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v) Ser multiplicidade

B LOGUEIROS SUJOS |

SÍTIOS E ALGUMAS DEFINIÇÕES

AUTOR-SÍTIOS / PROJEÇÕES

§ PAULO HENRIQUE AMORIM

www.conversaafiada.com.br

§ Acidez, escrache e interpretação dos

acontecimentos com foto, vídeo, bricolagem. PHA produz textos curtos, inventa termos, constrói personagens.

§ EDUARDO GUIMARÃES

http://www.blogdacidadania.com.br/

§ Textos como antigos “editoriais de fundo”, acionando-se com uma dialética opinativa. Autor dialoga também revelando-se emotivo, familiar.

§ AZENHA

http://www.viomundo.com.br/

§ Diversidade de autores em colaboração com predominância do gênero artigo, com textos densos, editorializados. Autor quase deixava a blogosfera devido a processos judiciais. § LUIS NASSIF

http://www.advivo.com.br/luisnassif

§ Interpretação da política e economia: busca equilíbrio e sensatez como um corifeu da informação da notícia limpa, imparcial. Autor acredita num jornalismo objetivo

§ ALTAMIRO BORGES

http://altamiroborges.blogspot.com.br/

§ Ativação das pautas mais radicais da sociedade. Como formador político, o autor desenvolve no blogue uma linguagem muito próxima dos artigos do movimento sindical. § MARIA DA CONCEIÇÃO OLIVEIRA

http://mariafro.com/

§ Ativista de toda a política, mas também das questões de gênero, sexualidade, minorias. Seu blogue transita também por outros blogues e tornou-se uma Fan page no FB

§ MIGUEL DO ROSÁRIO

http://www.ocafezinho.com/ § Blogue tornou-se conhecido com o furo de reportagem sobre a sonegação de impostos da Rede Globo. Apurar a informação com radicalidade parece ser um ideal do autor § LEONARDO ATTUCH

http://www.brasil247.com/

§ Empresariamento da informação, blogue como portal de notícia-editorial instantânea. Está no bloco dos sujos por repercutir as pautas contra os grandes meios.

§ RENATO ROVAI

http://www.revistaforum.com.br/ § Opostado dentro de uma revista ‘Forum’ que por blogue de Rovai traz uma inovação: é sua vez é também um meio do mesmo

alinhamento dos Sujos. Na Forum hoje se organizam diversos blogues.

Fonte: do autor

A entrada nos blogues ocorrem pelas suas “pulsações”, pela produção mesma, pelo que afeta, desperta e provoca em forma de redações online. Tentando cumprir um desafio de

pensar sem imagem, estes meios, ou melhor, suas contracorrentes, se apresentam como um ‘marco’ para o pensamento. Deles emerge uma ‘pauta’: ter uma idéia. E nas formulações à Deleuze-Guattari produzir conceitualizações. Fazer das imersões uma disciplina criadora. Os meios são no início alguns sítios dos Sujos com os quais a pesquisa se deparou em seus primeiros passos sempre observando a processualidade.

Quando tem início uma pesquisa cujo objetivo é a investigação de processos de produção de subjetividade, já há, na maioria das vezes, um processo em curso. Nessa medida, o cartógrafo se encontra sempre na situação paradoxal de começar pelo meio, entre pulsações (BARROS,KASTRUP,2010, p. 10).

Estes blogues expuseram os processos, as relações com outros sítios e a guerra subterrânea que ocorre e realizam. Os Sujos proporcionaram passagem também para uma esfera que lhes opõe com virulência, identificados como ‘limpos’ – mas chamados pejorativamente de ‘Rola-bostas’4. Navegando nos blogues dos Sujos, logo se chega a uma grande esfera de outros blogues com similares perfectividades e à percepção mesma de que não se trata de um movimento de poucos. Devemos resistir a fazer perfis definitivos de blogues de qualquer natureza. Pela condição mesma de ser uma mídia em processo de desterritorialização, os blogues são por vezes também ‘camaleões’.

