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Avaliando a distribuição territorial do Programa

CENÁRIO NACIONAL 57 3.1 Determinantes histórico-estruturais

4 AVALIAÇÃO POLÍTICA DO PROGRAMA MARANHÃO PROFISSIONAL:

4.7 Avaliando a distribuição territorial do Programa

No que tange à distribuição territorial planejada das ações do Programa, na primeira fase (2011-2014) deveriam ser atingidos vinte municípios-polo, coincidentes com as localidades onde se instalariam os grandes projetos ou aqueles com maiores Índices de Desenvolvimento Municipal (IDM), Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e população: “Nesta etapa, os cursos contemplarão os níveis educação inicial e continuada, técnica, além de programas voltados ao reforço escolar (aumento e melhoria da escolaridade formal); e a inclusão digital.” (MARANHÃO, 2011a, p. 22).

Os critérios de distribuição territorial das ações de qualificação buscavam atender ao maior número dos critérios relevantes:

Ou municípios com os seguintes indicadores: IDM49 ≤ Classe 3

IDEB≥ 0,400

População ≥ 25.000 habitantes segundo o Censo 2010, IBGE, 2010. (MARANHÃO, 2011a, p. 27).

Os investimentos relevantes considerados na estimação da demanda por trabalhadores qualificados compreendiam aqueles de maior porte já em andamento ou planejados para o período 2011-2014 e são apontados, juntamente com os municípios-sede dos mesmos, no Quadro 3.

Quadro 3 - Projetos por localização, estimativa de geração de emprego e período de conclusão

Empresa Projeto Localização

Estimativa Empregos Implantação Estimativo Empregos Operação Conclusão Status AMBEV Duplicação da produção de bebidas São luís 750 150 2011 Em Operação Brascopper Produção de cabos de alumínio São luís 200 114 2011 Em Operação Grupo Sá Cavalcante Centro Empresarial (6 torres) São luís 250 900 2012 Em Construção Grupo Sá Cavalcante Construção de Shopping Center São luís 1000 3.000 2011 Em Operação MPX Usina Termelétrica - UTE Itaqui (360 MW) São luís 2600 - 2011 Em Construção Grupo Mateus Construção de 11 lojas de supermercados até 2011 São luís - 2.719 2011 12 Lojas Concluídas Grupo Dimensão Indústria metalúrgica São luís 250 350 2013 Em construção Votorantim Cimentos Unidade de moagem de cimento São luís 363 63 2011 Em operação Vale Operação e expansão de vários projetos - Fase 2011 São luís - 1991 2011 Em andamento Suzano Terminal Portuário -Grandis São luís 1000 200 2013 Em licenciamento Aurizonia

Empreendimentos Terminal Portuário do Mearim Bacabeira - - 2014

Licenciamento Ambiental Petrobras Refinaria Premium I Bacabeira 25000

4800(1800 Petrobras 1000)

2014 Em Construção Gusa Nordeste/Grupo

Ferroeste Siderurgia - Aço (laminados de aço - 1ª etapa) Açailândia 1000 1000 2011 Em Construção Itapecuru Bioenergia Ampliação de Complexo Sucro-alcooleiro Aldeias Altas - 8000 - Em andamento Notaro Alimentos Produão de aves/ Abatedouro Industrial Balsas - 4000(1500

Notaro) - Em Construção Schincariol Ampliação da Fábrica de Bebidas (2010 a 2014) Caxias - 795 (159

Schincariol) 2014 Em andamento Jaguar Exportação de Ouro Centro Novo do Maranhão 1000 630 (450 Jaguar) - Licenciamento Ambiental FC Oliveira Ampliação e lançamento de novo produto Codó - 660 2011 Em Operação Consórcio CESTE Geração de energia - UTE (1.087 MW0) Estreito 7500 - 2011 Em Operação Suzano Suzano - Papel e Celulose Imperatriz 7000 18,500(3.500

Suzano) 2013 Em Construção CEMAR - Cia. Energética do

Maranhão

Construção de subestações, linhas de transmissão e ampliação do programa Luz para todos no Estado

Maranhão - 5100 2016 Em andamento

MPX Termelétrica 3.722 MW

Santo Antonio dos Lopes e Capinzal do

Norte

3700 480 (120 MX) - Em construção

Fonte: MARANHÃO. Governo do Estado. Programa Integrado de Educação Profissional do Maranhão.

São Luís: CECTEC, SEDINC, SETRES, SEDUC, 2011a. p. 20.

