Biblioteca Parque Municipal Europa, Contagem - MG
Izabela Fagundes Bonela
Orientadora: Fabiana Oliveira Araújo
Contagem Dezembro 2022
Izabela Fagundes Bonela
Biblioteca Parque Municipal Europa, Contagem - MG
Trabalho de graduação apresentado ao curso de Arquitetura Urbanismo.
Orientadora: Fabiana Oliveira Araújo
Contagem Dezembro 2022
de projetar uma Biblioteca Parque na cidade de Contagem/MG serão expostas as fundamentações teóricas que viabilizaram a escolha do tema e do terreno em busca de responder a seguinte questão: “Como a arquitetura pode contribuir na conexão entre pessoas promovendo o acesso à informação?”.
Diante às estratégias volumétricas, de setorizações e fluxos adotadas para o projeto, foi priorizado contemplar público de todas as faixas etárias e realizar conexões entre ambientes internos e externos utilizando também a biofilia em busca de ampliar o contato com a natureza.
Serviram de obras análogas para esse trabalho, a Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais em Belo Horizonte, a Biblioteca Parque Villa-Lobos em São Paulo e a Biblioteca Parque La Ladera na Colômbia.
ABSTRACT
This work aims to present the final graduation project in Architecture and Urbanism.
For this, the theme and terrain chosen for the project, similar works that formed the basis of the preliminary studies and the design strategies adopted will be presented. In order to design a Park Library in the city of Contagem/MG, the theoretical foundations that enabled the choice of theme and terrain will be exposed in order to answer the following question: “How can architecture contribute to the connection between people by promoting access to information?
?”.
In view of the volumetric, sectorization and flow strategies adopted for the project, priority was given to contemplating the public of all age groups and making connections between internal and external environments, also using biophilia in search of expanding contact with nature. Similar works served for this work, the State Public Library of Minas Gerais in Belo Horizonte, the Parque Villa-Lobos Library in São Paulo and the Parque La Ladera Library in Colombia.
Figura 04 – Vista terreno fachada Norte...28
Figura 05 – Foto entorno residencial fachada Leste do terreno de implantação do projeto...30
Figura 06 – Foto academia da cidade ao lado à leste do terreno de implantação do projeto....32
Figura 07 – Foto praça Europa...32
Figura 08 - Foto biblioteca João de Deus Costa, escola estadual Nair Mendes Moreira...34
Figura 09 - Foto faixa para caminhada fachada Sul do terreno de implantação do projeto...38
Figura 10– Fachada da BVL...39
Figura 11 – Planta setorização Parque Villa-Lobos...41
Figura 12 – Vista Orquidário Ruth Cardoso e BVL...41
Figura 13 – Planta Térreo Biblioteca Parque Villa-Lobos...43
Figura 14 –Vista pavimento térreo Recepção e espaço “Oca” Biblioteca Parque Villa-Lobos ...44
Figura 15 - Espaços Café Biblioteca e infantil Pavimento térreo Biblioteca Parque Villa- Lobos...44
Figura 16 – Planta 1º Pavimento BVL...45
Figura 17 - Imagem 1º Pavimento Biblioteca Parque Villa-Lobos...46
Figura 18 – Planta 2º Pavimento Biblioteca Parque Villa-Lobos...47
Figura 19 - Vista espaço de exposições 2º pavimento Biblioteca Parque Villa-Lobos...48
Figura 20 – Malha de aço coberta por vegetação Biblioteca Parque Villa-Lobos...49
Figura 21 – Biblioteca Parque La Ladera – Medellín, Colômbia...50
Figura 22 - Entrada principal Biblioteca Parque La Ladera...51
Figura 23 – Diagrama dos blocos edificação Biblioteca Parque La Ladera...53
Figura 24 – Planta baixa Setorização e fluxos Biblioteca Parque Biblioteca Parque La Ladera...54
Figura 25 – Bloco Biblioteca espaço de estudos Biblioteca Parque La Ladera...54
Figura 26 – Planta Cobertura Setorização e fluxos Biblioteca Parque La Ladera...55
Figura 27 – Imagem 3º pavimento cobertura do edifício interligado ao mirante...56
Figura 28 - Salão de exposições volume curvo Biblioteca Parque La Ladera...56
Figura 29 - Blocos Biblioteca Parque La Ladera...57
Figura 30 – Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais...58
Figura 31 – Foto maquete planta Pavimento Térreo Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais...62
Figura 32 – Colagem fotos do Hall e circulação pavimento Térreo Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais...62
Figura 33 – Colagem fotos espaço Infantojuvenil Térreo Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais...63
Figura 34 – Foto maquete planta 1ºPavimento Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais...64
Figura 35 – Colagem fotos espaço Mineiriana 1º Pavimento Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais...64
Figura 36 – Colagem fotos espaço Braille 1º Pavimento Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais...65
Figura 37 – Colagem de fotos materialidade fachada, Setor Infantojuvenil Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais...66
Figura 38 – Colagem de fotos: Selfie visita realizada no dia 19/04/2022 e estátuas “encontro marcado” Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais...67
Figura 39 - Planta chave cortes perfil terreno, movimentações de terra...73
Figura 40 – Cortes AA e BB perfil terreno, movimentações de terra. ...73
Figura 41 – Moodboard materialidade Biblioteca Parque Municipal Europa...85
Mapa 04 – Mapa regiões administrativas Contagem...24
Mapa 05 – Mapa situação bairros Europa e Centro na região administrativa Sede Contagem...24
Mapa 06 - Vegetações e curso d’água presentes no entorno do terreno de implantação do projeto...25
Mapa 07 – Mapa topografia terreno de implantação do projeto. ...26
Mapa 08 – Direção do sol e dos ventos no terreno de implantação do projeto...27
Mapa 09 – Zoneamento terreno de implantação...29
Mapa 10 – Recorte mapa Macrozoneamento de Contagem...29
Mapa 11 – Usos predominantes entorno do terreno de implantação do projeto...30
Mapa 12 – Mapa equipamentos de lazer urbanos presentes no bairro Europa...31
Mapa 13 – Mapa Localização terreno projeto e instituições de ensino entorno...33
Mapa 14 – Sistema viário entorno terreno de implantação...35
Mapa 15 – Pontos de ônibus nas proximidades do terreno de implantação...36
Mapa 16 – Análise das vias de acesso ao terreno de implantação do projeto...37
Mapa 17 – Mapa localização BVL...40
Mapa 18 – Usos predominantes entorno BVL...42
Mapa 19 – Localização Biblioteca Parque La Ladera...51
Mapa 20 – Usos predominantes entorno Biblioteca Parque La Ladera...52
Mapa 21 – Localização e fluxo entrada Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais...59
Mapa 22 – Usos predominantes entorno Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais...60
Mapa 23 – Localização Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais e Anexo Professor Francisco Iglésias...61
Mapa 24– Inserção urbana projeto Biblioteca Parque Municipal Europa...69
Mapa 25 – Inserção urbana com indicação de acessos à Biblioteca Parque Municipal Europa...84
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 01 – Evolução do crescimento populacional de Contagem 1950x2010. Fonte: Boletim
de informações e dados urbanos (BIDU) 2014...14
Gráfico 02 – Número de leitores por classe e renda familiar 2015 x 2019 Brasil...15
Gráfico 03 – Preferência de atividades em tempo livre...16
Gráfico 04 – Relação entre o acesso a diferentes atividades e o incentivo à leitura...17
Gráfico 05 – População por faixa etária região administrativa Sede/ Contagem 2010...25
Tabela 04 – Plano de necessidades Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais...66 Tabela 05 – Programa de necessidades Biblioteca...70 a 72 Tabela 06 – Programa de necessidades parque...72