A princípio, as incursões nas esferas dos Sujos começaram em observações fragmentadas, despretensiosas e desconexas. Como afirma Macedo (2009, p. 95), “o campo é um contexto cultural e político com o qual temos que dialogar e negociar a nossa presença”. Como quem observa do alto a paisagem a partir de um voo antes da aterrissagem, dedicava

4 O termo Rola-bostas ganhou sentido na blogosfera dos sujos, após um artigo do pensador Leonardo Boff em

resposta a uma provocação de um blogueiro de Veja, Reinaldo Azevedo. Cf. em <https://portogente.com.br/noticias-do-dia/leonardo-boff-reinaldo-e-um-besouro-rola-bosta-65068

Reinaldo é um besouro rola-bosta>. Acesso em 10 maio 2012. Os Rolabostas estão presentes nesta pesquisa nos processos de reatividade, confronto, violência simbólica como aliados das mídias mainstream – porque é de lá que eles (elas) vêm. Trata-se de um grupo que representa a linha de frente dos ataques mais violentos do “PIG. Nesta ‘categoria’ estão centenas de blogueiros pelo Brasil afora ancorados nos sítios das grandes mídias, tais como Reinaldo Azevedo (http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/), Ricardo Noblat (http://noblat.oglobo.globo.com/), Augusto Nunes (http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/). Estes blogueiros fazem o ‘trabalho’ nas redes de uma forma que as grandes mídias ainda não realizam abertamente em seus meios tradicionais.

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uma atenção geral às ‘tonalidades’ (nível de conflito com o mainstream) e fluxos (tipologia das guerrilhas). As esferas dos blogues se tornam menos embaçadas ao realizar um “voo” rasante em câmara lenta sobre seus territórios. Neste momento não se objetivava verificar para descrever o blogging, mas construir um desenho mental das contracorrentes – e me aproximar... Melhor observar as formas e deformidades, sequências e interrupções, as diferentes margens, os (des)contornos, até, finalmente, pousar nas suas “pistas” lisas e sentir as rugosidades, freios e sinais do movimento sobre temáticas, templates, ilustrações, colaboradores e a participação das suas audiências ativas

In loco corro ando paro em pistas, surgem alvos imprevisíveis. Pousar num território,

observar espaços, estabelecer contatos, sentir, buscar endereços, eis os procedimentos de um estrangeiro ao chegar numa cidade que bem se adequam também à produção de uma ‘morada’ para uma pesquisa nas intensidades das guerrilhas online. Nestes percursos iniciais ocorre efetivamente uma variedade de atenção. Kastrup (2010) caracteriza a atenção em quatro variedades do funcionamento atencional: a) o rastreio: uma varredura do campo, buscando aproximação com um alvo que ainda não é possível mirar; b) o toque: pequenos vislumbres para acionamento de um processo de seleção; c) o ‘zoom’: uma parada sobre um novo território, reconfiguração do território de observação; e d) o reconheciemento atento para investigação do que efetivamente está acontecendo.

Efetivamente, estes movimentos não ocorrem numa sequência como num pouso de uma aeronave (voo alto/aproximação/voo rasante/pouso/morada), mas dentro de um caos criativo que se mistura aos momentos. Em meio às questões desta pesquisa, considera-se entender qual a força circulante em torno do termo ‘blogueiros sujos’. Quem são os Sujos? De onde provêm? Como estão construindo suas ‘moradas’? Estava tentando ver algo em meio às dispersões caóticas, complexas e contraditórias. Não há uma resposta completa à questão

para se saber por que a esfera dos Sujos é identificada como um bloco de “sujos” e o que significa mesmo ser sujo de um ponto de vista identitário.

Como assinala Galeffi (2009, p. 33):

Se quisermos compreender o caráter qualitativo dos acontecimentos, precisamos não apenas de procedimentos lógicos formalizados em sua funcionalidade pragmática, mas também de perceptos, de juízos e de conceitos que configuream e conformam os dados imediatos de toda ciência viva e vivente”.

