Capítulo III: Contexto do estágio
III. 1. Caracterização do IEEI 28-
III. 3.6 Base de dados do projecto 37-
A formação recebida, no que concerne às técnicas informáticas, contemplou igualmente a base de dados, visto que era também necessário procedermos ao seu manuseamento e a uma praticamente constante utilização.
A base de dados do projecto do IEEI surgiu pela necessidade de tornar “visível” o número de casos encontrados, tanto através das entrevistas realizadas por outras ONG´s, como pela investigação no terreno, cuja realização permitiu encontrar mais casos que foram consentaneamente tratados. Essas diligências efectuadas por um investigador do IEEI no terreno visavam obter dados relativos a: 1. Principais rotas de tráfico; 2. Métodos de captura/ aliciamento da vítima; 3. Métodos de contrabando e transporte; 4. Números gerais sobre vítimas; 5. Género e grupo etário; 6. Principais ocupações; 7. Tipo de coacção exercida a nível nacional e internacional; 8. Localização geográfica em Portugal; 9. Nacionalidade das vítimas; 10. Nacionalidade dos traficantes; e 11. Estrutura das redes de tráfico
Consequentemente, era necessário inserir numa base de dados, para o devido tratamento posterior, os dados das vítimas de tráfico de quem o projecto ia obtendo conhecimento.
As questões a que as pessoas respondiam aludiam a todo o seu processo no tráfico, desde o início até à sua situação actual, permanecendo no anonimato, sendo apenas identificadas pela sua data de nascimento e nacionalidade.
As questões presentes na base de dados sobre as vítimas visavam: - Género;
- Ano de nascimento; - Grupo etário; - País de origem;
- Nacionalidade das vítimas, angariadores, exploradores e intermediários; - Rota de tráfico;
- Países de trânsito; - Transportes das rotas;
- Métodos de captura/ aliciamento; - Entrada com aliciamento;
- Eventual recrutamento para a entrada no processo; - Eventual menoridade no início do tráfico;
- Métodos de contrabando de transporte;
- Tipo de tráfico: exploração sexual, exploração laboral, adopção internacional, tráfico de órgãos e servidão doméstica;
- Tráfico interno ou transnacional; - Traficada num grupo ou sozinha; - Condições de trabalho;
- Medidas utilizadas para controlar a pessoa: abusos físico, psicológico, ou sexual, ameaças à pessoa ou à família, ameaça de intervenção de agente da autoridade, promessas falsas/ engano, negação de liberdade de circulação, administração de drogas
ou álcool, negação de tratamento médico ou de comida e bebida, retenção de salários, retenção de documentos de identificação ou de viagem, servidão por dívida, encarceramento e trabalho em períodos excessivos;
- Estratégias utilizadas para a fuga ou saída do tráfico; - Eventuais apoiantes da fuga;
- Regime de apoio à vítima; - Denúncia do explorador;
- Apoio jurídico, psicológico, psiquiátrico, médico ou social; - Posse de documento de identificação;
- Autorização de residência; - Localização geográfica actual;
- Vontade de continuar a permanência em Portugal; - Tempo de exploração;
- Promessas feitas;
- Idade no início da exploração; - Início e fim da exploração; - Horas de trabalho;
- Eventual pagamento pelo seu trabalho; - Ameaças sofridas;
- Valor anunciado à vítima pelo seu transporte e eventual exigência de pagamento do mesmo;
- Eventual pagamento por alojamento, alimentação e materiais de trabalho; - Dívidas da vítima.
Prevê-se que esta base de dados seja disponibilizada às autoridades, no fim do projecto, no sentido de lhes facilitar estratégias de actuação, a partir das informações conseguidas. Efectivamente, pretende-se a maior transparência e frontalidade no tratamento de crimes tão hediondos e levados a cabo com tanta subtileza, pelo que é
imperioso promover a mais completa cooperação a todos os níveis, no sentido de os debelar ou, entretanto, ir reduzindo no máximo possível.
Foram inseridos 100 casos de vítimas deste crime e posteriormente, feitos os respectivos gráficos estatísticos.
