Mapa 1: Polos de Turismo do RN, 2014
3.2 BANCO DO BRASIL
Criado em 1808, o Banco do Brasil está presente em todo o país, contando com mais de 4 mil agências. Segundo o site da instituição é um dos principais agentes do desenvolvimento econômico e social do país, impulsionando a economia e o desenvolvimento, e atuando de forma responsável para promover a inclusão social, por meio da geração de trabalho e renda.
Tem como missão: ser um banco competitivo e rentável, atuando com espírito público em cada uma de suas ações junto a toda sociedade; e tem como visão: ser o Banco mais relevante e confiável para a vida dos clientes, funcionários, acionistas e para o desenvolvimento do Brasil. Seus valores são:
· Espírito Público (transformação do nosso país);
· Ética (consciência do justo para nós e para os outros); · Potencial Humano (capacidade de superar e ir além); · Competência (capacidade de vencer desafios);
· Eficiência (busca pela melhor forma de fazer as coisas); · Unicidade (um em todos);
· Sustentabilidade (resultado, desenvolvimento e proteção do nosso mundo); · Inovação (transformar ideias em soluções);
· Agilidade (vontade de fazer acontecer).
Referente aos financiamentos para o turismo foram encontrados em seu site apenas dois tipos (ver Quadro 8), o Proger Turismo Investimento e o FATTurismo (este último não está mais disponível).
Quadro 8- Linhas de financiamento para o turismo- BB.
PROGRAMA OBJETIVO O QUE FINANCIA PAGAMENTO TAXA DE JUROS
Proger Turismo Investimento Reforma de instalações; Compra de bens e equipamentos. Empresas do segmento turístico com faturamento bruto anual de até
R$ 7,5 milhões Até 120 meses Encargos financeiros reduzidos, não disponibilizados para consulta no site. FAT Turismo Apoiar micro e pequenas empresas que pretendiam desenvolver projetos relacionados aos eventos esportivos que foram sediados
no Brasil em 2014. Capacitação pessoal; aquisição de máquinas e equipamentos. Até 84 meses Taxa de juros reduzidos, não disponibilizados para consulta no site. Fonte: Adaptado do site do BB (2015).
Pode-se notar que pelo descrito acima, esses investimentos não se adéquam a realidade do Polo Seridó, pois não contemplam empresas que estão surgindo ou que são de pequeno porte, como é o caso dos empreendimentos localizados na região do Polo Seridó. Como discorrido por Azevedo (2014), os investimentos geralmente são voltados para o litoral e as capitais, que possuem um fluxo maior de turistas, e possuem empreendimentos mais estruturados, assim com menos riscos de insucesso. O FAT Turismo representa o quanto o turismo nos interiores ainda é desconsiderado, pois só os empreendimentos que estão localizados perto dos centros de aglomeração dos eventos esportivos são contemplados com esse tipo
de investimento, chegando à conclusão que as linhas de financiamento do BB não favorecem o desenvolvimento do turismo regional e não pode assim contemplar o Polo Seridó.
Referente à análise da participação do BB nas discussões debatidas nas reuniões do Conselho de Turismo do Polo Seridó, foi constatado que em todas as reuniões que a instituição esteve presente não houve nenhum tipo de contribuição, não há nada relatado em ata sobre considerações feitas pelos representantes do BB. A interação entre o poder público e a instituição não é observada, mesmo sendo dependentes um do outro para o fomento do turismo no Polo não há interesse em fazer com que isso aconteça.
Para Gomes; Vargas-Sánchez e Pessali (2014) o governo de um município, estado ou país que tem como intenção o estímulo da atividade em seu território necessita do conhecimento dos empresários sobre o mercado e que invistam em empreendimentos locais para receber o turista. Investimentos esses que poderiam ser facilitados pelas instituições bancárias.
Afirmam ainda que no modelo de governança que é aplicado ao turismo, que não é o mesmo para todos os destinos, a atuação desses agentes no seu funcionamento dependerá da importância do turismo na economia local; da forma de gestão; orçamento e credibilidade do órgão de turismo; do número, poder e interesse dos agentes ligados ao turismo; entre outros elementos.