LISTA DE DIAGRAMAS
Diagrama 01 – Pavimentos Biblioteca Parque Municipal Europa...74
Diagrama 02 - Esquema de fluxograma blocos I e II Térreo Biblioteca Parque Municipal Europa. ...77
Diagrama 03 – Esquema fluxograma 1º pavimento Biblioteca Parque Municipal Europa...78
Diagrama 04 – Esquema fluxograma 2º pavimento Biblioteca Parque Municipal Europa...79
Diagrama 05 - Organograma pavimento térreo Biblioteca Parque Municipal Europa...80
Diagrama 06 – Organograma 1º e 2º pavimento Biblioteca Parque Municipal Europa...80
Diagrama 07 – Esquema setorização Biblioteca Parque Municipal Europa...81
Diagrama 08 - Esquema de fluxograma parque...82
Diagrama 09 – Esquema de organograma parque...83
Diagrama 10 - Esquema setorização parque...83
LISTA DE ANEXOS
Anexo 01 – Memorial descritivo...93
Objetivos...18
Problema...18
CAPÍTULO 01: Contextualização do tema...19
CAPÍTULO 02: Contextualização do território...23
Aspectos físicos e ambientais...25
Aspectos legais...28
Ambiente construído...29
Sistema viário...35
CAPÍTULO 03: Obras análogas...39
Biblioteca Parque Villa-Lobos - São Paulo...39
Biblioteca Parque La Ladera - Colômbia...50
Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais...58
CAPÍTULO 04: Estudo preliminar...68
Conceito...68
Partido arquitetônico...68
Programa de necessidades Biblioteca...70
Programa de necessidades Parque...72
Estudo de massas e estratégias projetuais...72
Edifício...75
Fluxograma Biblioteca...77
Organograma Biblioteca...80
Setorização Biblioteca...81
Fluxograma Parque...82
Organograma Parque...83
Setorização Parque...83
Acessos...84
Materialidade...85
CONSIDERAÇÕES FINAIS...86
REFERÊNCIAS...87
ANEXOS...93
INTRODUÇÃO
O tema escolhido para o trabalho de conclusão de curso é o projeto de uma Biblioteca Parque, denominada “Biblioteca Parque Municipal Europa”, que será implantada no Bairro Europa na cidade de Contagem – MG.
As Bibliotecas Parque se diferem em muitos aspectos a uma biblioteca comum ao se apresentarem como complexos urbanos de uso público constituídos por uma edificação principal
“biblioteca” e espaço “parque” integrado à edificação, que juntos oferecem infraestruturas adequadas à leitura, ao aperfeiçoamento profissional e educacional e a promoção de atividades culturas que visam a interação da comunidade e favorecem a diversão e a conectividade. Sendo assim, esses espaços servem de estímulo para mudanças sociais e permitem à comunidade novas formas de apreciação e utilização do espaço público.
JUSTIFICATIVA
O projeto se baseia na importância que a Biblioteca Parque terá para a comunidade residente em Contagem, já que atualmente é inexistente uma infraestrutura como essa no município que demanda por novos meios de informação e capacitação em busca de acompanhar o crescimento econômico e atender à crescente população da cidade, que segundo pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE em 2021, continua sendo uma das cidades de destaque na economia de Minas, sendo a terceira maior economia do Estado com um crescimento populacional anual de 1,24% entre 2000 e 2010.
Gráfico 01 – Evolução do crescimento populacional de Contagem 1950 x 2010.
Fonte: Boletim de informações e dados urbanos (BIDU) 2014.
exercerem a função de agentes de transformação e desenvolvimento social, as bibliotecas públicas se apresentam como importantes instituições de incentivo à leitura, na medida em que oferecem o acesso ao conhecimento e a informação para toda a comunidade independente de raça, língua, deficiência, faixa etária e condição econômica.
Gráfico 02 – Número de leitores por classe e renda familiar 2015 x 2019 Brasil.
Fonte: Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil.
O número de brasileiros conectados à internet cresce ano após ano conforme revelado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2019, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), isso se deve principalmente pelo avanço das tecnologias digitais como os smartphones, ao acesso à internet sendo ampliado para a população, inclusive para as classes mais baixas, e a facilidade de realizar serviços básicos e imediatos utilizando a internet. No entanto, o acesso facilitado desse recurso a população não garante a sua efetiva utilização, ao passo que, 43,8% dos brasileiros não acessam as redes por não saberem utilizar e
31,6% por não terem interesse. Dessa forma, programas de capacitação à utilização das redes se apresentam como mecanismos necessários em busca de ampliar o acesso a informações e serviços à população, sendo a biblioteca parque importante promotora desse recurso.
Paralelamente, a população de faixa etária jovem entre 14 e 24 anos mostra ser uma grande utilizadora das plataformas digitais, pois como revelado na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil foi nessa faixa etária que houve o maior percentual de queda de leitores no Brasil durante o período de 2015 e 2019, motivado pela preferência na utilização da internet e redes sociais no período de tempo livre. Entretanto, para os jovens o aumento na utilização das redes se torna um fato preocupante, na medida em que, estudos comprovam que jovens que permanecem conectados por longos períodos à internet tem risco 2,4 vezes maior de desenvolver problemas psicológicos como ansiedade, estresse e tristeza.
Gráfico 03 – Preferência de atividades em tempo livre.
Fonte: Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil.
É necessário haver o mediador entre a utilização das redes e o acesso ao conhecimento por mecanismos de aprendizagem variados, que promovam diferentes atividades e serviços buscando interações pessoais e o desenvolvimento da criatividade. A biblioteca parque contribui como papel de mediadora ao fornecer infraestruturas que privilegiam a busca pelo conhecimento de forma prazerosa por meio de diferentes espaços de leitura e aprendizado como
pesquisa de público autoral realizada de forma virtual com 60 entrevistados em Março de 2022.
Gráfico 04 – Relação entre o acesso a diferentes atividades e o incentivo à leitura.
Fonte: Pesquisa autoral, virtual, 60 entrevistados, Março 2022.
Contudo, é perceptível a demanda por um novo espaço de biblioteca pública no Município, que seja um local convidativo a visita, permanência, convívio coletivo e que amplie o acesso de toda a população e faixas etárias a ferramentas de informação e capacitação, fomentando o interesse pela leitura desde a infância e despertando novos interesses para os jovens, adultos e idosos. Atualmente é existente uma biblioteca pública no Centro da cidade que se encontra incapaz de atender toda a comunidade, uma vez que, carece de infraestruturas necessárias para esse fim e difíceis de serem supridas na sua estrutura atual por estar localizada em uma edificação tombada como Patrimônio Cultural de Contagem, desde 1998. Dessa forma, a biblioteca parque será um complemento a biblioteca já existente oferecendo novas infraestruturas com suporte para atender a comunidade de Contagem/MG.
¹espaço destinado ao acervo de gibis
²espaço lúdico, educativo, recreativo e cultural especialmente pensado para crianças e adolescentes
CONCEITO Espaço de conexão.
OBJETIVOS
O projeto tem como objetivo projetar uma biblioteca parque no município de Contagem/MG. Portanto, como objetivos específicos são primordiais: 1. Atender público de todas as faixas etárias; 2. Realizar a conexão entre ambientes internos e externos; 3. Utilizar o conceito de biofilia no projeto arquitetônico.
