3. MATERIAL E MÉTODOS
3.2. Avaliações Realizadas
Em visitas nessas propriedades as vacas foram avaliadas em relação a sua eficiência reprodutiva, com diagnóstico de gestação através de palpação retal, catalogando animais gestantes, gestantes em lactação, vazias, vazias em lactação, vazias em anestro (sem ciclo estral), além de testes de brucelose utilizando o teste de soroaglutinação com antígeno acidificado tamponado corado com rosa-de-bengala do laboratório TECPAR, aprovado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, sendo também catalogadas vacas soro reativas para brucelose bovina, além de prenhes e vazias soro reativas.
3.3. REGIMES DE CRIAÇÃO
Foram analisados dois diferentes regimes de criação:
1. Regime extensivo 2. Regime semi-extensivo
3.3.1. REGIME EXTENSIVO
Animais foram criados totalmente a pasto (Brachiária decumbens, Brachiária brizanta, Brachiária humudícula, angola, colonião e gramíneas nativas da região), sendo encaminhados para o curral na parte da manhã pra serem ordenhados, com a grande maioria dessas vacas com bezerro ao pé, ordenha manual uma vez ao dia;
logo após a ordenha essas eram soltas para o pasto com seus respectivos bezerros até por volta do meado do dia, onde retornavam para então ser separado dos bezerros e então voltar para o pasto e ficar até o dia seguinte e retomar a rotina.
3.3.2. REGIME SEMI-EXTENSIVO
Esses animais também permanecem uma grande parte do dia nos pastos (Brachiária decumbens, Brachiária brizanta, Brachiária humudícula, angola, colonião e gramíneas nativas da região), sendo encaminhados para o curral na parte da manhã para serem ordenhados, com a grande maioria dessas vacas com bezerro ao pé, ordenha manual uma vez ao dia, só que se diferem do regime extensivo no quesito que diz respeito à separação dos bezerros, ou seja, os bezerros ficam somente com as vacas um pequeno período após a ordenha.
Após apartação dos bezerros essas vacas recebiam uma complementação de capim picado, geralmente elefante, cana-de-açúcar picada com uréia pecuária, em torno de 1% e também um pouco de farelo de trigo ou fubá de milho.
Somente após esse arraçoamento, é que esses animais iriam para o pasto, retornando no dia seguinte pela manhã para nova ordenha.
3.4. COLETA DO MATERIAL
O sangue foi adquirido através da punção da veia mamária ou caudal, utilizando agulhas descartáveis na medida 40x12, colocadas em tubos de ensaio e deixadas na posição inclinada para ocorrer uma melhor separação do soro em relação ao coágulo.
Após coleta de sangue de todas as vacas na propriedade e do sangue bem coagulado, este foi colocado em caixas isotérmicas com gelo para ser transportado até o laboratório, evitando a autólise do material.
Toda a coleta e todo o processamento do material foi feito pelo Médico Veterinário Thomaz Garcia Duque, CRMV-RJ-7126 habilitado 987/05 pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento no Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose, seguindo rigorosamente os cuidados necessários para obtenção de material de excelente qualidade e seguindo normas de Biossegurança.
3.5. TESTE DO ANTÍGENO ACIDIFICADO TAMPONADO
O antígeno consiste de suspensão celular inativa de Brucella abortus, amostra 1119-3, corado com rosa de bengala diluído a 8,0% em solução tampão, pH 3,63, padronizado por comparação com antígeno de referência.
A partida do antígeno foi utilizado em 001/05 e 002/05, com fabricação no laboratório TECPAR (Instituto de Tecnologia do Paraná), na data de janeiro de 2005 e março de 2005, respectivamente.
3.5.1. PRECAUÇÕES PARA O DIAGNÓSTICO:
Para evitar resultados errôneos, foi observado o seguinte procedimento:
1. Antígeno e o soro permaneceram 30 minutos à temperatura ambiente, entre 18ºC e 22ºC, antes de se iniciar a prova. Baixa temperatura altera o resultado da prova.
2. Após a utilização do antígeno, este com apresentação em frasco de vidro contendo 5;6;10;15 ou 20 ml, foi guardado em geladeira a temperatura entre 2 e 8ºC.
3. Utilizou-se pipetador automático aferido para 30 µL, com ponteiras plásticas, tanto para o soro quanto para o antígeno, placa de vidro quadriculada padrão com 7 quadrados de 5 centímetros, previamente limpos e secos.