Ver anexo 4 – Base de dados
III. 3.7 Relatório sobre as Rotas de Tráfico de Seres Humanos, a partir da base de dados do IEEI
Com a informação entretanto obtida e toda aquela previamente armazenada informaticamente, foi realizado um relatório sobre as rotas de tráfico constantes nesses mesmos dados, o qual ia sendo constantemente actualizado, à medida que se iam inserindo e acrescentando novos casos de vítimas. A última actualização teve lugar em Fevereiro, imediatamente antes da conclusão deste estágio.
Este relatório não pode constar nos anexos devido à confidencialidade do projecto.
III. 3.8 Relatório de Tráfico de crianças
O último workshop realizado teve lugar em Fevereiro e abordou os menores vítimas de tráfico.
Neste sentido, a partir de Outubro, foram desenvolvidas leituras concernentes e pesquisas alusivas à temática, em diverso material bibliográfico cedido pela investigadora, de forma a alcançarmos uma maior abrangência sobre tal assunto.
Concluído o relatório, procedeu-se à pesquisa de especialistas nacionais e internacionais em tráfico de menores, para futura participação no workshop, bem como a pesquisa e o contacto de instituições de crianças na zona norte do país, indagando do eventual conhecimento de algum caso de menores vítimas deste crime.
Seguidamente, foram também contactadas outras instituições como a Polícia Judiciária, a Autoridade para as Condições do Trabalho, a Autoridade de Segurança
Alimentar e Económica entre outras, no sentido de agendar reuniões com o IEEI sobre este tipo de crime.
Ver anexo 5 – Relatório do tráfico de menores
III. 3.9 Leituras sobre tráfico de seres humanos no mundo e em Portugal
Sempre na perspectiva de alargar horizontes e obter melhores entrosamento e compreensão desta temática, foram igualmente realizadas leituras sobre tráfico em relatórios anuais de organizações internacionais: United Nations Office on Drugs and Crime - Global report on trafficking in persons - Global Initiative to Fight Human Trafficking February 2009; The protection project review of the trafficking in persons
report – July 2011; Revista nº 12 da Amnistia Internacional de julho, agosto e setembro;
Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Smuggling of migrants
into, through and from North Africa; Relatório anual do Departamento de Estado dos
EUA 2011; University of Potsdam Report on Human Trafficking Dr. Markus Lederer 2007, UNODC Global Report on Trafficking in Persons UN.GIFT 2009.
Foi feita uma selecção de material relevante para o projecto, especificamente para o caso de Portugal.
III. 3.10 Conferência “International Conference Gender, Violence(s) and Social Change”
Estivemos presentes numa conferência realizada a 18 de Outubro pelo Observatório Nacional de Violência e Género (ONVG) na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Tínhamos criado muitas expectativas, convictos de que iríamos ali colher informação importante que viesse de algum modo revitalizar o que conhecíamos já. Contudo, a nossa esperança foi gorada, visto que, embora muito enriquecedora e de gritante actualidade, essa conferência não abordou a questão do tráfico de seres humanos.
As sessões assistidas foram sobre “Gender violence and legal regulation: can
Law change perceptions?” de Teresa Pizarro Beleza e “Domestic violence, gender violence. An overview of the emergence of a "social problem" in the Portuguese public space” de Miguel Vale de Almeida..
Ver anexo 6 – Certificado de participação
III. 3.11 Rotas do Observatório do Tráfico de Seres Humanos
No sentido de vir a conhecer mais rotas, diferentes daquelas que a pesquisa realizada pelo projecto tinha já tido ocasião de inventariar, procedeu-se à leitura do Relatório Anual sobre Tráfico de Seres Humanos 2010, do Observatório do Tráfico de Seres Humanos (OTSH), tendo sido possível verificar-se alguma disparidade entre os casos de tráfico confirmados e as vítimas não confirmadas. Foi no entanto possível a distinção de três rotas: africana, brasileira e europeia.
III. 3.12 Levantamento das rotas do IEEI e do OTSH
Evidentemente que a organização e a sistematização facilitam o trabalho e a consulta dos dados existentes. Assim, e de acordo com o que nos foi solicitado, procedemos ao levantamento e respectiva listagem das rotas do IEEI e do Observatório do Tráfico de Seres Humanos, para que haja maior clareza, facilidade e simplicidade na consulta desses dados.
