5. EXPERIÊNCIAS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA NO DF O
5.2. O PROJETO-PILOTO DO PROGRAMA CRED-MAC
5.2.6. Avaliação
O Programa CRED-MAC estabelece pela primeira vez ao longo das políticas habitacionais do País, uma proposta que otimiza o recurso financeiro oferecido ao seu ponto máximo de aproveitamento, uma vez que é aplicado diretamente na construção das habitações pelo mutuário final.
Sua abrangência social é, pois, significativa no contexto do déficit habitacional brasileiro, uma vez que atinge preferencialmente as faixas de renda até hoje excluídas que são as menores que três salários mínimos. Significa também um forte apoio à qualificação dos espaços residenciais improvisados e inacabados das imensas periferias urbanas, cuja
população já tem, as vezes a posse do terreno e, de alguma forma, dispõe de mão-de-obra para construir pelos chamados sistemas de autoconstrução e mutirão.
A implementação do Projeto-Piloto do Programa CRED-MAC em Brazlândia-DF, em vista dos resultados numéricos apresentados (754 inscritos-45 atendimentos) poderá indicar um aparente fracasso da proposta CRED-MAC em uma avaliação superficial. Entretanto, a experiência de Brazlândia, na realidade, foi extremamente importante uma vez que permitiu uma prática experimental indicasse os meios e as formas para potencializar a perspectiva de êxito do Programa. As dificuldades responsáveis pela lentidão do processo de trabalho e os impedimentos não vencidos pelos candidatos não apontam para a negação da validade do programa, mas sim para as formas de sua implementação. Algumas questões se definiram nesta experiência piloto, cuja análise oferece material suficiente para delinear um processo mais eficiente para que esta importante proposta não perca sua validade nem seja interrompida em sua perspectiva de expansão para todo o País.
Admite-se que o êxito deste Programa seja dependente das condições concretas dadas à sua abrangência social (quantidade de pessoas atendidas), à rapidez da execução (do financiamento e das obras) e à qualidade dos produtos resultantes (habitações).
No relatório do IDHAB, apresentado a CEF, já compareceram algumas proposições importantes, aqui transcritas:
1. As regras para concessão do financiamento devem ser flexibilizadas, especialmente no que diz respeito às garantias exigidas, pois a questão da garantia é a principal causa da desistência dos candidatos selecionados. Todavia, verifica-se que em muitos casos, o valor pretendido pelo candidato é inferior ou igual ao montante de recursos depositados na sua conta do FGTS, e que é pretensão desses candidatos saldarem sua dívida junto a Caixa com tais recursos. Neste sentido é possível imaginar um caminho legal que possibilite a vinculação do empréstimo à conta do FGTS e que, nesses casos, a exigência de garantias fosse dispensada.
2. A comunidade local deve ser chamada a participar do programa, em todas as suas fases, através das associações de moradores existentes e outras organizações semelhantes.
3. Verificar e definir previamente com o poder público local, os critérios para aprovação dos projetos e expedição dos alvarás de construção para as obras resultantes do programa, especialmente, nas cidades de implantação mais antiga é indispensável que ele tenha no programa a responsabilidade que já é sua, institucionalmente de assegurar que os imóveis construídos tenham o alvará de construção ou o habite-se.
4. Definir previamente os critérios para o atendimento técnico a ser prestado (que casos serão atendidos); como serão encaminhados os casos porventura não atendidos; utilização de projetos padrão. È fundamental definir e organizar, a questão da assistência técnica a ser prestada aos candidatos.
5. Verificar e definir previamente com o CREA da região, os critérios para se efetuar as anotações de responsabilidade técnica (ARTs) decorrentes do programa.
6. Os instrumentos técnicos de trabalho a serem utilizados devem ser previamente preparados e elaborados em função das características da região escolhida.
7. Incluir na equipe técnica profissional de nível médio (técnicos de edificação) e mestres de obra para acompanhamento direto da execução das obras, sob a supervisão de profissional de nível superior (engenheiro ou arquiteto).
8. Chamar a Universidade a participar do programa com estagiários e professores, especialmente no que diz respeito ao estudo e desenvolvimento de novas tecnologias para moradias populares, tento no que se refere à concepção de projetos, quanto a execução das construções.
5.2.6.1. Formulação das questões principais
O primeiro fato significativo refere-se às dificuldades em atender às exigências normativas e administrativas tanto para receber aprovação da CEF quanto para completar a documentação técnica para a obra dominaram o panorama das desistências mesmo com o esforço feito pela equipe técnica.
O segundo fato responsável inclusive pelo dispêndio de um tempo de atendimento não previsto, refere-se a conotação da personalização dos trabalhos de assistência técnica, associada ao fato de que a quase totalidade dos casos de financiamento para conclusão de
obra, ampliações, reformas e melhorias (68%) não possuía alvará de construção. Por outro lado aos 32% dos demandantes de construção nova não interessava a construção de casas nos padrões de área oferecidos pelo Caderno Técnico da CEF. Por conta dessa situação (que possivelmente não é particular de Brazlândia) a equipe elaborou todos os documentos técnicos exigidos para os que se mantiveram com a perspectiva de obtenção dos demais documentos até os prazos finais dados pela CEF. Evidentemente, houve muito trabalho perdido durante todo o percurso.
Essas questões levam a reconhecer a necessidade de uma assistência técnica para o CRED- MAC que contribua não só com a qualidade dos produtos habitacionais, mas com os outros componentes de seu sucesso, isto é, com a rapidez e agilidade na obtenção do maior número possível de resultados e, principalmente, com sua abrangência para as populações com renda inferior a três salários mínimos que se constituem na grande massa dos carentes de habitação digna.