PROBLEMA
Como a arquitetura pode contribuir na conexão entre pessoas promovendo o acesso à informação?
diretrizes da Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA) (2013), o manual “Biblioteca pública Brasileira: desempenho e perspectivas” escrito por Emir José Suaiden (1980) e o livro “Biblioteca pública: princípios e diretrizes” da Fundação
Biblioteca Nacional (2010).
CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA
As primeiras bibliotecas parques surgiram durante o século XXI em Medellín na Colômbia, fazendo parte de uma série de ações realizadas pela cidade com foco em superar o seu passado de violência. Diante disso, os parques biblioteca, assim denominados, se apresentaram com o intuito de extrapolar o conceito de biblioteca e se tornarem espaços de acesso não somente à leitura e pesquisa, mas de transformação das comunidades e culturas locais. O termo “parque biblioteca” declara que o espaço é público em primeiro lugar e demonstra a importância que é dada às interações e apropriações sociais em um ambiente que é extensão do espaço público urbano.
A apropriação da população aos espaços públicos é o que garante o valor coletivo e político das bibliotecas parque ao desenvolver o sentimento de pertencimento,
responsabilidade e promover a “auto visibilidade” à medida que a consciência política do usuário é estimulada, o que contribui para o processo de inclusão social. Sun Alex no livro
“Projeto da Praça, convívio e exclusão do espaço público” (2011), defende que ao longo do século XX as novas praças têm incorporado características que não privilegiam o convívio social, se apresentando como espaços hostis ao público e desvinculadas com o seu entorno. O autor enxerga as praças como espaços articulados que devem se integrar à rua e à arquitetura do entorno, não sendo espaços “soltos” no meio urbano, mas possibilitando que o espaço público tenha seus usos controlados pelo usuário com base em cinco dimensões propostas por Kevin Lynch: presença, uso e ação, apropriação, modificação e disposição.
As praças assim como os parques são espaços que participam continuamente da vida nas cidades e a apropriação do público, bem como, o seu papel de expressão cultural urbana
deve ser maximizado. Além disso, a biblioteca ao apresentar uma extensão de parque proporciona espaços de lazer e descanso integrados à natureza e consequentemente, colaboram para melhor qualidade de vida da comunidade, uma vez que, o contato direto com a natureza está diretamente associado a maior longevidade, melhoria na saúde renal e respiratória, além de menor risco de depressão, como foi revelado em pesquisa da Escola de Saúde Pública de Harvard, nos Estados Unidos.
De acordo com as diretrizes da Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA) (2013), é direito humano básico o acesso ao conhecimento sendo a biblioteca pública a promotora ao acesso e à compreensão da informação ao disponibilizar suporte adequado capaz de cooperar com as instituições de ensino e promover uma educação bem-sucedida. Baseada na igualdade de acesso à informação para todos, a biblioteca pública trabalha em favor da transformação social ao proporcionar à comunidade as bases política, social e cultural capazes de tornar a sociedade mais atuante em favor do desenvolvimento do município e do país, bem como no seu desenvolvimento pessoal.
No livro, “Biblioteca pública Brasileira: desempenho e perspectivas” Emir José Suaiden (1980) ressalta que é na infância que o gosto e o hábito pela leitura são facilmente adquiridos, sendo assim dever da biblioteca disponibilizar o acesso à livros e outros materiais especialmente voltados às crianças. Dessa forma, é nos primeiros anos de vida que o indivíduo adquire as bases para o seu desenvolvimento social, psicológico e afetivo que serão refletidas na vida adulta, portanto, a biblioteca e a escola se complementam ao serem o caminho que leva ao conhecimento, despertam a criatividade e o hábito pela leitura, bem como propicia o convívio coletivo. Ao serem motivadas desde a infância a buscarem o conhecimento de diferentes maneiras, as crianças se tornarão jovens e adultos mais comprometidos com a sociedade e aptos intelectualmente e emocionalmente para lidar com os obstáculos que surgirem ao longo da vida.
Ainda de acordo com Suaiden (1980), uma política bibliotecária efetiva que promova a democratização da leitura e do conhecimento é essencial para o desenvolvimento da sociedade.
Portanto, biblioteca e escola se complementam e se sucedem nas diversas etapas da vida do indivíduo com princípios que promovem o crescimento pessoal na medida em que, a função das bibliotecas se integra à escola e à comunidade.
“A biblioteca pública, como núcleo de irradiação cultural na comunidade, como agência de informação e pesquisa, como centro de aperfeiçoamento intelectual, enfim, como meio, por excelência, de democratização da leitura e do conhecimento,
As diretrizes da IFLA (2013) para bibliotecas públicas, salienta que a cooperação entre a biblioteca pública e as instituições de ensino não se restringe apenas à fase da escolaridade, visto que o processo de aprendizagem é contínuo durante toda a vida humana. A colaboração entre instituições de ensino e biblioteca é crucial para pessoas em processo de instrução ou recém-instruídas ao promoverem a manutenção das competências adquiridas no processo de qualificação, facilitando o acesso as informações necessárias para esse fim.
Ademais, as formas com que a biblioteca pública exerce a sua função não se restringe apenas à disponibilização de informações, como é mencionado no livro “Biblioteca pública:
princípios e diretrizes” da Fundação Biblioteca Nacional (2010), a realização de ações culturais em prol da sociedade é imprescindível em busca de estreitar as relações entre a biblioteca e a comunidade ao promover o maior engajamento da população nas tomadas de decisão social e econômico da cidade. Ações culturais que despertem o interesse pela leitura e promovam a participação em manifestações artísticas e sociais, como clubes de leitura, exposições, debates, cursos de curta duração, apresentações musicais, jogos e gincanas, são importantes aliadas à biblioteca pública visto que é um espaço que proporciona a disseminação de informações, o desenvolvimento intelectual e a preservação da cultural.
A biblioteca também deve disponibilizar serviços e materiais especiais para àqueles que necessitam de formas de instrução específicas como pessoas deficientes, minorias linguísticas, hospitalizadas ou reclusas, como é citado no livro “Biblioteca pública: princípios e diretrizes”
(2010), ao passo que, a disponibilização de infraestruturas especiais não deve excluir essas pessoas das atividades culturais, pelo contrário, deve-se promover a integração das minorias em todas as atividades realizadas. Para além da estrutura física, há diversos meios informais em que a biblioteca pode atuar, capazes de ampliar a sua forma de atuação em busca de contribuir com o aperfeiçoamento e instrução da comunidade, como o carro-biblioteca, programas de leitura em outros ambientes públicos ou privados, biblioteca virtual e atuação remota como acontece no estado de Queensland, na Austrália em que as bibliotecas auxiliam os alunos do ensino básico na realização de trabalhos em casa através de clubes de trabalhos (IFLA) (2013).
Diante de uma sociedade cada vez mais conectada, a capacitação da população quanto a utilização das tecnologias digitais é fundamental, sendo que a UNESCO em manifesto sobre bibliotecas públicas propõe como uma de suas missões “facilitar o desenvolvimento da informação e da habilidade no uso de computador”. Sendo um dos princípios da biblioteca pública a busca pela inclusão social, capacitar a população quanto a utilização da internet proporciona ao indivíduo maiores subsídios para a busca e troca de informações e contribuir para inclusão dos menos privilegiados na sociedade da informação e de consumo.
de Contagem em Minas Gerais, entre os Bairros Praia, Vera Cruz, Colonial e Alvorada. Está situado entre duas vias de acesso à região, a via local Rua João da Mata e a Av. José dos Santos Diniz que percorre o bairro de norte a sul, sendo de importante acesso à região.
Mapa 01 – Localização Bairro Europa, Contagem – MG.