4. Não se deve trabalhar com um número muito grande de amostras para evitar evaporação do antígeno, motivo pelo qual o MAPA exige laboratório com controle de máximo e mínimo na temperatura.
3.5.2. PROCEDIMENTO
A – Agitou suavemente o frasco de antígeno para melhor homogeneização.
B - Com o pipetador inclinado num ângulo de 45 graus, em contato com a placa, foi depositado 30 µL de soro, em um dos quadrados da placa.
C - Com o mesmo pipetador, mas com ponteira diferente, em posição vertical (sem encostar-se ao soro), pingou-se o antígeno ao lado do soro.
D – Misturou-se soro e antígeno com bastão de vidro ou metal em movimentos circulares tais, que proporcionem forma ovalada, com diâmetro de 2,3 a 2,4 cm.
E - Na passagem de um quadrado para outro o bastão deve ser passado em solução água/álcool e bem secos.
F - Durante 4 minutos praticou movimentos basculantes à razão de 10-12 vezes por minuto, até que seja interpretado o resultado.
G - A interpretação do resultado foi feita sobre um fundo branco com luminosidade apropriada.
3.5.3. INTERPRETAÇÃO:
A - Reação positiva: presença de grumos de aglutinação B - Reação negativa: ausência de grumos de aglutinação
4. RESULTADOS
4.1. RESULTADOS OBTIDOS NOS REGIMES ESTUDADOS
Os resultados obtidos deram uma visão panorâmica dos problemas da pecuária leiteira nas regiões Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro.
Nas tabelas 1 e 2 agrupou-se o resultado obtido no campo, os quais passarão a ser analisados nos diferentes gráficos que demonstrarão aspectos produtivos e econômicos do rebanho leiteiro e a prevalência da brucelose bovina na região. Estes resultados foram analisados comparativamente entre os dois regimes de criação e com um plantel de resultados ideais, de forma a demonstrar as perdas reais das criações analisadas.
Tabela 1: Resultados das avaliações realizadas em propriedades sobre o brucélicas e 7 (25%) das brucélicas estavam gestantes.
Tabela 2: Resultados das avaliações realizadas em propriedades sobre o regime semi-extensivo de criação
QUADRO 2: Nas propriedades em regime semi-extensivo foram avaliados 450 animais, destes, 140 (31,11%) gestantes, 76 (16,89%) gestantes em lactação, 310 (68,89%) vazias, 257 (57,11%) vazias em lactação, 262 (58,22%) vazias em anestro, 65 (14,44%) brucélicas e 15 (23,08%) das brucélicas estavam gestantes.
Comparação entre os 2 regimes
0
Figura 2: Bruc (total de vacas brucélicas), Br gest. (vacas brucélicas gestantes), Br Vazia (vacas brucélicas vazias).
4.2. Resultados comparativos entre os dois regimes com o de um plantel ideal
0
FIGURA 3: Resultados comparativos entre um plantel ideal ou zootecnicamente correto e os observados nos plantéis analisados quanto à gestação
FIGURA 4: Resultados comparativos entre um plantel ideal ou zootecnicamente correto e os observados nos plantéis analisados quanto à lactação.
FIGURA 5:Resultados comparativos entre um plantel ideal ou zootecnicamente correto e os observados nos plantéis analisados quanto à lactação e
0 200 400 600
1 2 3
A N I M A I S L A C T A N T ES S EC A S
LACTAÇÃO
IDEAL EXTENSIVO SEMI- EXTENSIVO
0 200 400 600
NA Lac G.L V.L secas
Lactação X Gestação
Ideal Extensivo Semi-extensivo
gestação. (NA) número de animais avaliados, (Lac) Lactantes, (G.L) gestantes em lactação, (V.L) vazias em lactação e secas.
Figura 6: Resultados comparativos entre um plantel ideal ou zootecnicamente correto e os observados nos plantéis analisados quanto ao número de vacas vazias e tempo em dias de vacas vazias
0 50 100 150 200 250 300 350 400
GL VL GNL VNL
Ideal Extensivo Semi-extensivo
0 200 400 600
animais n°v. vaz. Dias V.V
Vacas vazias
Ideal Extensivo Sem i - extensivo
Figura 7: Resultados comparativos entre um plantel ideal ou zootecnicamente correto e os observados nos plantéis analisados quanto à lactação e reprodução, (G.L) gestantes em lactação, (V.L) vazias em lactação, (GNL) gestantes não lactantes, (VNL) vazias não lactantes
FIGURA 8: Resultados comparativos entre um plantel ideal ou zootecnicamente correto e os observados nos plantéis analisados quanto à produção e reprodução, (DL) dias de lactação, (DVV) dias de vacas vazias, (IEP) intervalo entre partos.
