Acção VI.2.1 – Projectos regionais mobilizadores de desenvolvimento
QUADRO 7 SIFIDE e RF
3.4.3.4 Benefícios Fiscais Contratuais
O DL n.º 409/99, de 15 de Outubro, regulamenta os benefícios fiscais contratuais susceptíveis de concessão, ao abrigo do disposto no actual artigo 39º do EBF «Benefícios fiscais ao investimento de natureza contratual». “Trata-se de benefícios de natureza excepcional com carácter temporário, concedidos em regime contratual e limitados em função do investimento realizado” (preâmbulo do DL n.º 409/99, de 15 de Outubro).
Este regime aplica-se a projectos de investimento realizados até 31 de Dezembro de 2010 quando o respectivo objecto esteja contemplado nas actividades económicas descritas no n.º 2 do artigo 1º daquele DL, nomeadamente a actividades de I&D e de alta intensidade tecnológica (alínea e) do n.º 2).
Para ter acesso aos benefícios fiscais contratuais, os projectos têm de contemplar um investimento de montante igual ou superior a 4.987.978,97€ em aplicações relevantes120. São susceptíveis de enquadramento os projectos de investimentos que demonstrem ter viabilidade técnica, económica e financeira e que preencham cumulativamente algumas condições, nomeadamente “que sejam relevantes para o desenvolvimento dos sectores considerados de interesse estratégico para a economia nacional e para a redução de assimetrias regionais, induzam à criação de postos de trabalho e contribuam para impulsionar a inovação tecnológica e a investigação científica nacional”121.
Quando os projectos de investimento reunirem as condições para auferir deste regime, são concedidos às empresas promotoras os seguintes benefícios fiscais:
“a) Crédito de imposto122, utilizável em sede de IRC respeitante à actividade desenvolvida pelo promotor no âmbito do projecto de investimento;
120 São consideradas aplicações relevantes as despesas associadas ao projecto e relativas, nomeadamente, a
activo fixo incorpóreo afecto à realização do projecto, tais como despesas com I&D e despesas com patentes, licenças e alvarás. As aplicações relevantes devem ser contabilizadas como imobilizado das empresas promotoras dos investimentos.
121 N.º 1 do artigo 39º do EBF.
122 Nos termos do artigo 5º do DL n.º 409/99, de 15 de Outubro, este crédito de imposto corresponde a 5%
das aplicações relevantes do projecto efectivamente realizadas, sendo susceptível de majorações. O benefício fiscal resulta numa dedução em sede de IRC, efectuada de acordo com a actual alínea d) do n.º 2 do artigo 83º do Código do IRC. Esta dedução é feita na liquidação de IRC relativa ao exercício em que foram realizadas as aplicações relevantes. Caso não seja possível proceder à dedução integral, o montante remanescente pode ser deduzido até ao fim da vigência do contrato, cujo prazo máximo é de 10 anos.
b) Isenção total ou parcial de contribuição autárquica123 relativamente aos prédios utilizados na actividade desenvolvida pelo promotor no âmbito do investimento, condicionada ao reconhecimento pela competente assembleia municipal do interesse do mesmo para a região;
c) Isenção total ou parcial de imposto municipal de sisa124 relativa às aquisições pelo promotor de imóveis destinados ao exercício da sua actividade no âmbito do projecto de investimento, condicionada ao reconhecimento pela competente assembleia municipal do interesse do mesmo para a região;
d) Isenção do imposto do selo a que estejam sujeitos todos os actos ou contratos necessários à realização do projecto de investimento” (n.º 1 do artigo 4º do DL n.º 409/99, de 15 de Outubro).
No regime dos benefícios fiscais contratuais estão previstas majorações para o crédito fiscal, que podem ser atribuídas cumulativamente, nomeadamente as seguintes:
majoração de 5% no caso das actividades de I&D, nos termos do disposto no n.º 3
do anexo I do DL n.º 409/99, de 15 de Outubro;
majoração de 3% no caso de o projecto se localizar numa região elegível nos
termos do anexo II do DL n.º 409/99, de 15 de Outubro;
majoração até 5% relacionada com o número de postos de trabalho que a empresa
promotora do projecto de investimento cria e que mantém até ao fim da vigência do contrato;
majoração até 2% atribuída no caso de o projecto ter um contributo relevante,
mormente “para a inovação tecnológica (...) o desenvolvimento e revitalização das PME nacionais ou a interacção com as instituições relevantes do sistema científico nacional” (n.º 3 do artigo 5º do DL n.º 409/99, de 15 de Outubro).
123 Nos termos do n.º 1 do artigo 31º do DL n.º 287/2003, de 12 de Novembro, a contribuição autárquica é
substituída pelo Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI). O Código do IMI entrou em vigor no dia 1 de Dezembro de 2003 (n.º 1 do artigo 32º daquele DL).
124 Nos termos do n.º 3 do artigo 31º do DL n.º 287/2003, de 12 de Novembro, o imposto municipal de sisa
foi substituído pelo Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT). O Código do IMT entrou em vigor no dia 1 de Janeiro de 2004 (n.º 3 do artigo 32º daquele DL).
Para além destas majorações, há ainda a referir a majoração até 5%, a atribuir pelo Conselho de Ministros, a projectos de investimento de reconhecida relevância excepcional para a economia nacional, desde que respeite o limite total de 20% das aplicações relevantes.
Os benefícios fiscais contratuais não são cumuláveis com outros benefícios da mesma natureza para o mesmo projecto de investimento.
O quadro 8 apresenta, de forma sintética, os aspectos mais importantes dos Benefícios Fiscais Contratuais.
QUADRO 8
Benefícios Fiscais Contratuais
Diploma Período de vigência Incentivos Limites insuficiência Em caso de de colecta DL n.º 409/99, de 15 de Outubro. Projectos de investimento realizados desde 1 de Janeiro de 1999 até 31 de Dezembro de 2010, por um prazo de até 10 anos.
Crédito de imposto de 5% das aplicações relevantes
do projecto efectivamente realizadas, considerando- se para efeitos de atribuição deste crédito a parte da matéria colectável imputável ao projecto de investimento, susceptível das seguintes majorações (as quais podem ser atribuídas cumulativamente):
majoração de 5% no caso de se tratar de actividades de I&D;
majoração de 3% no caso de o projecto se localizar numa região elegível;
majoração até 5% relativa ao número de postos de trabalho que a empresa promotora cria e mantém até ao fim da vigência do contrato;
majoração até 2% no caso de o projecto de investimento ter um contributo relevante, nomeadamente para a inovação tecnológica;
majoração até 5% no caso de projectos de investimento de reconhecida relevância excepcional para a economia nacional.
Isenção total ou parcial de IMI relativamente aos
prédios utilizados na actividade desenvolvida pelo promotor no âmbito do investimento.
Isenção total ou parcial do IMT relativamente às
aquisições realizadas pelo promotor de imóveis destinados ao exercício da sua actividade no âmbito do projecto de investimento.
Isenção do imposto de selo a que estejam sujeitos
todos os actos ou contratos necessários à realização do projecto de investimento. Investimento mínimo do projecto ≈4.987.978,97€; Os benefícios não podem ultrapassar o limite de 20% do montante das aplicações relevantes. Caso não seja possível proceder à dedução integral do crédito fiscal, o montante remanescente pode ser deduzido até ao fim da vigência do contrato que tem período de vigência até 10 anos.