Ao rastrear as redes dos blogueiros, logo se se depara com movimentos contra a força industrial de produção de subjetivação. Os Sujos produzem na contemporaneidade a potência de guerrilhas contracorrentes, como tão bem enunciou Enzensberger (2003) sobre as novas tecnologias, quando as redes de hoje eram apenas esquizoprojeções. Nestas condições é que começaram os encontros com suas esferas, mas de uma forma ainda muito preliminar com observação das suas linguagens, dos seus templates, da temporalidade dos posts. Embora vivendo o mundo da imagem, do design, das cores, as ‘fachadas’ dos blogues – sua interface gráfica – são simples, sem maiores recursos gráficos visuais, mesmo dos blogueiros do mundo das grandes mídias.

Os blogues têm uma formatação típica: a página ocupa a proporção central da tela e as matérias podem ser lidas apenas descendo a barra de rolagem. Fotomontagens, charges e

cartoons ganham destaque na página com títulos que misturam informação e opinião. Parece

haver uma unidade na ação no compartilhamento dos links e divulgação interna de outros sítios, o blogroll5. Nestes movimentos de rastreio, de tentativas de avanço e percepção, a pesquisa acompanha mudanças de posição, velocidade, ritmo, contrastes, sem se aperceber

5 O blogroll mostra o tipo de comunidades-blogues que o autor recomenda e procura se identificar. Serve para

construir links, sugerir às audiências outros sítios e assim construir pontes de identificação. A troca de links no blogroll revela também que seus autores pesquisam entre si para construir novos links ou propagar uma informação veiculada em outro sítio.

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ainda o que advém das conflituações, porém já percebendo-os como um bando que age em multiplicidade, como força rizomática das guerrilhas online.

Depois de explorações assistemáticas, começam pequenos vislumbres: i) o cerrado conflito ao “PIG” e seus “penduricalhos”, ii) as relações de solidariedade e compartilhamento entre estes blogueiros e suas audiências ativas, iii) a defesa dos governos Lula-Dilma e iv) também um desejo de serem reconhecidos como mídia (mídia publicitária6). A pesquisa transita então do online e percorre o presencial com uma série de entrevistas, inicialmente com blogueiros de São Paulo (Eduardo Guimarães, Maria da Conceição, Azenha, Altamiro Borges) e posteriormente com blogueiros de blogues e microblogues, inicialmente em dois encontros nacionais – o terceiro e o quarto BlogProg (encontro nacional de blogueiros progressistas) e posteriormente em discussões online e presenciais7.

Nestes encontros, como afirma Kastrup (2010, p. 42), há um “acionamento no nível das sensações”. As entrevistas são extremamente abertas, sem uma pré-pauta, mas com alguns pontos que considerava do interesse da pesquisa – força da blogosfera, combate às grandes mídias, relações pessoais com o blogue – e outas pautas como tema dos seus congressos: liberdade de informação, perseguições políticas. Nestas variações ocorrem questões sobre a formação da esfera dos Sujos, linguagem, sobrevivência, relação com o governo, disputas com as grandes mídias e também temas sobre a violência e processos judiciais. Com efeito, não há como se dar conta destas lutas, movimentos e desejos sem produzir um autoengajamento, tanto no âmbito mesmo da pesquisa quanto das afetividades da própria guerrilha.

6 Ao se tornar uma grande esfera comunicativa, os blogueiros passam a ser reconhecidos como mídia política

pelo seu público – mas não como mídia publicitária pelo governo. E tanto nos seus posts como em seus congressos começa a ocorrer o questionamento sobre a veiculação de publicidade governamental em seus sítios.