FIGURA 9: Produção de Leite de um plantel ideal ou zootecnicamente correto em relação ao estimado para região, vertical litros/leite/dia e horizontal meses de
lactação.
0 200 400 600
VG DL Vazias D V V I E P
Produção X Reprodução
Ideal Extensivo Semi-extensivo
0 5 10 15 20 25
1 3 5 7 9 11 13 15 17
Litros Ideal
Atual
4.3. ESTATÍSTICA
Estatística descritiva
Amostragem simples ao acaso da população de gado de leite da região Norte e Noroeste Fluminense.
Dimensionamento usando método de proporção e porcentagem para o número de animais (variáveis), considerando nível de 5% de significância e o desvio de 5% em torno da proporção amostral, 95% de probabilidade.
Análise geral dentro da partição do regime extensivo X semi-extensivo
Variáveis: Gestação, Vazias, Gestantes em lactação, Vazias em lactação, Vazias em anestro, brucélicas, brucélicas gestantes e Lactação.
4.3.1 ANÁLISE GERAL (Regime Extensivo + Regime Semi-extensivo) Número total de 995 animais avaliados
4.3.1.1. Gestantes
média: 32,16%
desvio padrão: 0,4673 0,298642 ≥ P ≤ 0,350646
Na população as amostras estão entre 29,86% e 35,06% o número de animais gestantes, independente do regime de criação.
4.3.1.2. Vazias
média: 67,84%
desvio padrão: 0,4673 0,649354 ≥ P ≤ 0,707430
Na população as amostras estão entre 64,93% e 70,74% o número de animais vazios, independente do regime de criação.
4.3.1.3. Lactação
média: 69,35%
desvio padrão: 0,461285 0,664804 ≥ P ≤ 0,72213
Na população as amostras estão entre 66,48% e 72,21% o número de animais com brucelose gestantes, independente do regime de criação.
4.3.1.4. Gestantes em lactação média: 14,37%
desvio padrão: 0,3510 0,12191 ≥ P ≤ 0,165528
Na população as amostras estão entre 12,19% e 16,55% o número de animais gestantes em lactação, independente do regime de criação.
4.3.1.5. Vazias em lactação média: 54,97%
desvio padrão: 0,4978 0,51882 ≥ P ≤ 0,580678
Na população as amostras estão entre 51,88% e 58,06% o número de animais vazios em lactação, independente do regime de criação.
4.3.1.6. Vazias em anestro média: 55,48%
desvio padrão: 0,4972 0,523877 ≥ P ≤ 0,585671
Na população as amostras estão entre 52,38% e 58,56% o número de animais vazias em anestro, independente do regime de criação.
4.3.1.7. Brucélicos
média: 9,35%
desvio padrão: 0,2912 0,075371 ≥ P ≤ 0,111563
Na população as amostras estão entre 7,53% e 11,15% o número de animais com brucelose, independente do regime de criação.
4.3.1.8. Brucélicos gestantes média: 2,21%
desvio padrão: 0,1471
0,01297 ≥ P ≤ 0,031252
Na população as amostras estão entre 1,29% e 3,12% o número de animais com brucelose gestantes, independente do regime de criação.
4.4. ANÁLISE REGIME EXTENSIVO
Número de 545 animais avaliados 4.4.1. Gestantes
média: 32,84%
desvio padrão: 0,470077 0,288974 ≥ P ≤ 0,367906
Na população as amostras de plantéis em regime de criação extensivo estão entre 28,89% e 36,79% o número de animais gestantes.
4.4.2. Vazias
média: 67,16%
desvio padrão: 0,470077 0,632094 ≥ P ≤ 0,711026
Na população as amostras de plantéis em regime de criação extensivo estão entre 63,20% e 71,10% o número de animais vazios.
4.4.3. Lactação
média: 65,50%
desvio padrão: 0,475790 0,6151 ≥ P ≤ 0,694992
Na população as amostras de plantéis em regime de criação extensivo estão entre 61,51% e 69,49% o número de animais lactantes.
