, campanhas e projetos da empresa, entender quais ações foram tomadas e como os funcionários reagiram à essas ações. É preciso estudar a gestão de mudanças que houve na empresa e quais resultados foram enxergados com essas medidas. Ou seja, para alinhar a cultura de segurança aos dados e à tecnologia, é necessário que a pesquisa seja quantitativa e qualitativa. “Considerando que a abordagem qualitativa, enquanto exercício de pesquisa, não se apresenta como uma proposta rigidamente estruturada, ela permite que a imaginação e a criatividade levem os investigadores a propor trabalhos que explorem novos enfoques, ” afirma Godoy (1995).
Para o estudo mais qualitativo, foi utilizado como base de dados para o presente trabalho algumas planilhas e documentos de anos anteriores com a relação e detalhamento de cada acidente apresentado. Nessas planilhas têm-se informações de data, causa, investigação do acidente, potencial, controlabilidade, grau de consequência, descrição do acidente, vídeos e fotos do acidente, nome do motorista, transportadora e filial responsável, etc. Além disso, existem também documentos de perícias para acidentes mais graves e fotos da maioria deles, já que a área entrevistada é exatamente a área de segurança rodoviária da empresa, que trabalha com combustíveis. A ideia é entender todos os acidentes ocorridos desde 2012 até hoje com os motoristas dirigindo os caminhões-tanque.
Isso tudo foi possível devido à viabilidade de obter as informações diretamente com os responsáveis do assunto, que implementam diariamente as ferramentas citadas neste trabalho e são responsáveis pelo monitoramento dos resultados conseguidos na empresa. Com essas informações, foram criados gráficos para a análise numérica.
problema era realmente esse: entender a visão do motorista. Para conseguir o conteúdo qualitativo, foi realizado entrevistas com os responsáveis por desenvolver as campanhas e também com os motoristas que são os profissionais atingidos por essas campanhas.
Para descrever cada uma delas, sua criação, propósito, consequências e como são aplicadas no dia a dia, foram realizadas entrevistas com as visões dos gestores, no qual para cada uma foi entrevistado o gestor criador da campanha e o atual gestor responsável pela mesma, e também pela visão dos motoristas.
Foram entrevistados oito gestores para as quatro campanhas que serão detalhadas no estudo de caso, para que assim, tenhamos pelo menos dois pontos de vista da gestão de cada campanha.
Para entender os pontos de vista em relação às quatro tecnologias que serão apresentadas, foram entrevistadas 3 pessoas para cada uma. Além do responsável por implementar a tecnologia na empresa e o gestor atual que controla a tecnologia, foi entrevistado também o fornecedor do produto, para que seja realizada uma análise se eles têm consciência ou não do ponto de vista do motorista diante daquela situação.
Para ter a visão dos motoristas em relação à essas campanhas e em relação à tecnologia, foram entrevistados 94 motoristas, de 6 filiais transportadoras diferentes para termos respostas de públicos ganhadores e não ganhadores das campanhas, como também ter público de transportadoras com culturas diferentes.
Como o contato pessoal com os motoristas é mais efetivo e a época do estudo foi na época da pandemia do COVID-19, foi calculado o mínimo de funcionários que precisariam ser entrevistados para ter uma margem de erro de no máximo 10%. Para esse cálculo foi necessário o tamanho da população (4000=N), grau de confiança (95%) e a margem de erro (10%=e).
Z = escore Z, que é o número de desvios padrão entre determinada proporção e a média. Para encontrar o escore z correto a ser usado, utiliza-se
26 uma tabela de padrão nacional, que determina que para 95% de confiança, o escore Z é 1,96.
Para fazer o cálculo da amostra, utilizou-se a fórmula abaixo:
Ou seja, fazendo o cálculo da amostra, entende-se que para uma população de 4.000, que é o caso dos motoristas que trabalham para essa empresa, para ter uma margem de erro de 10%, foi necessário entrevistar 94 profissionais, que durou 6 dias, um dia para cada filial, e todos realizados de forma presencial, com papel impresso com todas as perguntas e caneta.
Depois de coletadas todas as entrevistas, as respostas foram passadas para uma planilha de Excel para uma melhor comparação.
As entrevistas com os gestores em relação às campanhas foram compostas pelas perguntas abaixo, referindo a cada campanha dependendo do gestor entrevistado:
o Quando surgiu a ideia de desenvolver essa campanha?
o Qual foi a causa principal para o desenvolvimento dessa campanha?
o Qual necessidade seria atingida com o desenvolvimento da campanha?
o Por que você acredita que essa campanha motivaria os motoristas?
o Você chegou a fazer uma pesquisa no campo para entender como seria a receptividade dos motoristas com a campanha?
o Se sim, qual foi a reação deles? Você tem registro dessa pesquisa?
o Como você vendeu a ideia da campanha para os motoristas?
o Como você valida, pelo menos anualmente, se os motoristas estão envolvidos com as campanhas?
