Projetada pelo arquiteto Décio Tozzi, a edificação da Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL) inicialmente seria ocupada por um centro de referência em educação ambiental, no entanto não chegou a ser concretizada e dessa forma, a construção foi modificada e seu interior projetado pelo designer Marcelo Aflalo para se tornar a biblioteca parque.
A BVL tem como conceito a multidisciplinaridade ao apresentar ambientes que propiciam atividades diversas integradas com a leitura e a interação entre os frequentadores, com isso se tornando um modelo de biblioteca viva.
Figura 10 – Fachada da BVL.
Fonte: Prefeitura de São Paulo.
Localizada dentro do parque Estadual Villa-Lobos, no distrito de Alto de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, capital, a edificação se tornou um exemplo de revitalização urbana ao
ser construída na antiga área de depósito de resíduos da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (CEAGESP).
Mapa 17 – Mapa localização BVL.
Fonte: Google Maps, modificado pelo autor.
No entorno imediato da BVL há um playground, uma área para cães e o Orquidário Ruth Cardoso que projetado pelo mesmo arquiteto, apresenta forma arquitetônica distinta a da biblioteca, porém materialidades semelhantes: concreto, aço e vidro. As edificações e espaços livres inseridas no interior do parque são conectados por caminhos e ciclovias que possibilitam o fluxo de pedestres contínuo entre os locais.
Figura 11 – Planta setorização Parque Villa-Lobos.
Fonte: ArchDaily, modificado pelo autor.
Figura 12 – Vista Orquidário Ruth Cardoso e BVL.
Fonte: vídeo “Orquidário Ruth Cardoso onde é primavera o ano inteiro” Youtube.
Com uma de suas fachadas voltadas à marginal Pinheiros, a região de inserção da biblioteca é rica em infraestruturas diversas sendo predominantemente residencial com a presença de vários condomínios, escolas e centros de formação. Na fachada principal do parque passa o Rio Pinheiros e paralela à sua marginal a Raia Olímpica da USP destinada a prática de remo e canoagem. Mesmo com a presença de outras praças próximas ao parque Villa-Lobos, o local onde a BVL está localizada se destaca diante a sua inserção urbana, ao ser uma extensa área verde em meio a uma região populosa.
Mapa 18 – Usos predominantes entorno BVL.
Fonte: Google Earth modificado pelo autor.
Com uma área de 4.000 m² o interior da BVL apresenta ambientes que se conectam de maneira fluida e possibilitam que o frequentador se sinta livre para usufruir das atividades e dos materiais disponíveis na biblioteca.
Figura 13 - Planta Térreo Biblioteca Parque Villa-Lobos.
Fonte: BVL Org, modificado pelo autor.
No térreo, pavimento voltado ao público infantil e jovem, tem-se a entrada principal da biblioteca que dá acesso à parte central composto por um grande espaço chamado “oca”, com uma estrutura em formato de flor e um auditório. Caminhando para as laterais do pavimento tem-se um café conectado com a área externa e os espaços de acervo e leitura separados de acordo a sua finalidade e faixa etária: biblioteca infantil, ludoteca/gibiteca e espaço juvenil. O
fluxo entre esses espaços acontece por meio de corredores e espaços livres, sendo de forma mais intensa na área central “oca” e se tornando menos intensa nos setores a direita e a esquerda, que possuem usos definidos. Na área central, o fluxo para a entrada do auditório é propositalmente reduzido por uma barreira física (painel da vida), visto a finalidade específica do ambiente.
Figura 14 – Vista pavimento térreo Recepção e espaço “Oca” BVL.
Fonte: ArchDaily.
Figura 15 – Espaços Café Biblioteca e infantil, Pavimento térreo BVL.
Fonte: ArchDaily.
o deck café, que não possui acesso para o interior da biblioteca e o deck das crianças com acesso para o interior por meio do setor infantil. Também há espaços de área verde a leste com acesso para o ambiente juvenil que complementam a infraestrutura interna do pavimento térreo.
Figura 16 - Planta 1º Pavimento BVL.
Fonte: BVL Org, modificado pelo autor.
O primeiro pavimento é voltado para o público adulto contando com salas reservadas para jogos interativos, estudo e estúdio imagem e som, além de espaços de livre circulação com computadores e acervo. O fluxo no pavimento acontece por meio dos corredores livres que ligam os ambientes, sendo de forma reduzida nas salas fechadas.
Figura 17 - Imagem 1º Pavimento Biblioteca Parque Villa-Lobos.
Fonte: Itinerário de viagem.
Figura 18 - Planta 2º Pavimento Biblioteca Parque Villa-Lobos.
Fonte: BVL Org, modificado pelo autor.
O segundo pavimento apresenta espaços mais privativos composto pelo setor administrativo da biblioteca, que é fechado ao público, espaço para idosos e espaço para pessoas com deficiência, além de salas reservadas com acervo específico para maiores de 18 anos e sala de treinamento. No pavimento também há um espaço amplo para exposições que funciona de forma modular. O fluxo no pavimento é semelhante ao do primeiro pavimento, com a diferente da possibilidade de atravessar o edifício de norte a sul passando pela área de exposições.
O fluxo entre os pavimentos acontece por meio de escadas localizadas na entrada e ao fundo do edifício e elevadores localizados ao fundo.
Figura 19 - Vista espaço de exposições 2º pavimento Biblioteca Parque Villa-Lobos.
Fonte: Nelson Kon.
Tabela 02 - Plano de necessidades Biblioteca Parque Villa-Lobos.
Fonte: Autoral, 2022.
A edificação foi construída utilizando basicamente concreto, aço e vidro. A estrutura em concreto possibilita a utilização de grandes vãos livres, como acontece na área central da edificação, o espaço “oca”, construído como um grande vão livre com pé direito que se
edificação foram instaladas películas de proteção em busca de criar maior conforto ambiental e lumínico.
Ademais, o próprio mobiliário realiza a função de guiar o frequentador no fluxo e na forma de utilização dos ambientes.
Figura 20 – Malha de aço coberta por vegetação Biblioteca Parque Villa-Lobos.
Fonte: Prefeitura de São Paulo.