As aulas de treinamento funcional representaram muitas melhorias para a vida do indivíduo. É possível perceber esses benefícios pelas habilidades conquistadas com o
treinamento, pela sua autoestima e independência, sempre mostrando interesse em treinar, em ser desafiado e principalmente em melhorar os movimentos.
Esses benefícios foram percebidos pelo praticante, sendo evidenciadas duas categorias: melhora da força muscular e melhora da precisão do movimento.
O presente achado pode ser observado nas falas abaixo:
“Também melhorou as pernas, parece mais leve e estou me virando sozinho em muitas coisas que antes apenas com a fisioterapia não fazia. Me sinto mais forte, principalmente nas pernas”.
Talvez o benefício mais conhecido do treinamento com pesos seja o aumento da força, muscular, sendo esse o fator para melhorar o desempenho funcional. As pessoas apresentam aumento de força devido ao treinamento com pesos (POWERS; HOLEY, 2000), além disso, nas primeiras duas semanas a força tem um aumento significativo devido ao aprendizado do exercício. Sendo assim, a realização de um treino com pesos pode trazer resultados satisfatórios durante movimentos utilizados no cotidiano (GUEDES, 2007).
Do ponto de vista funcional, os exercícios com pesos desenvolvem importantes qualidades de aptidão, sendo uma das mais completas formas de preparação física. Um ponto positivo é a facilidade com que os exercícios podem ser adaptados à condição física individual, possibilitando o treinamento de pessoas debilitadas. Certamente, podemos perceber que o treinamento com pesos fornece resultados na vida funcional dos sujeitos, conquistando mais força para realizar as ações necessárias do dia a dia (SANTARÉM, 2009).
Além disso, os benefícios são notados conforme a evolução no treinamento, assim o sujeito desenvolve capacidades importantes para melhorar seus movimentos e sua independência em geral. O intuito é contemplar os objetivos do sujeito para deixa-lo com mais vigor e agilidade, e com o treinamento funcional isso foi possível, pois relatou que:
“Nos movimentos do tronco estou mais forte, melhorou as pernas, aumentou a sensibilidade, movimentos mais fortes e precisos. Agora quando vou fazer alguma coisa em casa tenho mais certeza, tenho precisão para mexer com minhas ferramentas, por exemplo”.
Com o treinamento regular, pode-se perceber que os movimentos são executados com mais precisão e segurança, além de serem mais coordenados devido as tarefas que exigem muita concentração. Em relação a flexibilidade, ela tem um importante papel em se tratando de exercício físico, pois tem a tendência de aumentar durante o treinamento, pelo fato que a hipertrofia aumenta o tecido conjuntivo elástico intra-muscular, além de forçar os limites da amplitude que o músculo pode atingir, se tornando mais resistente e elástico. Isso trás mais facilidade para se movimentar na cadeira de rodas, as articulações ficam mais soltas e é possível realizar os movimentos naturais com maiores ângulos (SANTARÉM, 2009).
Entende-se por "boa qualidade de vida" a condição das pessoas não se sentirem limitadas para tarefas que desejam realizar por falta de condição física. Evidentemente uma pessoa que tenha bem desenvolvidas todas as qualidades de aptidão estará preparada para qualquer tipo de esforço
Todos os movimentos exigem concentração para realiza-los de maneira correta, e para o sujeito tudo foi muito mais complexo, pois envolvia limitações físicas e psicológicas, pelo fato do “impossível” dominar os pensamentos dele após lesão medular. Com os exercícios específicos, o sujeito aprendeu a lidar com o controle corporal além de trabalhar sua mente, observando que apesar de ter dificuldades, era possível fazer tudo, pois era adaptado e realizado de maneira crescente. Relatando que:
“Não achei nada muito difícil, pois todos os exercícios pesados fazem bem para mim e preciso fazer. Mas algo mais complicado era quando exigia mais da perna esquerda, porque é o lado que devido a minha lesão foi mais afetada.”
Sugere-se que todo praticante acometido por uma lesão medular que pratica o treinamento funcional, sente mais dificuldade em controlar e em movimentar o membro que a lesão medular afetou. O cadeirante com lesão parcial pode até movimentar as pernas, mas com muita dificuldade. Mesmo com inúmeros treinos de fortalecimento, pode-se perceber que há grandes limitações que prendem o sujeito a realizar movimentos básicos, principalmente no lado em que a lesão mais afetou é mais difícil conseguir resultados positivos (HASHIMOTO, 2012).