Fonte: Base QGIS modificado pelo autor.
Mapa 02 – Situação terreno no bairro de implantação.
Fonte: QGIS modificado pelo autor.
Mapa 03 – Mapa aproximado com a delimitação do terreno e vias de acesso.
Fonte: Google Earth modificado pelo autor.
Considerado um bairro novo no município de Contagem, que apresentou os seus primeiros habitantes por volta do ano de 2001, o Europa faz parte da região administrativa Sede e vem crescendo principalmente pela sua proximidade com o Centro da cidade e pela procura por locais mais tranquilos para habitar.
De acordo com o Boletim de dados Urbanos (BIDU) de 2014, a região administrativa ao qual o bairro se insere -Sede- possui perfil populacional caracterizado majoritariamente pela faixa etária adulta, seguida pela população jovem e em menor número a população idosa (considerando jovens 0-19 anos, adultos 20-59 anos e idosos 60+), como pode ser visto no gráfico a seguir.
Mapa 04 – Mapa regiões administrativas Contagem.
Fonte: Boletim de dados Urbanos (BIDU) 2014 modificado pelo autor.
Mapa 05 – Mapa situação bairros Europa e Centro na região administrativa Sede Contagem.
Fonte: Boletim de dados Urbanos (BIDU) 2014 modificado pelo autor.
Gráfico 05 – População por faixa etária região administrativa Sede/ Contagem 2010.
Fonte: Boletim de dados Urbanos (BIDU) 2014 modificado pelo autor.
ASPECTOS FÍSICOS E AMBIENTAIS
Ocupando uma área de aproximadamente 3.200 m², o terreno está inserido em uma região com muitas áreas verdes e lotes não edificados, além de se encontrar próximo a um maciço arbóreo. Há presente em sua proximidade curso d’água que não terá influência para a construção, já que a faixa de 30 metros destinada a preservação não se encontra na delimitação do terreno.
Mapa 06 – Vegetações e curso d’água presentes no entorno do terreno de implantação do projeto.
Fonte: Google Earth modificado pelo autor.
Figura 01 – Foto Terreno e maciço arbóreo fachada Rua João da Mata.
Fonte: Autoral,2022.
A topografia do terreno apresenta desnível total de 7 metros entre a fachada posterior voltada à Avenida José dos Santos Diniz e a fachada frontal voltada para a Rua João da Mata, sendo o desnível mais intenso na fachada voltada à Avenida.
Mapa 07 – Mapa topografia terreno de implantação do projeto.
Fonte: Base Autocad prefeitura de Contagem.
Figura 02 – Corte AA perfil topográfico terreno.
Fonte: Base Autocad prefeitura de Contagem.
A fachada Norte, voltada para Rua João da Mata se apresenta como a que receberá maior intensidade solar durante o dia, sendo necessário aplicar estratégias que minimizem esse fator.
As fachadas Sul e Leste, voltadas para a Avenida José dos Santos Diniz receberão intensidade solar moderada durante o dia, sendo maior na parte da manhã, o que a torna propícia para situar ambientes de estudo e salas de ensino. Ao analisar a fachada Oeste, pode-se perceber que a grande intensidade solar recebida nessa direção é amenizada pela arborização do entorno (ver mapa 06). O sentido predominante dos ventos na região é ao leste, o que atuará como amenizador da intensidade solar recebida ao Norte.
Mapa 08 – Direção do sol e dos ventos no terreno de implantação do projeto.
Fonte: Base QGIS modificado pelo autor.
Figura 03 – Vista terreno fachada leste.
Fonte: Autoral,2022.
ASPECTOS LEGAIS
O terreno está inserido em uma Zona Adensável 1 na bacia hidrográfica da Vargem da Flores. Dessa forma, os usos permitidos no local são os conviventes, unifamiliar e multifamiliar com coeficientes de aproveitamento básico 1,5 e Máximo 2,0.
A taxa de permeabilidade mínima obrigatória é de 50%, sendo permitido a aplicação de 25% com a utilização de caixa de Capitação e Drenagem e/ou Caixa de Retenção para Reuso.
Na região de Contagem não existe cota máxima de altura para edificações, deve-se apenas respeitar os afastamentos necessários de acordo com a lei.
Figura 04 – Vista terreno fachada Norte.
Fonte: Autoral,2022.
AMBIENTE CONSTRUÍDO
O entorno do terreno é predominantemente residencial em sua maior parte predial, nas mediações encontram-se comércios, restaurantes, espaços esportivos privados e áreas não edificadas, características de um bairro novo. São presentes no entorno instituições de ensino, clínica de reabilitação e centro comunitário, de especial interesse da biblioteca no complemento do ensino nessas instituições.
A Comunidade dos Arturos localizada nas proximidades do terreno, a mais de 100 anos representa e preserva a cultura e religiosidade africana. Compreendendo cerca de 45 famílias, a comunidade se mostra como potencial público para a Biblioteca Parque, que auxiliará na formação acadêmica, na preservação cultural, bem como contribuirá na maior integração desse povo à comunidade de Contagem.
Mapa 10 – Recorte mapa Macrozoneamento de Contagem.
Fonte: Prefeitura de Contagem.
Mapa 09 – Zoneamento terreno de implantação.
Fonte: Google Earth modificado pelo autor.
Mapa 11 – Usos predominantes entorno do terreno de implantação do projeto.
Fonte: Google Earth modificado pelo autor.
Figura 05 – Foto entorno residencial fachada Leste do terreno de implantação do projeto.
Fonte: Autoral, 2022.
de lazer urbanos presentes no entorno, foi verificado que o bairro carece nesse tipo de infraestrutura, visto que é existente apenas a academia da cidade presente ao lado do terreno do projeto e uma pequena praça circular voltada ao público infantil. Portanto, o parque se apresenta como novo equipamento de lazer para o bairro, com o objetivo de oferecer à comunidade novas formas de utilização do espaço urbano.
Mapa 12 – Mapa equipamentos de lazer urbanos presentes no bairro Europa.
Fonte: Google Earth modificado pelo autor.
Figura 06 – Foto academia da cidade ao lado à leste do terreno de implantação do projeto.
Fonte: Autoral, 2022.
Figura 07 – Foto praça Europa.
Fonte: Autoral, 2022.
presentes nas instituições de ensino do entorno.
Mapa 13 – Mapa localização terreno projeto e instituições de ensino entorno.
Fonte: Google Earth modificado pelo autor.
Em visita à escola estadual Nair Mendes Moreira no dia 30/08/2022, instituição de ensino mais próxima ao terreno do projeto, foi possível verificar a necessidade por um ambiente de biblioteca com capacidade para atender de forma eficaz aos estudantes, já que a atual estrutura da biblioteca escolar é equivalente ao tamanho de uma sala de aula comum. Os alunos da escola demandam por livros mais atrativos e atuais como mangás por exemplo, como foi observado pela professora em uso de biblioteca Nilma Aparecida. Dessa forma, é perceptível o
interesse por parte dos estudantes e professores por estrutura de biblioteca que ofereça melhor ambiente de estudo e leitura, com materiais da atualidade e mais possibilidades de utilização do espaço. Além disso, também foi observado o interesse por um auditório que em parceria com a escola possa fornecer atividades diversas aos alunos.
Figura 08 – Foto biblioteca João de Deus Costa, escola estadual Nair Mendes Moreira.
Fonte: Autoral,2022.
Mapa 14 - Sistema viário entorno terreno de implantação.
Fonte: Base QGIS modificado pelo autor.
Mapa 15 - Pontos de ônibus nas proximidades do terreno de implantação.
