Eu não tinha meios de avaliar se a conferência estava indo bem ou não. Nenhum de nós tinha. Não compreendíamos boa parte do que os partici- pantes diziam, e mesmo que compreendêssemos, não sabíamos exatamente o que estava sendo discutido. Assim, meu único critério era a quantidade de gritos. E gritos não faltavam. Eu estava com dor de cabeça. Por causa dos gri- tos, por ter que passar três horas e meia sem beber água e por muitas outras coisas também. De modo que saí do Salão Liliuokalani me sentindo mal e com um aspecto pior ainda, caminhando com aquele andar trôpego, que é o favo- rito do meu chefe, e o sol de Maui me atingiu em cheio no rosto. Fechei os olhos. Cambaleei. Nessa hora, meu chefe murmurou: “Te vejo mais tarde”, e me deixou sozinho. Era sempre assim: ele chegava de repente e saía mais de repente ainda.
De modo que eu tinha algum tempo de folga. A primeira coisa que fiz, é claro, foi dar uma mijada. A gente faz isso sempre que pode, para não perder a chance; é uma das primeiras coisas que se aprende. Depois, fui para a piscina. Marc Socul estava vindo na minha direção. Se eu tenho um amigo de verdade entre as pessoas que estão hospedadas no Motel Makele — ami- go homem, pelo menos —, esse amigo é Marc. Mas ele passou por mim sem dizer palavra, coleando como um mímico imitando serpentes; não adiantava falar com ele e eu nem tentei.
Estava quente lá fora, ao sol. Havia cento e quarenta de nós no motel, mas seria impossível adivinhar olhando para os poucos freqüentadores da pis- cina. Quando não estamos trabalhando, preferimos dar o fora e nos esconder- mos em outro lugar, pelo menos nas primeiras semanas. O Motel Makele fica na encosta de uma montanha e tem forma de U, com os quartos construídos em vários níveis descendo em direção ao mar e as alas do edifício cercando as palmeiras, a piscina, o sun deck, o regato sinuoso e os postes com lampiões a querosene que ainda acendem com tochas todas as noites, batendo a hora em um tambor enquanto os empregados correm de lampião para lampião. As coisas não mudaram muito desde o tempo em que o motel estava aberto ao público, o tempo em que os turistas pagavam cento e sessenta dólares por dia pelos quartos e lanais e mais ainda no bar. Para nós, sai de graça. Especialmen- te o bar, já que ele foi fechado. Eu tinha esperança de encontrar Lois perto da piscina, mas ela provavelmente estava ocupada — ou pelo menos ausente —, de modo que me sentei em uma espreguiçadeira e tirei o roupão para pegar um pouco de sol. A única coisa que eu esperava mesmo ganhar com tudo aquilo era um bronzeado.
— Olá, Ben, que tal a gente jogar um bridge?
Alice é uma senhora muito simpática, mas tem mais de setenta anos e não fica bem de maiô cavado. Além disso, não me sinto à vontade jogando cartas com ela. É uma jogadora de cartas profissional, que depois de se apo- sentar como professora de matemática da Geórgia Tech resolveu desafiar os carteadores de vinte-e-um em Las Vegas. E se deu tão bem que um cassino resolveu contratá-la. De modo que recusei o convite, como ela já esperava. Alice teve que se contentar com um jogo de gamão com a pobre Elsa McKee, nossa mais recente aquisição.
Uma sombra caiu sobre mim.
Dei um pulo, virei-me para trás e berrei: — Não faça isso!
Respirei, aliviado. Era apenas Arnold, um dos nossos médicos. Tudo o que queria era me examinar, mas não precisava ter me assustado.
— Desculpe — disse ele. Provavelmente estava sendo sincero. — Ago- ra fique quieto. — Auscultou-me com o estetoscópio, tomou-me o pulso e me puxou uma pálpebra para examinar as veias arrebentadas. — Como está se sentindo, Ben?
— Morto de fome — respondi ao acaso.