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A inatividade física que muitos sujeitos enfrentam após a lesão medular, gera diminuição da massa muscular, da capacidade aeróbia e também pode comprometer a função cardiorrespiratória dependendo do nível da lesão. Por outro lado, a prática de exercícios regulares pode proporcionar a manutenção, ou mesmo, o aumento da aptidão física, ocasionando a promoção da independência individual e da qualidade de vida.
Considera-se importante ressaltar sobre os efeitos positivos que o treinamento funcional proporcionou para vida do participante da pesquisa. O sujeito teve melhoras perceptíveis na aptidão física e na independência funcional, comprovado pela análise do pré e pós-teste aplicados, percebe-se que em todas as variáveis analisadas, a percepção de movimento teve melhoras que fossem agregar valores para a independência pessoal, sendo um fator contribuinte para realizar as tarefas diárias com mais vigor, agilidade e sem fadiga excessiva.
Além disso, o participante encontrou algumas dificuldades durante o processo dos exercícios funcionais, com a periodização aplicada de forma progressiva e de maneira que fosse respeitar as limitações envolvidas, atingimos as necessidades individuais. Como consequência, o participante teve uma evolução que se manifestou de forma crescente em um curto período de tempo, pelo fato que não foi pulado nenhuma etapa do treinamento funcional, conforme as habilidades do sujeito e o nível de condicionamento. Portanto, ao seguir uma progressão conforme as necessidades individuais, procurando buscar atingir o objetivo do sujeito, em 22 aulas os resultados apareceram de forma positiva.
Sendo assim, os desafios englobam diversos parâmetros a serem apontados, pelo fato do trabalho prático envolver um estudo primário, deve-se por sob análise o processo da metodologia escolhida para o treinamento, sua periodização, dificuldades de progredir, inteligência para condução da aula, não frustrar o indivíduo e cuidar com a intensidade do treinamento. Portanto, o presente estudo trouxe informações importantes para a área da Educação Física, pois abordou sobre um tema ainda pouco divulgado e estudado, que é a prática
de treinamento funcional para um sujeito cadeirante, contribuindo com a literatura e apresentando grande relevância social.
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VARELLA, D. Entrevista: Traumas na coluna. Site Drauzio Varella. São Paulo. s.d. Disponível em:
APÊNDICE 1
FICHA DE DADOS INDIVIDUAIS
Anamnese __/__/__
Nome:
Data de nascimento:
Estado civil: Profissão:
Peso: Estatura: IMC: Grupo sanguíneo e fator RH:
Endereço residencial, comercial e telefones: Caso de emergência avisar:
Celular: Email:
Objetivo do treinamento
( ) Estética ( ) lazer ( ) saúde ( ) condicionamento físico geral ( ) hipertrofia ( ) definição muscular ( ) Reforço muscular ( ) alto rendimento ( ) profilático ( ) terapêutico
Marque as opções que se identifica
( ) Dores frequentes na coluna ( ) nas articulações ( )musculares ( ) anemia ( ) hipertensão/hipotensão ( ) diabete ( ) problemas cardíacos ( ) hérnia de disco ( ) dor no peito durante o exercício ( ) tontura ( ) falta de ar
- Como é sua pressão arterial, glicose, colesterol, triglicerídeos? -Você faz terapia?
-Como aconteceu a lesão na medula? Quanto tempo? Como era sua vida antes? Como é sua vida agora?
- Anterior a sua lesão medular, já realizou teste de esforço? Exemplo: Na esteira
-Exercício físico/lazer preferido?
-Pratica exercícios físicos regularmente? Se não, está a quanto tempo parado(a)? -Principais alimentos ingeridos em suas refeições:
Pessoal Cirurgias: Doenças/sintomas: Medicamentos: Lesões: Alergias: Já fez dietas?
Toma/tomou suplementos alimentares?
Hábitos sociais
Fuma/com que frequência/quantidade/já parou ( ) Bebe/com que frequência/quantidade/já parou ( )
Testes físicos funcionais
Força de membro superior Potência de membro superior Força abdominal
Flexibilidade Banco de Wells
Estabilidade de tronco: flexão, rotação e inclinação lateral de tronco Mobilidade do quadril com ponte
ANTROPOMETRIA DIREITO ESQUERDO
PULSO BÍCEPS PEITO CINTURA COXA PANTURRILHA
APÊNDICE 2
RELATO DE EXPERIÊNCIA
A vida em uma cadeira de rodas: breve histórico do sujeito
Imaginamos um ser humano ficar com sintomas de uma virose e com fortes dores abdominais, assim como qualquer outro indivíduo sendo encaminhado para o hospital para consultar e sem razões médicas, acontece uma paralisia total nos membros inferiores, paralisia intestinal e na bexiga: um choque.