7 O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé é o articulador destes encontros. Já ocorreram

quatro encontros nacionais dos quais participamos do terceiro em 2012, em Salvador, e do quarto, em 2014, em São Paulo. Já se inscreveram no sítio do Centro de Estudos Barão de Itararé 279 ativistas digitais de todo o país. A meta é atingir 400 participantes. Toda a estrutura do evento está montada. Graças aos vários apoios, foi possível garantir hospedagem e alimentação aos inscritos. O III BlogProg será feito no Hotel Sol Bahia (Rua Manuel Antônio Galvão, 1.075, Patamares, a 12 quilômetros do aeroporto).

ii) Engajamentos

Na participação das guerrilhas se expõem todas as reverberações, as vontades de verdade, as flechas que não cessam de penetrar nos corpos e o que uns fazem com os outros. Expõem-se todos os corpos destes territórios que Rolnik (2001, p. 14) chama de figuras-tipos e Alvarez e Passos (2010, p. 134) denominam de ‘personagens rítmicos’, ‘paisagens melódicas’: “As paisagens vão sendo povoadas por personagens e estes vão pertencendo à paisagem” com sua “expressividade”.

O engajamento vai produzir efeitos: raios linguísticos (construções de pequenas decisões), raios perceptivos (construções de pequenas avaliações), raios corporativos (construções de pequenas máquinas, como grupos de discussão, sítios de arquivos). Atento ao que vai se expressando e problematizando o que vem se apresentando, a pesquisa avança rumo ao desconhecido, convivendo e tentando se entranhar nas ambiguidades, que por sua vez produzem os territórios existenciais. O território existencial é o lugar dos efeitos de subjetivações, da produção de universos psicossociais. Construí-lo é vivenciar seus desejos que, como afirma Rolnik (2011, p. 31), “é o próprio movimento de produção desses universos”. Um território existencial não se oferece às primeiras visadas, senão como rabiscos de si mesmo:

Quando a atenção pousa em algo nessa escala, há um trabalho fino e preciso, no sentido de um acréscimo na magnitude e na intensidade, o que concorre para a redução do grau de ambiguidade da percepção. De todo modo, é preciso ressaltar que em cada momento na dinâmica atencional é todo o território de observação que se reconfigura (KASTRUP, 2010, p. 44).

Ao reconfigurar campos de observações, realizando ‘paradas’ sobre situações que começam a se expor, um dos desejos dos Sujos que logo se apresenta com grande intensidade é o agenciamento sobre o desmascaramento da mídia. O questionamento das mídias, a perda da sua função pública como concessão do Estado, está na centralidade das pautas dos

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encontros dos blogueiros e das suas guerrilhas que se revelam com a morada em seus territórios existenciais, como nesta entrevista com Rodrigo Pilha8:

O sistema da mídia é uma concessão pública que deveria atender, realmente, às necessidades públicas, mas não o faz. Termina atendendo às necessidades do magnata da mídia – que se vale do seu instrumento de mídia para servir a quem lhe paga mais! Se não é questão central, interfere demais. Eu peguei um discurso do Vicentinho9, em Brasília agora, nos eventos que marcaram os 50 anos do golpe militar, e ele colocou o seguinte: “Que o pior mal que a ditadura fez, sem jamais esquecer as barbáries das torturas, das perseguições e dos assassinatos. Mas que o pior mal que a ditadura fez foi ela estar aliada a uma mídia... uma mídia que produziu uma geração de alienados” (PILHA, 2014).

Como assinalam Alvarez e Passos (2010, p. 135), para construir um território existencial trata-se de compor, engajar-se não de modo hierárquico diante do objeto, como um obstáculo a ser enfrentado (conhecer = dominar, objeto = o que objeta, o que obstaculiza), mas participando mesmo dos seus movimentos, cultivando as receptividades do meio, posto que não se trata de uma pesquisa sobre algo, mas uma pesquisa com alguém ou algo. Construir um território existencial é também produzir um perspectivismo, remetendo-o a um pluralismo de intenções, de fazeres.

