• Nenhum resultado encontrado

Avalia¸ c˜ ao do modelo estrutural

3.5 Avalia¸ c˜ ao do modelo

3.5.2 Avalia¸ c˜ ao do modelo estrutural

A avalia¸c˜ao do modelo estrutural permite determinar a se os dados emp´ıricos aprovam o modelo te´orico. A avalia¸c˜ao do modelo estrutural ´e feita com as seguintes t´ecnicas:

1. Coeficiente de determina¸c˜ao ou explica¸c˜ao (R2)

Em regress˜ao linear, o coeficiente de determina¸c˜ao do modelo mede o quanto (em termos de porcentagem) da varia¸c˜ao dos dados ´e explicada pelo modelo, sendo cal-

culado por R2 = Pn i=1( ˆYi − ¯Y ) 2 Pn i=1(Yi − ¯Y )2 , (3.36)

sendo Yia vari´avel resposta, ˆYia estimativa da mesma vari´avel e ¯Yia m´edia amostral

de Y . Para o PLS-SEM, observa-se o R2 de cada vari´avel latente end´ogena, depen-

dente, do modelo estrutural, e sua interpreta¸c˜ao ´e a mesma do modelo de regress˜ao cl´assica.

Al´em do R2, tamb´em ´e poss´ıvel observar se o impacto de uma vari´avel latente

independente em uma vari´avel latente dependente ´e significativo. Esse impacto ´e medido pelo indicador de Cohen (ou efeito do tamanho), f2, que ´e calculado por

f2 = R 2 inclu´ıdo− R 2 exclu´ıdo 1 − R2inclu´ıdo , (3.37)

sendo R2inclu´ıdo e R2exclu´ıdo os coeficientes de determina¸c˜ao da vari´avel latente depen- dente quando o preditor da vari´avel latente independente ´e usado ou omitido na equa¸c˜ao estrutural, respectivamente.

2. Bootstrapping

Para avalia¸c˜ao do modelo estrutural o m´etodo de bootstrapping ´e utilizado para testar a significˆancia dos coeficientes do modelo, pesos entre as vari´aveis latentes. 3. Relevˆancia preditiva (Q2)

A medida preditiva representa o quanto os valores observ´aveis s˜ao reconstru´ıdos pelo modelo. E para seu c´alculo ´e preciso seguir um processo ”cego”que omite parte dos dados de um bloco espec´ıfico de indicadores durante o processo de estima¸c˜ao dos parˆametros e, ap´os, tenta estimar os dados omitidos usando as estimativas dos parˆametros. O processo ´e repetido at´e que todos os dados tenham sido omitidos e previstos.

O procedimento ´e realizado seguindos os seguintes passos:

(a) Em um banco de dados com N casos e K indicadores, uma por¸c˜ao ´e retirada; (b) Fixa o primeiro ponto (caso 1 e indicador 1);

(c) Usando uma distˆancia de omiss˜ao D, o ponto fixado ´e omitido, assim como todos os pontos D nas seguintes linhas e colunas;

(d) Com os seguintes pontos omitidos, as estimativas dos parˆametros s˜ao calculadas e com tais resultados, as predi¸c˜oes para os dados omitidos s˜ao observadas;

(e) A soma dos quadrados dos erros dos dados omitidos (E) e a soma dos quadrados dos erros usando a m´edia da predi¸c˜ao (O) s˜ao medidos;

(f) Retorna-se os dados omitidos;

(g) O pr´oximo ponto dos dados ´e fixado e volta ao item (c) at´e que D conjuntos de E e O sejam obtidos.

A medida preditiva para o bloco ser´a

Q2 = 1 − P DED P DOD . (3.38)

Q2 > 0 indica que o modelo possui relevˆancia preditiva, j´a Q2 < 0 indica uma falta

de relevˆancia preditiva.