Com um diagnóstico surpreendente,
a mielite transversa é uma doença de natureza inflamatória e frequentemente se desenvolve a partir de infecções virais ou bacterianas, ou seja, uma doença neurológica rara que afeta as substâncias branca e cinzenta da medula espinal, bloqueando totalmente a passagem dos impulsos nervosos, o que determina os seus sintomas. Ela pode aparecer em qualquer idade e igualmente em ambos os sexos. Geralmente é aguda, embora possa também desenvolver-se lentamente. O nome “mielite” é derivado da palavra grega myelós que se refere à espinha dorsal e do sufixo “ite”, que indica inflamação (ABC.MED.BR, 2013).
Anterior a lesão medular, ele dizia ter muitas dores nas costas, sendo que já possuía hérnia lombar e cervical. Além disso, o sujeito tinha uma vida muito ativa trabalhando em uma borracharia, teve que deixar tudo de lado por causa das limitações físicas. O sujeito sempre encarou a vida com muita positividade, dizendo: “isso não é uma doença, se fosse câncer eu ficaria preocupado! Mas isso passa, não estou doente.”
Para maiores informações, desde o princípio o sujeito enfrentou muitas dificuldades, sendo a mais marcante a perda de um filho muito jovem, que em três dias de diagnóstico de leucemia veio a falecer. Para buscar ajuda, a família recorreu aos recursos psiquiátricos, pois a situação abalou a todos. Depois o casal teve uma filha que hoje tem 10 anos, e nota-se que possui um comportamento muito adulto pela idade atual, em que se deve as dificuldades familiares presenciadas.
Para auxiliar na recuperação da Mielite Transversa, eles buscaram ajuda em um Centro de Reabilitação em Giruá, realizando duas sessões semanais de fisioterapia por dois anos. Após isso, ele veio à Três de Maio com a esposa para fazer as sessões de fisioterapia em outra Clínica,
em que até hoje o trabalho é bem desenvolvido. O motivo pelo qual não realizaram mais o trabalho em Giruá, foi que tiveram liberação para fornecer o horário a outro indivíduo.
Ele era muito dependente para todas as atividades, usava fralda e sonda. Com o passar desses 3 anos, a medicação foi alterada, a fisioterapia ficou mais intensa devido o fortalecimento muscular conquistado, e agora com o treinamento funcional o trabalho está sendo mais completo para atingir os objetivos do sujeito e deixa-lo mais independente a cada dia. O crescimento dele perante aos exercícios está sendo notório, assim sendo, estamos conseguindo uma boa evolução para ele poder realizar suas tarefas diárias com mais vigor e a agilidade possível.
APÊNDICE 3
ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA
4. Quando o médico deu o parecer da doença, como você se sentiu a partir do diagnóstico da Mielite Transversa? Você pensou que logo passaria? Tinha noção?
5. Você recebeu o diagnóstico há 3 anos atrás. Comparando aquele tempo e atualmente, como você está se sentindo? Que aspectos melhoraram?
6. O que representou as aulas de treinamento funcional para você? Melhorou? Você se sente mais independente? Mais seguro para realizar as tarefas do cotidiano?
7. Quais as dificuldades que encontrou ao realizar os exercícios propostos? O que foi mais difícil para você?
APÊNDICE 4
TABELA DA PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO
MICRO 1 MICRO 2 MICRO 3 MICRO 4 MICRO 5
Preparação Movimento Agilidade e Velocidade Preparo Muscular CORE Potência DSE Tarefas de Transferência Regeneração Prevenção de Lesão
APÊNDICE 5
DIÁRIO DE BORDO
1ª aula 03/08
Agachamento: Realizado com o auxílio do espaldar e as duas mãos para fazer o movimento. Utilizou muita força nos membros superiores, perdeu a curvatura lombar, cansou muito rápido com poucas repetições e sentava completamente na cadeira. Abdução de quadril feita com a mini band mais leve “amarela”.