Ele fez que sim com a cabeça, estalou os dedos para chamar o garçom da piscina e disse que estava tudo em ordem comigo. Para ver o quanto ele sabe. Arnold na verdade não gosta muito de nós. Nem os garçons, nem as arrumadeiras, nem os guardas — para falar a verdade, acho que nós mesmos não gostamos tanto assim uns dos outros —, mas é claro que têm medo de que alguma coisa errada aconteça conosco. Quando o garçom se aproximou para me mostrar o cardápio, pude ver que o pobre-diabo estava tremendo.
O cardápio tinha mais de um metro de comprimento e tinha sido im- presso em um material macio como pelúcia. Tentei segurá-lo de um jeito que o sol não me ofuscasse, enquanto examinava os pratos oferecidos. Todos pa- reciam muito bons.
Uma peculiaridade da minha vida é que quase sempre consigo tudo o que quero, mas ou não consigo tirar vantagem das coisas que consigo ou deixo imediatamente de querê-las. Aquele era um exemplo da Categoria A. Antes de ser contratado, eu era um compilador de manuais técnicos em uma firma de eletrônica de Redondo Beach. Vinte e dois mil dólares por ano quando estava trabalhando, o que não era sempre, e uma hipoteca de noventa mil dólares para pagar. Um grande programa de sábado à noite para mim era comer unhas de caranguejo do Alasca no Red Lobster Inn mais próximo. E ali estava o gar-
çom, me oferecendo o cardápio pessoal do Sr. Luculo: pato assado, mahimahi, Chateaubriand, e tudo de graça... de graça! Vivemos como nababos, nós, os servos das estrelas, só que se eu pedisse uma iguaria, talvez não tivesse tempo de comê-la. De modo que perguntei se havia algum prato já pronto.
— Rosbife com purê de batata e salada — disse o garçom, sem me olhar nos olhos. Com medo do que pudesse ver.
Fez menção de ir embora, mas eu disse que aquilo mesmo estava bom, com um copo de suco de laranjas frescas. O médico, que estava testan- do os reflexos de Elsa, batendo de leve no seu joelhinho delicado, levantou a cabeça e fez um sinal de aprovação. Arnold está sempre insistindo para que a gente tome vitaminas. Ele me convenceu de que estava certo no dia em que Jack Marcantonio caiu duro bem no meio de uma sessão de gritos no Salão Sândalo com outro participante da conferência. Saiu da sala carregado. Arnold me contou depois que ele chegou morto ao hospital. Jack estava se alimen- tando quase que exclusivamente de bourbon, e foi pouco depois disso que fecharam o bar.
Digitei o número do quarto de Lois no telefone da piscina; ninguém atendeu, de modo que voltei a trabalhar no meu bronzeado. Minha intenção era tirar um cochilo, mas, do outro lado da piscina, Walter e Felice não me deixavam dormir. Não, Walter não tinha culpa. Felice era a culpada. Os dois estavam deitados em esteiras de palha, de bruços, com os lábios quase se tocando, e Felice estava usando um biquíni azul. Para qualquer lugar que eu olhasse, via o traseiro dela, e isso me fazia pensar em como seria bom se Lois aparecesse para a gente dar um mergulho rápido na piscina e depois subir para um dos nossos quartos e esquecer o que estávamos fazendo com as nos- sas vidas. Um dos soldados que guarneciam o ninho de metralhadora também estava olhando para Felice. Quando seus olhos se cruzaram com os meus, fez cara feia, como se tivesse ciúme de nós. Ciúme de nós! Ele era novo ali. No final da semana, não estaria mais com ciúme. Se ficasse tanto tempo. Não de- via nem estar olhando na nossa direção. Devia estar nos protegendo contra os patriotas ou guerrilheiros da Terra, para impedir que tentassem interromper as negociações, e se o tenente o apanhasse olhando para as garotas, estaria em maus lençóis.
O engraçado é que o soldado não estava olhando para Elsa, que estava muito mais próxima e com um biquíni igualmente sumário. Acho que uma mulher chorosa não é considerada um objeto sexual.