Mudan¸cas na Q2 ao usadas para verificar o impacto relativo do modelo estrutural

para cada vari´avel latente dependente.

q2 = Q 2 inclu´ıdo− Q 2 exclu´ıdo 1 − Q2inclu´ıdo . (3.39)

De acordo com Wold, a distˆancia de omiss˜ao deveria ser um primo entre o n´umero de indicadores K e os casos N. A distˆancia de omiss˜ao n˜ao precisa ser grande [12]. 4. Jackknifing

Esse m´etodo ´e um teste de hip´oteses sem premissas param´etricas que testa se um parˆametro θ ´e um valor espec´ıfico, normalmente 0. Para calcular a estat´ıstica de teste ´e preciso primeiro estimar θ utilizando todos os dados, encontrando ˆθ. Ap´os, os dados s˜ao divididos em n grupos de acordo com o n´umero de exclus˜ao d. De forma que o primeiro grupo ´e formado com os elementos da amostra, por´em sem os d primeiros elementos. J´a o segundo grupo possui os d primeiros elementos da amostra, mas n˜ao seus d seguintes componentes, assim sucessivamente. Para cada grupo, estimativas para o parˆametro θ, ˆθi, s˜ao calculadas. Al´em de uma estimativa

J que ´e calculada como (3.40) apresenta.

Ji = nˆθ − (n − 1)ˆθi (3.40)

Ap´os, a m´edia dos Ji ´e calculada para a estimativa Jackknife do parˆametro θ.

¯ J = P Ji n = nˆθ − (n − 1) Pˆ θi n (3.41)

Com base nessas estimativas, ´e poss´ıvel calcular desvio padr˜ao e erro padr˜ao de ¯J . DP = pP (Ji− ¯J ) 2 n − 1 (3.42) EP = DP√ n (3.43)

Finalmente, as hip´oteses a serem testadas s˜ao: H0: θ = θ0

H1: θ 6= θ0

E a estat´ıstica T com n − 1 graus de liberdade ´e:

T = ˆ J − θ0

EP (3.44)

A hip´otese nula ´e rejeitada quando T ∈ {t ∈ R | t < −t(α2; n − 1) ou t > t(α2; n − 1)}, onde t(α2; n − 1) ´e o quantil de α2 de uma t-Student com n − 1 graus de liberdade. Gray e Schucany criaram um grau de corre¸c˜ao para quando a correla¸c˜ao intraclasse entre os Ji ´e r. Nesse caso, a estat´ıstica de teste ´e:

T = J − θˆ 0 EP

s

1 − r

1 + (n − 1)r. (3.45)

Gray e Schucany sugerem usar r = n1. Dessa forma, a estat´ıstica do teste fica:

T = ˆ J − θ0 EP r n − 1 2n − 1. (3.46) 5. Redundˆancia

A redundˆancia mede a qualidade do modelo estrutural para cada bloco end´ogeno levando em considera¸c˜ao o modelo de medidas. ´E calculada da seguinte forma para o bloco j

redundˆanciaj = comunalidadejR2, (3.47)

sendo comunalidadej a comunalidade do bloco j, R2 o coeficiente de determina¸c˜ao

da vari´avel latente end´ogena referente ao j-´esimo bloco. ´Indice GoF (Goodness of Fit )

Uma t´ecnica referente ao modelo completo ´e o GoF que ´e um indicador da qualidade geral do modelo, combinando o coeficiente de determina¸c˜ao do modelo com a comunali- dade [3]. ´E calculado como (3.48) apresenta

4

Simula¸c˜ao

Para testar a eficiˆencia da estima¸c˜ao PLS, foram simuladas 100 amostras de tamanho 1000 de quatro vari´aveis latentes e dezesseis indicadores, divididos para que cada VL ficasse com quatro indicadores. A simula¸c˜ao foi replicada duas vezes, seguindo os modelos previamente citados, A e C. Os pesos externos foram escolhidos entre 0, 7; 0, 75; 0, 8 e 0, 9 e foram mantidos os mesmos para todas as simula¸c˜oes, independentemente do modelo. J´a os pesos internos foram escolhidos entre 0, 5; 0, 7 e 0, 9 e tamb´em se mantiveram os mesmos para todos os modelos.

Ap´os, as estimativas dos pesos e vari´aveis latentes foram calculadas pela implemen- ta¸c˜ao da aluna e tamb´em pelo pacote do R Studio plspm. Com essas estimativas foram observados intervalos de confian¸ca para os pesos, utilizando o m´etodo de bootstrap e, para as vari´aveis latentes, foram observados algumas estat´ısticas descritivas.