Este levantamento de rotas não pode constar nos anexos devido à confidencialidade do projecto.
III. 3.13 Auditoria do projecto
A realização de uma auditoria ao projecto pela entidade financiadora do projecto possibilitou a pesquisa online e o conhecimento do trabalho realizado anteriormente ao estágio iniciado, desenvolvido pelos investigadores que sobre tal se debruçaram.
Foram pesquisados e listados: artigos da responsabilidade do IEEI sobre o tráfico de seres humanos; artigos sobre o tráfico com menção ao IEEI; esclarecimentos sobre o projecto em escolas básicas e secundárias, centros culturais, juntas de freguesia entre outros; eventos organizados pelo IEEI; reuniões de parceiras do IEEI e workshops organizados pelo IEEI.
A citada auditoria possibilitou igualmente a participação na organização do material do projecto, tendo-se revelado como um prestimoso auxílio em tudo o que era necessário organizar, com vista à realização da mesma, nomeadamente a concepção dos
dossiers indispensáveis para esses trabalhos e verificações.
Ver anexo 7 – Listagens para a auditoria
III. 3.14 Gráficos sobre as Rotas da Base de Dados
Havia sido programado um workshop a realizar em Fevereiro, na cidade de Castelo Branco e para o qual era necessário apresentar já alguns casos constantes da base de dados, fruto amadurecido gradualmente pelo conjunto de todos os esforços envidados pelo IEEI. Seria uma forma muito concreta e realista até, de sensibilizar o público presente.
Neste sentido, foram levantados os casos inseridos na citada base de dados e elaborados gráficos sobre as vítimas de tráfico: género, tipos de exploração, rotas directas, rotas com um país de trânsito, rotas que envolvem dois países de trânsito e rotas que têm mais países de trânsito, idades das vítimas quando foi iniciada a exploração, idades atuais e tempo de exploração.
A confidencialidade do projecto, não permite a divulgação dos gráficos realizados durante o estágio.
III. 3.15 Workshop IV Castelo Branco
Quando se pretende que um trabalho seja consequente, é imperioso prepará-lo devidamente, prevendo todos os detalhes e circunstâncias ocorrentes, para que, na hora
da sua efectivação, nada falhe e o resultado possa ser não só positivo, mas também gratificante.
Foi o que aconteceu relativamente ao workshop realizado a 2 de Fevereiro de 2012, o qual conheceu várias fases na sua execução. Assim, começou por se realizar a pesquisa e confirmação de oradores nacionais e internacionais para participarem no evento. Seguidamente, procedeu-se aos contactos telefónicos para os oradores e à elaboração e envio dos respectivos convites via email. Foi depois necessário fazer a pesquisa de alojamento e transporte para os oradores, para que esse aspecto indispensável e absolutamente sine qua non do evento, ou seja, o seu material humano, pudesse ficar ultimado, e depois se poder partir para a preparação de outros aspectos complementares. Consequentemente, após a pesquisa de jornais da região de Castelo Branco, foram feitos os necessários contactos telefónicos para os mesmos, a solicitar a divulgação do evento. Como é habitual, procedeu-se também à elaboração de certificados de presença e lista de presenças, bem como a várias diligências com vista à organização de todo o material necessário ao evento.
Entretanto, foi igualmente necessário o acompanhamento de uma oradora que só podia deslocar-se no próprio dia para Castelo Branco.
Concluído o workshop, foi elaborado um relatório sobre o mesmo, bem como a presença no evento. Afinal, o que é natural e lógico, é que haja sempre três partes nos eventos, independentemente da sua natureza e especificidade: planificação, realização e avaliação.