— Preste atenção no jogo — advertiu Alice, mas Elsa não estava em condições de atendê-la. E não a culpo. Estava no meio da lua-de-mel quando
foi convocada, e não deixaram que o marido viesse com ela. Elsa é baixa, es- guia, bonitinha e muito, muito jovem. O cabelo é castanho com reflexos dou- rados e ela o usa curto. O cabelo balança de um lado para o outro quando ela mexe a cabeça. Aposto que aquele penteado representou um investimento de setenta e cinco dólares no salão de beleza, na véspera do casamento, e agora estava sendo desperdiçado conosco. — Deixe pra lá — disse Alice, inclinando o tabuleiro de gamão e fazendo todas as peças escorregarem para uma das ex- tremidades antes de se voltar para mim. — Ben! Sabe o que discutiram hoje? — A mesma coisa. Minérios. Principalmente de radionuclídeos... eles estão interessadíssimos em qualquer coisa radioativa.
Ela fez que sim com a cabeça, como se aquilo fizesse sentido. Talvez fizesse mesmo, mas não para mim. Naquelas sessões de negociação, compre- endo apenas uma pequena parte do que é dito, mesmo que saia da minha própria boca. Que é que eu sei a respeito do cúrio, do amerício ou do car- bono-14? Talvez seja melhor assim. Às vezes acho que os patriotas da Terra é que estão certos, e se eu soubesse a verdade sobre os acordos que estão sendo firmados no Salão Liliuokalani, pegaria um revólver e tentaria tomar de assalto o Motel Makele. Se o chefe me deixasse, é claro. Mas é claro que ele não me deixaria.
Elsa tinha parado de chorar por um tempo, o suficiente para olhar para a porta de entrada do motel.
— O que é aquilo? — perguntou, referindo-se a cinco pessoas vestidas como se estivessem em Boston ou Chicago que olhavam, apreensivas, para a piscina e para os guardas armados. O gerente do motel estava tentando consolá-las, mas sem muito sucesso.
— Parabéns, Elsa — disse eu. — Você agora já é uma veterana. Era esse o nosso aspecto quando chegamos aqui. Eles pertencem à nova geração de recrutas.
Teria sido um ato de caridade dirigir-me a eles, dar-lhes as boas-vin- das, procurar fazer com que se sentissem menos solitários, menos indefesos. Mas por que iria mentir para eles? Além disso, meu almoço estava chegando. Aliás, dois membros da nossa alegre família já se encaminhavam para eles, se bem que não fosse para lhes dar as boas-vindas. Estavam ocupados. Caminha- vam juntos, de mãos dadas, gritando um no ouvido do outro. Alice amarrou a cara por causa do barulho que estavam fazendo, e o garçom, chegando com a minha comida, deu uma volta maior para evitá-los. Seus nomes eram Greg e Júlio. Eu disse que estavam “caminhando”, mas na verdade Greg pulava como um coelho e Júlio rastejava no chão como um gato de duas pernas. Ou como
Groucho Marx. Estavam indo na direção de uma daquelas palmeiras que pa- reciam uma peruca verde no alto de uma alcachofra, e, como não estavam olhando para a frente, Júlio não se desviou. Bateu de cara na palmeira. Ainda estava falando; e continuou a falar enquanto Greg o ajudou a levantar-se e os dois prosseguiram o passeio, embora o rosto de Júlio estivesse sangrando. Os recém-chegados assistiram à cena, horrorizados, e depois voltaram para o saguão.
Mas eu tinha que pensar no meu almoço. O suco de laranja estava ótimo. O rosbife estava gostoso, também, mas quando o garçom começou a servi-lo Alice se levantou de um salto, derrubando o tabuleiro de gamão, e correu para uma das salas de reuniões do motel, agitando os braços. O garçom saiu da frente, branco de susto. Elsa ficou por alguns momentos de boca aber- ta e depois começou a chorar. Grossas lágrimas escorreram pelo seu rosto. Levantou-se e saiu correndo na direção oposta, de volta para o seu quarto. Mas não havia nada de estranho na sua forma de andar. Era Elsa, mesmo, só que triste e assustada. E ali estava eu, sozinho à beira da piscina de um milhão de dólares, comendo meu almoço de cinqüenta dólares do lado de fora do meu quarto de duzentos dólares por dia e pensando se, afinal de contas, o suicídio não seria a melhor solução.
