CAPÍTULO IV – ANÁLISE DE RESULTADOS
4.1. BANCO COMUNITÁRIO DE DESENVOLVIMENTO DO PREVENTÓRIO
O Banco Comunitário do Preventório, situado no Morro do Preventório no município de Niterói – RJ, é gerido pela Associação para Desenvolvimento Solidário do Preventório. A comunidade está situada às proximidades da praia de Charitas. De acordo com França (2013), ali se instalaram projetos sociais como o Programa Médico de Família e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), entre outros.
Caracterizado como empreendimento de economia solidária, o BCP instalou-se na comunidade em setembro de 2011 (SANTOS, 2014). O BCP está situado nas proximidades da entrada da comunidade do Preventório e possui uma pequena estrutura física, na qual há duas funcionárias exercendo as operações de trocas de moeda social, pagamentos de contas, crédito, divulgação e atendimento geral ao cliente.
De acordo com Santos (2014), a missão do banco é “promover o desenvolvimento econômico da comunidade do Preventório, através de serviços financeiros, social e cultural tendo como base os princípios da Economia Solidária”. A mesma autora afirma que a visão do empreendimento é “ser referência regional em Bancos Comunitários, garantindo serviços financeiros de qualidade e proporcionando o desenvolvimento econômico, social e cultural do Preventório”.
Atualmente, participam da gestão do banco:
▪ a presidente Sônia Maria da Silva que, anteriormente, atuava como agente de crédito e membro do Conselho Fiscal do Banco do Preventório;
▪ os conselheiros, Marcos Rodrigo Maciel e Maria das Graças Neves de Oliveira; ▪ a agente de crédito, Maria Hosana Gomes da Silva, que atua com a parte contábil
e dos gastos do banco, além da cobrança dos empréstimos à comunidade.
4.1.1. A origem do Banco Comunitário do Preventório a partir de uma parceria Ampla e IEES/UFF
A partir de um programa de interno de incentivo a ideias inovadoras, o Inova, a Ampla deu início ao apoio na formação de bancos comunitários em sua região de influência. De acordo com Santos (2014) o objetivo era apoiar empreendimentos como bancos de microcrédito em
comunidades, tendo em contrapartida, a implantação de ações de acompanhamento e suporte à clientes do banco no pagamento das contas de energia elétrica.
A partir de análise pela área de Integração e Desenvolvimento Social da Ampla, identificou-se o alinhamento dos propósitos do banco comunitário com a vertente de desenvolvimento local e geração de renda de uma das linhas de ação da empresa, o Programa Consciência Ampla.
Logo, restava somente a análise da aplicabilidade e da viabilidade da proposta. Nesta etapa, durante pesquisa sobre os bancos comunitários existentes no Brasil, identificou-se o Banco Palmas, um benchmark de banco comunitário no país que veio a se tornar um parceiro do BCP. Posteriormente, em busca de suporte especializado para avaliação de viabilidade da proposta, chegou-se a um novo parceiro: a IEES/UFF (SANTOS, 2014).
Uma vez com a proposta aprovada, a área de Integração e Desenvolvimento Social da Ampla, com o apoio do Núcleo da UFF, iniciou a busca por uma comunidade que detivesse fatores favoráveis à formação de um banco comunitário. Foi definido, então, a comunidade do Preventório, devido ao atendimento aos seguintes requisitos: existência de comércios locais, delimitação geográfica, existência de algum grau de organização comunitária e identidade local (SANTOS, 2014).
Uma vez definida a comunidade beneficiária do projeto, a Ampla passou a contribuir com recursos próprios para o processo de mobilização da comunidade e desenvolvimento da iniciativa, enquanto a UFF iniciava um processo de capacitação, que perdurou após a formação do banco.
Santos (2014) afirma que a participação e disponibilização de recursos de uma empresa de capital privado, durante o planejamento e criação de um empreendimento de economia solidária, foi um fato inédito no Brasil.
4.1.2. A parceria BCP/Ampla
Dada as características de um empreendimento econômico solidário, de autonomia e suporte ao desenvolvimento local, torna-se um fator crítico o nível de interação empresa – banco comunitário. A fim de que a comunidade assumisse uma participação mais ativa para a autonomia do empreendimento, manteve-se a parceria BCP/Ampla, mas de forma mais independente.
Contudo, o contato mais direto deu-se com a IEES/UFF, através das atividades de assessoria e incubação.
De acordo com Santos (2014), a parceria da Ampla com o BCP, após sua criação, deu- se mediante ações, tais como:
▪ Programa Clube de Energia: tecnologia social desenvolvida para que a comunidade e o banco comunitário adquirissem benefícios, mediante o consumo consciente e a adimplência no pagamento de contas de energia;
▪ Ações de aumento de eficiência energética: troca gratuita de geladeiras antigas por novas (mais eficientes), da instalação elétrica das residências, de lâmpadas incandescentes por fluorescentes (que consomem menos com a mesma iluminação);
▪ Sensibilização de consumo consciente: realização de palestras e oficinas com dicas de consumo de energia que evitam o desperdício.
4.1.3. Desafios encontrados
Em conversas com os associados, notou-se que ainda existe uma grande dependência do BCP em relação a instituições de apoio, por meio de serviços da incubadora no intuito de prestar suporte organizacional e de recursos provenientes de parceiros como a Ampla, BNDES e editais de projetos a custos perdidos.
Percebeu-se ainda, que o relacionamento que havia entre os parceiros iniciais do BCP sofreu modificações. Novas relações foram fortalecendo-se à medida que outras foram enfraquecendo-se, sem que os associados houvessem tomado conhecimento disto.
Notou-se, ainda, que havia atividades que o BCP propunha-se a realizar, mas que, na prática não eram feitas, a exemplo da utilização dos canais de comunicação para divulgação do BCP dentro e fora da comunidade onde atua, mas que os associados também não haviam tomado consciência de sua inexistência.
O banco possui intenção de implementar a moeda social e-dinheiro. Entretanto, não havia tomado, ainda, todas as ações necessárias para sua implementação. Como os associados, de forma unânime, consideraram a implementação do e-dinheiro um fator crítico para o BCP, o presente trabalho definiu dois cenários a serem analisados pelo estudo:
▪ Cenário 1 – “AS IS” – trata-se do modelo de negócio atual do BCP, ou seja, ainda não se considera o e-dinheiro como atividade-chave do empreendimento.
▪ Cenário 2 – “TO BE” – o modelo de negócio é voltado somente para a articulação do e-dinheiro, visto que as demais atividades já seriam abordadas no cenário 1.