Ver anexo 8 – Relatório do workshop de Castelo Branco
III. 3.16 Relatório sobre a reunião de parceria com ONGs sobre a vinda do Grupo de Peritos da União Europeia a Portugal
No fim do estágio, foi realizada outra reunião de parceria com várias ONGs sobre a vinda de um grupo de peritos da União Europeia, especialistas no combate ao tráfico de pessoas - Group of Experts on Action against Trafficking in Human Beings (GRETA)
Esta reunião teve também a participação da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), Associação de Mulheres Contra a Violência (AMCV), Associação ComuniDária, Obra Católica Portuguesa das Migrações (OCPM), Organização Internacional para as Migrações (OIM), Organização Internacional do Trabalho (OIT) e União Geral de Trabalhadores (UGT). O objectivo foi abordar os passos do projecto e o sucesso no preenchimento dos casos das vítimas da base de dados, o que é em grande parte resultado do trabalho conjunto com estas organizações, zelando-se pela mais completa cooperação e partilha de informações.
Como a base de dados nesse momento estava mais completa, foi possível afirmar mais seguramente que toda essa informação pretende contrariar as estatísticas oficiais sobre o tráfico e chamar a atenção da sociedade para este crime que ainda é encarado por muitos de um modo bastante passivo, como se se tratasse de uma inevitabilidade, parecendo que nada poderão fazer para inverter a situação. De facto, através dos números das vítimas constantes nessa base, é possível revelar que esta questão não é meramente residual, mas que tem bastante gravidade, sendo urgente envolver mais a sociedade no seu combate.
Ver anexo 9 – Relatório da reunião de parceria
III. 3.17 Legislação sobre o TSH
A última tarefa do estágio foi a realização de uma pesquisa e de um levantamento online sobre legislação de tráfico de pessoas nos países já visitados pelos investigadores, no âmbito do projecto: Bélgica, Brasil, EUA, França, Grã-Bretanha, Grécia, Holanda, Itália e Suíça.
A posse de tal legislação é importante para poder ser feita a análise comparativa entre a mesma, ficando-se a saber também como é que as vítimas de tráfico de seres humanos são tratadas nesses países, o que as espera e como poderão ser ajudadas.
Capítulo IV: Comentários finais
Este relatório é alusivo ao trabalho desenvolvido na área dos Direitos Humanos, especificamente numa grave e actual violação destes direitos, como é o fenómeno do tráfico de seres humanos.
O meritório trabalho desenvolvido pelo IEEI tem continuado por alguns anos e revela bastante preocupação em mudar a realidade, contrariando a dimensão deste crime em Portugal. Para isso, têm sido feitos esforços muito substanciais para chamar a atenção da sociedade civil, através da realização de workshops e de reuniões de parceria, contando com a colaboração de várias instituições e ONGs.
Revela-se necessário e muito importante haver financiamento para o término do projecto e para os seus pretendidos manuais de boas práticas, como forma de alertar a população que desconhece o fenómeno. Embora o IEEI tenha feito esforços por realizar
workshops de norte a sul do país, tal estratégia não é suficiente para que toda a
população esteja devidamente informada.
É política e objectivo geral do projecto sensibilizar a população para o tráfico e tentar congregar sinergias para contrariar a dimensão real deste crime.
O desenvolvimento do projecto do IEEI relativo ao tráfico precisa de ter maior divulgação, mas reconhece-se que é difícil, devido aos cortes nos financiamentos das ONGs. Porém, é indubitável que tal projecto se reveste de grande mérito, não só pelos objectivos que o norteiam, mas também por todos os esforços que têm sido feitos para continuar a sua realização.
Através da inserção dos casos das vítimas na base de dados, é possível ter-se uma noção mais exacta sobre o sofrimento destas vítimas, pelo que necessitam de apoio especializado, que na maioria dos casos foi inexistente. Toda a informação colhida demonstra a grande fragilidade e vulnerabilidade destas pessoas, profundamente estigmatizadas para o resto das suas vidas. É que foi o passado, mas é a memória dele que as persegue e atormenta, pelo que será difícil encontrarem paz de espírito e equilíbrio para conseguirem estabelecer uma vida dita normal, com a harmonia necessária para se integrarem na sociedade e serem capazes de responder positiva e eficazmente aos desafios e solicitações múltiplas que ela lhes coloca, como a toda a gente. Estas marcas indeléveis são o fruto de crimes de muitos anos, pelo que os
responsáveis deverão pagar não apenas pelos crimes de tráfico, mas sobretudo por terem arruinado vidas e personalidades.
