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Mapa 1: Polos de Turismo do RN, 2014

3.1 BANCO DO NORDESTE

O Banco do Nordeste é uma instituição financeira criada pela Lei Federal nº 1649, de 19.07.1952, organizada sob a forma de sociedade de economia mista, de capital aberto, com mais de 94% de seu capital sob o controle do governo federal. Suas ações são alinhadas às políticas do Governo Federal, com o objetivo de

acelerar o crescimento econômico do Brasil, promovendo a inclusão social e fixação do homem no campo, por meio do incentivo à abertura de novos postos de trabalho.

Tem por objeto social a promoção do desenvolvimento e a circulação de bens por meio da prestação de assistência financeira, de serviços, técnica e de capacitação a empreendimentos de interesse econômico e social.

Promove em todos os municípios da sua área de atuação, ações destinadas a fomentar o desenvolvimento local, micro e mesorregional, buscando estimular a organização social da comunidade e a formação das cadeias produtivas. O Banco estimula a pesquisa científica, tecnológica, econômica e social, e apoia atividades socioambientais e culturais, diretamente e/ou em parceria com outras entidades.

Sobre os investimentos em turismo, segundo o site do banco o mesmo disponibiliza linhas de financiamentos com objetivos de implantar, expandir, modernizar, reformar ou relocalizar empreendimentos do setor do turismo, como também capacitações, informatizar as empresas e investir em marketing. Como público-alvo, o banco estabelece empresas privadas que tenham como objetivo econômico principal a atividade turística, são elas:

· Meios de Hospedagem (resorts, hotéis, hotéis-históricos, hotéis-fazenda, barcos-hotel, pousadas, hospedarias de turismo ecológico ou ambiental, pousos rurais e alojamentos de selva).

· Arenas multiuso de responsabilidade da iniciativa privada (ginásios ou estádios que incorporem tecnologia e flexibilidade estrutural para diversos tipos de eventos de entretenimento e lazer, contemplando anexos, restaurantes, bares, lojas, instalações de apoio, serviços, etc.).

· Serviços de alimentação: restaurantes e lanchonetes localizados nos corredores turísticos.

· Agências de viagens e turismo e operadoras turísticas. · Transportadoras turísticas.

· Organizadoras de feiras. · Organizadoras de congressos.

· Empresas prestadoras de serviços especializados que sejam terceirizadas e prestem serviços exclusivamente a eventos.

· Parques Temáticos. · Áreas de camping.

· Empreendimentos destinados a proporcionar a prática de turismo náutico (exemplo marinas) e de turismo cultural (exemplo museus).

· Empreendimentos destinados à realização de eventos e negócios (exemplo centros de convenções).

· Empreendimentos que promovam atividades de animação (exemplo casas de espetáculos).

· Empreendimentos destinados a proporcionar a prática de ecoturismo, turismo rural, turismo de aventura e de esportes.

· Empreendimentos destinados à promoção turística. · Empresas de planejamento e consultoria turística. · Locadoras de veículos.

· Restauração de edifícios históricos para fins turísticos.

Também foram encontrados cinco tipos de linhas de financiamento para o turismo, elencados no Quadro 7:

Quadro 7- Linhas de financiamento para o turismo- BNB.

PROGRAMA OBJETIVO O QUE FINANCIA PAGAMENTO TAXA DE JUROS Programa de financiamento às microempresas e empresas de pequeno porte e ao empreendedor individual (FNE- MPE) Implantação, expansão, modernização, reforma e relocalização de empreendimentos Construção; reforma; ampliação aquisição de veículos utilitários; aquisição de máquinas e equipamentos; aquisição de imóvel. 4 a 20 anos 8,24% a.a Programa de apoio ao turismo regional - FNE PROATUR Integrar e fortalecer a cadeia produtiva do turismo, buscando o aumento da oferta de empregos e o aproveitamento das potencialidades turísticas da região, em bases sustentáveis. Aquisição de meios de hospedagem; capital de giro; aquisição de veículos utilitários; aquisição, conversão, modernização, reforma ou reparação de embarcações. 5 a 20 anos 8,24% a.a 11,18% a.a. BNDES automático - Financiamento de projetos de investimento Financiar a implantação, expanção, relocalização, recuperação e modernização de empreendimentos econômicos nos Projetos de investimento; capital de giro; Máquinas e equipamentos. Até 15 anos 0,9 a 2,5% a.a, mais encargos.

setores rural, industrial, agroindustrial, comercial, de turismo, de infraestrutura e de prestação de serviços. FINAME - Programa de Financiamento à Produção e Comercialização de Máquinas e Equipamentos Financiar a produção e a comercialização de máquinas e equipamentos novos de fabricação nacional, cadastrados na FINAME, nas modalidades: financiamento à compradora; e financiamento à fabricante. Aquisição de máquinas e equipamentos; produção de máquinas e equipamentos e sua comercialização. Até 60 meses 0,9% a.a. ou 2,5%a.a, mais encargos. Programa BNDES de Sustentação do Investimento - Subprograma FINAME/PSI-BK Novos Financiar a produção e a aquisição isolada de máquinas e equipamentos novos. Aquisição de ônibus; caminhões; chassis; caminhões-tratores; carretas; cavalos- mecânicos; reboques; semirreboque; tanques e afins.