Além dos 12 municípios elencados no Quadro 3, destinos dos maiores investimentos programados para o Estado no período 2011 a 2014, seriam ainda

49 IDM, calculado pelo Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (IMESC), resultado de 45 indicadores de alta consistência, sendo os dois maiores grupos: Índice de Desenvolvimento Econômico (com subgrupo de Infraestrutura, qualificação da mão de obra e produção municipal) e o Índice de Desenvolvimento Social (IDS, com subgrupo de saúde, educação, oferta de serviços básicos e meio ambiente).

contemplados na primeira fase do Programa mais oito municípios, atendendo aos critérios elencados, que buscavam apontar municípios com população acima de 25 mil pessoas e Indicadores de Desenvolvimento Humano (IDH) e educacionais mais elevados. Na Tabela 7 são listados os vinte municípios escolhidos para destinos das ações da Fase 1 do Programa. Verifica-se que, com exceção de Paço do Lumiar e Rosário, municípios integrantes da Região Metropolitana de São Luís, todos os demais escolhidos constituem cidades-polo regionais. Buscava-se assim uma estratégia de descentralização das qualificações consistente com meta perseguida de descentralizar o mercado de trabalho, mas inicialmente para municípios já com um relativo adensamento populacional e uma maior (ainda que muito limitada) diversificação da estrutura produtiva e da composição do emprego.

Tabela 7 - Municípios maranhenses selecionados segundo critérios - Fase I – 2011/2014

Ord. Municípios Investimento

1 São Luís Vale, Suzano, MPX, Votorantim e outros

2 Imperatriz Suzano Papel e celulose

3 Balsas Notaro Alimentos

4 Açailândia Gusa Nordeste/ Grupo Ferroest

5 Caxias Schincariol

6 Grajaú Polo Gesseir

7 Codó FC Oliveir

8 Bacabeira Refinaria Premium e TP

9 Aldeias Altas Itapecuru Bioenergi

10 Santo Antonio dos Lopes MPX UTE Parnaíba

11 Godofredo Viana Mineração Aurizona

12 Centro Novo do Maranhão Jaguar Mining

Ord. Municípios IDM População ≥ 5 IBGE IDEB

13 São José de Ribamar 2 163.045 0,534

14 Bacabal 3 100.014 0,506 15 Timon 3 155.460 0,557 16 Pedreiras 3 39.448 0,51 17 Santa Inês 3 77.282 0,475 18 Paço do Lumiar 3 105.121 0,572 19 Pinheiro 3 78.162 0,517 20 Rosário 3 39.576 0,517

Fonte: Elaborada conforme informações do: INSTITUTO MARANHENSE DE ESTUDOS

SOCIOECONÔMICOS E CARTOGRÁFICOS. Indicadores de Conjuntura Econômica

Maranhense. São Luís, 2008. Coordenação: Felipe de Holanda. Disponível em:<http://www.imesc.ma.gov.br>. Acesso em: 2 set. 2011; INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2010. Rio de Janeiro, 2011.

Em uma segunda fase, de expansão e consolidação do programa (2012-2014), pretendia-se atingir mais 64 municípios do Estado, os quais seriam “[...] selecionados em virtude de critérios técnicos similares aos utilizados na primeira fase”, sendo que “[...] nesta etapa, além dos níveis contemplados na Fase I serão incluídas a educação empreendedora e a educação superior.” (MARANHÃO, 2011a, p. 22).

A estratégia voltada para a formação de recursos humanos, para o atendimento das necessidades de pesquisa e inovação tecnológica e ainda para a pós-graduação, que seria contemplada já nas ações da fase II, a partir do segundo ano do Programa (2012) é descrita de forma genérica no Documento de Referência, sem que se apontem os recursos e as articulações institucionais capazes de viabilizar o atingimento dessas ambiciosas metas.

Importante observar que os critérios definidos para a escolha dos municípios-alvo das ações de qualificação eram eminentemente técnicos (locais de instalação dos grandes projetos ou municípios com maiores populações e/ou melhores índices de desenvolvimento/escolaridade, apontando, todos eles, para um mercado de trabalho mais amplo e diversificado), o que conta positivamente do ponto de vista da racionalidade do Programa.

Contudo, o exame da ambiciosa espacialização das ações do Programa, em muitos municípios que não dispunham de escolas estaduais dotadas de laboratórios de informática e/ou oficinas ou salas multimídia, ou seja, dotados de facilidades para funcionar como centros para o desenvolvimento de cursos de qualificação profissional presenciais ou à distância; municípios que não dispunham tampouco de unidades do IFMA, ou ainda, de centros de qualificação privados, revela uma estratégia ousada, que teria de combinar vultosos investimentos em infraestrutura e também investimentos no ensino à distância, o que se constituía em formidável desafio para o Governo do Estado, dado o tamanho do território maranhense e a péssima infraestrutura de transmissão de dados existente no Estado.

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