Fonte: Base QGIS modificado pelo autor.
São duas as vias de acesso ao terreno. A Avenida José dos Santos Diniz é uma delas, via de mão dupla com calçadas nas duas extremidades e faixa delimitada para caminhada. Ao longo da avenida não há sinalizações proibindo a parada de veículos, sendo assim, até o momento permitido estacionar. A outra via de acesso ao terreno é a Rua João da Mata, via também de mão dupla que se bifurca chegando próximo ao terreno por meio de um canteiro central. Na parte da via correspondente ao terreno é permitido estacionar.
Mapa 16 – Análise das vias de acesso ao terreno de implantação do projeto.
Fonte: Base QGIS modificado pelo autor.
Figura 09 – Foto faixa para caminhada fachada Sul do terreno de implantação do projeto.
Fonte: Autoral,2022.
Tabela 01 - Tabela de condicionantes terreno de implantação.
Fonte: Autoral, 2022.
Biblioteca Parque Municipal Europa por se apresentarem como referência para o tema desse trabalho.
1. Biblioteca Parque Villa-Lobos – São Paulo
Projetada pelo arquiteto Décio Tozzi, a edificação da Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL) inicialmente seria ocupada por um centro de referência em educação ambiental, no entanto não chegou a ser concretizada e dessa forma, a construção foi modificada e seu interior projetado pelo designer Marcelo Aflalo para se tornar a biblioteca parque.
A BVL tem como conceito a multidisciplinaridade ao apresentar ambientes que propiciam atividades diversas integradas com a leitura e a interação entre os frequentadores, com isso se tornando um modelo de biblioteca viva.
Figura 10 – Fachada da BVL.
Fonte: Prefeitura de São Paulo.
Localizada dentro do parque Estadual Villa-Lobos, no distrito de Alto de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, capital, a edificação se tornou um exemplo de revitalização urbana ao
ser construída na antiga área de depósito de resíduos da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (CEAGESP).
Mapa 17 – Mapa localização BVL.
Fonte: Google Maps, modificado pelo autor.
No entorno imediato da BVL há um playground, uma área para cães e o Orquidário Ruth Cardoso que projetado pelo mesmo arquiteto, apresenta forma arquitetônica distinta a da biblioteca, porém materialidades semelhantes: concreto, aço e vidro. As edificações e espaços livres inseridas no interior do parque são conectados por caminhos e ciclovias que possibilitam o fluxo de pedestres contínuo entre os locais.
Figura 11 – Planta setorização Parque Villa-Lobos.
Fonte: ArchDaily, modificado pelo autor.
Figura 12 – Vista Orquidário Ruth Cardoso e BVL.
Fonte: vídeo “Orquidário Ruth Cardoso onde é primavera o ano inteiro” Youtube.
Com uma de suas fachadas voltadas à marginal Pinheiros, a região de inserção da biblioteca é rica em infraestruturas diversas sendo predominantemente residencial com a presença de vários condomínios, escolas e centros de formação. Na fachada principal do parque passa o Rio Pinheiros e paralela à sua marginal a Raia Olímpica da USP destinada a prática de remo e canoagem. Mesmo com a presença de outras praças próximas ao parque Villa-Lobos, o local onde a BVL está localizada se destaca diante a sua inserção urbana, ao ser uma extensa área verde em meio a uma região populosa.
Mapa 18 – Usos predominantes entorno BVL.
Fonte: Google Earth modificado pelo autor.
Com uma área de 4.000 m² o interior da BVL apresenta ambientes que se conectam de maneira fluida e possibilitam que o frequentador se sinta livre para usufruir das atividades e dos materiais disponíveis na biblioteca.
Figura 13 - Planta Térreo Biblioteca Parque Villa-Lobos.
Fonte: BVL Org, modificado pelo autor.
No térreo, pavimento voltado ao público infantil e jovem, tem-se a entrada principal da biblioteca que dá acesso à parte central composto por um grande espaço chamado “oca”, com uma estrutura em formato de flor e um auditório. Caminhando para as laterais do pavimento tem-se um café conectado com a área externa e os espaços de acervo e leitura separados de acordo a sua finalidade e faixa etária: biblioteca infantil, ludoteca/gibiteca e espaço juvenil. O
fluxo entre esses espaços acontece por meio de corredores e espaços livres, sendo de forma mais intensa na área central “oca” e se tornando menos intensa nos setores a direita e a esquerda, que possuem usos definidos. Na área central, o fluxo para a entrada do auditório é propositalmente reduzido por uma barreira física (painel da vida), visto a finalidade específica do ambiente.
Figura 14 – Vista pavimento térreo Recepção e espaço “Oca” BVL.
Fonte: ArchDaily.
Figura 15 – Espaços Café Biblioteca e infantil, Pavimento térreo BVL.
Fonte: ArchDaily.
o deck café, que não possui acesso para o interior da biblioteca e o deck das crianças com acesso para o interior por meio do setor infantil. Também há espaços de área verde a leste com acesso para o ambiente juvenil que complementam a infraestrutura interna do pavimento térreo.
Figura 16 - Planta 1º Pavimento BVL.
Fonte: BVL Org, modificado pelo autor.
O primeiro pavimento é voltado para o público adulto contando com salas reservadas para jogos interativos, estudo e estúdio imagem e som, além de espaços de livre circulação com computadores e acervo. O fluxo no pavimento acontece por meio dos corredores livres que ligam os ambientes, sendo de forma reduzida nas salas fechadas.
Figura 17 - Imagem 1º Pavimento Biblioteca Parque Villa-Lobos.
Fonte: Itinerário de viagem.
Figura 18 - Planta 2º Pavimento Biblioteca Parque Villa-Lobos.
Fonte: BVL Org, modificado pelo autor.
O segundo pavimento apresenta espaços mais privativos composto pelo setor administrativo da biblioteca, que é fechado ao público, espaço para idosos e espaço para pessoas com deficiência, além de salas reservadas com acervo específico para maiores de 18 anos e sala de treinamento. No pavimento também há um espaço amplo para exposições que funciona de forma modular. O fluxo no pavimento é semelhante ao do primeiro pavimento, com a diferente da possibilidade de atravessar o edifício de norte a sul passando pela área de exposições.
O fluxo entre os pavimentos acontece por meio de escadas localizadas na entrada e ao fundo do edifício e elevadores localizados ao fundo.
Figura 19 - Vista espaço de exposições 2º pavimento Biblioteca Parque Villa-Lobos.
Fonte: Nelson Kon.
Tabela 02 - Plano de necessidades Biblioteca Parque Villa-Lobos.
Fonte: Autoral, 2022.
A edificação foi construída utilizando basicamente concreto, aço e vidro. A estrutura em concreto possibilita a utilização de grandes vãos livres, como acontece na área central da edificação, o espaço “oca”, construído como um grande vão livre com pé direito que se
edificação foram instaladas películas de proteção em busca de criar maior conforto ambiental e lumínico.
Ademais, o próprio mobiliário realiza a função de guiar o frequentador no fluxo e na forma de utilização dos ambientes.
Figura 20 – Malha de aço coberta por vegetação Biblioteca Parque Villa-Lobos.
Fonte: Prefeitura de São Paulo.
2. Biblioteca Parque La Ladera – Medellín, Colômbia
Projetado pelo arquiteto Giancarlo Mazzanti, no ano de 2007 a biblioteca León de Greiff, também conhecida como Biblioteca Parque La Ladera faz parte do primeiro conjunto de bibliotecas parque construído no mundo. Localizada no bairro San Miguel na cidade de Medellín na Colômbia, a biblioteca se apresenta como uma das ferramentas utilizadas no combate à violência urbana da cidade, funcionando como ponto de transformação da comunidade e cultura locais.
