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Ao avaliar os recursos e processos do projeto, é necessário refletir sobre alguns aspectos:

• Uso do laptop sustentado por uma clara concepção epistemológica e embasado por uma proposta pedagógica inovadora;

• Liberdade de planejamento do professor para o uso do laptop em sala de aula;

• Uso dos diferentes espaços da escola e fora dela para a construção da aprendizagem;

• Formação continuada dos professores;

• Uso de ambiente virtual de aprendizagem e demais ferramentas das TICs para a comunicação e repositório das ações.

Práticas

aconselhadas Algumas práticas, em relação aos itens acima, devem ser aconselhadas àsescolas que estarão incorporando o uso do laptop no modelo 1:1, quais

sejam:

• a equipe gestora necessita de uma mobilização inicial para a proposta de uso do laptop, a fim de que se engaje efetivamente nas ações decorrentes de sua implementação;

• a formação dos professores deve ser continuada e em serviço, porque é no contato com os alunos que os professores vão-se apropriando dos pro- cessos tecnológicos e das inovações pedagógicas;

• o espaço de reunião para planejamento entre os professores é vital para a manutenção e sucesso do projeto da escola, acompanhado e apoiado sempre pela equipe gestora da escola;

• o uso integral do laptop pelo aluno potencializa a aprendizagem, bem como promove acesso da família aos recursos do computador e às pro- duções da criança;

• a equipe gestora necessita apropriar-se do novo tipo de movimentação na escola, tendo em vista o uso de todos os espaços físicos como extensão da sala de aula.

Práticas a serem evitadas:

Entretanto algumas práticas podem ser evitadas:

• o uso de portais comerciais de conteúdos digitais organizados tais como nos livros didáticos que acomodam os professores em condutas do nível I (vide item IV, 1 deste relatório)

• a ênfase em atividades de busca de informações exclusivamente em sites indicados pelo professor;

• a não priorização do horário de reunião de planejamento dos professores; • a simples inserção do laptop no cotidiano da escola sem uma discussão

pedagógica e a construção de uma proposta de um currículo inovador. O laptop dentro da escola é uma novidade. Não existem atribuições, papéis, nenhum procedimento padrão para lidar com situações cotidianas do uso do equipamento.

Perguntas simples podem ser fonte de reflexões importantes:

Como deve ser a distribuição dos laptops? que critérios devem ser adotados? quem serão os responsáveis pela definição destes critérios:

(a) Na experiência da escola Luciana de Abreu, os pais foram convidados para uma assembléia, em que discutiram amplamente seus interesses e suas respon- sabilidades diante da entrega do laptop. Foi-lhes apresentado um contrato, contendo um termo de responsabilidade que foi assinado por todos. Ante o consenso dos pais em assinar o documento, foi também solicitado um termo de consentimento de ampla divulgação das imagens e documentos produ- zidos por seus filhos. Com esses registros foram armazenados, em um banco de dados, o número serial de cada máquina, da sua bateria e respectivo carre- gador.

(b) Além de alunos e professores, quem tem direito a receber equipamentos na escola? Coordenação pedagógica? Direção? Setor de Psicologia? Como havia numero suficiente de laptops, no Luciana de Abreu, foi possível distribuir o equipamento para todos. Aconselha-se que tanto a equipe diretiva como seus assessores recebam o computador a fim de incorporarem seu uso no cotidiano de suas funções.

(c) Qual o procedimento quando alunos deixam a escola e quando chegam novos alunos? O laptop é propriedade da escola para o uso dos alunos, portanto, nas férias escolares como nas transferências, os alunos devem devolver para que sejam guardados na escola. É necessário estabelecer um protocolo de entrega e devolução dos equipamentos tanto para professores quanto para alunos. Assim, pode-se remanejar a distribuição no caso da chegada de novos alunos à escola, sendo preciso que o órgão gestor (prefeitura ou governo estadual) providencie a reposição ou a compra de novos laptops de acordo com as matrículas efetuadas.

(d) Como serão eleitas as regras para utilização, armazenamento, utilização do equipamento? Depois de discutidas entre gestores e professores, as regras de utilização dos laptops devem ser analisadas e discutidas com os alunos em assembléias, a fim de que se tornem responsáveis por sua execução no dia a dia da escola e de suas residências. Essas regras devem ser publicadas e avaliadas periodicamente em assembléias de pequenos grupos para decidir da validade de algumas e da necessidade de reformulação de outras. É preciso haver, também, uma elaboração de critérios de julgamento das condutas de

infração às regras pelos próprios participantes para sustentar uma situação de autonomia e responsabilidade individual e coletiva.

O processo de apropriação necessita de algum tempo de experimentações e descobertas até que os indivíduos incorporem o uso do computador em suas práticas.

Para solucionar a questão, a estratégia encontrada foi realizar a formação em serviço, fazendo a inserção do laptop com base nas próprias tentativas de uso do professor.

Outra estratégia foi a discussão e a construção coletiva de normas e regras para cuidados com a máquina, utilização na escola e em casa.

Algumas salas de aula, inclusive, tiveram seus espaços radicalmente modifi- cados: foram agrupadas mesas e cadeiras; foi criado o "cantinho dos livros e revistas"; foi montado, com material doado pelas famílias, um "cantinho" para trabalhar somente com laptops - tapetes e almofadas no chão.

Por último, foram realizadas reuniões com os pais para conhecimento do projeto e assinatura de termo de compromisso especificando as condições de devolução dos computadores.

VI

CAPACITAÇÃO