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Capítulo 2 – A Sociedade da Informação e as Bibliotecas no Ensino Superior

2.2. A Sociedade da Informação

2.2.4. Bibliotecas do Ensino Superior

Quando surgiram, as bibliotecas universitárias eram pequenas e cresciam a um ritmo muito lento. Brophy (2000) apresenta os seguintes dados: em 1424 a Biblioteca da Universidade de

Cambridge detinha 122 volumes. No entanto, os números estavam a crescer através da cópia, da compra e das doações. Os académicos da época eram obrigados a viajar de biblioteca em biblioteca para consultarem manuscritos raros e valiosos, uma vez que não havia dois iguais.

A imprensa de Guttenberg, inventada em meados do séc. XV, foi o mecanismo que permitiu um crescimento mais acelerado das bibliotecas. Apesar da composição do quadro de impressão ser laboriosa, esta possibilitava a criação de múltiplas cópias de um mesmo documento em tempo recorde. Assim, os diversos exemplares puderam ser vendidos e distribuídos muito mais rapidamente. Através do processo de impressão, os documentos eram agora iguais, o que libertou os leitores da necessidade de se deslocarem a diferentes bibliotecas para comparar diferentes versões.

No séc. XVI aumentou o número de impressões, bem como o número de exemplares. O mesmo aconteceu nos sécs. XVII e XVIII, mas é no séc. XIX que se assiste a uma explosão no crescimento de cópias, 1 milhão, fruto da revolução industrial e da consequente mecanização da imprensa.

O impacto que estes avanços tiveram nas bibliotecas académicas foi enorme. Segundo Brophy (2000), a Bodleian Library da Universidade de Oxford viu as suas colecções aumentarem para dezasseis mil volumes em 1620 para trinta mil em 1700. A própria natureza dessas instituições começou a mudar, passando o seu acervo a ser mais diversificado, não se centrando apenas em temas de Teologia e nos clássicos e, pela primeira vez, as revistas adquirem importância enquanto documentos constituintes do fundo documental. De facto, com o desenvolvimento de sociedades instruídas, a comunicação das observações e dos resultados obtidos torna-se cada vez mais formal e ganha cada vez mais peso nos meios da investigação e académico.

No séc. XIX a profissão de bibliotecário era incipiente, pelo que na maioria dos casos, o bibliotecário responsável pela Biblioteca era um académico (situação que nalguns casos subsiste ainda até aos dias de hoje em muitas bibliotecas de ensino superior português).

Durante o início do séc. XX, as bibliotecas cresceram gradualmente e já em meados do século, num relatório publicado no Reino Unido, a University Grants Committee (UGC) proferiu declarações de grande apoio às Bibliotecas académicas:

The character and efficiency of a university may be gauged by its treatment of its central organ – the library. We regard the fullest provision for library maintenance as the primary and most vital need in the equipment of a university (University Grants Committee, 1967, p. 9).

Apesar destas declarações, devido à conjuntura de crise/recessão vivida nas décadas de 20 e 30, seguidas pela II Guerra Mundial, as bibliotecas não chegaram a usufruir em pleno da postura e dos apoios declarados. De facto, em Inglaterra, somente na década de 60 é que os bibliotecários

puderam planificar uma biblioteca de raiz. Nesse país, em 1967 o “Parry Report” (1967) assumia que as bibliotecas, apesar de serem serviços caros de criar e manter, deveriam ser acarinhadas e que deveria ser investido, pelo menos, 6% do orçamento da instituição mãe naquele serviço. Outro aspecto destacado como de extrema importância foi a cooperação bibliotecária.

Apesar da melhoria de condições, e da consciencialização da importância do papel da biblioteca para o ensino superior, as condições não eram equitativas entre as diferentes bibliotecas académicas, e aquelas pertencentes a instituições do ensino superior politécnico foram as menos beneficiadas.

