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2.2 BIBLIOTECA ESCOLAR

2.2.2 Biblioteca Escolar e o perfil do profissional da informação

O trabalho do profissional da informação no contexto escolar vai além da organização do acervo e do provimento do acesso; ele deve assumir a função de educador, auxiliando os estudantes na ampliação dos conceitos apreendidos em sala de aula, contextualizando e incentivando a busca de informações complementares por conta própria. Para Válio, “Se a biblioteca escolar tem a função de contribuir para a formação de cidadãos, o papel do

bibliotecário escolar seria facilitar tal aprendizagem pra cada estudante” (VÁLIO, 1990, p.21). Kulthau também descreve o papel do profissional de biblioteca: “O papel do bibliotecário em uma escola da sociedade da informação não é apenas fornecer grande quantidade de recursos informacionais, mas também colaborar com os professores como facilitadores e treinadores no processo de aprendizagem em tais recursos” (KUHLTHAU, 1999, p.10).

Segundo Côrte e Bandeira, o perfil do bibliotecário escolar engloba as seguintes competências:

- possuir curso de biblioteconomia, conforme a lei n. 4084/02 - ser um investigador permanente

- possuir atitudes gerenciais proativas - possuir espírito crítico e bom senso - ser participativo, flexível, inovador, criativo

- facilitar a interação entre os membros da comunidade escolar - possuir capacidade gerencial e administrativa

- possuir capacidade de comunicação e relacionamento interpessoal - saber que a informação é imprescindível à formação do aluno - dominar as modernas tecnologias da informação

- estar em constante questionamento - estar atualizado na sua área de atuação

- ter consciência de que o usuário é seu fim último

- saber que a informação é imprescindível à formação do cidadão - reconhecer sua profissão como um agente de transformação social

- ser um leitor crítico, que distingue, no momento da seleção e da indicação de livro, a literatura infantil e juvenil que é de qualidade

(CÔRTE; BANDEIRA, 2011, p. 15).

Com relação à primeira competência apontada, é preciso dizer que não é possível ignorar o impacto que a falta de planejamento para contratação de bibliotecários para escolas (e de concursos públicos, para escolas públicas) provoca na alocação de professores nas salas de leitura e bibliotecas escolares do país. O pequeno número de profissionais formados pela área

anualmente (cerca de 1.80012) também impacta sua alocação, pois o mercado possui forte atrativo para as instituições de Ensino Superior, para centros de documentação, e para instituições públicas, mediante concursos.

Desta forma, é comum que o cargo de mediador de leitura e responsável pela biblioteca escolar seja atribuído à profissionais do corpo docente. O docente que assume o cargo, em geral, não foi preparado para a função, tanto nas tarefas técnicas (correta preparação e organização do acervo) quando nas tarefas socioculturais (mediação de leitura, desenvolvimento de atividades específicas em competência de informação e leitura no ambiente da biblioteca):

Está claro que a personalidade do professor e, particularmente, seus hábitos de leitura são importantíssimos para desenvolver os interesses e hábitos de leitura nas crianças; sua própria educação também contribui de forma essencial para a influência que ele exerce. Infelizmente o treinamento do professor no período de sua formação e quando já no exercício da profissão, na maioria dos países, não dá ao papel desempenhado pela leitura a mesma atenção que dá ao ensino da ortografia ou da composição (BAMBERGER, 1988, p.75).

Assim, o professor responsável pela biblioteca, sala de leitura ou mediação em leitura em sala de aula, deve buscar cursos complementares e estudos independentes que o auxiliem no desenvolvimento das competências necessárias ao empreendimento no cargo.

A IFLA também apresenta as competências consideradas necessárias ao bibliotecário escolar:

- analisar os recursos e as necessidades de informação da comunidade escolar - formular e implementar políticas para o desenvolvimento de serviços - desenvolver políticas de aquisição e sistemas para os recursos da biblioteca - catalogar e classificar materiais da biblioteca

- oferecer instrução no uso da biblioteca

- capacitar professores e alunos no conhecimento e uso da informação

- prestar atendimento a estudantes e professores no uso dos vários recursos da biblioteca e das tecnologias de informação

- responder a questões de referência e informação, utilizando materiais apropriados - promover programas de leitura e eventos culturais

12Levantamento para o Guia de Profissões. Disponível em: < http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/guia-de-profissoes/biblioteconomia/4edcfaef00e467e72300000b.html>. Acesso em: abr. 2016.

- participar do planejamento de atividades relacionadas à implementação do programa escolar

- participar do preparo, da implementação e avaliação de atividades de ensino - promover a avaliação dos serviços da biblioteca escolar, como parte integrante do sistema geral de avaliação da escola

- efetuar parcerias com organizações externas - preparar e implementar orçamentos - desenvolver planejamento estratégico

- gerenciar e promover treinamentos da equipe da biblioteca (IFLA/UNESCO, 2005, p.14).

As funções educacional, social e cultural são reunidas sob um mesmo espaço e responsabilidade de forma ainda mais latente do que em outros tipos de biblioteca, devido ao caráter intrínseco de formação cidadã e acadêmica do ambiente escolar. É esperado do agente de leitura que desempenhe o papel de mediador, enquanto auxilia os professores no desenvolvimento das habilidades de pesquisa e uso da informação; e ainda que apresente sensibilidade para perceber as necessidades e dificuldades de seu público. A maioria das qualificações supracitadas são intrinsecamente ligadas à competência em informação do profissional, sendo essas duas facetas (perfil esperado e nível de competência em informação almejada), por vezes, indiscerníveis entre si.

Assim, podemos divisar que a biblioteca apresenta características distintas, de acordo com o público alvo, os objetivos listados para aquela comunidade e a forma como suas práticas são abordadas. Os Faróis do Saber podem ser inseridos em duas classificações de bibliotecas, a Biblioteca Pública, estritamente, e a Biblioteca Escolar, dependendo de sua localização física e das parcerias que realiza.