No território dos Sujos se enunciam entre seus desejos duas fortes linhas de força da sua ação: uma forte ação de desconstrução concomitante à força de afirmação, movimentos que se desdobram em outras forças simultâneas. A pesquisa se aventurou a viver estes universos em busca das pulsações do fazer, do existir, construindo mapas em rascunhos em cima de desenhos mentais, dentro dos quais as coisas deste território é que expressam os conceitos ou

8 Entrevista pessoal. Em maio 2014. Quarto encontro do BlogProg. Veja como indicar. Interessante relatar que

Rodrigo Pilha produz sua esfera guerrilheira a partir de um perfil no Facebook https://www.facebook.com/rodrigopilha. Com sua pequena câmara em conexão com a internet ele agita os meios políticos, realizando entrevistas desestruturadoras, como fez com o senador paulista Aloisio Nunes, que resultou em confrontos e xingamentos, com grande repercussão social, viralizando nas redes. GRASSI, Rodrigo.

BOMBA!!!! BOTANDO PILHA DESMASCARA Senador Aloysio Nunes do PSDB!!! Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=yuO6wPidF7I. Acesso em: 10 jun.2014.

9 Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, é ex-presidente da Central Única dos Trabalhadores (1994-2000) e

os quase-conceitos. Com efeito, muitas das coisas ditas aqui estão nas tipologias de quases: as relações andam por fora dos termos.

Nas retículas dos Sujos, a pesquisa logo se depara com os(as) personagens-paisagens, as figuras-tipo que habitam seus territórios existenciais e impulsionam as redes em seus desejos. No contexto das suas redes não existe um personagem – mas muitos, que juntos compõem uma ‘paisagem’. Estas(as) traduzem de forma caótica os embates das próprias guerrilhas. As figuras-tipos não vivem por si mesmas, são uma rede de desejos em ação. Elas tecem processos, configuram movimentos. Rolnik (2011, p. 14) afirma que as figuras-tipo funcionam como personagens conceituais. A blogosfera dos Sujos tem muitas figuras-tipo que são personagens conceituais das correntes do mainstream e das contracorrentes dos próprios Sujos. Muitas ‘nasceram’ nas esferas em metáfora, apelidos – mas já existiam de fato em figuras bem pintadas, limpas como seres a produzir, reproduzir, atinar. Os Sujos ‘humanizam-nas’ – por assim dizer – ao retirá-las do ‘Olimpo’ dos consensos, de falas únicas, das aparentes purezas. Na relação que segue, muitas destas personagens são encarnadas em carne e osso, outras são ‘miragens’, figuras para um imaginário concreto feito paisagem, vertigem.

A personagem-eminência está na figura do “PIG” – Partido da Imprensa Golpista, que tipifica a mídia conservadora do Brasil. É esta figura que articula todo o discurso conservador das instituições da tradição, agindo subjetivamente como um partido político desterritorializado. Como um ser de rede, de múltiplas vidas, o PIG não está sozinho. Talvez sua ‘alma’ mesma seja outro personagem-tipo por nome Casa-Grande. No Brasil, referir-se à

Casa-Grande é lembrar de Senzala, território do mando, do poder central, da opressão. Estes

personagens produzem corpos e elementos que os atinam, as Vedetes. Não seria uma metáfora mal empregada relacionar as Vedetes com os leões de chácara e/ou com os capitães do mato.

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Contudo, seria uma ‘forçação de barra’, como se diz, posto que as Vedetes têm um papel altissonante exercendo também um poder de comando.

Por outro lado, há também os personagens conceituais dos próprios Sujos – seres da ação em rede, do hilário, das comparações. Com efeito, os Sujos mesmo como grupelhos são personagens conceituais, compondo uma paisagem de guerrilhas com outro personagem, as suas Audiências Ativas – seres das passagens, dos ‘megafones’, das virulências retroativas, das máquinas-robô. Como o ‘espírito’ das suas esferas podemos conceitualizar a figura dos

Sujos como a de um Serdoxa – aquele que vê, projeta, opina e faz acontecer em guerrilhas

linguísticas10. a) PIG