PARTE I – ENQUADRAMENTO TEÓRICO
CAPITÚLO 4 – ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
4.3. Análise das entrevistas às educadoras das crianças participantes
4.3.4. Avaliação do projeto “Historias que Encantam”
Nessa última parte das entrevistas, procurou-se saber a perceção das entrevistadas sobre os resultados da operacionalização do Projeto Histórias que Encantam, e suas sugestões
profissionais para a melhoria do desempenho, não apenas do projeto, mas de todo o trabalho que envolve a leitura e a importância dela para as crianças. E para os pais também.
Tabela 4 – Perceções das educadoras sobre avaliação do projeto “Historias que Encantam”
Avaliação do Projeto Avaliação Sugestões para Pais Sugestão para EDU. Profissionais
Educadora 1 11 5 2
Educadora 2 16 5 3
Nessa perceção as entrevistadas alertam para a importância da leitura no desenvolvimento das crianças, ainda antes da escolaridade de facto, pois trata-se, nessa fase, do contributo que elas terão e levarão para a vida, além de incentivarem pais e educadores a terem mais iniciativas assim, pois isso contribui no desenvolvimento afetivo das crianças.
Comparando as entrevistas, ambas referem causas e fatores na avaliação do projeto: Educadora 1
“(…) projeto "Histórias que Encantam" em particular por ter sido apresentado de forma lúdica e com diferentes estratégias foi muito importante, uma vez que contribuiu com a iteração das crianças com as histórias, o desenvolvimento na comunicação delas, através das atividades em sala e o crescimento do vocabulário” (Ref. 4).
“Este projeto foi fundamental para ajudar as crianças a gostarem da leitura” (Ref. 7).
Educadora 2
“Através destas histórias o grupo de crianças descobriu a importância de ouvir, contar, recontar e inventar narrativas, além do prazer pela leitura” (Ref. 4).
“o Projeto "Histórias que Encantam" ajudou a colmatar as dificuldades na linguagem” (Ref. 5).
O projeto Histórias que Encantam objetivou criar um mundo de aprendizado espontâneo e criativo para cada criança, conforme aponta Bizzoto, Aoeira & Porto (2010), os quais defendem a ideia de que ajudar a criança na leitura é simplesmente permiti-la vivenciar as situações de leitura que representam seu cotidiano, proporcionar espaço e oportunidades para elas interagirem com a leitura e a comunicação de forma livre e
espontaneamente crias histórias, trocar ideias e expressarem-se a partir do que elas já viram e ouviram. Assim como Muneveck (2010) diz que as escolas e os educadores/professores possuem ferramentas capazes de aproximar as crianças das histórias, a fim de despertar nelas o prazer da leitura. Projetos como esse são parte dessas ferramentas.
Comparando as entrevistas, ambas referem causas e fatores para sugestões para Pais:
Educadora 1
“influenciarem os seus familiares para a criação de hábitos de leitura em família” (Ref. 2).
“(…) sugiro para os Pais/EE é que nunca vejam o JI como um “depósito” de crianças” (Ref. 3).
Educadora 2
“Gostaria de sugerir aos Pais/EE que lessem muito em casa para os seus filhos” (Ref. 2).
“(…) 5 minutos antes de dormir, já ajuda para que a criança enriqueça o seu vocabulário e o gosto pela leitura” (Ref. 3).
As crianças não vivem só de projetos, na verdade, projetos como Histórias que Encantam são os impulsionadores de desenvolvimento, para o crescimento delas no individual e no coletivo no meio escolar e sobretudo no seio familiar. A base familiar vai influenciar diretamente em como a criança recebe o conhecimento e seu desempenho no decorrer dele. Muneveck (2010) também defende a ideia de que a simpatia e a competência dos profissionais do livro não substituem o relacionamento afetivo entre os pais e filhos no momento da leitura, pois desse relacionamento depende a boa estrutura familiar na vida e no desenvolvimento da criança.
Comparando as entrevistas, ambas referem causas e fatores para sugestão para EDU. Profissionais:
Educadora 1
“Espero que iniciativas de leitura com histórias, como esta continuem a surgir” (Ref. 1).
“peço aos meus colegas educadores que vejam este projecto "Histórias que Encantam" como algo possível de ser realizado em contexto de Jardim de Infância” (Ref. 2).
Educadora 2
“Incentivar a formação do hábito de leitura na idade em que todos os hábitos se formam, isto é, na infância, é muito importante para o desenvolvimento na comunicação delas e da linguagem” (Ref. 1).
“Aos Educadores de Infância, gostaria de sugerir que incentivassem a interação dos pais com o Jardim de Infância” (Ref. 2).
Para Peruzzo (2011, p. 98),
“ouvir muitas e muitas histórias é importante para se integrar num mundo de descobertas e de compreensão do mundo. Ouvindo histórias pode-se também sentir emoções importantes, como a raiva, a tristeza, a irritação, o bem-estar, o medo, a alegria, o pavor, a insegurança, a tranquilidade. Enfim, ouvir narrativas é uma provocação para mergulhar profundamente em sentimentos, memórias e imaginações” (2011, p. 98).
Garcia (2007) ainda ressalta que toda a formação do educador serve para permitir-lhe, entre tantos outros fatores, uma boa e correta atuação educativa, que possibilitem conduzir satisfatoriamente as aprendizagens dos educandos e conhecimentos sociais para adequar melhor a realidade educativa ao contexto sociocultura. Nesse sentido o “Projeto Histórias que Encantam” defende a premissa de que histórias foram feitas para contar e serem ouvidas com o objetivo de enriquecer o aprendizado e o prazer pelo conhecimento a vida de quem as ouve. Através de sentimentos e sensações que as histórias provocam em nós, podemos crescer e nos desenvolver. Ainda segundo Peruzzo essa também é uma das principais metas das histórias e segundo as educadoras, isso foi visto na prática através do projeto.
Em triangulação, com os dados recolhidos na observação participante e os dados recolhidos com as crianças podemos concluir que todos estamos de acordo. Isso quer dizer que a investigadora/contadora de histórias, e as educadoras sentiram as mesmas falhas e dificuldades nas crianças ao nível da linguagem e do vacabulário. Da mesma forma, também sentiram que se verificou uma transformação, na comunicação e na linguagem das crianças, para melhor, durante o projeto. Logo,
“as perspectivas actuais apostam numa relação recíproca entre a consciência fonológica e a aprendizagem da leitura. Subjacente a esta posição está a ideia de que é necessário um mínimo de capacidades de reflexão sobre o oral para que a criança tenha sucesso no processo de alfabetização, e que a aquisição da literacia vai, por sua vez permitir o desenvolvimento de competências fonológicas mais sofisticadas” (Silva, 2004, p.189).