Como temos vindo a salientar, tem havido a maior colaboração de outras ONGs que sempre demonstraram abertura e confiança nesta iniciativa. Tal garantiu que as vítimas se tenham mantido em anonimato, tal como as próprias ONGs, de acordo com a sua respectiva opção.
É importante salientar aqui um indicador que se revela bastante preocupante e que é o facto de 74% dos casos identificados serem mulheres e jovens vítimas de exploração sexual, sendo apenas 26% exploradas laboralmente. Cumulativamente, pesando ainda mais nessa já grande preocupação, acresce que a faixa etária predominante se encontra entre os 16-20 anos, com 33 casos de jovens vítimas. E igualmente preocupante é o tempo de duração da exploração, com 19 vítimas a responderem que foram exploradas mais de dois anos. Todos estes dados são originários da base do IEEI, que está, de facto, na posse de informação privilegiada e da maior importância a nível sociológico e jurídico-criminal, em termos futuros.
Compreendendo perfeitamente o drama humano e social destas vítimas, o IEEI pretende encontrar as estratégias mais adequadas para as reintegrar no mercado de trabalho, bem como na sociedade em geral, como acontece noutros países da Europa
Como já foi referido anteriormente, o estágio seguiu as orientações dos investigadores do projecto do IEEI e processou-se de acordo com a sua forma própria de trabalhar e abordar as questões.
Como é oportunamente referido no Projecto “Direitos Humanos, Segurança e Migrações – O combate ao tráfico de seres humanos”, para obter resultados
semelhantes [a outros países europeus que, quer pela quantidade, quer pela qualidade, conseguiram obter muitos bons resultados no combate ao tráfico de seres humanos], o governo português e todas as organizações e instituições que trabalham no combate ao tráfico de seres humanos beneficiarão de um projecto que trate deste assunto com consistência e a nível nacional, mobilizando as autarquias para desempenhar um papel activo na produção de informação, na prevenção, formação da sua população local, e formando e informando os agentes a responsáveis pela mudança a nível nacional,
combatendo activamente o crime de tráfico e, ao mesmo tempo, assegurando a protecção e assistência das vítimas.50
Aguarda-se com expectativa, a tão desejada sensibilização para o fenómeno mencionado pelo Observatório do Tráfico de Seres Humanos como o terceiro crime mais lucrativo do mundo, como citado anteriormente.
Espera-se que o estágio tenha contribuído positivamente para a prossecução do projecto, tal como contribuiu para o nosso enriquecimento pessoal e alargamento de horizontes prolécticos no plano sócio-profissional.
50
IEEI, Projecto “Direitos Humanos, Segurança e Migrações – O combate ao tráfico de seres humanos”, Janeiro de 2009, Lisboa
CONCLUSÃO
Concluído o estágio em Estudos Europeus, focando particularmente o tráfico de seres humanos realizado sobretudo neste palco social que é a velha Europa, urge fazer um balanço de todo o trabalho realizado, para verificar até que ponto ele foi válido e útil.
Assim, em termos de aprendizagem, ele revelou-se da maior utilidade, pois fomos inseridos num mundo particularmente difícil e amargo, que se foi revelando na plenitude da sua crueldade. Apercebemo-nos da abrangência enorme do egoísmo humano, quando é manipulado por interesses pessoais.
No entanto, a dimensão destes crimes não se confina aos aspectos sociológicos e humanistas, embora estes sejam profundamente graves e de tal forma radicais que perdurarão para sempre na memória das vítimas, ainda que elas consigam subtrair-se à nefasta influência dos seus aliciadores e exploradores. De facto, trata-se de uma questão também de Direito Internacional, visto que existe um corpo de leis, princípios e normas aos quais os estados independentes estão ligados por comum acordo e na base da boa-fé. Evidentemente que acima do Direito Internacional está a soberania de cada estado independente, mas quando se trata de agressões às pessoas levadas à força para fora do seu país e sujeitas, nos outros, à continuação de maus tratos e da negação do respeito pelos direitos humanos, então tem que haver recurso ao Direito Internacional para se poder lutar devidamente contra essa prepotência que teima em subsistir, não obstante todos os esforços feitos para a eliminar.
E de facto, ao longo do estágio realizado, tivemos múltiplas ocasiões para