Coordenação: Em todos movimentos de puxar horizontal/vertical, empurrar horizontal/vertical faltou controle do thera band e o sujeito não manteve o controle da faixa nos movimentos. Além de não conseguir ter o controle e pisar em cima da bola de tênis para movimentá-la com os pés.
Estabilização de tronco: Exercício feito com a thera band, não conseguiu segurar a tração da faixa para todos os sentidos.
-Duas séries de 12 repetições cada exercício proposto. 2ª aula 06/08
Agachamento: Movimento realizado mais lentamente e com menor base, ou seja, o sujeito segurou no espaldar com menos dedos, realizando os movimentos bem controladamente (o movimento foi iniciado com o agachamento mais simples para o complexo).
Coordenação: Idem a primeira aula
Estabilização de tronco: Dificuldade para movimentar tronco sentado no chão com a fit ball, e para buscar um peso de dois quilos do chão também foi difícil. A coluna não se alinhava por não conseguir contrair o a região abdominal.
-Duas séries de 12 repetições cada exercício proposto. 3ª aula 10/08
Agachamento: Feito lentamente o movimento excêntrico e concêntrico com uma mão no espaldar, teve um pouco de dificuldade. Também teve um melhor controle do tronco nos agachamentos e em exercícios isolados. O treino de membros inferiores foi um pouco mais intenso e com menos intervalo (o movimento foi iniciado com o agachamento mais simples para o complexo).
Coordenação: Com exercício para o tronco de movimento e alongamento, pisando na bola de tênis no pé. Conseguiu realizar bem o movimento.
Estabilização de tronco: Dificuldade extrema em fazer o exercício do superman, que consiste em tirar do solo um dos membros superiores e um dos membros inferiores opostos e estabilizar. Além disso, dificuldade para buscar um objeto no chão que estava na frente do sujeito
-Duas séries de 12 repetições cada exercício proposto. 4ª aula 12/08
Agachamento: O sujeito pedalou dez minutos e no minuto final com um pouco de carga. Na sequência realizamos os agachamentos no espaldar com pausa ativa, ou seja, ele realizava o número de repetições estipuladas e ficava em pé como descanso, movimentava o tronco e os pés, assim se preparava para a sequência seguinte.
Coordenação: O que aconteceu de mais interessante, foi que ele conseguiu controlar sua perna esquerda, com o implemento da bola de tênis na sola do pé. O sujeito movimentou sozinho o pé, controlando muito bem e não perdendo o ritmo.
Estabilização de tronco: Trabalho de muita mobilidade articular para o tronco, juntamente com movimentos e estabilizações. Teve muita dificuldade em fazer extensão de tronco pela fraqueza muscular dos músculos paravertebrais.
-Duas séries de 12 repetições cada exercício proposto.
5ª aula 18/08
Agachamento: O indivíduo realizou o agachamento com carga de seis quilos e pedalou na bicicleta horizontal com uma pequena carga também. Além disso, teve o auxílio do cinturão para desestabilizá-lo nos movimentos durante a execução. Exercício muito bem controlado.
Coordenação: Controlou a bolinha no pé muito bem, o membro inferior direito movimentou bem controladamente e com bastante amplitude. Já o membro inferior esquerdo o movimento foi feito mais lento, com pouca amplitude e pouco tempo de execução. Com uma bola de plástico também foi realizado o movimento, tendo um pouco de dificuldade da mesma forma que a bola de tênis.
Estabilização de tronco: Trabalho de movimento com o auxílio do cross over. O indivíduo compensou na realização do exercício flexionando seu cotovelo, para auxiliar sua estabilização. Com uma carga leve o sujeito teve muita dificuldade em manter a polia estável para não ceder o movimento.
-Duas séries de 12 repetições cada exercício proposto. 6ª aula 19/08
Agachamento: Teve um desafio um pouco maior no agachamento. Utilizamos uma corda e passamos no glúteo do sujeito e no espaldar, assim ele deveria realizar o movimento soltando a corda. Faltou um pouco de confiança para “se soltar” (o movimento foi iniciado com o agachamento normal para aquecer).
Coordenação: Exercício para mobilidade de ombro e coordenação com a bola de tênis no pé de maior dificuldade. Os primeiros movimentos foram realizados com mais dificuldade, mas já conseguiu manter o controle e coordenar um pouco.
Estabilização de tronco: A fisioterapeuta do sujeito relatou para a Acadêmica Gabriela que