Mais tarde o é apresentado o “Atkinson Report” (1976), onde se avança com o conceito de expurgo dos fundos, para que estes dessem lugar a novos documentos, de maior interesse para o público e, consequentemente, que suscitassem maior utilização do serviço. Apesar de esta ideia ter gerado controvérsia, acabou por ser implementada.

Impulsionadas pelas mudanças que se vivenciam na sociedade, das quais se destacam a crescente importância da informação, cada vez mais disponível e em formatos variados, a cada vez maior importância das tecnologias de informação e comunicação e a globalização, as instituições de ensino superior assumem um papel preponderante, como um meio para o sujeito atingir a plenitude académica, profissional, social e pessoal. De acordo com dados da Eurostat, UNESCO-UIS e OCDE, disponibilizados pela Pordata, a evolução do número de inscritos no ensino superior em Portugal parece acompanhar os dados europeus (cf. Gráfico 5). Tal é demonstrativo de que o país segue as tendências no que à instrução superior diz respeito.

Gráfico 5 - Alunos matriculados no Ensino Superior: total e por área de educação.

Fonte: Pordata

Existe a consciência que, a razão de ser da BES é servir de apoio à IES em que se integra, de modo a que esta atinja os seus objectivos. Para que a BES seja eficiente nesse propósito, é fundamental que exista uma plena integração entre esta e a missão, fins e objectivos da IES que a suporta.

Uma das grandes fragilidades de algumas BES é a ausência de integração real na instituição a que pertencem, que se reflecte no peso (diminuto) que detêm dentro da própria instituição.

Orera Orera (Orera Orera, 2005, 2007) vai mais longe assumindo que essa falta de importância se relaciona directamente com as metodologias de ensino empregues nos estabelecimentos de ensino superior, onde vigora o ensino magistral, onde o docente transmite o conhecimento e os estudantes, num papel de aprendentes passivos, assistem à aula, estudam através dos apontamentos e da bibliografia recomendada pelo docente. Neste cenário, a biblioteca tem pouco peso pois é para a comunidade académica um depósito de documentação e uma sala de estudo.

A autora refere que em Espanha a Rede de Bibliotecas Universitárias (REBIUN) tem feito um esforço para contribuir para o aumento de pertinência da BES, assumindo o paradigma anglo- saxónico no qual a biblioteca é o coração da universidade. Os esforços da REBIUN foram, de certa forma, apoiados pela nova metodologia de ensino requerida pelo Espaço Europeu Ensino Superior, pois exige a aplicação de metodologias activas e participativas, que requerem uma maior utilização de fontes de informação e de serviços bibliográficos.

A integração plena das bibliotecas nas IES beneficia da inclusão da REBIUN, como uma das mesas sectoriais constituintes da Conferência de Reitores das Universidades Espanholas (CRUE). Mas a nível institucional Orera Orera (2005, p. 42) identifica alguns aspectos que potenciam a integração da biblioteca na IES:

• Os estatutos das IES devem definir o papel desempenhado pela biblioteca

• Os planos estratégicos devem contemplar a biblioteca e integrá-la como um meio para atingir os objectivos da IES; os planos estratégicos devem ser claros e amplamente difundidos por toda a comunidade

• O orçamento atribuído à biblioteca será um reflexo da sua importância na IES e da sua integração na mesma; a REBIUN afirma que para além do orçamento da biblioteca, esta deve estar integrada no plano de investimentos da IES, correspondendo o investimento em novos serviços, implantação de novas tecnologias, criação de colecções etc.

• A inclusão da biblioteca nos diferentes órgãos da IES e a situação reciproca também deve ocorrer

• A biblioteca deve evoluir para uma harmonização de serviços com as actuais necessidades do sistema de ensino e aprendizagem através da cooperação com os diversos serviços da IES: administrativos, informáticos, docentes etc.

• A existência de canais formais e informais de comunicação é essencial pois será através desses canais que a biblioteca poderá publicitar noticias, novos serviços, actividades etc. e que a comunidade poderá dirigir-lhe petições, perguntas, queixas etc.