4.4.4. Gestantes em lactação média: 12,48%
desvio padrão: 0,330762 0,097001 ≥ P ≤ 0,152541
Na população as amostras de plantéis em regime de criação extensivo estão entre 9,70% e 15,25% o número de animais gestantes em lactação.
4.4.5. Vazias em lactação média: 53,03%
desvio padrão: 0,499541 0,488335 ≥ P ≤ 0,572215
Na população as amostras de plantéis em regime de criação extensivo estão entre 48,83% e 57,22% o número de animais vazios em lactação.
4.4.6. Vazias em anestro média: 53,95%
desvio padrão: 0,498899 0,497564 ≥ P ≤ 0,581336
Na população as amostras de plantéis em regime de criação extensivo estão entre 49,75% e 58,13% o número de animais vazios em anestro.
4.4.7. Brucélicos
média: 5,14%
desvio padrão: 0,220967 0,032824 ≥ P ≤ 0,069928
Na população as amostras de plantéis em regime de criação extensivo estão entre 3,28% e 6,99% o número de animais com brucelose.
4.4.8. Brucélicos gestantes média: 1,28%
desvio padrão: 0,112705 0,003382 ≥ P ≤ 0,022306
Na população as amostras de plantéis em regime de criação extensivo estão entre 0,33% e 2,23% o número de animais brucélicos gestantes.
4.5 ANÁLISE REGIME SEMI-EXTENSIVO
Número de 450 animais avaliados 4.5.1. Gestantes
média: 31,33%
desvio padrão: 0,464365 0,270428 ≥ P ≤ 0,356238
Na população as amostras de plantéis em regime de criação semi-extensivo estão entre 27,04% e 35,62% o número de animais gestantes.
4.5.2. Vazias
média: 68,67%
desvio padrão: 0,464365 0,643762 ≥ P ≤ 0,729572
Na população as amostras de plantéis em regime de criação semi-extensivo estão entre 64,37% e 72,95% o número de animais vazios.
4.5.3. Lactação
média: 74%
desvio padrão: 0,439122 0,699427 ≥ P ≤ 0,780573
Na população as amostras de plantéis em regime de criação semi-extensivo estão entre 69,94% e 78,05% o número de animais lactantes.
4.5.4. Gestantes em lactação média: 16,67%
desvio padrão: 0,373093 0,132195 ≥ P ≤ 0,201139
Na população as amostras de plantéis em regime de criação semi-extensivo estão entre 13,21% e 20,11% o número de animais gestantes em lactação.
4.5.5. Vazias em lactação média: 57,33%
desvio padrão: 0,495143 0,527584 ≥ P ≤ 0,619082
Na população as amostras de plantéis em regime de criação semi-extensivo estão entre 52,75% e 61,90% o número de animais vazios em lactação.
4.5.6. Vazias em anestro
média: 57,33%
desvio padrão: 0,495143 0,527584 ≥ P ≤ 0,619082
Na população as amostras de plantéis em regime de criação semi-extensivo estão entre 52,75% e 61,90% o número de animais vazios em anestro.
4.5.7. Brucélicos
média: 14,44%
desvio padrão: 0,351931 0,111927 ≥ P ≤ 0,176961
Na população as amostras de plantéis em regime de criação semi-extensivo estão entre 11,19% e 17,69% o número de animais com brucelose.
4.5.8. Brucélicos gestantes média: 3,33%
desvio padrão: 0,179705 0,016729 ≥ P ≤ 0,049937
Na população as amostras de plantéis em regime de criação semi-extensivo estão entre 1,67% e 4,99% o número de animais brucélicos gestantes.
De acordo com os dados estatísticos somente o índice de brucelose é que se diferiu em relação aos dois regimes avaliados.
5. DISCUSSÃO
5.1. Comparação entre os regimes
Nos dois sistemas os problemas relativos ao desfrute do plantel são semelhantes afetando sobremaneira a atividade em termos produtivos, foram observadas diferenças significativas entre os dois regimes apenas no índice de brucelose, entretanto, quando comparados com um plantel criado em condições ideais, estas diferenças aparecem muito aquém do que realmente deveriam estar levando em consideração todos os quesitos analisados.
