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3 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO

3.2 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO E O PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO 50

desenvolvimento de aptidões para processamento de informação requer habilidades específicas de entendimento e uso dessas ferramentas (MOSELEN; WANG, 2014). Presume-se que o profissional cujo labor relaciona-se com guarda, uso e disseminação da informação apresente determinadas características que o capacitem no cumprimento de seus objetivos. Segundo Miranda,

A competência profissional é um processo de ativação de recursos, de reunião de condições favoráveis à realização e de superação dos possíveis obstáculos. É a tomada de iniciativa e o assumir responsabilidade, por parte do indivíduo, sobre problemas e eventos que ele enfrenta em situações profissionais, referindo-se a recursos que possuímos ou adquirimos e que sabemos como colocar em ação em uma situação prática (MIRANDA, 2006, p.107).

Farias e Vitorino (2009) classificam as competências do profissional bibliotecário em quatro dimensões: técnica, em que a realização do ofício na biblioteca seja realizada com determinação e consciência; estética, onde a sensibilidade, criatividade e apreciação sensorial são consideradas estímulos à prática profissional; política e ética, dizendo respeito à participação na construção da cidadania dentro de princípios morais e para o bem-estar coletivo. Dudziak (2001, p.61) aponta seis facetas de que a competência em informação é formada: o processo investigativo, o aprendizado ativo, o aprendizado independente, o pensamento crítico, o aprender a aprender, e o aprendizado ao longo da vida. É evidenciado que essas competências não são processos estáticos, mas sequências gradativas de saberes complementares que devem ser alimentadas.

Rasteli e Cavalcante (2013), baseados em diversos autores, compilaram um rol de competências consideradas necessárias ao bibliotecário que atua em bibliotecas públicas, especialmente como mediador de leitura; são as seguintes:

a) ser leitor ativo;

b) conhecer as teorias da leitura;

c) valorizar as narrativas orais (mediação oral da leitura); d) viabilizar o acesso à informação em seus diferentes suportes;

e) desenvolver a advocacy (processo político de incentivar políticas e orçamentos públicos, através da visibilidade e participação da instituição solicitante) em biblioteca pública;

f) conhecer as políticas públicas para o livro e a leitura; g) estar atento às multiplicidades culturais;

h) estabelecer relações afetivas com o leitor; i) trabalhar em equipe;

j) estabelecer parcerias;

l) conhecer e utilizar ferramentas da web 2.0; m) buscar a educação continuada.

Essas aptidões devem ser desenvolvidas, e uma das vias para tal é o investimento em educação continuada, onde o profissional, baseado na listagem de competências apresentada, identifica as lacunas em seu perfil técnico e busca supri-las adequadamente. Além disso, a experiência e as atividades cotidianas no ambiente da biblioteca possibilitam a evolução das competências através da prática diária.

A competência em informação é um conjunto de habilidades que auxilia o indivíduo a desenvolver sua aptidão em buscar e tornar útil as informações a que tem acesso. As atribuições do agente de leitura o compelem a desenvolver essas perícias de forma a maximizar a eficiência de seu trabalho junto à sua comunidade.

4 METODOLOGIA

O projeto do Farol do Saber em Curitiba foi proposto para suprir três lacunas nas prioridades de acesso público à informação: suprir a comunidade de bibliotecas suficientes para disseminação democrática da informação; dotar as unidades municipais de educação de bibliotecas; e oferecer acesso digital gratuito. Para obter êxito em tais objetivos, a Secretaria responsável efetuou seu planejamento focando no espaço físico, no acervo oferecido, nos equipamentos de informática, e, em especial, na alocação de profissionais preparados para lidar com os diferentes aspectos do trabalho proposto. Devido à escassez de profissionais bibliotecários no mercado em Curitiba, especialmente após o fechamento do curso de biblioteconomia na cidade, a Secretaria Municipal de Educação decidiu recrutar e alocar professores municipais para o cargo de agente de leitura.

Considerado um projeto de sucesso e com expressiva longevidade, se comparado a outros projetos brasileiros acerca de bibliotecas, o Farol do Saber constitui um excelente objeto de estudo (apesar disso, poucas pesquisas acadêmicas foram efetuadas sobre o tema13). As principais questões propostas na presente pesquisa visam a formulação de um perfil da instituição e a conhecer aspectos da atuação profissional, da competência em informação e das opiniões do ponto de vista dos profissionais responsáveis. O que é o Farol do Saber? Quem são os responsáveis pela sua manutenção? Como ele atua junto à biblioteca e à comunidade? Qual é o perfil esperado para os profissionais que conduzem as atividades previstas? Qual é o perfil real dos profissionais hoje empregados? Qual é a opinião destes profissionais acerca de seu trabalho?

A partir das questões levantadas, foi delineado o objetivo principal do trabalho de pesquisa: trazer visibilidade ao programa dos Faróis do Saber da cidade de Curitiba (Paraná), através da apresentação da instituição (histórico, atuação e organização atual) e dos profissionais que a integram (perfil, prática profissional e competências).

13 A tese “A relação entre lugares e não-lugares na cidade: um estudo da apropriação do serviço de acesso à internet nos Faróis do Saber de Curitiba”, de Karin Sylvia Graeml, apresentada no Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento da Universidade Federal do Paraná; e a monografia de especialização “O projeto Farol do Saber e a formação de leitores”, de Silvana do Carmo S. Moreira, apresentada no Curso de Especialização em Linguística Aplicada ao Ensino de Língua Portuguesa da Universidade Federal do Paraná. A tese “Farol da Educação e os desafios da formação de leitores no Maranhão”, Cristiane Dias Martins da Costa, apresentada no Doutorado em Educação da Universidade Federal de Minas Gerais apresenta um capítulo sobre os Faróis do Saber de Curitiba.

Os Faróis do Saber da cidade de Curitiba são mantidos conjuntamente pela Secretaria Municipal de Educação e pela Gerência de Bibliotecas e Faróis do Saber. Dentre as 193 bibliotecas da Rede Municipal, 44 são qualificadas como Faróis do Saber (a lista completa dos Faróis e sua distribuição geográfica está disponível no Apêndice A). Além de uma entrevista com o gestor responsável pela GBSF, um questionário foi aplicado aos agentes de leitura responsáveis pelos Faróis. Esses agentes responsáveis pelos faróis foram definidos como população alvo do estudo.