Mesmo que a taxa populacional das mulheres seja tão grande quanto a dos homens, estas ainda estão a margem da sociedade, considerando todos os debates já propostos nesse trabalho de conclusão de curso. Como propôs Biroli (2016) os impactos da presença feminina em âmbito político abrange a divisão sexual do trabalho, mesmo que esta não seja a única causa a ser considerada.
Zungura (2013) indica que uma das principais barreiras encontradas para a inserção das mulheres na participação política está diretamente relacionada com os altos índices de pobreza extrema, visto que as mulheres compõem 70% deste indicador, sobrevivendo com mesmo de 1 dólar por dia, segundo dados da União Interparlamentar de 2012. Considerando este fator, a autora ainda aponta que se torna praticamente inviável para as mulheres alavancar suas campanhas e carreiras políticas.
Como já exemplificado com os dados do Relatório Global de Lacunas de Gênero, mesmo os países com altos índices de desempenho, ou nos denominados democráticos liberais, os homens possuem vantagens financeiras por uma imposição social histórica, sendo assim acabam obtendo uma maior vantagem competitiva sobre as mulheres na política, ainda em concordância com a autora acima. Além do aspecto econômico, pode-se destacar a opressão sofrida pelas mulheres na busca por esses cargos políticos. Essas muitas vezes são privadas da participação política pela imposição cultural das influências patriarcais na sociedade, ou seja, como já mencionado, entende-se que as mulheres têm habilidades voltadas para o âmbito doméstico e familiar, e que as discussões pertinentes ao ambiente público deve
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ser de responsabilidade masculina. Além da imposição social neste caso, também é necessário ressaltar o tempo como um obstáculo enfrentado pelas mulheres, já que mesmo exercendo atividades públicas, o desemprenho das atividades domésticas ainda recai sobre elas, segundo Biroli (2016).
Mesmo com as tentativas da ONU em facilitar a inserção feminina na política com a resolução A/RES/66/130 sobre participação política das mulheres na Assembleia Geral de 2011, e com a resolução 135 do Conselho de Segurança que previam que os Estados membros deveriam ampliar a participação das mulheres em todos os níveis de decisão, os aumentos progressivos não têm acontecido de tal forma, como visualizamos no capítulo passado.
Entre as barreiras encontradas pelas mulheres para o exercício da participação política diz respeito sobre o entendimento das questões de gênero e historicidade da divisão sexual do trabalho, de acordo com Lisboa (2018). Tal ponto impacta negativamente na maior participação de mulheres no âmbito político, visto que as poucas vezes em que ocupam cargos como representantes políticas, parlamentares ou chefes de Estado acabam negligenciando ou ocultando a relevância destes debates.
A participação destas mulheres que ocupam uma posição política, na maioria das vezes, está envolvida em representações com poucas perspectivas ou carteiras mais aprazíveis, tal como os ministérios de educação, serviço social e turismo, por exemplo. Raramente, se não nunca ocupam ministérios com poder de decisão mais relevantes, tais como assuntos internos ou externos e defesa, por exemplo. Sendo assim, as mulheres não têm poder de decisão frente aos assuntos de política nacional ou internacional, tendo uma participação relativa e não plenamente eficaz, segundo Zungura (2013).
Em contraponto às barreiras encontradas pelas mulheres na participação política, compreende-se que o papel delas em posições de decisão são inteiramente necessários. Visto que assim, segundo Dahlerup (1998) como as mulheres compreendem metade da população do mundo, essas também possuem o direito de representação proporcional na política.
Considerando que os interesses políticos e sociais de homens e mulheres são distintos, a relevância da presença feminina em debates dentro da política torna-se ainda mais evidente. Visto isso, Zungura (2013, p.171) afirma que “as mulheres precisam abordar as questões que as afetam, assim como os homens não podem representar de forma confiável os interesses das mulheres”, pois questões podem ser negligenciadas ou ocultas quando se toma posse de um debate que não cabe a determinado representante.
O Banco Mundial (2001) aponta que os índices de corrupção são menores entre mulheres, observando uma relação entre níveis relativamente altos políticas públicas e baixos
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níveis de corrupção. Outro argumento a favor da maior participação feminina na política de acordo com Zungura (2013), é a pacificidade feminina. Para a autora e devido a construção social do papel materno das mulheres, as mulheres tendem a ser menos violentas que os homens, facilitando o controle de políticas a fim da manutenção da paz. Esse ponto pode se tornar um ‘jogo de interesses’, visto que algumas líderes como Golda Meir, Margaret Thatcher, Condoleezza Rice e Hillary Clinton, também citadas pela autora, apresentam uma posição mais rígida. Ainda segundo a autora, é preciso considerar também os pontos de qualidade de vida e partidarismo. Respectivamente, o primeiro aponta que quando as mulheres tem um aumento na participação política, os Estados tendem a apresentar padrões de vida mais altos. O segundo aborda que as mulheres trabalham em linhas hierárquicas, facilitando a resolução das problemáticas.
Nesta seção fez-se claro a relevância do papel feminino frente aos debates políticos, mas não apenas de forma superficial ou com pouca representatividade. É necessário que as mulheres também tenham poder de decisão sobre questões que envolvem âmbitos internos e externos.