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B – METODOLOGIA WARE

No documento Download/Open (páginas 76-80)

WARE, Caroline F. Estudo da comunidade: como averiguar recursos; como organizar esforços. Tradução (?). 2. ed. (rev.). Rio de Janeiro: Serviço Social Rural, 1960. 137 p.

Escopo

O livro é um manual prático para interessados em projetos de organização comunitária, apresentando extenso rol de questionamentos e apontamentos sobre questões práticas da intervenção numa comunidade.

A primeira edição deste livro foi preparada em Porto Rico para uso de mestres, assistentes sociais, grupos cívicos e órgãos governamentais. [...] Esta edição panamericana foi revista com o propósito de torná-la o mais útil possível em relação a diversas condições dos vários países americanos. [...]

Por isso, este livro oferece um roteiro referente a:

1) dados necessários para conhecer a comunidade e entender seus problemas; 2) métodos para descobrir e conseguir esses dados;

3) observação, análise e uso dos recursos disponíveis;

4) passos a seguir para obter a participação espontânea e eficaz do povo no melhoramento da comunidade. (p. 9-10)

1. Pressupostos Referências teóricas

Não indica nenhuma.

Conceito de comunidade explicitado

A comunidade, tema deste livro, promove o ambiente para a vida individual e familiar e constitui a unidade da vida nacional. É mais que uma localidade; é um agrupamento de pessoas relacionadas entre si que conta com recursos físicos, pessoais, de experiências, de vontade, instituições, tradições, etc. (p. 11)

Modelo de desenvolvimento / mudança social explicitado:

Paradigma do desenvolvimento endógeno: desenvolvimento territorial endógeno (ZAPATA; AMORIM; ARNS, 2007).

A organização da comunidade é o meio de promover o melhoramento geral e o alcance de objetivos específicos. Seu propósito é fazer com que os recursos da comunidade

28 Além da obra que ora temos em foco, Ware também publicou, aparentemente em caráter complementar, outro

livro em que apresenta uma séria e exemplos de trabalhos desenvolvidos, em que também pontua o quê considera importante na condução de projetos dessa natureza (WARE, Caroline F. Organização e

desenvolvimento da comunidade: trabalhos práticos. Tradução de Octávio Mendes Cajado. São Paulo: Cultrix,

preencham as necessidades do povo, estimulando a iniciativa de um maior número de pessoas por meio de sua participação voluntária e responsável. Todo programa de organização da comunidade objetiva fixar bases na vida comunitária e florescer ininterruptamente em atividades espontâneas. (p. 11)

Em sua proposta, Ware aponta para a necessidade de obtermos mais informações a respeito das classes sociais existentes na comunidade (p. 14), que ficam mais explícitas no questionário de diagnóstico, em que a autora sugere que se identifique como está o “ ajuste de questões entre patrões e empregados” , considerando associações operárias, questões salariais, etc. (p. 35-36) Mesmo com essa aparente digressão de enfoque do funcional para um aparentemente materialista, a proposta da autora, no geral, não se configura como dialética.

Conceito de desenvolvimento de comunidade explicitado

A organização da comunidade é um processo para formar grupos ativos de cidadãos capazes de serem os agentes e responsáveis do seu próprio progresso, usando para isto dos seguintes meios: investigação em conjunto dos problemas locais, planejamento e execução das soluções antes sugeridas, e coordenação voluntária com os outros grupos e autoridades oficiais de modo que se obtenha o bem-estar completo da comunidade. Por meio da organização de comunidade é que o dinamismo da vida da comunidade se torna eficaz. (p. 115)

Conceito de participação explicitado

Ware compreende a participação como intrínseco ao desenvolvimento, consistindo num dos princípios de iniciativas de organização comunitária.

[A organização de comunidade] É um processo essencialmente educacional e, por conseguinte, necessariamente lento. Visto que depende do entendimento e das ações dos indivíduos e grupos, não poderá se processar senão pela vontade que estes indivíduos tenham de se movimentar. É bem verdade que podem resultar efeitos transitórios de ação rápida executadas por líderes ou impostas à comunidade por autoridades federais ou outros órgãos fora da comunidade. Porém, somente quando a maior parte das pessoas interessadas, participando voluntária e ativamente, pode-se esperar um desenvolvimento seguro e contínuo. (p. 115) [grifo nosso]

2. Personagens e espaços O agente

Os principais agentes são os próprios membros da comunidade. Não pode haver autoridade exterior envolvida. (p. 118) As lideranças devem preferencialmente surgir da base. Técnicos podem ser envolvidos na etapa de coleta de dados da comunidade. (p. 124)

O prefácio indica que o texto está voltado para comunidades rurais. Porém, pela abrangência da proposta de diagnóstico que é apresentado, entendemos também que pequenos municípios, principalmente aqueles afastados dos grandes centros urbanos, também podem se beneficiar desta proposta.

3. Etapas e metodologia Princípios

O livro traz seção dedicada aos princípios da proposta, que apresentamos resumidamente:

1. O programa deve suprir uma necessidade da comunidade. [...]

2. Um programa deve começar de tal forma que desde o início se crie raízes na comunidade. [...]

3. Por esta razão, o programa deve desenvolver-se tão lentamente quanto se faça necessário, para que a comunidade esteja de acordo com ele. [...]

4. Todo programa deve incluir como participantes ativos não só as pessoas interessadas como também as beneficiadas. [...]

5. É mister que os fins dos programas sejam definidos com clareza [...]. [...]

6. Para que a participação seja eficaz, são necessários a confiança individual e o respeito mútuo. [...]

7. A participação em um programa de comunidade desenvolve a capacidade dos participantes e os faz mais eficientes em novos programas. [...]

8. A participação eficaz exige o uso do método de livre discussão, com o devido respeito concedido a diversas opiniões [...]. [...]

9. Os líderes devem ser selecionados levando-se em conta sei interesse e dedicação pelo programa e não suas próprias ambições [...]. [...]

10. O programa comunitário deve estar sempre preparando novos líderes [...]. [...] 13. Utilizam-se os recursos da comunidade, começando pelos que estão disponíveis. [...]

14. O conhecimento de todos os fatos é a base de todo programa sólido de comunidade. [...]

19. Todos os programas devem ser interpretados com freqüência e por meios que atinjam aos diversos grupos e classes de cidadãos. [...] (p. 116-119)

Etapas

A proposta de divide em 4 momentos:

1. Medidas iniciais: constatação da necessidade de solução de um problema,

envolvimento participativo e plural da comunidade na questão e criação das primeiras formas de diálogo e participação.

2. Seleção de projetos para a melhoria comunitária

3. Coleta de dados que subsidiarão a execução dos projetos, incluindo a identificação

e seleção dos recursos necessários 4. Avaliação

4. Referência às ciências e/ou aos recursos da comunicação

Na proposta as ações de comunicação figuram sob o tópico “ interpretação”. “ A interpretação do programa para a comunidade deve ser uma parte integral de todo o programa. [...] Isso exige a apresentação de informações regulares e freqüentes em termos que a comunidade entenda e aceite.” (p. 134)

Para isso a autora sugere o emprego dos diversos meios de comunicação, respeitando as necessidades de informação e as características dos diversos públicos. Além disso, é necessário o estabelecimento de canais de comunicação “ dos organizadores para o povo e do povo para os organizadores” . (p. 135)

C – METODOLOGIA AGÊNCIA PARA O DESENVOLVIMENTO

No documento Download/Open (páginas 76-80)