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Balancete trimestral do ano económico de 2017

Pela já referida Tabela 15, é possível observar o desempenho das receitas para o ano económico de 2017 ao longo dos seus diversos trimestres. A receita total de

639.072.776 ECV constitui um novo record de receitas coletadas pelo FAMR45. No 4º

Trimestre de 2017 podemos observar que o valor de 156.264.275 ECV de receitas entradas fizeram face a uma despesa total de 248.189.751 ECV, um deficit no trimestre de 91.925.476 ECV em decorrência de despesas não programadas, mas realizadas no último trimestre daquele ano, que foram precisamente aquelas decorrentes dos Trabalhos de Urgências não programadas identificadas na parte B2 do PAMR e correspondentes à soma de 65.013.932 ECV.

Pela mesma tabela, observa-se que o FAMR realizou um total de despesas equivalente a 556.057.855 ECV, o que face ao total de receita coletado lhe valeu um superavit de 83.014.921 ECV. A razão deste superavit elevado deveu-se ao fato de ter sido inicialmente projetado no orçamento do FAMR um total de receitas inferior ao que de facto veio a se verificar ao longo do ano. Nota-se que o orçamento do FAMR contava com 618.423.486 ECV para fazer face ao total de despesas de funcionamento e investimento (FSA + Investimento) que decorressem em 2017, enquanto que arrecadou naquele mesmo ano o montante já referido de 639.072.776 ECV, uma desfasagem positiva de 20.649.290 ECV. Há que ser considerado também o facto de ter sido cativado 10% do orçamento do FAMR, correspondente ao valor de 62.365.631 ECV, que não estiveram disponíveis para arcar com as despesas previstas para o ano de

38 2017. As somas destes últimos dois valores citados totalizam o referido superavit no valor de 83.014.921 ECV no ano económico de 2017.

Por fim, importa informar que somando ao superavit acima apresentado o saldo transitado e não orçamentado/executado do ano de 2016 para 2017, correspondente ao montante de 17.777.203 ECV, obteremos o saldo total transtitado do ano de 2017

para 2018, que figurou ser o equivalente a 100.792.126 ECV46. Tal valor atribui uma

margem significativa de segurança para eventuais quedas das receitas previstas de serem arrecadadas em 2018, base sob a qual foram projetados os compromissos do corrente ano e elaborado o orçamento, que previu para as despesas de funcionamento e de investimento o total de 649.557.582 ECV.

Tabela 15 – Balancete trimestral de execução orçamental em 2017

46 Saldo final do ano de 2017 transitado para o ano de 2018 em conformidade com o extrato do tesouro

apresentado em anexo. Esto total difere ligeiramente do valor apresentado como sendo o transitado no mesmo período pelo Relatório de Contabilidade do FAMR para o Ano Económico de 2017, isto porque o extrato de contabilidade, contrariamente ao do Tesouro, considera também as verbas que o FAMR possui depositadas no Banco Comercial do Atlântico (BCA), que correspondem ao valor de 12.502 ECV.

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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A nível interno, no que se refere aos aspetos institucionais e de funcionamento, o FAMR conta para o ano económico de 2018 com um Conselho Diretivo (CD) constituído e que atuará como o seu órgão deliberativo, passando assim a ter maior autonomia para a tomada de decisões, que deverão de todo o modo continuarem a estar sempre alinhados com as das tutelas e com as dos parceiros mais próximos como é o Instituto de Estradas (IE). Às tutelas, recomenda-se um esforço no sentido da constituição também de um Conselho Consultivo (CC), mas isto após dar tempo à consolidação das atividades executivas do CD recém-constituído, que poderá assim contribuir junto deste outro órgão com um conjunto de propostas concretas que demandam a opinião da sociedade civil como um todo, como é por exemplo o caso de uma proposta para o aumento da Taxa de Serviço de Manutenção Rodoviária (TSMR). Um aspeto institucional e de funcionamento importante a ser equacionado e solucionado ao longo do corrente ano, que foi devidamente identificado no presente relatório de atividades para o ano económico de 2017, é a necessidade do envolvimento do IE na participação dos custos de funcionamento do FAMR no que diz respeito aos serviços técnico-administrativos, logísticos, contabilísticos e jurídicos, indispensáveis ao adequado funcionamento desta instituição. Este envolvimento por

parte do IE, constitui como já referido uma obrigação legal estatutária47 e para o qual

foram destinadas verbas48 específicas para a sua devida materialização. A boa

consecução desta questão é de extrema importância para propiciar maior solidez administrativa do FAMR, que poderá por via do IE garantir condições contratuais propicias a colaboradores permanentes que poderão garantir assim a preservação da memória institucional no médio longo prazo, atualmente exposta a um elevado risco. A mudança da liderança do FAMR, por via da nomeação do seu novo Gestor Executivo e da constituição de um novo CD, foi marco para o início da implementação de trabalhos de modernização administrativa que decorreram ao longo do ano económico de 2017 e que serão concluídos no decorrer do corrente ano económico de 2018. Os trabalhos de modernização administrativa realizados e em andamento, vêm trazendo e continuarão a agregar ganhos sem precedentes na eficiência e na eficácia com que o FAMR executa as suas atividades operacionais. Concretamente, fala-se da

47 Estabelecido no Artigo 8º do Decreto-Lei nº 9/2017, de 6 de março, que altera e republica os Estatutos

do FAMR, aprovado pelo Decreto-regulamentar nº 7/2015, de 21 de setembro.