A Biblioteca La Ladera foi projetada tendo como conceito se tornar extensão do espaço urbano, voltado a vida coletiva, que permitisse maiores conectividades entre a comunidade.
Figura 21 - Biblioteca Parque La Ladera – Medellín, Colômbia.
Fonte ArchDaily.
A biblioteca ocupa uma área de 6.800 m² em um terreno com área total de 37.546 m² implantada em uma extensa área verde que décadas atrás funcionava a prisão de La Ladera. A biblioteca se integra ao terreno criando conexões entre o ambiente externo e a edificação por meio de caminhos que direcionam o fluxo entre esses ambientes, constituída por três módulos unidos por uma curva que se adaptam a topografia do terreno e criam um mirante, possibilitando visada para a área superior do bairro, que é um local de atividades esportivas para a comunidade.
O mirante faz do edifício extensão do espaço urbano ao possibilitar a interligação entre a parte
Mapa 19 – Localização Biblioteca Parque La Ladera.
Fonte: Google Maps, modificado pelo autor.
Figura 22 – Entrada principal Biblioteca Parque La Ladera.
Fonte: ArchDaily.
O acesso para o interior da Biblioteca Parque La Ladera é realizado pela rua Calle 59A pela parte baixa do terreno com entradas para o bloco comunitário e administrativo e para a área curva de circulação. Há ainda uma terceira forma de acesso a edificação pela parte mais elevada do terreno acessando o mirante por meio de escadas. O entorno da biblioteca é predominantemente residencial, com a presença de algumas escolas, pequenos comércios e alguns parques. As construções do entorno são em sua maior parte de pequeno porte construídas em tijolo aparente, sendo que a edificação da biblioteca La Ladera se destaca pela forma arquitetônica e materialidade.
Mapa 20 - Usos predominantes entorno Biblioteca Parque La Ladera.
Fonte: Google Earth modificado pelo autor.
Os três blocos possuem infraestruturas distintas e o interior projetado de acordo com a função desempenhada por cada um, sendo o volume curvo de circulação responsável por interligar as construções.
Figura 23 – Diagrama dos blocos edificação Biblioteca Parque La Ladera.
Fonte: ArchDaily.
O primeiro bloco destinado ao auditório possui implantação com declividade acentuada para criar a infraestrutura necessária para o auditório que comporta 150 pessoas, 6 salas para cursos e no pavimento térreo tem-se um refeitório. O segundo bloco é o da biblioteca que apresenta subsolo e pavimento térreo destinados para acervo, leitura, espaço infantil e espaço para estudo com mezanino para computadores. Por fim, o terceiro bloco corresponde ao centro comunitário destinado a atender as necessidades da comunidade com materiais de acervo históricos, espaços para exposições de artistas locais, espaço infantil, banheiros e área administrativa com dois pavimentos em subsolo.
Figura 24 – Planta baixa Setorização e fluxos Biblioteca Parque La Ladera.
Fonte: ArchDaily, modificado pelo autor.
Figura 25 – Bloco Biblioteca espaço de estudos Biblioteca Parque La Ladera.
Fonte: ArchDaily.
Figura 26 – Planta Cobertura Setorização e fluxos Biblioteca Parque La Ladera.
Fonte: ArchDaily, modificado pelo autor.
Figura 27 – Imagem 3º pavimento cobertura do edifício interligado ao mirante.
Fonte: ArchDaily.
O fluxo entre os espaços internos acontece por meio dos corredores livres, escadas e rampas que ligam os pavimentos, sendo o volume curvo e continuo responsável por interligar o acesso entre todos os blocos.
Figura 28 – Salão de exposições volume curvo Biblioteca Parque La Ladera.
Fonte: Filme Dellin.
Fonte: Autoral, 2022.
A construção da Biblioteca León de Greiff utilizou materiais que remetem ao meio natural: o concreto branco para a estruturação dos blocos, o vidro nas fachadas e na área de circulação para melhor iluminação do interior e na cobertura foi utilizado madeira como revestimento. O sistema de ventilação priorizou a busca pela ventilação natural por meio de vãos abertos que funcionam realizando as trocas de ar para o interior da biblioteca, além de serem espaços de jardim com vista para o mirante. Em busca de minimizar a insolação nas fachadas de vidro a Oeste, foram utilizadas persianas móveis nas janelas e brises de madeira no bloco da circulação.
A forma com que o edifício se insere respeitando a topografia do terreno, torna a construção uma extensão do desenho urbano que acompanha os desníveis do terreno e se relaciona com o entorno imediato nas partes baixas e altas. Paralelamente, diante a sua materialidade, a arquitetura da biblioteca se destaca em meio as construções do entorno, o que nesse contexto é um ponto positivo, já que a construção foi realizada em busca de atrair a população para esse espaço de vivência e troca de informações, sendo uma construção que não poderia passar despercebida pelo olhar da comunidade.
Figura 29 – Blocos Biblioteca Parque La Ladera.
Fonte: ArchDaily.
3. Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais – Belo Horizonte MG
No dia 19/04/2022 foi realizada visita a Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer em 1954 é a principal biblioteca pública de Belo Horizonte e hoje integra o Circuito Cultural Praça da Liberdade junto com outras edificações de importante valor histórico e cultural para a cidade, sendo o maior complexo cultural do país.
Inicialmente a biblioteca se chamava “Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa” em homenagem ao professor, jornalista e intelectual Antônio Luiz de Bessa, no entanto, em 2017 a biblioteca mudou seu nome passando a se denominar “Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais” com o intuito de fortalecer a mineiridade e a relação entre sociedade e estado.
O projeto para a biblioteca teve como conceito a criação de um espaço que incentivasse a utilização do livro como principal fonte de informação e lazer, bem como, reunir, preservar e disseminar a biografia mineira.
Figura 30 – Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.
Fonte: Autoral, 2022.
A biblioteca está inserida na capital de Minas Gerais no bairro Savassi, em frente à praça da liberdade e ao lado do Quartel de Comando Geral (PMMG), próximo a diversos outros edifícios históricos com equipamentos culturais para a comunidade como museus, centros culturais e monumentos históricos, sendo uma região de ponto turístico para a RMBH. A
Mapa 21 – Localização e fluxo entrada Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.
Fonte: Google Maps modificado pelo autor.
A região de inserção da biblioteca recebe grande fluxo de pessoas diariamente, pois além de apresentar a terceira maior concentração urbana do Brasil, a capital concentra infraestruturas importantes para a comunidade, como prédios comerciais, centros de ensino, serviços públicos, hotéis, centros hospitalares, além de diversos bares, lojas e restaurantes.
Ademais, o município também apresenta grande concentração residencial principalmente com prédios de alto padrão.
Mapa 22 – Usos predominantes entorno Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.
Fonte: Google Earth modificado pelo autor.
O projeto original para o edifício da Biblioteca Pública Estadual contava com 6 pavimentos, no entanto apenas 3 foram concretizados, sendo necessário em 2000 a construção do prédio Anexo Professor Francisco Iglésias em busca de expandir os serviços e o acervo da biblioteca. O prédio anexo está localizado na rua correspondente a fachada posterior do prédio principal, sendo fácil o acesso entre ambos os edifícios. No Anexo Professor Francisco Iglésias há espaços para estudo e pesquisa com acesso a computadores e é nele que o público consegue realizar os empréstimos de livros, se apresentando como importante aliada no complemento dos serviços disponibilizados pela biblioteca. Em visita, foi possível conhecer os dois primeiros pavimentos do prédio principal, visto que o segundo pavimento e o prédio anexo estão em reforma.