A biblioteca é uma organização milenar, cujo conceito que lhe é inerente tem evoluído ao longo dos séculos. No entanto, apesar dessa evolução, mantém características próprias que não foram alteradas, nem com o passar do tempo, nem com a (r)evolução tecnológica. De facto, a missão da biblioteca foi e ainda é: assegurar o acesso à informação, através de uma colecção organizada de recursos de informação ou de acesso a recursos, organizados ou não, disponíveis através da Internet a todos os interessados, sem qualquer descriminação.

Essa é a função primordial da biblioteca. Ora, assim sendo, coloca-se a questão: haveria então necessidade de se proceder a uma tipologia bibliotecária, se o conceito geral de Biblioteca pressupõe a facilitação do acesso, de todos, à informação? A resposta é, naturalmente, sim. Apesar de essa ser a definição geral da missão da biblioteca, na realidade, atendendo às necessidades de

cada um de nós, a informação que procuramos pode ser mais ou menos específica. Seria por isso, incomportável, acima de tudo por motivos financeiros e de logística, que as bibliotecas de cariz generalista incluíssem no seu acervo, documentação capaz de satisfazer todas as necessidades especializadas dos seus utilizadores, potenciais e efectivos. Dessa forma, assiste-se a uma diversificação da instituição biblioteca, de modo a satisfazer, de modo mais completo, as necessidades informacionais de todos os seus utilizadores.

A biblioteca do ensino superior não rejeita essa missão mas, por ser um serviço integrante da IES, deve assumir que os seus fins são os fins da sua instituição acolhedora.

Existe uma especialização, no que diz respeito às temáticas integrantes do acervo, mas considera-se que não é possível falar de sectarização, uma vez que, embora seja criada e mantida atendendo às necessidades específicas da IES que integra, o seu acesso é livre.

Efectivamente, uma biblioteca desta tipologia serve dois propósitos: apoiar a actividade lectiva da IES e, apoiar igualmente, a actividade de investigação que se desenvolve nessa instituição. Para o primeiro fim, há que disponibilizar materiais como obras de referência, manuais, textos e monografias de apoio ao processo de ensino e aprendizagem. Para o segundo, será essencial a aquisição de periódicos, onde são publicadas as mais recentes evoluções em diversos campos científicos, embora as obras de referência e as monografias também sejam importantes.

Actualmente, a abordagem ao processo de ensino e aprendizagem sofreu grandes mutações, tendo ocorrido uma mudança paradigmática. O ensino passa a estar centrado no estudante que detém, agora, um papel pró-activo na construção da sua própria aprendizagem. As metodologias de ensino empregues tendem a ser activas, em detrimento das passivas usadas anteriormente. Desta forma, os estudantes são estimulados a procurar fontes de informação e meios capazes de resolver os problemas que lhes são apresentados.

Neste contexto educacional, a biblioteca do ensino superior detém uma importância ainda maior e nesta visão do processo de ensino e aprendizagem, essa organização deve ser encarada como um subsistema da IES a que pertence, base da infra-estrutura informacional da IES e um participante activo no processo de ensino dos docentes, de aprendizagem dos estudantes e das actividades de investigação que a comunidade académica desenvolve.

De facto, Brophy (2000) considera que as Leis de Ranganathan enunciadas em 1931, ainda hoje facultam guias/orientação para que não se percam de vista dois aspectos essenciais no que às bibliotecas diz respeito:

1. as bibliotecas são sobre o que Ranganathan chama de livros e que hoje, com o avanço tecnológico, se devem considerar como “objectos de informação”;

2. as bibliotecas são sobre/para as pessoas (leitores, utilizadores) e a utilização que estes fazem dos objectos de informação é o coração da biblioteca.