48 Através da alínea b) do Artigo 4º do Decreto-Lei nº 63/2016, de 23 de dezembro, que estabelece e

41 informatização completa do processo de restituição da TSMR, já implementada a 100%, da criação de uma identidade visual institucional forte a servir de veículo de comunicação junto com o Website institucional, que foi desenvolvido nos primeiros dois meses da nova gestão, da criação da Plataforma de Gestão do Plano Anual de Manutenção Rodoviária (PAMR), abreviadamente designada por Plataforma PAMR e que será oficialmente lançada no mês de abril de 2018, e também da conceção de um software de gestão interna das atividades de coleta de receitas junto das petrolíferas e de funcionamento em geral da instituição, que terá por objetivo final a uniformização, harmonização e informatização a 100% de todo e qualquer procedimento interno do Fundo Autónomo de Manutenção Rodoviária.

Quanto às operações de financiamento e investimento do FAMR, a instituição passará a contar a partir do mês de abril de 2018 com a Plataforma PAMR, que irá possibilitar o controle técnico e financeiro das intervenções rodoviárias financiadas pelo FAMR em tempo real e de forma partilhada com as demais instituições envolvidas no processo de sua execução. A Plataforma PAMR trará também um grande ganho no que respeita à harmonização e uniformização da estrutura do PAMR, que irá estar doravante alinhado com as determinações legais dos Estatutos do FAMR no que respeita às despesas que

são elegíveis e aos tipos de intervenções rodoviárias existentes legalmente49. Outro

benefício da implementação da Plataforma PAMR, será a melhor gestão orçamental do plano rodoviário onde as reprogramações são demandas pelo IE ao FAMR, que acompanharão doravante numa única plataforma as mesmas informações. Por fim, a transparência das informações institucionais para o público em geral também será um enorme ganho, pois será garantido acesso parcial às informações relevantes para que qualquer contribuinte saiba qual está sendo o destino dos recursos geridos pelo FAMR. Pelas notícias destacadas ao longo da síntese do contexto operacional, sabe-se que para ano de 2018 são diversas as vias de desencravamento e as reabilitações rodoviárias cujas obras são previstas iniciar. O 1º Trimestre do corrente ano vem sendo também aquele da oficialização de diversos contratos-programa e do lançamento de concursos de empreitadas conduzidos pelo IE. Sobre os contratos-programa com as Câmaras Municipais, fica o alerta a estas instituições que se espera uma melhoria significativa dos seus trabalhos técnico-administrativos no que respeita ao bom planejamento, organização, execução e controle dos contratos-programa, pois o ano de 2018 já não será mais o primeiro em que terão a responsabilidade de executar parte

49 Os conceitos de manutenção, reabilitação e melhorias e os encargos eleíveis ao financiamento são

estabelecidos nos Artigos 4º e 5º do Decreto-Lei nº 9/2017, de 6 de março, que altera e republica os Estatutos do FAMR, aprovado pelo Decreto-regulamentar nº 7/2015, de 21 de setembro.

42 dos recursos do FAMR para a realização de intervenções rodoviárias de manutenção nas estradas municipais do país.

Pelo que se avaliou neste relatório anual de atividades para o ano económico de 2017, importa informar que é esperado para o exercício económico em andamento um aumento das verbas disponíveis para a realização de intervenções rodoviárias de manutenção contempladas no PAMR e demais despesas do FAMR. Isto porque é previsto um aumento das receitas, que mesmo sob eventualidade de não se verificar teria o ampáro dos poucos mais de 100 milhões de escudos cabo-verdianos transitados do exercício económico do ano precedente. O aumento das disponibilidades financeiras do FAMR estará também atrelado a uma redução do total das restituições da TSMR, que atualmente é gerido por via da Plataforma GRT, que trouxe maior rigor no controle e na fiscalização das entidades que têm o direito à devolução da taxa rodoviária, reduzindo assim as possibilidades de fraude a que se estava exposta.

Para finalizar, informa-se ainda que tanto para o exercício económico de 2017 quanto no corrente ano económico de 2018 o FAMR realizou diversos encontros com o Banco Mundial (BM). Estes encontros tiveram como objetivo, não só a avaliação por parte do BM do atual regime de manutenção existente em Cabo Verde e da estrutura institucional e legal que a apoia, como também de ouvir diretamente por parte do FAMR se há constrangimentos a nível do financiamento das intervenções rodoviárias de manutenção e de conhecer suas potenciais causas. O diálogo com o BM foi produtivo no sentido de que serviu para alertar ao fato de que a rede rodoviária de Cabo Verde não se encontra por completa abrangida pelos serviços de manutenção financiados no âmbito do PAMR, sendo que de acordo com as informações do IE existe ainda um gap importante entre as disponibilidades financeiras do FAMR e as reais necessidades investimento da atual extensão da rede rodoviária do país que cada vez mais se vai ampliando. O BM propôs ao FAMR como sendo um dos pontos de partida para solucionar aspeto desfavorável, a realização de um estudo a ser financiado por eles e que tem por objetivo encontrar formas de não só maximizar como também de otimizar a utilização das receitas do FAMR.

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ANEXOS

Lista de documentos anexados ao “Relatório de Atividades do Fundo Autónomo de

Manutenção Rodoviária (FAMR): Ano Económico de 2017”:

1. Balancete mensal e trimestral / Quadro de Execução Orçamental para ano 2017 2. Quadro mensal de Receitas do FAMR (2012 – 2017)

3. Plano Anual de Manutenção Rodoviária (PAMR) – Execução 2017 4. Quadro de contratos do PAMR com execução em 2017

5. Extratos do Tesouro – Ano Económico de 2017

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