3 a 120 meses 6,5% a.a. a 10% a.a

Fonte: Adaptado do site do BNB (2015)

Diante dessas linhas de investimentos oferecidas para o turismo no site da instituição, observa-se que apenas uma é voltada diretamente para o turismo - o Programa de Apoio ao Turismo Regional - FNE PROATUR- sendo que os outros possuem como foco principal os empreendedores, com maior ênfase em pequenas e médias empresas. Mas, levando em consideração que a instituição disponibiliza esses Programas em uma aba destinada a investimentos turísticos e analisando o conteúdo das atas das reuniões do Polo Seridó, foi observado que representante do Banco do Nordeste não mencionou a existência desses tipos de financiamentos nas reuniões.

O Programa de Apoio ao Turismo Regional, é o tipo de investimento que mais se enquadra nas características das políticas de fomento ao turismo regional, e mesmo fazendo parte de um Conselho de Turismo, esse financiamento não é referenciado pelo BNB, como também não houve o interesse dos membros do Conselho em procurar informações sobre os tipos de investimentos que os empresários do ramo do turismo poderiam adotar nas instituições bancárias para

seu desenvolvimento, mostrando a falta de interação e sincronia entre os membros do Conselho, contrariando os princípios essências do planejamento turístico, como pôde ser explanado na Figura 2.

Embora o Conselho envolva representantes de todos os atores envolvidos no planejamento do turismo, eles não estão conseguindo seguir o principal fundamento da política pública como explanado por Silva (2015) e se alinhar em busca de um bem comum, que seria o desenvolvimento do turismo no Polo. Muitas vezes o que se constata é que visam apenas interesses próprios, principalmente quando se trata dos representantes dos municípios, prejudicando a inter-relação que deveria ocorrer entre seus representantes.

Sobre as linhas de investimentos foram mencionados nas reuniões o Crediamigo na ata II em 2008, onde o BNB também informa que em parceria com o SEBRAE estavam fazendo um trabalho para a criação de um espaço para vendas de artesanato.

Na Ata IX em 2009, Valderi Filho, como representante do BNB também fala do programa BNB Cultura edição 2010, que selecionou 258 projetos de 2794 inscritos, através de uma linha de patrocínio no total orçamentada em R$ 6 milhões. O programa apoia a produção e difusão da cultura nordestina através da seleção pública de projetos na área de artes cênicas, audiovisual, literatura, música e artes integradas.

Dos 314 projetos inscritos no RN foram contempladas 37 propostas de diversos municípios destacando alguns da região do Seridó, como Acari, Caicó, Carnaúba dos Dantas, Cruzeta, Currais Novos, Jardim do Seridó e Parelhas. Mesmo não sendo voltado diretamente para o turismo é válido ressaltar que o BNB Cultura favorece o seu desenvolvimento. Destacou ainda que o apoio creditício destinado pela agência de Caicó investiu um montante de R$ 24 milhões até 30/11/2009 no segmento micro e pequena empresa, onde 1,52 deste total foram demandas destinadas para o turismo.

Na XI ata, de 2010 Valderi Filho, comentou sobre as linhas de crédito para o período da Copa do Mundo 2014 para o setor de serviços3, onde sugeriu convidar empresários para participar das reuniões do Polo. Na XXII reunião em 2013, também foi relatado que o BNB abriu R$108 milhões para o fundo de financiamento,

2 Não foi especificado se esse valor correspondia à porcentagem ou dinheiro. 3 Não foram especificados maiores detalhes sobre as linhas de crédito.

reforçando a relevância desse tipo de instituição para o fomento do turismo no Polo Seridó.

Referente à interação das instituições com o BNB, na XIV reunião, José Maria Vilar, representando o BNB sugeriu que a ADESE submetesse o Projeto “Pintando a História” para obter apoio, como também se comprometeu em examinar o Projeto “Diagnóstico do Bordado” para poder articular algum apoio, solicitando a ADESE um contato posterior a reunião. No entanto, nas atas das próximas reuniões não há nenhum feedback sobre o que foi feito, até porque essa foi a única reunião em que José Maria esteve presente. Mais uma vez é notável a falta de planejamento nas reuniões do Conselho.