Com as estimativas e simula¸c˜oes, os m´etodos de avalia¸c˜ao de modelo foram calculados. O bootstrap foi utilizado nos intervalos de confian¸ca e portanto, n˜ao foi repetido na se¸c˜ao de avalia¸c˜ao do modelo. O mesmo pode ser dito das cargas e pesos dos indicadores, como foram observados logo ap´os a estima¸c˜ao, estes n˜ao foram repetidos na avalia¸c˜ao do modelo.

As defini¸c˜oes das vari´aveis latentes simuladas podem ser encontradas na Tabela 2. Tabela 2: Defini¸c˜oes das vari´aveis latentes simuladas

Vari´avel Defini¸c˜ao

V1 Vari´avel latente totalmente ex´ogena

V2 Vari´avel latente

V3 Vari´avel latente

V4 Vari´avel latente totalmente end´ogena

Para todos os modelos, o modelo estrutural e os valores dos pesos internos n˜ao se alteraram. As rela¸c˜oes entre vari´aveis latentes podem ser vistas na Figura 6.

Figura 6: Modelo estrutural simulado Os pesos internos simulados encontram-se na Tabela 3.

Tabela 3: Valores simulados dos pesos internos Parˆametro (β) Valor simulado

V1 → V2 0, 7

V1 → V3 0, 9

V1 → V4 0, 5

V2 → V4 0, 5

V3 → V4 0, 5

J´a os pesos externos, que ser˜ao cargas ou pesos dos indicadores dependendo do modelo simulado, est˜ao na Tabela 4.

Tabela 4: Valor simulado dos pesos dos indicadores Indicador Vari´avel latente

V1 V2 V3 V4

I 0, 7 0, 8 0, 9 0, 75

II 0, 9 0, 75 0, 7 0, 8

III 0, 75 0, 7 0, 8 0, 9

IV 0, 8 0, 9 0, 75 0, 7

Com essas informa¸c˜oes, foi poss´ıvel simular as vari´aveis latentes e seus indicadores de acordo com o modelo determinado. Com esses dados, as estimativas de acordo com o tipo de peso interno (centr´oide, fatorial ou de caminhos) determinado foram calculadas. Como os modelos foram replicados, as m´edias das estimativas e das simula¸c˜oes ser˜ao observadas durante o projeto.

4.1

Modelo A

Como no modelo A os indicadores s˜ao todos reflectivos, a simula¸c˜ao come¸cou com as vari´aveis latentes. Mais especificamente com a vari´avel latente totalmente ex´ogena, V 1.

Foram sorteados com reposi¸c˜ao 1000 valores entre 1, 2, 3, 4 e 5. Ent˜ao V 1 ´e um vetor com 1000 observa¸c˜oes.

Figura 7: Passo 1 da simula¸c˜ao do Modelo A.

Ap´os, as vari´aveis latentes influenciadas somente pela V1 foram simuladas como (4.1) mostra. Sendo V i = V 2 ou V 3; β1i influˆencia de V 1 na V i; e i erro aleat´orio com

distribui¸c˜ao normal de m´edia 0 e desvio padr˜ao 0, 015.

V i = β1iV 1 + i (4.1)

Figura 8: Passo 2 da simula¸c˜ao do Modelo A.

Importante lembrar que a estima¸c˜ao PLS n˜ao exige normalidade dos dados, tais va- ri´aveis latentes foram simuladas desta forma pela praticidade na simula¸c˜ao.

Por fim, a ´ultima vari´avel latente pˆode enfim ser simulada como (4.2) apresenta, sendo i = 1, 2, 3; βi4infuˆencia da V i na V 4 e 4 erro com distribui¸c˜ao normal de m´edia 0 e desvio

padr˜ao 0, 015.

V 4 =X

i

βi4V i + 4. (4.2)

Com as vari´aveis latentes simuladas, foi poss´ıvel ent˜ao simular os indicadores reflecti- vos como (4.3) mostra. Sendo Iij indicador reflectivo; wij carga do indicador; V i vari´avel

latente associada ao indicador; εij erro com distribui¸c˜ao normal de m´edio 0 e desvio padr˜ao

0, 01.

Iij = wijV i + εij (4.3)

Figura 10: Modelo A simulado

Com os os indicadores simulados, a estima¸c˜ao PLS foi calculada para os trˆes diferentes m´etodos de pesos internos.

Documentos relacionados