5.2. Índice de soro reagente à brucelose
O trabalho demonstrou índice de animais soro reagente nos rebanhos analisados em média entre 7,53% a 11,15%, estando dentro dos patamares encontrados por Vera Cardoso (1999).
Entre os regimes de criação houve diferença significativa, com um intervalo de confiança de P(0,05) e com probabilidade de 95%. No regime extensivo apresentou um índice que varia de 3,28% a 6,99% e o regime semi-extensivo apresentou de 11,19% a 17,69%, e também foi observado uma maior incidência de soro reagente à brucelose em vacas vazias quando comparados com vacas gestantes, corroborando com o fato de a brucelose ser uma doença que afeta a reprodução.
O fato de o regime semi-extensivo ter um maior índice de brucelose pode estar diretamente ligado ao mecanismo de transmissão da doença, estando em conformidade com a afirmação de Eaglesone e Garcia (1992), no qual o principal foco de contaminação dá-se por meio de anexos fetais e materiais de abortos ou de partos de vacas brucélicas, propiciando um maior contato entre vacas doentes com vacas sadias, aumentando as possibilidades de contaminação.
5.3. Taxa de fertilidade
Não há diferença entre os dois regimes para vacas em gestação. Tais resultados demonstram haver um problema muito sério nos dois sistemas visto ser a proporção de animais gestantes e animais vazios estarem totalmente desproporcional e até mesmo invertida. Evidencia-se por meio de análise descritiva que a reprodução do plantel está totalmente desregulada gerando prejuízos que irão ser discutidos e calculados quando comparados com resultados de um plantel
“Ideal”.
Foi observado um maior número de animais soro reativos que não estavam gestantes em ambos os regimes de criação, em torno de 76%, reforçando a citação de Lauar (1983) que a Brucella abortus causa sérios distúrbios reprodutivos, tais como, esterilidade temporária ou permanente.
5.4. Comparação dos resultados
Os resultados do trabalho estão de acordo com Jank (1999), que animais criados em campos de pastagens nativas ou mal manejados e pelo baixo grau de capital investido, de tecnologia empregada, de capacitação da mão-de-obra e especialização dos rebanhos nos demonstrou baixas taxas de produtividade.
Mesmo animais no sistema semi-extensivo, a alimentação básica é composta por cana-de-açúcar e capim, além de farelos e grãos. Este sistema não permitiu elevada produção e produtividade como disse Krug (2001), porém isto é devido a má qualidade do volumoso e ao manejo errôneo.
A comparação dos resultados obtidos nos dois sistemas de criação com um plantel ”ideal” mostra claramente um problema reprodutivo em nível de rebanho, tanto em sistema de criação extensivo como semi-extensivo, o número de animais gestantes está muito aquém do ideal, sendo que se espera um índice em torno de 80% de animais gestantes e 20% de animais vazios, sendo que os animais vazios devem estar recém-paridos, para se obter um parto por ano.
Considerando o número de 545 animais estudados no regime extensivo e considerando igual número para o sistema semi-extensivo, cada regime deveria ter em torno de 431 vacas em gestação, mas a realidade mostrou que no regime extensivo teve somente 179 gestações e o semi-extensivo 169 gestações, causando um enorme prejuízo econômico no quesito nascimento de bezerros. Este resultado está diretamente ligado ao número de vacas vazias que deveria ser de 89 a no máximo 114 vacas em um plantel zootecnicamente correto e foram observados 366 no regime extensivo e 376 no regime semi-extensivo.
O intervalo entre partos também está diretamente ligado à produção de bezerros e à lactação, observou-se que os produtores da região não se preocupam em dar intervalo entre uma lactação e outra para que as vacas possam se restabelecer e ter lactações de qualidade. Zootecnicamente deve-se programar um intervalo de 60 dias de descanso para as vacas no final de cada lactação que deve ser de 305 dias.
Outro ponto importante que não é observado pelos criadores é o intervalo entre o parto e a monta ou inseminação, que deve ser também em torno de 60 dias.
Foi observado nesta pesquisa que o período de lactação era em média de 471 dias e o intervalo entre partos que deveria ser de 348 dias foi em média de 538 dias.
Analisando outros dados de grande importância, podemos observar um número excessivo de vacas vazias e que não estavam em lactação, animais estes que não devem estar em nenhum plantel de leite bem organizado.