Era um pensamento que já me havia ocorrido antes. Ele me ocorrera, na verdade, minuto sim, minuto não, desde o momento em que eu desligara o noticiário das onze da noite, vestira o pijama, escovara os dentes em frente ao espelho do banheiro... e vira que uma outra pessoa estava olhando através dos meus olhos sonolentos. O que aconteceu em seguida aconteceu total- mente contra a minha vontade. Digitei um número de DDD que eu não sabia que sabia. Vesti um sobretudo por cima do pijama e esperei cinco minutos, não mais que isso, até que uma ambulância de Long Beach me pegou em casa e um motorista nervoso me levou até um heliporto, de onde fui levado para o aeroporto de Los Angeles, onde peguei um jato para o Havaí, onde fui levado de carro para o motel. Deixei uma vida inteira na Califórnia. Três garotas com quem estava saindo. Danças folclóricas toda quinta-feira à noite. Prestações do carro, a hipoteca, um manual inacabado para uma nova calculadora de bol- so e as palavras cruzadas do jornal de domingo pela metade. Não tive chance nem de me despedir. De modo que meus pensamentos quase sempre são tristes. Menos quando penso em Lois. Estava brincando com o resto do rosbife quando a ouvi chamar o meu nome.
Levantei-me de um salto e ela correu para os meus braços. Lois não é como aquelas três garotas da Califórnia. Não acho que teria saído com ela
lá, não tanto porque ela é negra como porque é magra, pelo menos dez anos mais velha do que eu e meio feiosa de rosto. Mas ali, na bela Maui, Lois tinha uma grande vantagem. Quando fazíamos amor, depois que fazíamos amor, era ela que eu abraçava com força enquanto admitíamos um para o outro como nos sentíamos mal.
— Está com fome? — perguntei a ela. Ela me respondeu só com o jeito como olhou para mim, sorrindo, e eu falei: — No seu quarto ou no meu?
Não precisava ter perguntado. Eu sabia a resposta. A resposta era “no mais próximo”. Com a mão livre, peguei dois pães, para o caso de Lois estar com fome, e saímos dali abraçados.
Foi então que o chefe murmurou: — Agora.
O efeito foi instantâneo. Deixei cair os pães. Pisei neles enquanto me virava. Senti os nós dos meus dedos roçarem no cotovelo de Lois, que tinha demorado um pouco para sair da frente, mas não olhei para ela. Estava olhan- do na direção para onde meu nariz apontava, na direção para onde estava andando com aqueles passos rápidos e mecânicos de marionete, na direção do Salão Liliuokalani.
Existe um livro sobre um menino chamado Curdie. Li esse livro quan- do era pequeno. Curdie passava o tempo todo nas profundezas das minas da Alemanha, penso eu, ou outro país qualquer, sendo perseguido por estranhos duendes, gnomos, criaturas malvadas de todos os tipos. Para um menino de cinco anos, esse tipo de leitura só podia dar no que deu: toda noite eu tinha um pesadelo sobre as coisas que tinha lido. Na época, não podia imaginar que me tornaria um dos gnomos.