Mapa 23 – Localização Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais e Anexo Professor Francisco Iglésias.
Fonte: Google Maps modificado pelo autor.
O pavimento térreo corresponde a entrada para a biblioteca com hall amplo composto pela recepção, espaço para exposições de arte, entrada para o teatro fechado e para o setor infantojuvenil que conta com áreas de acervo, espaços para leitura, brinquedoteca e ambiente para contação de histórias. A recepção funciona como controle dos frequentadores, apresentando escaninhos para guardar objetos e direciona aos banheiros, escada e elevadores de acesso ao primeiro pavimento.
Figura 31 – Foto maquete planta Pavimento Térreo Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.
Fonte: Autoral, 2022.
Figura 32 – Colagem fotos do Hall e circulação pavimento Térreo Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.
Fonte: Autoral, 2022.
Figura 33 – Colagem fotos espaço Infantojuvenil Térreo Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.
Fonte: Autoral, 2022.
O primeiro pavimento apresenta setor braile, setor mineiriana, copa e um espaço restrito para funcionários. Ao entrar no espaço braile, tem-se a recepção e a cabine de gravação destinada a criação de livros falados que são disponibilizados ao público, em seguida, há o espaço que abriga o acervo, ambientes para leitura de livros físicos e ambientes com ferramentas de leitura específicas como audiolivros e computadores com leitores de tela. Nesse mesmo espaço há uma sala fechada de impressão destinada a confecção de livros em braile, duas salas também fechadas de reunião para funcionários e banheiros para o público. O espaço mineiriana é composto pelo hall das coleções especiais, espaço mais reservado para leitura e acesso a computadores, sala administrativa e um setor restrito ao público com acervos históricos de Minas Gerais.
Figura 34 – Foto maquete planta 1º Pavimento Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.
Fonte: Autoral, 2022.
Figura 35 – Colagem fotos espaço Mineiriana 1º Pavimento Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.
Fonte: Autoral, 2022.
Figura 36 – Colagem fotos espaço Braille 1º Pavimento Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.
Fonte: Autoral, 2022.
O segundo pavimento do edifício, ao qual não foi possível acessar, conta com a hemeroteca histórica que disponibiliza coleções especiais de valor histórico e cultural para o estado, sendo composto por mais de 1.200 títulos de jornais e 600 títulos de revista escritos desde o século XIX. Além dos serviços e materiais disponíveis fisicamente na biblioteca, são realizadas ações extra biblioteca, como a caixa-estante que seleciona e leva livros a diversas instituições como hospitais, creches, centros de detenção e APAE, e o carro-biblioteca que de forma itinerante promove o acesso a livros em bairros da região metropolitana de Belo Horizonte.
O fluxo interno entre os ambientes da biblioteca acontece de forma rápida direcionando para os setores de visita, sem corredores extensos e divisão entre muitos acessos. É inexistente
na biblioteca placas para o direcionamento dos ambientes, o que é um ponto negativo encontrado. Nas áreas de acesso principais, em todo o ambiente braile e no hall de exposições do setor mineiriana há piso tátil para deficientes.
Tabela 04 - Plano de necessidades Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.
Fonte: Autoral, 2022.
Foi utilizado para a construção da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais o concreto, o vidro e o metal. A utilização de vidros móveis nas fachadas melhora a iluminação e a ventilação naturais no interior dos ambientes, no entanto foram necessárias estratégias para amenizar a elevada incidência solar proporcionada pelos vidros. Para isso, foi utilizado uma espécie de persiana na parte posterior do edifício em busca de amenizar esse fator no setor infantojuvenil.
Figura 37 – Colagem de fotos materialidade fachada, Setor Infantojuvenil Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.
Fonte: Autoral, 2022.
A sua materialidade se assemelha a dos edifícios vizinhos, principalmente aos mais atuais, no entanto se diferencia diante a sua forma moderna curva, já que é presente no entorno
literatura mineira, sendo símbolos da biblioteca.
Figura 38 – Colagem de fotos: Selfie visita realizada no dia 19/04/2022 e estátuas “encontro marcado” Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.
Fonte: Autoral, 2022.
CAPÍTULO 04
ESTUDO PRELIMINAR
Esse capítulo contempla as estratégias projetuais adotadas para o projeto da Biblioteca Parque, baseadas nos estudos anteriormente apresentados e em conhecimentos adquiridos ao longo do curso de Arquitetura e Urbanismo.
CONCEITO
Espaço de conexão.
PARTIDO ARQUITETÔNICO
A concepção da forma arquitetônica e implantação da edificação partiram de princípios que visassem menores movimentações de terra, melhor inserção do edifício junto ao parque com a conexão entre ambientes internos e externos em busca de proporcionar maiores interações interpessoais e o contato com a natureza. Para isso, o contato com o verde é estendido para o interior da edificação com a utilização de fechamentos em vidro, vegetações e materiais que remetam ao natural como a madeira e o concreto.
Diante ao objetivo de atender todas as faixas etárias e demanda para 935 frequentadores, o programa de necessidades do edifício compreende ambientes destinados especialmente a cada faixa etária e ambientes destinados ao público geral, permitindo encontros e trocas de informação entre os diferentes públicos.
Mapa 24 – Inserção urbana projeto Biblioteca Parque Municipal Europa.
Fonte: Google Earth modificado pelo autor.
Inserido no zoneamento urbano Zona Adensável 1, o terreno de implantação do projeto apresenta coeficiente de aproveitamento básico (cab) igual a 1,5 o que totaliza área a ser construída de 4.800 m², visto que a área total do terreno é de 3.200 m². No entanto, como pode ser verificado no programa de necessidades (tabela 05), a edificação não atenderá a área exigida no coeficiente de aproveitamento básico devido ao projeto urbano para o parque, o qual foi priorizado a manutenção de áreas verdes, bem como a implantação de infraestruturas que contemplem maior diversidade de usos e apropriações para a comunidade.
Ainda de acordo com os parâmetros urbanísticos presentes no terreno, a taxa de permeabilidade exigida é de 50% totalizando área permeável a ser atendida de 1.600 m² que pode ser alcançada em 25% (800m²) por meio de caixa de captação.
O programa de necessidades da biblioteca busca atender a comunidade de Contagem que necessita por uma estrutura compatível a demanda do município.
PROGRAMA DE NECESSIDADES BIBLIOTECA
Tabela 05 – Programa de necessidades Biblioteca página 1/3.
Fonte: Autoral, 2022.
Tabela 05 – Programa de necessidades Biblioteca continuação 2/3.
Fonte: Autoral, 2022.
Tabela 05 – Programa de necessidades Biblioteca continuação 3/3.
Fonte: Autoral, 2022.
PROGRAMA DE NECESSIDADES PARQUE
Tabela 06 – Programa de necessidades parque.
Fonte: Autoral, 2022.
ESTUDO DE MASSAS E ESTRATÉGIAS PROJETUAIS
A implantação da biblioteca foi concebida de forma que o edifício tivesse acesso direto para as duas vias que passam pelas fachadas frontal e posterior do terreno realizando uma espécie de ponte entre as ruas, que se apresentam como acessos importantes à região.
Além disso, em busca de realizar menores movimentações de terra, a topografia do terreno foi fator decisivo para a configuração volumétrica da construção.
Dessa forma, o edifício se configurou numa forma curva, que se assemelha aos caminhos orgânicos do parque e possibilitou a interligação entre as vias de acesso ao terreno, permitindo maior integração da edificação à área externa.