Sobre a assiduidade da instituição nas 20 atas analisadas entre os anos de 2008 a 2014, obteve-se o resultado exposto no gráfico 2.
Gráfico 2- Assiduidade do Banco do Brasil nas reuniões.
Fonte: elaborado pelo autor
Das 20 atas analisadas foi constatado que o BB estava presente em apenas 9 reuniões, menos de 50%. Levando em consideração essa constatação e o regulamento do Conselho de Turismo do Polo Seridó, no qual está descrito que qualquer membro que faltar três reuniões consecutivas ou não deveria perder o poder do voto ou ser substituída por outra instituição e tentar incluir outro órgão que esteja mais interessado em participar ativamente do Conselho.
Quando analisado os representantes do BB, nessas 9 reuniões em que estava presente, obteve-se o resultado do gráfico 3.
31%
69%
assiduidade da instituição Faltas da instituição
Gráfico 3- Representantes do Banco do Brasil nas reuniões do Conselho de Turismo do Polo Seridó.
Fonte: elaborado pelo autor
Em 9 reuniões, participaram cinco representantes do BB, Clovis Gutemberg participou do maior número de reuniões foram 4. Esses dados mostram o descaso que algumas instituições tratam o Conselho do Turismo. Em um membro como o BB não há como haver nenhuma articulação entre a instituição e o Conselho de Turismo, o que acontece é que as informações adquiridas por um representante em uma reunião são perdidas e quem participar da próxima não saberá quais os assuntos debatidos na anterior. Sobre o assunto Gomes; Vargas-Sánchez e Pessali (2014) defendem que os agentes utilizam o mito da participação e colaboração nesses órgãos para conseguirem legitimidade e com isso acessarem recursos e benefícios, mas é recorrente por parte deles, a não participação e a confissão de que isso é perda de tempo. Afirmação que pode ser utilizada como uma hipótese de resposta à postura utilizada pelo Banco do Brasil nas reuniões do Polo.
Nesses casos, as instituições que não contribuem de nenhuma forma para o Conselho de Turismo e consequentemente para o desenvolvimento do turismo no Polo Seridó deveriam ser substituídas, embora sejam de grande importância para estimular o desenvolvimento de infraestrutura física para o turismo, não estão atuando de maneira adequada e nem cumprindo com seus objetivos.
11%
45% 11%
11% 22%
Damião Cândido da Silva Clovis Gutemberg José Ailton da Silva Ricardo Oliveira Nóbrega Antonimar Queiroz
Referente à interação entre os empresários e o poder público em Huelva, na Espanha, Gomes; Vargas-Sánchez e Pessali (2014) chegam a conclusão em sua pesquisa que ambos possuem consciência da importância da relação entre os atores públicos e privados, destacando que as ações tomadas para o planejamento do turismo devem ser tomadas em conjunto. No entanto, lista alguns elementos que podem afetar no desenvolvimento dessa interação:
· Crença de que cada um deve atuar por si;
· Resultados de fracassos anteriores no planejamento do turismo ou na interação com o poder público;
· Repetidas decepções acarretadas pela outra parte; · Atraso do setor público a pagar serviços contratados; · Alterações ocorridas durante mandatos eleitorais; · Porcentagem de fracasso de solicitações;
· Histórico de atuação do setor público na economia local; · Baixa cooperação;
·
Ausência de um agente coordenador que atenue os conflitos.Em muitas ocasiões, o fracasso da relação entre o estabelecimento de políticas públicas em conjunto com o setor privado é decorrente de muitos acontecimentos e receios gerados durante anos, onde essas esferas atuavam sozinhas, poder público versus setor privado, o que dificulta a mudança de estrutura política e a veracidade dessa relação entre os dois setores.
Sobre a entrevista, também foram realizadas várias tentativas de contato sem nenhum êxito, apenas um funcionário, Tiago Luna, fez uma intermediação para o gerente no dia 19 de outubro, que respondeu que não existia nenhuma linha de financiamento para o turismo que poderia contemplar o Polo Seridó. Diferente daquilo que foi constatado no site da instituição. Sobre os investimentos em empreendimentos e Projetos relacionados com o turismo, ocorreu o mesmo relatado no BNB, o entrevistado declarou que não poderia repassar nenhuma informação, pois eram tratadas com sigilo.