Outra definição já comentada nesse trabalho está sendo invalidada pelos membros do Conselho, o conceito de “redes” que se encaixa corretamente na proposta de elaboração de um Conselho de Turismo, diante das várias organizações que o compõe, onde deveria haver uma ligação e troca de informações referentes as tomadas de decisões para que quando necessário todos tivessem se preparado para assumir a frente das ações, o que não acontece. Em algumas ocasiões, como a citada, há uma quebra na estrutura e na formação da rede fazendo com que não aconteça o repasse nem a troca de informações necessárias.

A instituição também faz parte da Comissão de Infraestrutura e Segurança do Conselho. Com a análise das atas foi possível observar que nas reuniões, o BNB mostrou interesse no turismo, declarando que apoiava investimentos no Polo e se mostrando a disposição de todos, como também levantou algumas linhas de créditos oferecidas. Mostrou-se participativo nas reuniões, fazendo cobranças, dando sugestões, relatando dados sobre os investimentos na região como também a atuação da sua comissão.

Sobre a assiduidade do BNB nas reuniões do Polo, no levantamento nas atas referentes às reuniões entre os anos de 2008 a 2014 obteve-se que o BNB se fez presente em todas as reuniões, passando uma ideia de grande interesse no Conselho de Turismo e no desenvolvimento do Polo Seridó como destino turístico. Mas muitas vezes o que acontece é que o que é dito em teoria não é aplicado na prática, acarretando no congelamento das ações impedindo que o planejamento siga suas próximas etapas, sem atingir seus resultados.

Já sobre os representantes do BNB nas reuniões do Polo, os resultados serão apresentados no Gráfico 1.

Gráfico 1 - Representantes do Banco do Nordeste nas reuniões do Conselho de Turismo do Polo Seridó.

Fonte: elaborado pelo autor

Entre as 20 reuniões em que o BNB esteve presente, Valderi Dantas Filho participou de 16, mostrando que há uma articulação do banco em estabelecer um representante físico nas reuniões. Levando em consideração a complexidade de fazer uma articulação e o repasse de informações entre o Banco, o representante do Conselho e o responsável pelas linhas de financiamento. Se a cada reunião fosse um representante distinto, ocasionaria a descontinuidade das questões abordadas nas reuniões anteriores o que faria com que os debates perdessem a sua ordem lógica.

Foram feitas inúmeras tentativas frustradas de contato com o banco em busca da concessão de uma entrevista com o funcionário responsável pelos investimentos no BNB, com o objetivo de saber se realmente existia essa articulação entre o Banco e o Conselho e mesmo contendo em seu discurso que estimula a pesquisa científica, na prática foi constatado o contrário e os resultados não foram satisfatórios.

Quando procurado no dia 14 de outubro o Gerente de Negócios do BNB concederia a entrevista, no entanto, quando relatado sobre o Conselho de Turismo do Polo Seridó, o mesmo não sabia se quer da existência desse órgão e nem tinha

80% 10%

5% 5%

Valderi Dantas Filho

José Maria Vilar

Francisco Gustavo Saraiva de Oliveira

Ricardo Dantas e Marcial Araújo Batista

conhecimento que o Banco participava como membro. Quando foi questionado se a instituição era membro e participava das reuniões do Conselho do Polo ele respondeu: “não, não, nunca teve não, nunca fomos chamados pra esse conselho não [...] a gente não sabia não que tinha, como é esse Conselho de Turismo?”. Foram feitos algumas considerações sobre o Conselho e ele resolveu perguntar ao Gerente que contrapôs seu relato afirmando que o Banco participava do Conselho e que sempre eram convidados para as reuniões.

Diante dos acontecimentos o Gerente de Negócios pediu o roteiro da entrevista para responder depois, juntamente com o Gerente. Sobre os empreendimento e Projetos apoiados pelas linhas de financiamentos do Banco, relatou que não poderia repassar muitas informações, pois eram consideradas sigilosas. No entanto, após várias tentativas de recolher o que deveria ser a entrevista e diante das “desculpas” dadas pelo Gerente de Negócios houve a desistência da apuração desses dados.

Diante do relato do Gerente de Negócio é possível perceber que o Banco não planeja suas ações dentro do Conselho de Turismo, como também não há nenhuma ligação e interação do representante do Conselho e do Gerente de Negócios no que se refere ao repasse de informações para atingir os objetivos tanto do Conselho como do Banco. Conclui-se que o BNB não se interessa o bastante em cumprir o seu papel dentro do Conselho, possibilitando o desenvolvimento de empreendimentos e equipamentos turísticos por meio de suas linhas de financiamento, fazendo com que a sua participação nesse órgão seja ausente.

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