Porque era isso que nós todos éramos. Arrepiantes e espasmódicos. Frenéticos ou simplesmente grotescos. Caminhávamos do jeito que nossos chefes caminhavam. Coleávamos, contorcíamo-nos, sibilávamos ou gritáva- mos uns para os outros. Olhava para meus companheiros no salão ou nas sa- las de reuniões, quando estávamos decidindo sobre as prioridades para as remessas ou qualquer outro assunto. Eles estavam com um aspecto horrível. Eu também devia estar É difícil explicar como você se sente violentado quando um chefe qualquer se apossa do seu corpo, que a sua mãe criou amorosamen- te para você, e da sua mente, que você encheu com um milhão de memórias, e da sua boca, que você sempre usou para dizer o que o seu coração está sentindo. Não é o seu coração que está falando agora. É o coração de outra pessoa, ou de outro ser, provavelmente um ser que nem tem coração no seu
planeta natal, mas não passa de um aglomerado de pólipos de metal pesado no fundo lamacento de um mar de amônia, ou uma geléia de halogênio em algum pântano venenoso. Na outra noite, quando Lois estava tendo um dos seus ataques histéricos diários, gritou que era como se estivesse sendo estu- prada pela Quinta Divisão Blindada, com tanques e tudo. Não é cruel. É muito pior do que isso.
Suponho que no passado o Salão Liliuokalani tenha tido sua cota de casamentos, convenções e bar-mitvahs, ou o que quer que tenham aqui em Maui que se pareça com um bar-mitzvah, e aposto que tudo isso era mui- to mais divertido do que as sessões da conferência. Os funcionários do hotel se esgueiram o tempo todo, tentando não atrair a atenção enquanto tiram a poeira das mesas e recolhem o lixo — e coisas piores do que lixo —, porque as sessões são ininterruptas. O dia inteiro, todos os dias. Eram três da tarde quando cheguei ao salão, mas à meia-noite teria sido a mesma coisa. Entrei direto na discussão. Com o meu chefe é assim. Nada de preliminares; você quer logo saber qual o planeta que vai receber o próximo carregamento de rejeitos militares de alto nível, ou quem está disposto a ceder uma carga de combustível queimado de uma usina nuclear em troca do direito de revirar o fundo do Atlântico em busca de barris que foram jogados lá há muitos anos.
Como se eles fossem donos daquilo!
Dizem que, ao recolher todos esses perigosos rejeitos radioativos, eles estão nos fazendo um favor, porque não sabíamos o que fazer com eles. O plano deles é simples. Vão mandar tudo para Bornéu. Por que Bornéu? Porque Bornéu fica no equador, e é lá que estão construindo a catapulta de lança- mento, que vai colocar a carga em órbita da Terra, até ser colocada a bordo das naves movidas a vela fotônica e transportada para onde os alienígenas desejam. Quando falam à raça humana em uma das suas raras declarações públicas, sempre observam que, na verdade, estão sendo extremamente cari- dosos. Não temos muita coisa para oferecer-lhes, argumentam. O sistema de lançamento que estão construindo é muito dispendioso (acontece que está sendo pago pelo governo da Terra!). A única razão pela qual estão fazendo isso (pelo menos, é o que dizem) é que querem nos dar uma mão, acelerar nosso desenvolvimento intelectual e tecnológico para que nos tornemos tão bons quanto eles.
Talvez seja verdade. Entretanto, não parecem estar com pressa. Al- gumas das cargas que enviaram vão levar mais de mil anos para chegar ao destino, porque as naves movidas a vela fotônica não são muito rápidas. Eles não se importam. Têm tempo de sobra. E nos dizem que quando as remessas
começarem a chegar, nós, desprezíveis seres humanos, já estaremos suficien- temente educados para nos integrarmos à comunidade galáctica. Que dia glo- rioso! Que data histórica para a humanidade! A partir daí, o comércio passará a ser bilateral. Eles nós mandarão naves e mais naves recheadas de maravilhas tecnológicas... Imagino que foi isso que o Capitão Bligh disse aos taitianos de- pois de surrupiar a fruta-pão dos nativos.
Por outro lado (é o que diz o meu amigo Marc), temos que admitir que eles nos fizeram um favor. A velha Terra estava mesmo em uma situação assus- tadora, com cinqüenta mil ogivas nucleares apontadas para cinquenta mil ou- tras ogivas nucleares, todas prontas para disparar a qualquer momento. Uma