Diante dos resultados obtidos, nota-se que uma grande falta de interesse por parte do BNB e do BB, essas instituições não estão atuando como deveriam, e embora o BNB seja participativo nas reuniões, há uma falta de interação entre os representantes do Conselho com os demais funcionários do Banco. Nesse sentido,
questionamos se o BB não deveria de fato fazer parte do Conselho, pois não possui nenhum tipo de financiamento para o desenvolvimento do turismo do Polo Seridó, como também não agrega em nada as reuniões.
Torna-se necessário ressaltar que o fato da existência da prática das políticas públicas de turismo na região do Seridó, com a criação do Polo Seridó e a atuação do Conselho de Turismo, não significa que a mesma está sendo aplicada adequadamente, mesmo com o estabelecimento de pautas que devem ser seguidas a cada reunião com o objetivo de verificar o que Tem sido realizado a partir das deliberações da reunião anterior, não existe nenhum tipo de estabelecimento de metas ou objetivos que devam ser atingidos para nortearem as ações a longo prazo, o que denota mais uma vez a falta de planejamento.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O turismo é uma área que está se desenvolvendo e impulsionando a economia de lugares que o aderem como fonte de desenvolvimento, é uma atividade capaz de movimentar vários setores da economia e gerar empregos e renda.
Juntamente com o seu rápido desenvolvimento, veio à necessidade da criação de um planejamento capaz de ordenar e direcionar essa atividade para minimizar os impactos negativos que o turismo pode atrair. Foi por meio das políticas públicas que começaram a surgir ações do governo para intervir na atividade e tentar planejar e monitorar essa prática.
Com a política de turismo foram surgindo planos, programas e projetos capazes de nortear e direcionar a atividade, no entanto a gestão desses programas tinha característica centralizada, geralmente a tomada de decisões partia da esfera federal, acarretando um longo tempo de espera e afetando os resultados a serem obtidos. Foi a partir da década de 1990, que começaram a se pensar no turismo com caráter descentralizado, possibilitando as esferas estaduais e municipais tomar decisões e solucionar problemas, fazendo com que o governo não ficasse sobrecarregado com várias demandas e diminuindo a possibilidade de erros.
Também surgiram políticas de caráter organizacional do turismo, o PNMT e o PRT, foram os principais impulsionadores dessa política e se tornaram um marco importante e impulsionador do turismo interiorano.
No RN, o impulsionador do turismo foi o megaprojeto turístico Parque das Dunas/Via Costeira (PD/VC), que estimulou o turismo nacional no estado e o Prodetur/RN que impulsionou o turismo internacional. Outro marco importante foi o Projeto Roteiros do Seridó criado em 2001, estabelecendo para comercialização roteiros turísticos contemplando algumas cidades da região do Seridó. Foi também com a política de regionalização do turismo que em 2005 surgiram os polos de turismo no RN: o Polo Costa das Dunas, o Polo Costa Branca, o Polo Serrano, o Polo Agreste/Trairí e o Polo Seridó.
O Polo Seridó é composto por 17 municípios, possui grandes potencialidades turísticas e está tentando se inserir no mercado como destino turístico, desde 2008 com um Conselho de Turismo, formado pelo poder público, instituições privadas e a
sociedade civil. É por meio do Conselho que são discutidas e tomadas decisões sobre o turismo na região. Como membros do Conselho encontram-se o Banco do Brasil e o Banco do Nordeste, as únicas instituições financeiras que participam do Conselho desde a sua criação em 2008.
Como são instituições capazes de estimular o desenvolvimento de empreendimentos e projetos com suas linhas de crédito e financiamento e fazem parte do Conselho de Turismo, esse trabalho buscou analisar a atuação dessas instituições dentro do Conselho e como estão agindo para o desenvolvimento do turismo no Polo.