Numa visão clássica de biblioteca, esta deve, primeiramente, construir, alargar e aprofundar a sua colecção, facultando o seu acesso aos utilizadores, mas o acesso será restringido pela durabilidade da própria colecção. Neste sentido, a biblioteca será um repositório e a maior parte da actividade desenvolvida no seu seio, centra-se na manutenção desse mesmo repositório (cf. Esquema 28).

Esquema 28 - Biblioteca como colecção.

Fonte: a própria, adaptado de Brophy, 2000

Numa outra abordagem é possivel encarar a biblioteca à luz da teoria dos sistemas, olhando para a biblioteca através de fluxos de recursos e processos. O modelo de sistemas aplicado à biblioteca resulta no esquema abaixo apresentado.

Esquema 29 - Modelo de sistemas aplicado à Biblioteca.

Fonte: a própria, adaptado de Brophy 2000

Esta nova abordagem pressupõe o enfoque em dois aspectos fulcrais. Primeiramente, todos os recursos inerentes ao funcionamento da biblioteca e todos eles pressupõem uma gestão (eficaz), que são independentes e que para que a biblioteca crie produtos, estes devem ser integrados no seu funcionamento. Em segundo lugar, a abordagem baseada na teoria de sistemas foca a sua atenção nos impactos e nos resultados (outcomes), ou seja, que impacto a biblioteca tem na vida dos seus utilizadores. Estes, serão sempre a razão de ser da biblioteca, que deve ter um papel activo e não passivo.

No actual cenário, onde as fontes de informação são diversas e muitas delas não são propriedade da biblioteca, o acesso à informação que esta deve facultar, torna-se num desafio cada vez maior.

Os recursos potencialmente disponíveis, o designado universo informacional são, segundo Brophy (2000) os seguintes: Consolidação de stock Colecção da Biblioteca Utilizadores

Livros impressos, livros electrónicos e livros multimedia publicados numa variedade de formatos;

Revistas impressas, electrónicas e publicadas em formatos híbridos; Relatórios, quer impressos quer electrónicos;

Patentes, normas etc. em formato impresso e electrónico;

Documentos oficiais, incluindo legislação, em formato impresso e electrónico; Diapositivos e outro tipo de documentos gráficos em formato analógico; Imagens digitais;

Registos audio analógicos; Registos audio digitais; Registo vídeo analógico; Registo vídeo digital;

Informação geoespacial tais como cartografia impressa e digital; Colecções de dados como bases de dados demográficas;

Literatura cinzenta;

Sítios web e páginas web pessoais; Aplicações java;

Ficheiros de computador de vários tipos;

Streamed data, tais como dados de observações de satélite ou as news-feed; Discos semi-publicados ou não publicados;

Documentos dinâmicos criados quando são pedidos; Documentos dinâmicos actualizados remotamente.

Os recursos disponíveis numa biblioteca são a população informacional, e farão parte dos acima identificados. No entanto, se se atender a que o público-alvo da população informacional de uma biblioteca é, actualmente, imenso, e que estes serão a população de utilizadores, chegamos a um modelo simétrico (cf. esquema abaixo) representativo das populações de utilizadores e das populações informacionais.

Esquema 30 - Populações de utilizadores e de informação.

Fonte: a própria, adaptado de Brophy, 2000

Universo de utilizadores População de utilizadores Biblioteca População de informação Universo de informação

Nesta representação, é facilmente perceptível o papel de mediador que a biblioteca assume entre os utilizadores e os recursos informacionais. Não obstante esse papel de intermediário, a biblioteca é, igualmente, um local onde os utilizadores poderão interagir com especialistas em informação. O desafio para as bibliotecas académicas é o de gerir serviços que ofereçam aos seus utilizadores uma cuidadosa selecção de recursos em suportes diferenciados, tornando-se, inevitavelmente, numa biblioteca académica híbrida.