Do ponto de vista econômico, considerando que a região Norte e Noroeste Fluminense, que tem um rebanho leiteiro em torno de 400.000 vacas, essas dentro de patamares zootécnicos de criação deveriam produzir média 4.500 Kg/leite/ano, teríamos uma produção total de 1,8 bilhões/litros/ano.
Pelos resultados analisados (número de vacas em lactação, número de vacas gestantes, vazias, intervalo entre partos, número de vacas secas, tempo de lactação, dias de vacas vazias), observou-se que estas vacas não atingem mais de 1.200 litros/leite/ano, neste caso as 400.000 vacas só conseguiriam atingir 480 milhões litros/leite/ano; a diferença entre os dois regimes e um regime ideal corresponderia a 1,32 bilhões de litros/leite/ano, correspondendo a 528 milhões de reais a menos nas propriedades rurais. que se refere a produção de leite.
Considerando, ainda, o intervalo entre partos de um rebanho ideal que deve está em torno de 348 dias, os resultados obtidos nas análises dos plantéis foram em torno de 538 dias em média, podemos verificar através de cálculos matemáticos uma redução de pelo menos 268.000 partos/ano; pelos dados atuais temos somente 132.000 bezerros/ano.
Calculando-se os bezerros na desmama a um valor de venda em torno de 300 reais/cabeça, os 268.000 bezerros que deveriam ter nascidos correspondem a cerca de 80 milhões de reais.
No que se refere aos animais soro reativos para brucelose bovina o índice está em torno de 10%, considerando 400.000 vacas, são 40.000 positivas; uma vaca leiteira na região custa em média 1.200 reais, sendo soro reativas seu valor
comercial será de 5 reais cada arroba, estando em média de 13 arrobas serão pagas aos produtores 65 reais, chegando o prejuízo a 45 milhões de reais.
O impacto na economia da região Norte e Noroeste Fluminense é tão grande que milhares de empregos estão deixando de ser criados e a diminuição do faturamento pode chegar a 600 milhões de reais.
6. CONCLUSÃO
A situação produtiva do rebanho leiteiro da região Norte e Noroeste Fluminense é tão grave, no que se refere aos aspectos de produção, reprodução, sanitário e de manejo, que nem um índice elevado de brucelose bovina no rebanho causou um impacto econômico tão grande quanto à falta de tecnologia e uma extensão rural aos produtores de leite.
A pecuária de leite da região necessita urgentemente de apoio sólido em termos de financiamento, de orientação, de melhoramento genético, de controle
sanitário e de aplicação de novas tecnologias para que esta não sucumba nos próximos anos.
A produção de leite se transforma cada vez mais em uma economia de escala, onde o produtor para sobreviver necessita produzi-lo em quantidade e qualidade.
Torna-se, portanto, necessário, o desenvolvimento de programas sanitários e zootécnicos, fato esse que gerará empregos até para profissionais de nível superior, hoje tão escasso.
7. REFERÊNCIAS
AGUIAR, Adilson de Paula Almeida, ALMEIDA, Bianca Helena Passareti Junqueira.
Produção de leite a pasto: abordagem empresarial e técnica. Viçosa: Aprenda fácil, 1999. 470 p.
ACHA, P.N.; SZYFRES,B. (1986) Zoonosis y enfermidades transmissibles comunes al hombre y a los animales. 2.ed. Washington, D.C.: Organización Panamericana de la Salud.
ALVES, E. R. de A . Características do desenvolvimento da agricultura brasileira. In:
GOMES, A. T.; LEITE, J. L. B.; CARNEIRO, A. V. (Ed.). O agronegócio do leite no Brasil. Juiz de Fora: Embrapa-CNPGL, 2001. p. 11-31.
ALVIM, R. S. (2004) O que vai definir o Futuro do Leite. Rev. Balde Branco. ano XL nº 480A, p. 12-14.
ANUALPEC 2002: anuário da pecuária brasileira. São Paulo: FNP Consultoria &
Comércio, 2002. p.87.
BALDWIN, C.L.; PARENT,M. (2002) Fundamentals of host immune response aganist Brucella abortus: what the mouse model has revealed about control of infection.
Veterinary Microbiology, v.90, p. 367-382.
BANDEIRA, Arnaldo 2001 “Melhoria da Qualidade e a Modernização da Pecuária
BANDEIRA, Arnaldo 2001 “Melhoria da Qualidade e a Modernização da Pecuária