Conclui-se que a parceria que deveria existir entre os membros do Conselho e os Bancos é mínima, deixando em evidência a falta de planejamento adequado, tanto por parte dos membros como por parte das instituições bancárias. Pode-se notar que mesmo estabelecendo uma política de turismo na região do Polo Seridó, com a criação do Conselho de Turismo, as ações que estão sendo tomadas para o desenvolvimento do turismo no Polo estão sendo insuficientes para o fomento do Turismo.
Nota-se que existe uma falta de conhecimento sobre as linhas de financiamentos direcionadas para o turismo por parte dos próprios representantes dos Bancos, o que influência nos objetivos pretendidos, nas metas a serem alcançadas e na representatividade desse tipo de instituição no Conselho do Polo, fazendo com que a principal finalidade dessas instituições no Conselho, que é informar e conceder crédito para empreendimentos turísticos não seja cumprida.
Portanto, torna-se necessário a tais instituições, aderir o conceito de planejamento integrado e participativo juntamente com o Conselho de Turismo e seus integrantes, visando estabelecer não só o desenvolvimento mais a sustentabilidade do turismo no Polo Seridó, pois apenas compartilhando dos mesmos objetivos e partindo de ações conjuntas é que poderão fomentar o turismo no referido Polo.
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APÊNDICES
Apêndice 1 Levantamento de monografias e periódicos
CATEGORIA AUTOR (ES) TÍTULO ANO/ LUGAR
Periódico Cardoso Cristiane Soares Saulo Gomes Batista
Inovação da oferta turística com base nos valores locais: um estudo do Geoparque Seridó, RN,
Brasil.
2013 Caderno Virtual
de Turismo
Periódico Alves Antônia Mikarla Janaina Luciana de Medeiros Kettrin
Farias Bem Maracajá
Planejamento turístico: um estudo sobre o Plano de
Desenvolvimento Integrado do Turismo Sustentável do Pólo Seridó 2012 Caderno Virtual de Turismo
Periódico Wendson Dantas de Araújo Medeiros
Ecogeoturismo e geoconservação no semi-
árido do Rio Grande do Norte: o caso da região do
Seridó
2007 Global Tourism
Monografia José Waltercio Silva de Carvalho
Gestão do turismo: diagnóstico dos recursos humanos das secretárias de turismo dos municípios
do polo Seridó Oriental
2013 UFRN
Monografia Izabel Cristina de Castro
As potencialidades naturais do município de Parelhas/RN na proposição de roteiros ecoturísticos 2013 UFRN
Monografia Fabrício Justino Chacon de Araújo
Diagnóstico das potencialidades turísticas do Sítio Totoró a partir da percepção da comunidade
local
2013 UFRN
Monografia Tércia Pereira Amurim
Os desafios para o desenvolvimento do turismo na região do Totoró em Currais Novos/RN 2012 UFRN
Monografia Alyne Medeiros Felipe da Silva
Roteirização turística no Seridó : uma análise da atuação do setor público e
privado no desenvolvimento do roteiro Seridó em Currais
Novos-RN
2012 UFRN
Monografia Silvânia Germano Adelino Coelho
Turismo cultural: planejamento e composição do roteiro no município de Lagoa Nova/RN 2012 UFRN
Monografia Maria de Fátima de Araújo Turismo náutico: análise da demanda turística na barragem Ministro João
2013 UFRN
Alves em Parelhas /RN Periódico Cataline Lopes Macedo Marcos Antônio Leite do Nascimento Andréa
Virgínia Sousa Dantas
Artesanato em minerais e rochas: nova forma de divulgação do geoturismo
no Rio Grande do Norte
2007 Global Tourism
Periódico Christiano H. S. Maranhão
O Sebrae/RN no fomento do turismo potiguar: o caso do Roteiro Seridó
2009 Global Tourism
Periódico
Mayara Ferreira de Farias; Marília Barbosa
Gonçalves; Carlos Alberto Freire Medeiros
Além do Sol e Praia: diagnóstico do potencial
turístico do Corredor Cultural de Natal (Rio Grande do Norte, Brasil)
2013 Turismo e Sociedade
Periódico Josefa Evanielda da Silva; Kerlei Eniele Sonaglio A dinâmica do “Roteiro Seridó” em Currais Novos/RN