Figura 39 – Planta chave cortes perfil do terreno, movimentações de terra.
Fonte: autoral, 2022.
Figura 40 – Cortes AA e BB perfil do terreno, movimentações de terra.
Fonte: autoral, 2022.
Dessa forma, o projeto compreende uma edificação de três pavimentos implantado na curva de nível 865 que apresenta elevação de 1 metro com relação ao nível da entrada
principal - Rua João da Mata- e desnível de 5 metros com relação a parte mais alta do terreno -Avenida José dos Santos Diniz.
O pavimento térreo é dividido em dois blocos que se interligam por meio do vão existente que situa ambientes do parque e se interliga aos demais pavimentos por meio da circulação interna realizada por escadas e elevadores.
O parque foi projetado no princípio de promover a interligação da edificação ao entorno e complementar as infraestruturas da biblioteca por meio de ambientes que proporcionam encontros, trocas de informação, descanso e o contato com a natureza. Para esse fim, foram implementados caminhos orgânicos que permeiam o espaço e realizam ligações ao edifício e aos ambientes do parque, servindo como continuação da pista de caminhada existente na Avenida José dos Santos Diniz. Por fim, foi priorizado a manutenção de áreas verdes nas delimitações dos caminhos e nas áreas em que o terreno apresenta maior declividade.
Diagrama 01 – Pavimentos Biblioteca Parque Municipal Europa.
Fonte: autoral, 2022.
hall de entrada, café leitura, espaço de leitura infantil e banheiros. O bloco possui acesso externo para o parque e para o bloco II e acessos internos para os demais pavimentos e estacionamento em subsolo.
• Bloco II: Bloco independente situando galeria de exposições, auditório com capacidade para 135 pessoas e banheiros que atendem ao bloco. Possui acesso externo para o parque e para o bloco I.
1º Pavimento
• Pavimento que compreende os ambientes de leitura e a entrada secundária para o edifício - voltada à Avenida José dos Santos Diniz. Portanto, o pavimento compreende espaço de leitores especiais, adulto e idoso, juvenil e áreas de encontro, recepção, hall de entrada e banheiros.
2º Pavimento
• Compreende os espaços de estudo, salas profissionalizantes e administrativo. Dessa forma, têm-se no pavimento espaço para estudo individual, salas para estudo coletivo, estúdios de gravação, sala de informática, música, cursos diversos e oficinas. O administrativo se apresenta como uma área restrita ao pública e compreende: sala de administração, sala de reunião, almoxarifado, DML, copa e banheiros para funcionários.
Subsolo
• No nível do subsolo foi implantado o estacionamento destinado ao público e aos funcionários, tendo entrada pela rua de acesso principal da biblioteca: Rua João da Mata.
Cobertura
• Na cobertura do edifício estão as caixas d’água e painéis fotovoltaicos.
Para que o segundo pavimento pudesse ter acesso a Av. José dos Santos Diniz foi necessário elevação no nível em 60 centímetros para compensar o desnível necessário de acesso à avenida – 6 metros acima do nível da entrada principal. Dessa forma, os pavimentos do edifício se apresentam com 4,00 metros de pé direito com exceção de parte do segundo pavimento, em específico no setor de leitura adulto e idoso e na recepção e hall de entrada, que se apresentam com pé direito de 3,40 metros e o auditório, que apresenta desnível total de 1 metro. Já o estacionamento em subsolo, foi implantado com pé direito de 3,00 metros.
(essas informações podem ser visualizadas na página 11 da prancha técnica – cortes AA e BB).
Para amenizar a alta incidência solar ocasionada na fachada frontal do edifício, voltada ao Norte e Oeste, serão utilizados brises de madeira em toda a extensão da fachada, como exemplo da Biblioteca Parque La Ladera analisada no capítulo 3 desse documento. Em busca de utilizar a ventilação natural vinda à leste, será promovido a ventilação cruzada entre as fachadas à leste e à Sul para as fachadas Norte e Oeste por meio de fechamentos em vidro. A utilização de vidro nas fachadas possui também o propósito de aproveitar melhor a insolação natural e estabelecer visadas ao parque promovendo maiores conexões entre interno e externo.
O termo "biofilia" é traduzido como "amor às coisas vivas", sendo o seu princípio conectar o ser humano a natureza em busca de melhor bem -estar e saúde mental. Dessa forma, com o propósito de aplicar o conceito no projeto, além da busca pela melhor apropriação dos fatores climáticos locais, como ventilação e insolação naturais, também foi empregado materiais que remetem ao natural, bem como cores e vegetações no interior da biblioteca, conforme será mostrado no capítulo
“Materialidade”.
Diagrama 02 – Esquema fluxograma blocos I e II Térreo Biblioteca Parque Municipal Europa.
Fonte: Autoral, 2022.
Diagrama 03 – Esquema fluxograma 1º pavimento Biblioteca Parque Municipal Europa.
Fonte: Autoral, 2022.
Diagrama 04 – Esquema fluxograma 2º pavimento Biblioteca Parque Municipal Europa.
Fonte: Autoral, 2022.
ORGANOGRAMA BIBLIOTECA
Diagrama 05 – Organograma pavimento térreo Biblioteca Parque Municipal Europa.
Fonte: Autoral, 2022.
Diagrama 06 – Organograma 1º e 2º pavimento Biblioteca Parque Municipal Europa.
Fonte: Autoral, 2022.
Diagrama 07 – Esquema setorização Biblioteca Parque Municipal Europa.
Fonte: Autoral, 2022.
FLUXOGRAMA PARQUE
Os espaços do parque são direcionados ao convívio coletivo proporcionando encontros, debates, rodas de conversa, descanso, diversão, entre outros... Com ambientes que atendem às diferentes faixas etárias, priorizando assim como na biblioteca, a liberdade do público quanto à utilização e acesso aos ambientes. Além disso, os caminhos que permeiam o parque proporcionam contato com a natureza e direcionam o acesso à edificação.
Diagrama 08 – Esquema fluxograma parque.
Fonte: Autoral, 2022.
Diagrama 09 – Esquema organograma parque.
Fonte: Autoral, 2022.
SETORIZAÇÃO PARQUE
Diagrama 10 – Esquema setorização parque.
Fonte: Autoral, 2022.
ACESSOS
Os acessos à Biblioteca Parque acontecem pela Rua João da Mata e pela Avenida José dos Santos Diniz, sendo a entrada principal para o edifício e o acesso ao estacionamento em subsolo realizados pela Rua João da Mata. O acesso secundário acontece pela Avenida José dos Santos Diniz direcionando o público aos ambientes de leitura situados no primeiro pavimento. Os caminhos que permeiam o parque também têm acessos para as duas vias e direcionam o público para a entrada principal da biblioteca e para os ambientes do parque.
Mapa 25 – Inserção urbana com indicação de acessos à Biblioteca Parque Municipal Europa.
Fonte: Google Earth modificado.
projeto o concreto aparente, a madeira e o vidro. Nas fachadas Norte e Oeste serão utilizados brises de madeira em toda a extensão, em busca de amenizar a intensidade solar presente nessas fachadas. O interior da biblioteca terá como cores predominantes tons de azul que simbolizam criatividade, juventude e alegria e tons de verde que remetem à natureza e transmitem harmonia, cores que vão de encontro ao conceito e objetivos do projeto. Além disso, no interior também será empregado mobiliários em tons de madeira, bem como piso e vegetações em busca da maior conexão com o entorno.
Figura 41 – Moodboard materialidade Biblioteca Parque Municipal Europa.
Fonte: Autoral, 2022.