27 A entrevista realizada em relação às tecnologias para os gestores e fornecedores foi a seguinte:
o Quando foi implementada a tecnologia na empresa?
o Qual foi a causa principal para a implementação dessa tecnologia?
o Qual necessidade seria atingida com a implementação dessa tecnologia?
o Como você convence os motoristas de que a tecnologia é para a segurança deles, e não só por questões financeiras?
o Antes da tecnologia ser implementadas, foram estudados os impactos que isso pode causar em relação aos direitos humanos?
o Essa tecnologia é permitida por lei?
o Como você acredita que o motorista se sente com essa tecnologia?
o O motorista está sendo acompanhado em 100% do seu horário de trabalho, o que você acha que isso pode causar para ele?
o Existe alguma chance de isso interferir no dia a dia pessoal do motorista?
Para entrevistar os motoristas, primeiramente foi deixado claro que seria de forma anônima, que teriam exatamente 94 motoristas que seriam entrevistados e que viriam de diversas filiais, deixando eles à vontade para responder qualquer coisa porque todas aquelas informações seriam unificadas e impossíveis de serem reveladas quem foi entrevistado.
Para ter respostas mais reais dos motoristas foram realizadas também perguntas de múltipla escolha, e para não ficar cansativo para o motorista e ser conseguido todas as respostas efetivas, foram feitas poucas perguntas abertas para cada programa. Além disso, quando os motoristas não conheciam o programa as perguntas sobre ele não eram realizadas.
As perguntas que foram feitas para os motoristas de forma presencial foram:
o Você conhece o programa de Motoristas Monitores? (Sim ou não).
o O que você vê de positivo e negativo do programa?
o Você acredita que o programa melhora a sua segurança? Por que?
o De 0 a 10, qual nota você daria para o programa? (Nota de 0 a 10).
o Você conhece o programa da Liga Dos Campeões? (Sim ou não).
28 o O que você vê de positivo e negativo do programa?
o Você acredita que o programa melhora a sua segurança? Por que?
o De 0 a 10, qual nota você daria para o programa? (Nota de 0 a 10).
o Você conhece a campanha das Melhores IQAs? (Sim ou não).
o O que você vê de positivo e negativo na campanha?
o Você acredita que a campanha melhora a sua segurança? Por que?
o De 0 a 10, qual nota você daria para a campanha? (Nota de 0 a 10).
o Você conhece o programa do Rodeio dos Caminhões? (Sim ou não).
o O que você vê de positivo e negativo do programa?
o Você acredita que o programa melhora a sua segurança? Por que?
o De 0 a 10, qual nota você daria para o programa? (Nota de 0 a 10).
o Você conhece a tecnologia de telemetria? (Sim ou não).
o Como você acha que essa tecnologia te ajuda na segurança do seu trabalho?
o Como você acha que essa tecnologia pode te atrapalhar no seu trabalho?
o O que mais te incomoda em relação a essa tecnologia? (Alternativas fechadas). A) tira a minha privacidade. B) me sinto incomodado com os alertas.
C) não acho bom para o meu trabalho. D) me atrapalha fora do ambiente de trabalho. E) não me incomoda porque é uma forma de me defender. F) não me incomoda porque me deixa mais atento e seguro. G) outros.
o De 0 a 10, qual nota você daria para essa tecnologia? (Nota de 0 a 10). Por quê?
o Você conhece a tecnologia de câmeras onboard? (Sim ou não).
o Como você acha que essa tecnologia te ajuda na segurança do seu trabalho?
o O que mais te incomoda em relação a essa tecnologia? (Alternativas fechadas). A) tira a minha privacidade. B) me sinto incomodado com os alertas.
C) não acho bom para o meu trabalho. D) me atrapalha fora do ambiente de trabalho. E) não me incomoda porque é uma forma de me defender. F) não me incomoda porque me deixa mais atento e seguro. G) outros.
o De 0 a 10, qual nota você daria para essa tecnologia? (Nota de 0 a 10).
o Você conhece a tecnologia de sensores de fadiga? (Sim ou não).
o Como você acha que essa tecnologia te ajuda na segurança do seu trabalho?
o O que mais te incomoda em relação a essa tecnologia? (Alternativas fechadas). A) tira a minha privacidade. B) me sinto incomodado com os alertas.
C) não acho bom para o meu trabalho. D) me atrapalha fora do ambiente de
29 trabalho. E) não me incomoda porque é uma forma de me defender. F) não me incomoda porque me deixa mais atento e seguro. G) outros.De 0 a 10, qual nota você daria para essa tecnologia? (Nota de 0 a 10).
o Você conhece a tecnologia de controle de jornada? (Sim ou não).
o Como você acha que essa tecnologia te ajuda na segurança do seu trabalho?
o O que mais te incomoda em relação a essa tecnologia? (Alternativas fechadas). A) tira a minha privacidade. B) me sinto incomodado com os alertas.
C) não acho bom para o meu trabalho. D) me atrapalha fora do ambiente de trabalho. E) não me incomoda porque é uma forma de me defender. F) não me incomoda porque me deixa mais atento e seguro. G) outros. De 0 a 10, qual nota você daria para essa tecnologia? (Nota de 0 a 10).
Com todas essas entrevistas e informações, foi possível chegar em resultados quantitativos e qualitativos que foram estruturados neste relatório que será comentado no estudo de caso. Além do que já foi mencionado, que as informações vieram do banco de dados da própria empresa, foram utilizadas também referências bibliográficas de artigos, teses, livros e periódicos disponibilizados na internet.
3.1. OBJETIVOS