Assim, este tipo de biblioteca, baseado no acesso a colecções de objectos informacionais (próprios ou não), desenvolve os seguintes serviços (Brophy, 2000):

1. Catálogo do acervo da biblioteca que estará disponível no OPAC (Online Public Access Catalogue) enquanto que bibliografias, índices e resumos serão o caminho para aceder a colecções de outras instituições e outros recursos;

2. A entrega de recursos ao utilizador através do empréstimo, do empréstimo interbibliotecário, o recurso ao serviço de referência, o recurso ao serviço de fotocópias e impressões de documentos (impressos e electrónicos);

3. O espaço destinado ao estudo, disponibilizando vários recursos e serviços como acesso a computadores, fotocópias, visualização de slides e leitores e impressoras de micro-formas;

4. Serviços de apoio ao utilizador capazes de satisfazer as suas necessidades e de responder às suas questões, ora de âmbito direccional, ora questões mais complexas que exijam maior conhecimento de determinada área e de determinada fonte de informação. A biblioteca também será vista como um centro capaz de responder a questões ligadas com o direito de autor e copyright;

5. Serviços de apoio capazes de apoiar os departamentos académicos, cursos, unidades curriculares;

6. Desenvolvimento de competências direccionadas para os estudantes e que os capacitarão com aptidões essenciais para o actual mercado de trabalho;

7. Outros serviços como por exemplo o acesso a documentos de arquivo valiosos e muitas vezes inacessíveis.

Uma das preocupações que deve estar presente em qualquer biblioteca académica é o desenvolvimento de estratégias de informação. De facto, esta preocupação já estava presente nas recomendações do Follett Committee (Higher Education Funding Council for England, 1993). Em 1995 no Reino Unido, o JISC (Joint Information System Committee) emite linhas de orientação nesse sentido e refere mesmo que a informação “é o sangue das instituições de Ensino Superior”. A mensagem transmitida era de que seria necessário tratar e gerir toda a informação, independentemente de as suas fontes serem internas ou externas.

Nos últimos anos tem-se assistido a mudanças no ensino superior europeu e no processo de ensino e aprendizagem. Essas mudanças reflectem-se numa importância cada vez maior do estudante, sendo ele o centro de todo o processo e dos recursos, sejam eles informacionais, tecnológicos, pedagógicos ou de outra natureza. Este novo sistema aumenta, exponencialmente, a importância da biblioteca para a sua instituição mãe e exige trabalho de cooperação entre os diversos profissionais: bibliotecários, informáticos, técnicos audiovisuais, assessores pedagógicos, docentes etc.

A biblioteca, ao migrar de um papel passivo, reactivo, não participativo e tradicional para um papel activo e participativo na aprendizagem e nas actividades docentes e de investigação, vai assumir uma mudança de direcção estratégica. Os bibliotecários passam a ser conselheiros indispensáveis, auxiliando o corpo docente na identificação e avaliação de recursos informacionais e nas novas tarefas de inovação educativa.

Esta mudança requer um compromisso dos órgãos governativos da própria IES e uma reestruturação organizacional. Relativamente a este assunto, optou-se por analisar o exemplo espanhol pela proximidade física com Portugal, e porque, apesar de não existir no seu sistema de ensino o sistema binário, existem universidades mais direccionadas para a investigação e universidades direccionadas para a exploração técnica que são designadas por universidades técnicas, que se considera ser o equivalente aos institutos politécnicos portugueses.

Orera Orera (Orera Orera, 2005, 2007) considera que perante estas mudanças, a BES passa a ser encarada como um Centro de Recursos para a Aprendizagem e Investigação (CRAI) e é neste sentido que a REBIUN apresenta uma nova definição de biblioteca do ensino superior:

La Biblioteca es un centro de recursos para el aprendizaje, la docência y la investigación y las actividades relacionadas com el funcionamento y la gestión de la Universidade/Institución en su conjunto. La Biblioteca tiene como misión facilitar el acceso y la difusión de los recursos de información y colaborar en los processos de creación de conocimiento, a fin de contribuir a la consecución de los objectivos de la Universidad/institucion realizando las actividades que esto implica de forma sostenible y socialmente responsable (2013, p. 1).